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  Astroboletim #2257  
  24/10 a 27/10/2025  
     
 
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EFEMÉRIDES

DIA 24/10: 297.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1851, William Lassell descobre as luas Umbriel e Ariel em órbita de Úrano.
Em 1946, uma câmara a bordo do foguetão V-2 n.º 13 tira a primeira fotografia da Terra a partir do espaço.
Em 1957, a Força Aérea dos EUA começa o programa X-20 Dyna-Soar.
Em 1960, catástrofe de Nedelin: um missil balístico R-16 explode na plataforma de lançamento do cosmódromo de Baikonur, matando mais de 100 pessoas. A União Soviética só desclassificou o evento em 1989.
Em 1962, a Mars 2MV-4 No.1, também conhecida como Sputnik 22, falha a deixar a órbita da Terra. 
Em 1998, lançamento da missão Deep Space 1.
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Em 2007, o Chang'e 1, o primeiro satélite do Programa de Exploração Lunar da China, é lançado a partir do Centro de Lançamento Xichang.
Em 2014, a agência espacial chinesa lança uma missão experimental lunar, Chang'e 5-T1, que testou tecnologias de reentrada atmosférica para uma missão de recolha de amostras lunares.
HOJE, NO COSMOS:
Um desafio ao lusco-fusco: cerca de 30 ou 40 minutos depois do pôr-do-Sol, encontre a fina Lua Crescente muito baixa a sudoeste. Use binóculos ou um telescópio para procurar a alaranjada Antares brilhando quase quatro graus para cima e para a esquerda do nosso satélite natural.

 

DIA 25/10: 298.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1671, Giovanni Cassini descobre a lua de Saturno, Jápeto.
Em 1877 nascia Henry Norris Russell, astrónomo americano que, juntamente com Ejnar Hertzsprung, desenvolveu o diagrama Hertzsprung-Russell em 1910. 
Em 1999, observações terrestres de um vulcão em erupção em Io, uma lua de Júpiter
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HOJE, NO COSMOS:
Vem aí o "Halloween" e, assim sendo, Arcturo, a estrela que brilha baixa a oeste-noroeste ao anoitecer, está a tomar o seu lugar como o "Fantasma dos Sóis de Verão". O que é que isto significa? Ao longo de vários dias que rodeiam 25 de outubro, todos os anos, Arcturo ocupa um lugar muito especial acima do horizonte. Marca com grande precisão o local onde o Sol esteve à mesma hora, durante os quentes meses de junho e julho - em plena luz do dia, claro. Assim, com o aproximar do "Halloween", podemos ver Arcturo como o frio fantasma do Sol de verão.

 

DIA 26/10: 299.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1968, o cosmonauta soviético Georgy Beregovoy pilota a Soyuz 3 para o espaço, numa missão de quatro dias.
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HOJE, NO COSMOS:
Começa o horário de inverno. Quando forem 02:00, atrase os seus relógios uma hora. Nos Açores, a mudança é feita às 01:00, passando para as 00:00.
A Lua Crescente situa-se baixa a sudoeste logo após o anoitecer. Esta noite a Lua "flutua" no bico do "bule de chá" de Sagitário. Não espere muito senão ficam demasiado baixos e descem atrás do horizonte.

 

DIA 27/10: 300.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1961, primeiro lançamento com sucesso do foguetão Saturno I
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Em 1973, o meteorito Cañon City, um condrito com 1,4 kg, atinge Fremont County, no estado norte-americano do Colorado. 
Em 1994, é inquestionavelmente identificado o primeiro objeto de massa subestelar, Gliese 229B.
Em 2005, é lançado o micro-satélite SSETI Express a partir do Cosmódromo de Plesetsk.
HOJE, NO COSMOS:
Observe novamente a Lua e compare a posição em relação a Sagitário com a sua posição de ontem - esta noite encontra-se na "pega" do "bule de chá".

