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  Astroboletim #2220  
  17/06 a 19/06/2025  
     
 
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MANHÃS ASTRONÓMICAS EM FARO
O Centro Ciência Viva do Algarve, em conjunto com o Centro Ciência Viva de Tavira, irá realizar uma sessão de observação do Sol.
Data: 20 de junho de 2025
Hora: 10:00 - 12:00
Local: Jardim Manuel Bívar, junto à marina
A realização desta atividade está dependente das condições atmosféricas.
A sessão é gratuita e não sujeita a marcação.
Participe!
Informações: 289 890 920 | info@ccvalg.pt

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EFEMÉRIDES

DIA 17/06: 168.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1909, A. Kopff descobria o asteroide Hagar (682).
Em 1970, a tripulação da Soyuz 9, ao fim de 17 dias, quebra o anterior recorde (com cinco anos) de mais tempo passado no espaço.
Em 1985, lançamento da missão STS-51-G.
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A bordo seguia o sultão Salman Al Saud da Arábia Saudita, o primeiro árabe, muçulmano e primeiro membro de uma família real no espaço.
HOJE, NO COSMOS:
Marte ainda está bastante perto de Régulo. É uma excelente altura para comparar as suas cores através de uns binóculos ou de um telescópio com baixa ampliação.

 

DIA 18/06: 169.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1178, 5 monges da Cantuária assistem à formação daquilo que provavelmente é a cratera Giordano Bruno.
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Acredita-se que as atuais oscilações da distância da Lua (na ordem de metros) sejam resultado desta colisão.
Em 1799, nascia William Lassell, astrónomo inglês que descobriu Tritão, a maior lua de Neptuno, apenas 17 dias depois da descoberta do próprio planeta por Johann Gottfried Galle. Em 1848, codescobriu independentemente Hiperião, lua de Saturno. Em 1851, descobriu Ariel e Umbriel, luas de Úrano. 
Em 1926, nascia Allan Rex Sandage, astrónomo americano, conhecido por determinar o primeiro valor razoavelmente preciso da constante de Hubble e da idade do Universo. É também o descobridor do primeiro quasar
Em 1983, Sally Ride tornava-se a primeira astronauta dos Estados Unidos no espaço. 
Em 2006, lançamento do primeiro satélite do Cazaquistão, o KazSat.
Em 2009, era lançada a sonda LRO (Lunar Reconnaissance Orbiter) da NASA.
HOJE, NO COSMOS:
Lua em Quarto Minguante, pelas 20:19.
Marte e Régulo continuam, novamente, separados por menos de 1º no céu. Se os observou ontem à noite, observe também esta noite e verifique a mudança na posição do planeta Vermelho em relação à estrela da constelação de Leão.

 

DIA 19/06: 170.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 240 a.C. terá sido por volta deste dia que Eratóstenes  "mediu" a circumferência da Terra usando a sombra do Sol a duas latitudes diferentes, uma em Alexandria, a outra em Siena (atualmente Assuão).
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Em 1963, Valentina Tereshkova, a primeira mulher no espaço, regressa à Terra após 3 dias em órbita a bordo da Vostok 6
Em 1976, a sonda Viking 1 entrava em órbita em torno de Marte após 10 meses de missão.
HOJE, NO COSMOS:
Cerca de 2 horas antes do amanhecer, vire-se para sudeste e encontre a Lua no céu. O ponto brilhante para baixo e para a sua direita é o planeta Saturno.
Para cima e para a esquerda do nosso satélite natural e de Saturno está o Grande Quadrado de Pégaso, um prenúncio ainda muito precoce do outono para os observadores madrugadores, mas no entanto já visível ainda antes do começo do verão.

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ALMA revela a vida dos discos de formação planetária
 
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Ilustração de um disco protoplanetário, como os trinta estudados para o levantamento AGE-PRO do ALMA. O tempo de vida do gás dentro do disco determina a escala de tempo para o crescimento planetário.
Crédito: NSF/AUI/NRAO da NSF/S.Dagnello
 

Uma equipa internacional de astrónomos revelou descobertas inovadoras sobre os discos de gás e poeira que rodeiam estrelas jovens próximas, utilizando o poderoso ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array). Estes resultados, que serão publicados em 12 artigos científicos numa futura edição especial da revista The Astrophysical Journal, fazem parte de um grande programa do ALMA chamado AGE-PRO (ALMA Survey of Gas Evolution of PROtoplanetary Disks). O AGE-PRO observou 30 discos protoplanetários em torno de estrelas semelhantes ao Sol para medir a massa do disco de gás em diferentes idades. O estudo revelou que os componentes do gás e da poeira nestes discos evoluem a ritmos diferentes.

