Programa em atualização
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EFEMÉRIDES
DIA 29/07: 210.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1851, A. De Gasparis descobria o asteroide 15 Eunomia.
Em 1898, nascia o físico Isidor Isaac Rabi, que recebeu o prémio Nobel da Física em 1944, pelo seu método de ressonância para registar as propriedades magnéticas do núcleo atómico.
Em 2005, astrónomos anunciam a descoberta do planeta anão Éris. HOJE, NO COSMOS:
Uma das estrelas variáveis cefeidas mais brilhantes do céu - uma estrela visível a olho nu, que pode ser observada com um simples olhar para cima - é Eta Aquilae.
Já ouviu falar dela? Está localizada 8º para sul de Altair e pulsa de magnitude 4,3 para 3,4 e vice-versa a cada 7,18 dias. É um pouco mais do dobro do seu brilho. O seu aumento até o máximo é mais rápido do que o seu escurecimento até o mínimo, como acontece com outras cefeidas clássicas. O seu período é tão próximo de uma semana que pode notar que o comportamento se repete nos mesmos dias da semana durante um ou dois meses seguidos.
DIA 30/07: 211.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1971, os astronautas da Apollo 15 pousam na Lua.
Em 2020, lançamento da missão Mars 2020 (do rover Perseverance e do helicóptero Ingenuity) da NASA a bordo de um foguetão Atlas V a partir de Cabo Canaveral. HOJE, NO COSMOS:
A Lua, um bonito Crescente a apenas 1,5 dias do Quarto, situa-se esta noite 2º para baixo e para a direita de Espiga, cerca de um dedo à distância do braço esticado.
Pico da chuva de meteoros das Delta Aquáridas do Sul.
DIA 31/07: 212.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1964, a Ranger 7 envia as primeiras imagens detalhadas da Lua, 1000 vezes melhores do que quaisquer imagens telescópicas da altura.
Em 1969, a Mariner 6 passava a 3330 km de Marte. Transmite imagens de alta resolução da superfície, concentradas na região equatorial.
Em 1971, os astronautas da Apollo 15, David Scott e James Irwin, conduzem o primeiro rover lunar.
Em 1999, despenhava-se intencionalmente sobre a Lua a sonda Lunar Prospector, que pretendia encontrar água sob a crosta do nosso satélite natural. HOJE, NO COSMOS:
O verão continua a avançar. A brilhante Vega passa o mais perto do zénite por volta das 23:30, dependendo de quão para este ou oeste o observador está no fuso horário.
Quão perto passa do zénite depende de quão norte ou sul está o observador. Passa exatamente pelo zénite à latitude 39º N (Lisboa ou Évora, por exemplo). Quão detalhadamente consegue ver isto só apenas olhando?
Deneb passa o mais alto no céu duas horas depois de Vega. Mas para ver Deneb exatamente no zénite, precisamos de estar mais para norte, a 45º N (sul da França, por exemplo).
Hubble e Chandra detetam tipo raro de buraco negro a devorar uma estrela
Imagem, obtida pelo Telescópio Espacial Hubble, de um par de galáxias: NGC 6099 (em baixo à esquerda) e NGC 6098 (em cima, para a direita do centro). A mancha roxa representa a emissão de raios X de um enxame estelar compacto. Os raios X são produzidos por um buraco negro de massa intermédia que está a destruir uma estrela. Ver aqui a imagem sem a inserção.
Crédito: ciência - NASA, ESA, CXC, Yi-Chi Chang (Universidade Nacional Tsing Hua); processamento de imagem - Joseph DePasquale (STScI)
O Telescópio Espacial Hubble e o Observatório de raios X Chandra uniram-se para identificar um novo possível exemplo de uma classe rara de buracos negros. Com o nome NGC 6099 HLX-1, esta fonte brilhante de raios X parece residir num enxame estelar compacto situado numa galáxia elíptica gigante.
