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  Astroboletim #2244  
  09/09 a 11/09/2025  
     
 
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Astronomia no Verão pelo Centro Ciência Viva de Tavira

Observação solar na Ilha de Tavira
Local: perto dos restaurantes da ilha da Tavira
12/09/2025, 10:00
(não requer inscrição)

 

Consulte sempre a página das atividades para informações mais detalhadas como o itinerário, ponto de encontro, coordenadas GPS, duração da iniciativa, etc., e para fazer a sua inscrição caso seja obrigatória.
Todas as atividades estão dependentes de condições meteorológicas favoráveis.
Não dispensa a consulta do FAQ no site da Ciência Viva no Verão

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EFEMÉRIDES

DIA 09/09: 252.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1789 nascia William Cranch Bond, astrónomo americano e o primeiro diretor do Observatório de Harvard College. Pioneiro na fotografia celeste, descobriu o sétimo satélite de Saturno, Hiperião, juntamente com o seu filho George.
Em 1839, John Herschel faz a primeira fotografia em chapa de vidro.
Curiosamente, a foto era do telescópio de 12 metros do seu pai, William Herschel, que caíra em desuso durante algumas décadas e que foi depois desmontado. 
Em 1892, o astrónomo Edward Emerson Barnard, do Observatório Lick descobre o satélite mais interior de Júpiter, Amalteia
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Em 1975, lançamento da Viking 2, orbitador e módulo de aterragem marciano. No solo, o módulo operou durante 1316 dias (ou 1281 sols). Em órbita, a sonda enviou quase 16.000 imagens em 706 órbitas.
Em 1994, lançamento da missão STS-64 do vaivém Discovery.
Em 2006, lançamento da missão STS-115 do vaivém espacial Atlantis.
HOJE, NO COSMOS:
Arcturo, a "Estrela da Primavera", brilha um pouco mais baixo a oeste depois do cair da noite a cada semana que passa. A partir de Arcturo estende-se o padrão estreito e em forma de papagaio-de-papel de Boieiro, dois punhos à distância do braço esticado para cima e para a direita. A Ursa Maior está a descer para a direita de Boieiro a noroeste.

 

DIA 10/09: 253.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1857 nascia James Edward Keeler, astrónomo americano que realizou importantes trabalhos espectroscópicos em 120.000 nebulosas.
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Em 1895, mostrou que três partes diferentes dos anéis de Saturno giravam a velocidades diferentes e que não eram corpos sólidos mas uma coleção de objetos pequenos em órbitas independentes.
Em 1858, George Mary Searle descobre o asteroide 55 Pandora.
Em 2008, o LHC no CERN, descrito como a maior experiência científica da História, é ligado em Genebra, Suiça.
HOJE, NO COSMOS:
Já observou o enxame globular M2 em Aquário? Com magnitude 6,6, é visível com uns bons binóculos sob um céu razoavelmente escuro. É fácil de localizar a oeste de Alpha Aquarii e para norte de Beta Aquarii se memorizar a forma do triângulo que faz com estas duas estrelas de terceira magnitude.

 

DIA 11/09: 254.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1877, nascia o astrónomo teórico inglês James Hopwood Jeans. Na primeira década do século XX, Jeans trabalhou nos fundamentos dos processos de colapso gravitacional, relevantes para a formação de sistemas solares, estrelas e galáxias.
Em 1985, o ICE, ou International Cometary Explorer, faz a primeira travessia da cauda de um cometa, uma passagem pelo Cometa 21P/Giacobini-Zinner. O objetivo principal da missão era estudar a interação entre o vento solar e a atmosfera cometária.
Em 1997, a sonda Mars Global Surveyor chega a Marte.
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HOJE, NO COSMOS:
Quão cedo, depois do pôr-do-Sol, consegue avistar o Triângulo de Verão? Assim que as primeiras estrelas começam a aparecer, Vega, a estrela mais brilhante do Triângulo, está perto do zénite (para observadores a latitudes médias norte). A seguinte é Altair, alta a sudeste.
A última estrela do Triângulo de Verão é Deneb, a menos brilhante, dois punhos à distância do braço esticado para este de Vega.
Depois do anoitecer, claro, saltam à vista. Com o avançar da noite o Triângulo desliza para oeste, uma antevisão do que fará, mais cedo na noite, todo o outono.