Um disco protoplanetário rodeia a sua estrela hospedeira durante vários milhões de anos, à medida que o seu gás e poeira evoluem e se dissipam, estabelecendo a escala de tempo para a formação de planetas gigantes. A massa e o tamanho iniciais do disco, bem como o seu momento angular, têm uma profunda influência no tipo de planeta que se poderá formar (gigantes gasosos, gigantes gelados ou mini-Neptunos) e nas trajetórias de migração dos planetas. O tempo de vida do gás no interior do disco determina a escala de tempo para o crescimento das partículas de poeira até um objeto do tamanho de um asteroide, a formação de um planeta e, finalmente, a migração do planeta a partir do local onde nasceu.

Observações anteriores do ALMA examinaram a evolução da poeira nos discos; o AGE-PRO, pela primeira vez, rastreia a evolução do gás. "O AGE-PRO fornece as primeiras medições de massas e tamanhos de discos de gás ao longo do tempo de vida de discos de formação planetária", explicou a investigadora principal Ke Zhang da Universidade de Wisconsin-Madison.

A sensibilidade única do ALMA permitiu aos investigadores usar linhas moleculares ténues para estudar o gás frio nestes discos. O levantamento observou 30 discos com diferentes idades, desde menos de 1 milhão de anos até mais de 5 milhões de anos, em três regiões de formação estelar: Ofiúco, Lobo, e Escorpião Superior. Usando o ALMA, o AGE-PRO obteve observações de indicadores chave das massas do gás e da poeira em discos que abrangem fases cruciais da sua evolução, desde a sua formação inicial até à sua eventual dispersão. Estes dados do ALMA servirão como uma biblioteca abrangente de observações de linhas espetrais para uma grande amostra de discos em diferentes fases da sua evolução.

 
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Ilustração artística da evolução de um disco de gás revelada pelo programa AGE-PRO. O programa AGE-PRO observou 30 discos protoplanetários em torno de estrelas semelhantes ao Sol para medir como a massa do disco de gás muda com a idade. A linha superior ilustra a tendência previamente conhecida: a fração de estrelas jovens com discos diminui com o tempo. O estudo AGE-PRO, pela primeira vez, mostra que a massa média do disco de gás dos discos sobreviventes também diminui com a idade. Os discos com menos de 1 milhão de anos têm tipicamente várias vezes a massa de Júpiter em conteúdo gasoso, mas esta cai rapidamente para menos de 1 massa de Júpiter nos sistemas mais antigos. Curiosamente, os discos sobreviventes nos intervalos de idade de 1-3 milhões de anos e 2-6 milhões de anos parecem manter massas de gás medianas semelhantes.
Crédito: Colaboração AGE-PRO, C. Agurto-Gangas
 

O monóxido de carbono (CO) é o indicador químico mais utilizado nos discos protoplanetários, mas para medir completamente a massa de gás num disco, são necessários indicadores moleculares adicionais. O AGE-PRO utilizou o N2H+ como indicador adicional de gás para melhorar significativamente a precisão das medições. As deteções do ALMA foram também configuradas para receber linhas espetrais inesperadas, incluindo H2CO, DCN, DCO+, N2D+, CH3CN. "Este é o primeiro estudo químico em grande escala do seu género, visando os 30 discos com uma gama mais ampla de idades para caracterizar as massas do gás", explicou John Carpenter do Observatório ALMA e colíder deste estudo.

Os resultados do AGE-PRO indicam que, à medida que os discos envelhecem, o gás e a poeira são consumidos a ritmos diferentes e sofrem uma "oscilação" no rácio de massa gás-poeira à medida que os discos evoluem. Zhang explica: "A descoberta mais surpreendente é que, embora a maioria dos discos se dissipe após alguns milhões de anos, os que sobrevivem têm mais gás do que o esperado. Isto altera fundamentalmente a nossa estimativa da acreção atmosférica de planetas formados mais tarde".