Apenas alguns anos após o seu lançamento em 1990, o Hubble descobriu que as galáxias em todo o Universo podem albergar buracos negros supermassivos nos seus centros, contendo milhões ou milhares de milhões de vezes a massa do nosso Sol. Além disso, as galáxias também contêm milhões de pequenos buracos negros com menos de 100 vezes a massa do Sol. Estes formam-se quando estrelas massivas chegam ao fim das suas vidas.
Muito mais elusivos são os buracos negros de massa intermédia, contendo algumas centenas a algumas centenas de milhares de vezes a massa do nosso Sol. Esta categoria de buracos negros, nem muito grandes nem muito pequenos, é muitas vezes invisível porque não devoram tanto gás e estrelas como os supermassivos, que emitem radiação poderosa. Para os encontrarmos, os buracos negros de massa intermédia precisam ser capturados a alimentarem-se. Quando ocasionalmente devoram uma infeliz estrela passageira - no que os astrónomos chamam de evento de perturbação de marés -, emitem uma grande quantidade de radiação.
O mais recente e provável buraco negro de massa intermédia, apanhado a alimentar-se, está localizado nos arredores da galáxia NGC 6099, a aproximadamente 40.000 anos-luz do centro da galáxia, conforme descrito num novo estudo publicado na revista The Astrophysical Journal. A galáxia está localizada a cerca de 450 milhões de anos-luz de distância, na direção da constelação de Hércules.
Os astrónomos viram pela primeira vez uma fonte invulgar de raios X numa imagem captada pelo Chandra em 2009. Em seguida, acompanharam a sua evolução com o observatório espacial XMM-Newton da ESA.
"Fontes de raios X com luminosidade tão extrema são raras fora dos núcleos galácticos e podem servir como uma sonda fundamental para identificar buracos negros elusivos de massa intermédia. Representam um elo crucial que faltava na evolução dos buracos negros entre os de massa estelar e os supermassivos", afirmou a autora principal Yi-Chi Chang, da Universidade Nacional Tsing Hua, em Hsinchu, Taiwan.
A emissão de raios X proveniente de NGC 6099 HLX-1 tem uma temperatura de 3 milhões Kelvin, consistente com um evento de perturbação de marés. O Hubble encontrou evidências de um pequeno enxame de estrelas em torno do buraco negro. Esse enxame daria ao buraco negro muito que devorar, porque as estrelas estão tão próximas umas das outras que apenas alguns meses-luz de distância as separa (cerca de 800 mil milhões de quilómetros).
O suspeito buraco negro de massa intermédia atingiu o brilho máximo em 2012 e depois continuou a diminuir até 2023. As observações óticas e de raios X durante esse período não se sobrepõem, o que complica a interpretação. O buraco negro pode ter dilacerado uma estrela capturada, criando um disco de plasma que exibe variabilidade, ou pode ter formado um disco que cintila à medida que o gás cai em direção ao buraco negro.
"Se o buraco negro de massa intermédia está a devorar uma estrela, quanto tempo leva para engolir o seu gás? Em 2009, HLX-1 era razoavelmente brilhante. Em 2012, ficou cerca de 100 vezes mais brilhante. E depois diminuiu novamente", disse o coautor do estudo Roberto Soria, do INAF (Italian National Institute for Astrophysics). "Portanto, agora precisamos de esperar para ver se está a brilhar várias vezes, ou se houve um início, um pico e se agora vai diminuir até desaparecer".
O buraco negro de massa intermédia está localizado nos arredores da galáxia hospedeira, NGC 6099, a cerca de 40.000 anos-luz do centro da galáxia. Presume-se que exista um buraco negro supermassivo no núcleo da galáxia, que atualmente está inativo e não está a devorar nenhuma estrela.
Blocos de construção dos buracos negros
A equipa enfatiza que fazer um levantamento dos buracos negros de massa intermédia pode revelar como os maiores buracos negros supermassivos se formam. Existem duas teorias alternativas. Uma é que os buracos negros de massa intermédia são as sementes da formação de buracos negros ainda maiores, ao se fundirem, já que as grandes galáxias crescem ao absorver galáxias mais pequenas. O buraco negro no centro de uma galáxia também cresce durante essas fusões. As observações do Hubble revelaram uma relação proporcional: quanto mais massiva a galáxia, maior o buraco negro. O quadro emergente com esta nova descoberta é que as galáxias podem ter "buracos negros de massa intermédia satélites" que orbitam no halo de uma galáxia, mas nem sempre caem para o centro.