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Anel deformado de estrela vizinha moldado por planetas em evolução
 
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A estrela brilhante no centro, Fomalhaut, está rodeada por um antigo disco de detritos de brilho desigual. O disco está mais perto da estrela a sul, onde o disco é mais largo e mais ténue, e mais longe da estrela a norte, onde o disco é mais estreito e mais brilhante. O anel a tracejado mostra a possível órbita de um planeta sugerida por Lovell et al.
Crédito: NSF/AUI/NSF NRAO/B.Saxton
 

Astrónomos, recorrendo ao ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), obtiveram a imagem de maior resolução até à data, revelando novos conhecimentos sobre a invulgar e misteriosa arquitetura do disco de detritos que rodeia Fomalhaut, uma das estrelas mais brilhantes e mais estudadas da nossa vizinhança cósmica. Os discos de detritos são vastas cinturas de poeira e corpos rochosos, semelhantes à cintura de asteroides do nosso Sistema Solar - mas muito maiores. A excentricidade do disco de Fomalhaut tem fascinado os astrónomos há quase duas décadas.

Uma equipa internacional de investigadores, liderada por astrónomos do Centro de Astrofísica | Harvard & Smithsonian e da Universidade Johns Hopkins, publicou dois artigos científicos que analisam estas novas observações nas revistas The Astrophysical Journal/The Astrophysical Journal Letters. Descobriram agora que o disco de Fomalhaut não é apenas excêntrico - a sua excentricidade muda com a distância da estrela. Ao contrário de modelos anteriores que assumiam uma excentricidade uniforme ou "fixa", o seu novo modelo baseado em dados mostra que a forma do disco se torna menos esticada (ou menos excêntrica) quanto mais longe um segmento está de Fomalhaut. Esta morfologia é conhecida como um gradiente de excentricidade negativo. É possível imaginar os desvios entre a estrela e o centro do anel, muito parecidos com os anéis de Saturno, se Saturno não estivesse bem no meio.

"As nossas observações mostram, pela primeira vez, que a excentricidade do disco não é constante", disse o autor principal de um dos artigos científicos, Joshua Bennett Lovell, do Centro de Astrofísica | Harvard & Smithsonian. "Diminui com a distância de forma constante, uma descoberta que nunca antes tinha sido demonstrada de forma conclusiva em qualquer disco de detritos".

Usando imagens de alta resolução do ALMA em comprimentos de onda de 1,3 mm, a equipa ajustou um novo modelo aos dados, um modelo que tem em conta o raio, a largura e as assimetrias do disco, com um modelo de anel excêntrico que pode alterar a sua excentricidade com a distância da estrela. O modelo que melhor se ajustava apontava para um declínio acentuado da excentricidade com a distância, tal como previsto pelas teorias dinâmicas sobre a forma como os planetas podem moldar os discos de detritos, mas ainda não observado em qualquer parte do Universo.

Este gradiente negativo fornece pistas sobre planetas escondidos, atualmente não vistos pelos astrónomos, em órbita de Fomalhaut. O novo modelo sugere que um planeta massivo a orbitar no interior do disco de Fomalhaut pode ter esculpido o seu perfil de excentricidade no início da história deste sistema. A forma invulgar do disco de detritos pode ter sido moldada na juventude do sistema, durante a fase de disco protoplanetário, e manteve-se assim durante mais de 400 milhões de anos, graças aos empurrões e à atração contínua deste planeta.