A capacidade do ALMA em detetar linhas moleculares ténues proporcionou uma janela para os processos detalhados da evolução do gás nos discos. Ao comparar as medições do AGE-PRO das massas de gás e dos tamanhos dos discos com estudos anteriores que mapeiam as mesmas características das partículas de poeira, Zhang e a sua equipa estão a juntar as inter-relações entre massa, tamanho, transporte de momento angular e fatores ambientais como a fotoevaporação.

A equipa AGE-PRO, que divulgou na semana passada a sua dúzia de artigos científicos, sublinhou a natureza cooperativa, internacional e a longo prazo do seu trabalho partilhado. A coinvestigadora principal Ilaria Pascucci, da Universidade do Arizona, acrescenta: "A ciência é um esforço colaborativo, realizado por pessoas de diferentes países e de diferentes origens, cada uma contribuindo com ideias únicas para fazer avançar o conhecimento e a descoberta".

// NRAO (comunicado de imprensa)
// Observatório ALMA (comunicado de imprensa)
// Universidade do Chile (comunicado de imprensa)
// Universidade de Wisconsin-Madison (comunicado de imprensa)
// Universidade do Arizona (comunicado de imprensa)
// Artigos científicos do programa AGE-PRO

 


Quer saber mais?

Discos protoplanetários:
Wikipedia
Formação planetária (Wikipedia)

Levantamento AGE-PRO (ALMA Survey of Gas Evolution of PROtoplanetary Disks):
Página principal

ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array):
Página principal
ALMA (NRAO)
ALMA (ESO)
Wikipedia

 
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Nuvens de silicato descobertas na atmosfera de um exoplaneta distante
 
Impressão artística do sistema YSES-1, que consiste de uma estrela semelhante ao Sol com aproximadamente 16 milhões de anos no centro, YSES-1 b e o seu disco circumplanetário poeirento (direita), e YSES-1 c com nuvens de silicato na sua atmosfera (esquerda).
Crédito: Ellis Bogat
 

Os astrofísicos obtiveram novos e preciosos conhecimentos sobre a formação de exoplanetas distantes e sobre o aspeto das suas atmosferas, depois de utilizarem o Telescópio James Webb para adquirirem imagens de dois exoplanetas jovens com um pormenor extraordinário.

Entre as principais descobertas contam-se a presença de nuvens de silicato na atmosfera de um dos planetas e um disco circumplanetário que se pensa alimentar material que pode formar luas à volta do outro.

Em termos mais gerais, a compreensão da formação do sistema supersolar YSES-1 fornece uma visão mais aprofundada das origens do nosso próprio Sistema Solar e dá-nos a oportunidade de observar e aprender, em tempo real, como um planeta semelhante a Júpiter se forma.

"Os exoplanetas observados diretamente - planetas para lá do nosso Sistema Solar - são os únicos exoplanetas que podemos fotografar", afirmou o Dr. Evert Nasedkin, pós-doutorado da Escola de Física do TCD (Trinity College Dublin), coautor do artigo científico publicado no passado dia 10 de junho na revista Nature. "Estes exoplanetas são tipicamente ainda suficientemente jovens para estarem ainda quentes devido à sua formação e é este calor, visto no infravermelho, que nós, astrónomos, observamos".

Utilizando instrumentos espetroscópicos a bordo do Telescópio Espacial James Webb, a Dra. Kielan Hoch e uma vasta equipa internacional obtiveram espetros amplos de dois exoplanetas jovens e gigantes que orbitam uma estrela semelhante ao Sol, YSES-1. Estes planetas são várias vezes maiores do que Júpiter e orbitam longe da sua estrela hospedeira, realçando a diversidade de sistemas exoplanetários, mesmo em torno de estrelas como o nosso próprio Sol.

O principal objetivo da medição dos espetros destes exoplanetas era compreender as suas atmosferas. Diferentes moléculas e partículas de nuvens absorvem diferentes comprimentos de onda da luz, conferindo uma impressão digital característica ao espetro de emissão dos planetas.

O Dr. Nasedkin disse: "Quando olhámos para o companheiro mais pequeno e mais distante, conhecido como YSES-1 c, encontrámos a assinatura reveladora das nuvens de silicato no infravermelho médio. Essencialmente feitas de partículas semelhantes a areia, esta é a mais forte característica de absorção de silicatos observada até agora num exoplaneta".

"Pensamos que isto está relacionado com a relativa juventude dos planetas: os planetas mais jovens têm um raio ligeiramente maior e esta atmosfera alargada pode permitir que a nuvem absorva mais da luz emitida pelo planeta. Usando modelos detalhados, conseguimos identificar a composição química destas nuvens, bem como pormenores sobre as formas e tamanhos das partículas das nuvens".