Outra teoria é que as nuvens de gás no meio dos halos de matéria escura no início do Universo não formam estrelas primeiro, mas simplesmente colapsam diretamente num buraco negro supermassivo. A descoberta do Telescópio Espacial James Webb da NASA, de buracos negros muito distantes que são desproporcionalmente mais massivos em relação à sua galáxia hospedeira, tende a apoiar esta ideia.
No entanto, pode haver um viés observacional no que toca à deteção de buracos negros extremamente massivos no Universo distante, porque os de tamanho menor são demasiado fracos para serem vistos. Na realidade, pode haver mais variedade na forma como o nosso Universo dinâmico constrói buracos negros. Os buracos negros supermassivos que colapsam dentro de halos de matéria escura podem simplesmente crescer de uma forma diferente daqueles que vivem em galáxias anãs, onde a acreção dos buracos negros pode ser o mecanismo preferido de crescimento.
"Portanto, se tivermos sorte, vamos encontrar mais buracos negros flutuantes que de repente se tornam brilhantes em raios X devido a um evento de perturbação de marés. Se pudermos fazer um estudo estatístico, isso dir-nos-á quantos destes buracos negros de massa intermédia existem, com que frequência perturbam uma estrela, como as galáxias maiores cresceram a partir de galáxias mais pequenas", disse Soria.
O desafio é que o Chandra e o XMM-Newton observam apenas uma pequena fração do céu, por isso não encontram frequentemente novos eventos de perturbação de marés nos quais os buracos negros consomem estrelas. O Observatório Vera C. Rubin, no Chile, um telescópio de observação de todo o céu, pode detetar esses eventos no visível a centenas de milhões de anos-luz de distância. Observações de acompanhamento com o Hubble e com o Webb podem revelar o enxame de estrelas em torno do buraco negro.
Glaciares marcianos são mais puros e uniformes do que se pensava
Este é um exemplo de um glaciar coberto de detritos em Marte. Novas investigações sobre estas características sugerem que são mais puros do que se pensava, com implicações para a compreensão do balanço hídrico geral de Marte e a utilização de recursos em futuras missões tripuladas.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Universidade do Arizona
Nas encostas de montanhas e crateras marcianas, encontra-se algo semelhante a mel derramado, coberto de poeira e congelado no tempo. Na realidade, estas formações são glaciares que se movem muito lentamente, e pensava-se que o seu conteúdo era principalmente rocha envolta em gelo.
Trabalhos realizados nos últimos 20 anos demonstraram que pelo menos alguns desses glaciares são compostos principalmente por gelo puro, com apenas uma fina camada de rocha e poeira, mas, de acordo com um novo artigo científico publicado na revista Icarus, os glaciares em todo o planeta contêm, na verdade, mais de 80% de água gelada, uma descoberta significativa. Em última análise, isso significa que os depósitos de gelo glacial de Marte são quase puros em todo o globo, proporcionando uma compreensão mais clara da história climática de Marte e um possível recurso para utilização futura.
O artigo científico foi liderado por Yuval Steinberg, recém-formado pelo Instituto Weizmann de Ciência, com sede em Israel. Os dois coautores, Oded Aharonson e Isaac Smith, são cientistas seniores do PSI (Planetary Science Institute), com sede em Tucson, EUA, com cargos docentes no Instituto Weizmann de Ciência e na Universidade de York, respetivamente.
"Este estudo destaca como os programas da NASA estão a promover a ciência não apenas nos Estados Unidos, mas também a alcançar estudantes em todo o mundo", disse Aharonson.
Os cinco locais que a equipa investigou quanto à pureza glaciar. Segundo a equipa, o facto destes locais tão diferentes apresentarem uma proporção semelhante de gelo e rocha sugere que Marte passou por uma glaciação generalizada ou por várias glaciações com características semelhantes.