No segundo artigo científico, liderado pelo estudante Jay Chittidi da Universidade Johns Hopkins, a equipa esgotou a possibilidade de a excentricidade do anel ser fixada com a distância à estrela. "Embora a mudança de brilho do lado do pericentro do disco, o mais próximo da estrela, para o lado do apocentro, o mais afastado da estrela, entre os dados do JWST e do ALMA, fosse esperada, as mudanças precisas que medimos no brilho do disco e na largura do anel não podiam ser explicadas pelos modelos antigos", disse Jay. "Simplificando: não conseguimos encontrar um modelo com uma excentricidade fixa que pudesse explicar estas características peculiares no disco de Fomalhaut. Comparando os modelos antigos e os novos, somos agora capazes de interpretar melhor este disco e reconstruir a história e o estado atual deste sistema dinâmico".

Os investigadores esperam que este novo modelo seja testado com mais observações do ALMA, que foram recentemente aprovadas, "e esperamos encontrar novas pistas que nos ajudem a descobrir o planeta!" acrescenta Lovell. A equipa partilhou o código do modelo de excentricidade desenvolvido para esta investigação recentemente publicada, para permitir que outros astrónomos o apliquem a sistemas semelhantes.

// NRAO (comunicado de imprensa)
// Observatório ALMA (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal)
// Artigo científico #2 (The Astrophysical Journal Letters)

 


Quer saber mais?

Fomalhaut:
Wikipedia

Disco de detritos:
Wikipedia

ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array):
Página principal
ALMA (NRAO)
ALMA (ESO)
Wikipedia

 
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Uma equipa de astrónomos apresenta um novo método para detetar supernovas horas após a explosão
 
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Composição de SN 1572 na constelação de Cassiopeia. Os dados de raios X do Chandra foram combinados com uma imagem ótica das estrelas no mesmo campo de visão pelo DSS (Digitized Sky Survey).
Crédito: raios X - NASA/CXC/RIKEN e GSFC/T. Sato et al; ótico - DSS
 

As supernovas são enormes explosões que marcam a fase final da vida de uma estrela. Por serem repentinas e imprevisíveis, foram durante muito tempo difíceis de estudar, mas, hoje em dia, graças aos levantamentos de alta cadência, os astrónomos podem descobrir supernovas quase diariamente. Um novo estudo liderado pelo ICE-CSIC (Instituto de Ciencias Espaciales - Consejo Superior de Investigaciones Científicas), Espanha, publicado na revista JCAP (Journal of Cosmology and Astroparticle Physics), apresenta um novo método para detetar supernovas horas depois de entrarem em erupção.

O estudo-piloto centra-se numa amostra de dez supernovas, utilizando observações do GTC (Gran Telescopio de Canarias). Mostra como protocolos específicos e um rápido acompanhamento telescópico podem captar os primeiros espetros destas explosões estelares, idealmente dentro de 48 horas, ou mesmo 24 horas após a sua primeira luz. Este avanço oferece uma oportunidade sem precedentes para estudar os momentos imediatamente a seguir à morte de uma estrela e torna a deteção rápida essencial para compreender as suas origens e evolução.

As supernovas dividem-se em duas grandes categorias, determinadas pela massa da estrela progenitora. As supernovas termonucleares envolvem estrelas cuja massa inicial não excedia as oito massas solares. "O estágio evolutivo mais avançado destas estrelas antes da supernova é a anã branca - objetos muito antigos que já não têm um núcleo ativo que produza calor. As anãs brancas podem permanecer em equilíbrio durante muito tempo, apoiadas por um efeito quântico chamado pressão de degeneração de eletrões", explica Lluís Galbany, astrofísico do ICE-CSIC e do IEEC (Institut d'Estudis Espacials de Catalunya) e primeiro autor do estudo.

Se uma estrela deste tipo estiver localizada num sistema binário, pode sugar matéria da sua companheira. A massa extra aumenta a pressão interna até que a anã branca explode como uma supernova.