O planeta interior, YSES-1 b, proporcionou outras surpresas: embora todo o sistema planetário seja jovem, com 16,7 milhões de anos, é demasiado velho para encontrar sinais do disco de formação planetária em torno da estrela hospedeira. Mas em YSES-1 b a equipa observou um disco em torno do próprio planeta, que se pensa que alimenta o planeta com material e serve de local de nascimento de luas - semelhante às observadas em torno de Júpiter. Apenas três outros discos deste tipo foram identificados até à data, ambos em torno de objetos significativamente mais jovens do que YSES-1 b, levantando novas questões sobre como este disco pode ter uma vida tão longa.

O Dr. Nasedkin acrescentou: "Em geral, este trabalho realça as capacidades incríveis do Webb para caracterizar atmosferas de exoplanetas. Com apenas um punhado de exoplanetas que podem ser diretamente fotografados, o sistema YSES-1 oferece uma visão única da física atmosférica e dos processos de formação destes gigantes distantes".

Em termos gerais, compreender como este sistema supersolar se formou fornece uma visão mais aprofundada das origens do nosso próprio Sistema Solar, dando-nos a oportunidade de observar a formação de um planeta semelhante a Júpiter em tempo real. É importante, para saber como eram os blocos de construção do nosso próprio Sistema Solar, compreender o tempo que demora a formação dos planetas e a composição química no final desse processo. Os cientistas podem comparar estes sistemas jovens com o nosso, o que dá pistas sobre a forma como os nossos planetas mudaram ao longo do tempo.

A Dra. Kielan Hoch, bolseira Giacconi do STScI (Space Telescope Science Institute), afirmou: "Este programa foi proposto antes do lançamento do JWST. Era único, uma vez que colocámos a hipótese de o instrumento NIRSpec do futuro telescópio ser capaz de observar ambos os planetas no seu campo de visão numa única exposição, essencialmente, dando-nos dois pelo preço de um. As nossas simulações acabaram por estar corretas após o lançamento, fornecendo o conjunto de dados mais detalhado de um sistema multiplanetário até à data".

"Os planetas do sistema YSES-1 estão também demasiado separados para serem explicados através das atuais teorias de formação, pelo que as descobertas adicionais de nuvens de silicato distintas em torno de YSES-1 c e de pequeno material poeirento quente em torno de YSES-1 b levam a mais mistérios e complexidades para determinar como os planetas se formam e evoluem”.

"Esta investigação foi também liderada por uma equipa de investigadores em início de carreira, como pós-doutorados e estudantes, que constituem os primeiros cinco autores do artigo científico. Este trabalho não teria sido possível sem a sua criatividade e trabalho árduo, que é o que ajudou a fazer estas incríveis descobertas multidisciplinares".

// Trinity College Dublin (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature)

 


Quer saber mais?

CCVAlg - Astronomia:
16/07/2021 - Primeira medição de isótopos na atmosfera de um exoplaneta
24/07/2020 - Telescópio do ESO captura a primeira imagem de sempre de um sistema planetário múltiplo em órbita de uma estrela do tipo do Sol

Sistema YSES 1 (ou TYC 8998-760-1):
NASA
Simbad
Wikipedia
YSES-1 b (NASA)
YSES-1 b (Exoplanet.eu)
YSES-1 c (NASA)
YSES-1 c (Exoplanet.eu)

Exoplanetas:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de exoplanetas mais próximos (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Lista de exoplanetas candidatos a albergar água líquida (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
NASA
Exoplanet.eu

JWST (Telescópio Espacial James Webb):
NASA
STScI
STScI (website para o público)
ESA
ESA/Webb
Wikipedia
Facebook
X/Twitter
Instagram
Blog do JWST (NASA)
NIRISS (NASA)
NIRCam (NASA)
MIRI (NASA)
NIRSpec (NASA)

 
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Um vulcão "escondido à vista de todos" pode ajudar a datar Marte - e a sua habitabilidade
 
Ilustração do possível aspeto da cratera Jezero há milhares de milhões de anos em Marte, quando era um lago. Jezero Mons é visível na parte frontal direita da orla da cratera.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
 

Cientistas do Instituto de Tecnologia da Geórgia, EUA, descobriram evidências de que uma montanha na orla da cratera Jezero - onde o rover Perseverance da NASA está atualmente a recolher amostras para possível envio à Terra - é provavelmente um vulcão. Chamado Jezero Mons, tem quase metade do tamanho da cratera e pode fornecer pistas importantes sobre a habitabilidade e sobre o vulcanismo de Marte, transformando a forma como compreendemos a história geológica de Marte.