Crédito: Steinberg et. al.
Perscrutando sob o véu de poeira
Ao ler estudos anteriores, a equipa rapidamente percebeu que, quando se trata de analisar glaciares cobertos de detritos, é como se fosse o Faroeste.
"Foram aplicadas diferentes técnicas por investigadores em vários locais, e os resultados não podiam ser facilmente comparados", disse Smith. "Um dos locais do nosso estudo nunca tinha sido estudado e, em dois dos cinco locais que utilizámos, apenas uma análise parcial tinha sido concluída anteriormente".
Assim, a equipa decidiu padronizar a forma como estes glaciares cobertos de detritos são analisados. Mediram especificamente a sua propriedade dielétrica (uma medida da rapidez com que as ondas de radar se movem através de um material) e a sua tangente de perda (uma medida da rapidez com que a energia se dissipa da onda de radar para um material). A partir daí, os investigadores podem inferir a proporção de rocha para gelo dentro de um glaciar. Isso não pode ser feito a partir da observação visual dos glaciares com superfícies cobertas de poeira e rocha.
Também identificaram outra área em Marte onde o SHARAD (SHAllow RADar), a bordo da MRO (Mars Reconnaissance Orbiter), também poderia fazer essas análises. Isto deu-lhes um total de cinco locais espalhados pelo Planeta Vermelho, permitindo uma comparação global.
Os cientistas ficaram surpresos ao descobrir que todos os glaciares, mesmo em hemisférios opostos, têm praticamente as mesmas propriedades.
"Isto é importante porque diz-nos que os mecanismos de formação e preservação são provavelmente os mesmos em todos os lugares", disse Smith. "A partir disso, podemos concluir que Marte passou por uma glaciação generalizada ou por várias glaciações com propriedades semelhantes. E, ao reunir esses locais e técnicas pela primeira vez, conseguimos unificar a nossa compreensão destes tipos de glaciares".
Conhecer a pureza mínima destes glaciares beneficia a compreensão científica dos processos que os formam e preservam. Além disso, ajuda no planeamento de futuras explorações humanas de Marte, quando a utilização de recursos locais, como a água, se torna fundamental para a missão.
A equipa esperar procurar outros glaciares para adicionar à sua comparação global e solidificar a sua compreensão destes mistérios cobertos de poeira.
A evolução da vida pode ter tido as suas origens no espaço sideral
Esta imagem artística mostra o disco de formação planetária em torno da estrela V883 Orionis. Na parte mais externa do disco, os gases voláteis estão congelados, que contém moléculas orgânicas complexas. Uma explosão de energia da estrela aquece o disco interno a uma temperatura que evapora o gelo e liberta as moléculas complexas, permitindo que os astrónomos as detetem. A inserção mostra a estrutura química das moléculas orgânicas complexas detetadas e presumidas no disco protoplanetário (da esquerda para a direita): propionitrilo (cianeto de etilo), glicolonitrilo, alanina, glicina, etilenoglicol, acetonitrilo (cianeto de metilo).
Crédito: ESO/L. Calçada/T. Müller (Instituto Max Planck de Astronomia/HdA)
Usando o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), uma equipa de astrónomos liderada por Abubakar Fadul, do Instituto Max Planck de Astronomia, descobriu moléculas orgânicas complexas - incluindo a primeira deteção preliminar de etilenoglicol e glicolonitrilo - no disco protoplanetário da protoestrela em erupção V883 Orionis. Estas substâncias são consideradas precursoras dos blocos de construção da vida. A comparação de diferentes ambientes cósmicos revela que a abundância e a complexidade de moléculas deste género aumentam desde regiões de formação estelar até aos sistemas planetários totalmente evoluídos. Isto sugere que as sementes da vida são "montadas" no espaço e que estão bem espalhadas.