A segunda categoria de supernovas envolve estrelas muito massivas, com mais de oito massas solares. "Brilham graças à fusão nuclear nos seus núcleos, mas quando a estrela queima átomos progressivamente mais pesados - até ao ponto em que a fusão deixa de produzir energia - o núcleo entra em colapso. Nesse momento, a estrela colapsa porque a gravidade deixa de ser contrabalançada; a rápida contração aumenta drasticamente a pressão interna e desencadeia a explosão", explica Galbany.

 
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Imagem adaptada de uma galáxia hospedeira da amostra de supernovas do estudo.
Crédito: Galbany et al. (2025)
 

Deteção precoce

As primeiras horas e dias após a explosão de uma supernova preservam pistas diretas sobre o sistema progenitor - informação que ajuda a distinguir modelos rivais da explosão, a estimar parâmetros críticos e a estudar o ambiente local. Historicamente, a obtenção destes dados iniciais era difícil porque a maioria das supernovas era descoberta dias ou semanas após a explosão. Os modernos levantamentos de campo amplo e de alta cadência - cobrindo grandes faixas do céu e revisitando-as frequentemente - estão a mudar esse quadro e a permitir descobertas em meras horas ou dias.

São ainda necessários protocolos e critérios para explorar plenamente estes levantamentos, e a equipa testou essas regras usando observações do GTC. O seu estudo relata dez supernovas: metade termonucleares, metade de colapso do núcleo. A maior parte delas foi observada no prazo de seis dias após a explosão estimada e, em dois casos, no prazo de 48 horas.

O protocolo começa com uma busca rápida de candidatos com base em dois critérios: o sinal luminoso deve estar ausente nas imagens da noite anterior e a nova fonte deve situar-se no interior de uma galáxia. Quando ambas as condições são satisfeitas, a equipa aciona o instrumento OSIRIS montado no GTC para obter um espetro.

"O espetro da supernova diz-nos, por exemplo, se a estrela continha hidrogénio, o que significa que estamos perante uma supernova de colapso do núcleo", explica Galbany. "Conhecer a supernova nos seus primeiros momentos permite-nos também procurar outros tipos de dados sobre o mesmo objeto, como a fotometria pelo ZTF (Zwicky Transient Facility) e pelo ATLAS (Asteroid Terrestrial-impact Last Alert System) que utilizámos no estudo. Essas curvas de luz mostram como o brilho aumenta na fase inicial; se virmos pequenas irregularidades, isso pode significar que outra estrela num sistema binário foi engolida pela explosão", acrescenta. Verificações adicionais cruzam dados de outros observatórios sobre a mesma zona do céu.

Como este primeiro estudo conseguiu recolher dados em 48 horas, os autores concluem que é possível efetuar observações ainda mais rápidas. "Sabemos agora que um programa espetroscópico de resposta rápida, bem coordenado com levantamentos fotométricos profundos, pode realisticamente recolher espetros um dia após a explosão, abrindo caminho para estudos sistemáticos das primeiras fases em grandes levantamentos futuros, como o LS4 (La Silla Southern Supernova Survey) e o LSST (Legacy Survey of Space and Time), ambos no Chile", conclui Galbany.

// ICE-CSIC (comunicado de imprensa)
// IEEC (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (JCAP)

 


Quer saber mais?

Supernova:
Wikipedia

GTC (Gran Telescopio Canarias):
Página principal
Wikipedia

ZTF (Zwicky Transient Facility):
Caltech
ipac
Wikipedia

Sistema de alertas ATLAS (Asteroid Terrestrial-impact Last Alert System):
Página principal
Wikipedia

 
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Sem colisão, não há vida: a Terra provavelmente precisou de "mantimentos" do espaço
 
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Impressão de artista da colisão do objeto chamado Theia com a proto-Terra.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
 

Após a formação do Sistema Solar, foram necessários, no máximo, três milhões de anos para que a composição química do precursor da Terra ficasse completa. É o que mostra um novo estudo do Instituto de Ciências Geológicas da Universidade de Berna. Porém, nessa altura, quase não existiam no jovem planeta elementos necessários à vida, como a água ou compostos de carbono. Só uma colisão planetária posterior terá trazido água para a Terra, abrindo caminho para a vida.