O estudo foi publicado no passado mês de maio na revista Communications Earth & Environment e sublinha o muito que ainda temos para aprender sobre uma das regiões mais bem estudadas de Marte.

A autora principal, Sara C. Cuevas-Quiñones, completou a investigação enquanto estudante universitária durante um programa de verão no Instituto de Tecnologia da Geórgia; é agora estudante na Universidade Brown. A equipa também incluiu o autor correspondente, o professor James J. Wray, a professora assistente Frances Rivera-Hernández e Jacob Adler, na altura pós-doutorado no Instituto de Tecnologia da Geórgia e agora professor assistente de investigação na Universidade do Estado do Arizona.

"O vulcanismo em Marte é intrigante por várias razões - desde as implicações que tem na habitabilidade até a um melhor conhecimento da história geológica", diz Wray. "A cratera Jezero é um dos locais mais bem estudados de Marte. Se só agora estamos a identificar um vulcão aqui, imagine-se quantos mais poderão existir em Marte. Os vulcões podem estar ainda mais espalhados por Marte do que pensávamos".

Uma montanha nas margens

Wray reparou na montanha pela primeira vez em 2007, enquanto estudava a cratera Jezero como estudante.

"Estava a olhar para fotografias de baixa resolução da área e reparei numa montanha na borda da cratera", recorda. "Para mim, parecia um vulcão, mas era difícil obter imagens adicionais". Na altura, a cratera Jezero tinha sido descoberta recentemente e as imagens centravam-se quase exclusivamente na sua intrigante história da água, que se encontra no lado oposto da cratera de 45 quilómetros de largura.

Então, a cratera Jezero, devido a estes depósitos sedimentares semelhantes a lagos, foi selecionada como local de aterragem do rover Perseverance - uma missão da NASA ainda em curso que procura sinais de vida marciana antiga e recolhe amostras de rochas para possível envio à Terra.

 
Vista de Jezero Mons. A montanha tem cerca de 21 quilómetros de diâmetro.
Crédito: C. Cuevas-Quiñones et al., 2025; Instituto de Tecnologia da Geórgia
 

No entanto, após a aterragem, algumas das primeiras rochas que o Perseverance encontrou não eram os depósitos sedimentares que se poderia esperar de uma área anteriormente inundada - eram vulcânicas. Wray suspeitava que poderia saber a origem destas rochas, mas para fazer esse argumento, teria de demonstrar que a montanha na orla da cratera Jezero poderia ser, de facto, um vulcão.

Uma nova investigadora - e dados antigos

A oportunidade surgiu vários meses após a aterragem do Perseverance, quando Cuevas-Quiñones se candidatou a um programa de verão para estudantes universitários organizado pela Escola de Ciências da Terra e da Atmosfera do Instituto de Tecnologia da Geórgia, para trabalhar com Wray.

"Um estudo anterior liderado por Briony Horgan (professora de ciências planetárias na Universidade de Purdue) também sugeriu que Jezero Mons poderia ser vulcânico", diz Cuevas-Quiñones. "Comecei a interrogar-me se haveria uma forma de confirmar estas suspeitas".

A equipa fez uma parceria com a coautora do estudo, Rivera-Hernández, que é especialista em caracterizar a superfície dos planetas e a sua habitabilidade. Decidiram usar conjuntos de dados recolhidos por naves espaciais em órbita de Marte para comparar as propriedades de Jezero Mons com outros vulcões conhecidos. "Não podemos visitar Marte e provar definitivamente que Jezero Mons é um vulcão, mas podemos mostrar que partilha as mesmas propriedades com os vulcões existentes - tanto aqui na Terra como em Marte", explica Wray.

"Utilizámos dados da Mars Odyssey, da MRO (Mars Reconnaissance Orbiter), da ExoMars TGO (Trace Gas Orbiter) e do rover Perseverance, todos combinados para resolver este problema", acrescenta. "Penso que isto mostra que estas naves espaciais mais antigas podem ser extremamente valiosas muito depois do fim das suas missões iniciais - estas velhas naves espaciais ainda podem fazer descobertas importantes e ajudar-nos a responder a perguntas complicadas".