Os astrónomos já haviam descoberto moléculas orgânicas complexas (MOCs) em vários locais associados à formação de planetas e estrelas. As MOCs são moléculas com mais de cinco átomos, dos quais pelo menos um é carbono. Muitas delas são consideradas blocos de construção da vida, como aminoácidos e ácidos nucleicos ou os seus precursores. A descoberta de 17 MOCs no disco protoplanetário de V883 Orionis, incluindo etilenoglicol e glicolonitrilo, fornece uma peça do quebra-cabeças há muito procurada na evolução dessas moléculas entre os estágios que precedem e seguem a formação de estrelas e dos seus discos de formação planetária. O gliconitrilo é um precursor dos aminoácidos glicina e alanina, bem como da base nucleica adenina. As descobertas foram publicadas na revista The Astrophysical Journal Letters.
A "montagem" de moléculas pré-bióticas começa no espaço interestelar
A transição de uma protoestrela fria para uma estrela jovem rodeada por um disco de poeira e gás é acompanhada por uma fase violenta de gás em choque, radiação intensa e ejeção rápida de gás. Tais processos energéticos podem destruir a maior parte da química complexa "montada" durante as fases anteriores. Por isso, os cientistas elaboraram um cenário chamado de "reinicialização", no qual a maioria dos compostos químicos necessários para a evolução da vida teria de ser reproduzida em discos circunestelares durante a formação de cometas, asteroides e planetas.
"Agora parece que o oposto é verdadeiro", salienta Kamber Schwarz, cientista do Instituto Max Planck de Astronomia e coautora do estudo. "Os nossos resultados sugerem que os discos protoplanetários herdam moléculas complexas de fases anteriores e que a formação de moléculas complexas pode continuar durante a fase do disco protoplanetário". De facto, o período entre a fase protoestelar energética e o estabelecimento de um disco protoplanetário seria, por si só, demasiado curto para que as MOCs se formassem em quantidades detetáveis.
Como resultado, as condições que predefinem os processos biológicos podem ser generalizadas, em vez de restritas a sistemas planetários individuais.
Os astrónomos encontraram as moléculas orgânicas mais simples, como o metanol, em regiões densas de poeira e gás que antecedem a formação das estrelas. Em condições favoráveis, elas podem até conter compostos complexos que incluem o etilenoglicol, uma das espécies agora descobertas em V883 Orionis. "Recentemente, descobrimos que o etilenoglicol pode ser formado pela irradiação UV da etanolamina, uma molécula que foi recentemente descoberta no espaço", acrescenta Tushar Suhasaria, coautor e chefe do Laboratório de Origens da Vida do Instituto Max Planck de Astronomia. "Esta descoberta apoia a ideia de que o etilenoglicol pode ser formado nesses ambientes, mas também em estágios posteriores da evolução molecular, onde a irradiação UV é dominante".
Agentes mais evoluídos cruciais para a biologia, como aminoácidos, açúcares e bases nucleicas que compõem o ADN e o ARN, estão presentes em asteroides, meteoritos e cometas dentro do Sistema Solar.
Enterradas no gelo – trazidas à superfície pelas estrelas
As reações químicas que sintetizam essas MOCs ocorrem em condições frias, de preferência em grãos de poeira gelados que mais tarde coagulam para formar objetos maiores. Escondidos nessas misturas de rocha, poeira e gelo, elas geralmente permanecem indetetáveis. O acesso a essas moléculas só é possível através da perfuração com sondas espaciais ou aquecimento externo, que evapora o gelo.
No Sistema Solar, o Sol aquece os cometas, resultando em caudas impressionantes de gás e poeira, ou cabeleiras, essencialmente invólucros gasosos que rodeiam os núcleos cometários. Dessa forma, a espetroscopia — a dissecação da luz semelhante a um arco-íris — pode captar as emissões das moléculas libertadas. Essas impressões digitais espetrais ajudam os astrónomos a identificar as moléculas anteriormente enterradas no gelo.