Até à data, a Terra é o único planeta conhecido onde existe vida - com água líquida e uma atmosfera estável. No entanto, as condições não eram propícias à vida aquando da sua formação. A nuvem de gás e poeira a partir da qual se formaram todos os planetas do Sistema Solar era rica em elementos voláteis essenciais à vida, como o hidrogénio, o carbono e o enxofre. No entanto, no Sistema Solar interior - a parte mais próxima do Sol, onde se encontram atualmente os quatro planetas rochosos Mercúrio, Vénus, Terra e Marte e a cintura de asteroides - estes elementos voláteis dificilmente poderiam existir: devido à elevada temperatura do Sol, não se condensavam e, inicialmente, permaneciam em grande parte na fase gasosa. Como estas substâncias gasosas não foram incorporadas nos materiais rochosos sólidos a partir dos quais se formaram os planetas, o precursor primitivo da Terra, a chamada proto-Terra, também continha muito pouco destas substâncias vitais. Apenas os corpos celestes que se formaram mais longe do Sol, em regiões mais frias, foram capazes de incorporar estes componentes. Quando e como a Terra se tornou um planeta propício à vida ainda não é totalmente compreendido.

Num novo estudo, investigadores do Instituto de Ciências Geológicas da Universidade de Berna conseguiram demonstrar, pela primeira vez, que a composição química da Terra primitiva estava completa, o mais tardar, três milhões de anos após a formação do Sistema Solar - e de uma forma que, inicialmente, tornou impossível o aparecimento da vida. Os seus resultados, recentemente publicados na revista Science Advances, sugerem que a vida na Terra só foi possível graças a um acontecimento posterior. O Dr. Pascal Kruttasch é o primeiro autor do estudo, estudo este que fez parte da sua dissertação no Instituto de Ciências Geológicas. Kruttasch é atualmente pós-doc no Imperial College London.

Usando um relógio preciso para medir a história da formação da Terra

A equipa de investigação utilizou uma combinação de dados de isótopos e elementos de meteoritos e rochas terrestres para reconstruir o processo de formação da Terra. Utilizando cálculos de modelos, os investigadores conseguiram determinar, no tempo, como a composição química da Terra se desenvolveu em comparação com outros blocos de construção planetários.

Kruttasch explica: "Foi utilizado, para determinar a idade exata, um sistema de medição do tempo de alta precisão, baseado no decaimento radioativo do manganês-53. Este isótopo estava presente nos primórdios do Sistema Solar e decaía para crómio-53 com uma meia-vida de cerca de 3,8 milhões de anos". Este método permitiu determinar as idades com uma precisão inferior a um milhão de anos para materiais com vários milhares de milhões de anos. "Estas medições só foram possíveis porque a Universidade de Berna possui competências e infraestruturas internacionalmente reconhecidas para a análise de materiais extraterrestres e é líder no campo da geoquímica isotópica", afirma o coautor Klaus Mezger, professor de geoquímica na mesma instituição suíça de ensino.

Vida na Terra graças a uma coincidência cósmica?

Através de cálculos de modelos, a equipa de investigação conseguiu demonstrar que a assinatura química da proto-Terra, ou seja, o padrão único de substâncias químicas que a compõem, já estava completa menos de três milhões de anos após a formação do Sistema Solar. O seu estudo fornece, assim, dados empíricos sobre o tempo de formação do material original da jovem Terra. "O nosso Sistema Solar formou-se há cerca de 4,568 milhões de anos. Considerando que foram necessários apenas 3 milhões de anos para determinar as propriedades químicas da Terra, isto é surpreendentemente rápido", diz o primeiro autor Kruttasch.