Para Cuevas-Quiñones, este facto também sublinha a importância dos programas e das oportunidades para os estudantes universitários. "Na altura, eu era estudante universitária e foi a primeira vez que fiz investigação", afirma. "Foi fascinante aprender como diferentes conjuntos de dados podiam ser utilizados para descodificar a origem de uma paisagem. Depois de Jezero Mons, tornou-se claro para mim que iria continuar a estudar Marte e outros corpos planetários".

A procura de vida - e a determinação da idade de Marte

A descoberta torna a cratera ainda mais intrigante na procura de vida passada em Marte. Um vulcão tão próximo da aquosa cratera Jezero poderia acrescentar uma fonte crítica de calor num planeta que, de outro modo, seria frio, incluindo o potencial para atividade hidrotermal - energia que a vida poderia usar para prosperar.

Este tipo de sistema também tem interesse para Marte como um todo. "A coalescência destes dois tipos de sistemas torna Jezero mais interessante do que nunca", partilha Wray. "Temos amostras de incríveis rochas sedimentares que podem ser de uma região habitável, juntamente com rochas ígneas com um valor científico importante". Se forem enviadas à Terra, as rochas ígneas podem ser datadas com radioisótopos para conhecer a sua idade com grande precisão. A datação das amostras da cratera Jezero pode ser usada para calibrar as estimativas de idade, fornecendo uma janela sem precedentes para a história geológica do planeta.

A mensagem a levar para casa? "Marte é o melhor local do nosso Sistema Solar para procurar sinais de vida e, graças ao rover Perseverance que recolheu amostras em Jezero, os Estados Unidos têm amostras das melhores rochas no melhor local de Marte", diz Wray. "Se estas amostras forem enviadas à Terra, poderemos fazer uma ciência incrível e inovadora com elas".

// Instituto de Tecnologia da Geórgia (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Communications Earth & Environment)

 


Quer saber mais?

Marte:
NASA
CCVAlg - Astronomia
Wikipedia
The Nine Planets
Cratera Jezero (Wikipedia)

Rover Perseverance:
NASA
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Wikipedia

Mars Odyssey:
NASA
Wikipedia

MRO (Mars Reconnaissance Orbiter):
NASA 
Wikipedia

ExoMars TGO (Trace Gas Orbiter):
ESA
Wikipedia

 
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Também em destaque
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exemplo   Um novo GPS para o meio intergaláctico: astrónomos descobriram o endereço da matéria "em falta" do Universo (via Centro de Astrofísica | Harvard & Smithsonian)
Um novo estudo de referência identificou a localização da matéria "em falta" no Universo e detetou a mais distante FRB (Fast Radio Burst) de que há registo. Usando as FRBs como guia, os astrónomos do Centro de Astrofísica | Harvard & Smithsonian e do Caltech mostraram que mais de três-quartos da matéria comum do Universo tem estado escondida no gás rarefeito entre as galáxias, marcando um grande passo em frente na compreensão da forma como a matéria interage e se comporta no Universo. Utilizaram os novos dados para efetuar a primeira medição detalhada da distribuição da matéria comum na rede cósmica. Ler fonte
     
  Roman da NASA vai espreitar as "lentes" cósmicas para melhor definir a matéria escura (via NASA)
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Álbum de fotografias
NGC 3344

exemplo
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: ESA/Hubble e NASA
 
Do nosso ponto de vista na Via Láctea, vemos NGC 3344 de face. Com quase 40.000 anos-luz de diâmetro, esta grande e bela galáxia espiral está localizada a apenas 20 milhões de anos-luz de distância na direção da constelação de Leão Menor. Este grande plano multicolorido de NGC 3344, pelo Telescópio Espacial Hubble, inclui pormenores notáveis do infravermelho próximo até ao ultravioleta. A imagem estende-se cerca de 15.000 anos-luz pelas regiões centrais da espiral. Do núcleo para fora, as cores da galáxia mudam da luz amarelada de estrelas velhas no centro para jovens enxames de estrelas azuis e regiões avermelhadas de formação estelar ao longo dos braços espirais soltos e fragmentados. Naturalmente, as estrelas brilhantes com um aspeto pontiagudo ficam em frente de NGC 3344 e encontram-se bem dentro da nossa Via Láctea.
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