Um processo de aquecimento semelhante está a ocorrer no sistema V883 Orionis. A estrela central ainda está a crescer, acumulando gás do disco circundante até que, eventualmente, acenda a fusão nuclear no seu núcleo. Durante esses períodos de crescimento, o gás que cai aquece e produz intensas explosões de radiação. "Essas explosões são fortes o suficiente para aquecer o disco circundante até ambientes que, de outra forma, seriam gelados, libertando as substâncias químicas que detetámos", explica Fadul.
"Moléculas complexas, incluindo etilenoglicol e glicolonitrilo, irradiam em frequências de rádio. O ALMA é perfeitamente adequado para detetar esses sinais", afirma Schwarz. Os astrónomos do Instituto Max Planck de Astronomia obtiveram acesso a este interferómetro de rádio através do ESO, que o opera no deserto chileno de Atacama, a uma altitude de 5000 metros. O ALMA permitiu aos astrónomos localizar o sistema V883 Orionis e procurar sinais espetrais fracos, o que acabou por levar às deteções.
Mais desafios pela frente
"Embora este resultado seja empolgante, ainda não desvendámos todos os sinais que encontrámos nos nossos espetros", afirma Schwarz. "Dados de maior resolução confirmarão as deteções de etilenoglicol e glicolonitrilo e talvez até revelem substâncias químicas mais complexas que simplesmente ainda não identificámos".
"Talvez também precisemos de olhar para outras regiões do espetro eletromagnético para encontrar moléculas ainda mais evoluídas", salienta Fadul. "Quem sabe o que mais poderemos descobrir"?
Super-conjunto de supernovas sugere surpresa na energia escura (via Berkeley Lab)
As supernovas do Tipo Ia permitem-nos medir com precisão as distâncias cósmicas e forneceram-nos a primeira evidência da expansão acelerada do Universo. Investigadores utilizaram uma nova abordagem para padronizar 2087 supernovas de diferentes experiências, permitindo aos cosmólogos estudar mais facilmente o nosso Universo e prepararem-se para um fluxo massivo de observações de supernovas. A análise desta nova compilação de supernovas forneceu indícios de que a energia escura pode mudar ao longo do tempo, o que se tornou mais forte com os resultados recentes do DESI. Levantamentos de última geração, como o Observatório Vera Rubin, fornecerão mais dados. Se a energia escura muda com o tempo, isso apontaria para uma nova e surpreendente física que poderia afetar o destino do Universo. Ler fonte
Astrónomos descobrem buracos negros que destroem estrelas escondidos em galáxias poeirentas (via MIT)
Astrónomos do MIT, da Universidade de Columbia e de outras instituições utilizaram o Telescópio Espacial James Webb (JWST) da NASA para observar, através da poeira de galáxias próximas, as consequências do banquete estelar de um buraco negro. Os investigadores relatam que, pela primeira vez, o JWST observou vários eventos de perturbação de marés - casos em que o buraco negro central de uma galáxia atrai uma estrela próxima e gera forças de maré que a destroem, libertando uma enorme explosão de energia no processo. Ler fonte
Álbum de fotografias Trânsito da sombra de Titã
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Volodymyr Andrienko
A cada 15 anos, aproximadamente, os anéis de Saturno podem ser vistos de lado, da perspetiva da Terra. À medida que o brilhante e belo sistema de anéis se torna mais estreito e mais fraco, fica cada vez mais difícil de ser visto pelos habitantes do planeta Terra. Mas isso proporciona a oportunidade de observar trânsitos das luas de Saturno e as suas sombras escuras sobre o globo ainda brilhante do gigante gasoso. Claro, a maior lua de Saturno, Titã, é a mais fácil de observar em trânsito. Nesta imagem telescópica obtida dia 18 de julho, Titã está à esquerda, projetando uma sombra escura e redonda sobre as bandas de nuvens de Saturno, acima dos anéis estreitos. Na verdade, a temporada de trânsitos de Titã está agora em pleno andamento, com trânsitos da sombra a cada 16 dias, correspondendo ao período orbital da lua. O seu último trânsito da sombra será a 6 de outubro, embora o disco pálido de Titã continue a passar à frente de Saturno, tal como visto por telescópios no planeta Terra, a cada 16 dias até 25 de janeiro de 2026.
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