Os resultados do estudo apoiam, assim, a hipótese de que uma colisão posterior com outro planeta - Theia - foi o ponto de viragem decisivo e transformou a Terra num planeta amigo da vida. Theia formou-se provavelmente mais longe no Sistema Solar, onde se acumularam substâncias voláteis como a água. "Graças aos nossos resultados, sabemos que a proto-Terra era inicialmente um planeta rochoso seco. Por isso, podemos assumir que foi apenas a colisão com Theia que trouxe elementos voláteis para a Terra e que, em última análise, tornou a vida possível", diz Kruttasch.

A existência de vida no Universo não pode ser considerada um dado adquirido

O novo estudo contribui significativamente para a nossa compreensão dos processos na fase inicial do Sistema Solar e fornece pistas sobre quando e como se podem formar planetas onde a vida é possível. "A Terra não deve a sua atual aptidão para a vida a um desenvolvimento contínuo, mas provavelmente a um acontecimento fortuito - o impacto tardio de um outro corpo, rico em água. Isto torna claro que a existência de vida no Universo é tudo menos uma questão de rotina", diz Mezger.

O próximo passo seria investigar mais pormenorizadamente o evento de colisão entre a proto-Terra e Theia. "Até agora, este evento de colisão não é suficientemente bem compreendido. São necessários modelos que possam explicar completamente não só as propriedades físicas da Terra e da Lua, mas também a sua composição química e assinaturas de isótopos", conclui Kruttasch.

// Universidade de Berna (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Science Advances)

 


Quer saber mais?

Planeta Terra:
NASA
CCVAlg - Astronomia
Wikipedia

Theia:
Wikipedia

Sistema Solar:
CCVAlg - Astronomia
Wikipedia

Formação e evolução do Sistema Solar:
Wikipedia

 
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Também em destaque
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exemplo   A deteção de jatos protoestelares na região externa da Via Láctea revela a formação universal de estrelas (via Universidade de Niigata)
Os astrónomos obtiveram informações sobre a formação de estrelas ao capturarem a primeira deteção espacialmente resolvida de fluxos e jatos protoestelares na região externa da Via Láctea. A descoberta, feita com o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), revelou que, embora a física fundamental da formação estelar permaneça a mesma em diferentes ambientes galácticos, são observadas diferentes composições químicas ou de poeira na fonte exterior da galáxia. Ler fonte
     
  Inteligência artificial ajuda a melhorar o LIGO (via Caltech)
O LIGO (Laser Interferometer Gravitational-wave Observatory) tem sido considerado a "régua" mais precisa do mundo devido à sua capacidade de medir movimentos inferiores a 1/10.000 da largura de um protão. Ao fazer estas medições extremamente precisas, o LIGO pode detetar ondulações no espaço-tempo chamadas ondas gravitacionais que se propagam a partir de corpos cósmicos em colisão, como os buracos negros. Ler fonte
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Álbum de fotografias
NGC 4565: Galáxia de Lado

exemplo
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: José Rodrigues (IAOFXB)
 
A magnífica galáxia espiral NGC 4565 é vista de lado da perspetiva do planeta Terra. Também conhecida como a Galáxia da Agulha devido ao seu perfil estreito, a brilhante NGC 4565 é uma paragem em muitas visitas telescópicas do céu do hemisfério norte, na ténue mas bem cuidada constelação de Cabeleira de Berenice. Esta imagem nítida e colorida revela o bojo do núcleo central da galáxia, cortado por correntes de poeira obscurante que envolvem o fino plano galáctico de NGC 4565. A galáxia situa-se a cerca de 40 milhões de anos-luz de distância e estende-se por cerca de 100.000 anos-luz. É mais ou menos do tamanho da nossa Via Láctea. Facilmente observável com pequenos telescópios, os entusiastas do céu profundo consideram NGC 4565 uma proeminente obra-prima celeste que Messier falhou em observar.
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