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Galáxias "desorganizadas", no Universo jovem, tiveram dificuldade em estabelecer-se
 
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O raramente utilizado modo de "grisma" do instrumento NIRCam do Webb capta a luz ténue do gás hidrogénio ionizado em galáxias distantes.
Crédito: NASA, ESA, CSA, STScI, B. Robertson (Universidade da Califórnia em Santa Cruz), B. Johnson (Centro de Astrofísica | Harvard & Smithsonian), S. Tacchella (Universidade de Cambridge), P. Cargile (Centro de Astrofísica | Harvard & Smithsonian)
 

Recorrendo ao Telescópio Espacial James Webb, astrónomos captaram o olhar mais detalhado de sempre sobre o modo como as galáxias se formaram apenas algumas centenas de milhões de anos após o Big Bang - e descobriram que eram muito mais caóticas e desorganizadas do que as que vemos atualmente.

A equipa, liderada por investigadores da Universidade de Cambridge, analisou mais de 250 galáxias jovens que existiam quando o Universo tinha entre 800 milhões e 1,5 mil milhões de anos. Estudando o movimento do gás no interior destas galáxias, os investigadores descobriram que a maior parte delas eram sistemas turbulentos e "grumosos" que ainda não se tinham instalado em discos giratórios e uniformes como a nossa Via Láctea.

As suas descobertas, publicadas na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, sugerem que as galáxias se tornaram gradualmente mais calmas e organizadas à medida que o Universo evoluía. Mas no início do Universo, a formação estelar e as instabilidades gravitacionais provocaram tanta turbulência que muitas galáxias tiveram dificuldade em estabelecer-se.

"Não vemos apenas alguns espetaculares casos anómalos - esta é a primeira vez que conseguimos olhar para uma população inteira de uma só vez", disse a primeira autora Lola Danhaive do Instituto Kavli de Cosmologia de Cambridge. "Encontrámos uma enorme variação: algumas galáxias estão a começar a assentar numa rotação ordenada, mas a maioria ainda é caótica, com gás inchado e a mover-se em todas as direções".

Os investigadores utilizaram o instrumento NIRCam do Webb num modo raramente utilizado, que capta a luz ténue do gás hidrogénio ionizado em galáxias distantes. Danhaive escreveu um novo código para desvendar os dados, combinando-os com imagens de outros levantamentos Webb para medir o movimento do gás no interior de cada galáxia.

"Resultados anteriores sugeriam a formação de discos massivos e bem ordenados numa fase muito precoce, o que não se adequava aos nossos modelos", disse o coautor Sandro Tacchella do Instituto Kavli e do Laboratório Cavendish. "Mas ao olharmos para centenas de galáxias com massas estelares mais baixas, em vez de apenas uma ou duas, vemos o quadro geral, que está muito mais de acordo com a teoria. As primeiras galáxias eram mais turbulentas, menos estáveis e cresceram através de frequentes fusões e surtos de formação estelar".

"Este trabalho ajuda a colmatar a lacuna entre a época da reionização e o chamado meio-dia cósmico, quando a formação estelar atingiu o seu pico", disse Danhaive, que também está ligada ao Laboratório Cavendish. "Mostra como os blocos de construção das galáxias passaram gradualmente de aglomerados caóticos para estruturas ordenadas e como galáxias como a Via Láctea se formaram".

Os resultados mostram como o Webb permite aos cientistas investigar a dinâmica das galáxias a uma escala que antes era impossível. Estudos futuros terão como objetivo combinar estas descobertas com observações de gás e poeira frios para obter uma imagem mais completa de como as primeiras galáxias se formaram.

"Isto é apenas o início", disse Tacchella. "Com mais dados, seremos capazes de seguir o modo como estes sistemas turbulentos cresceram e se transformaram nas graciosas espirais que vemos hoje".

// Universidade de Cambridge (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)

 


Quer saber mais?

Universo:
Wikipedia
Estrutura a grande-escala do Universo (Wikipedia)
Big Bang (Wikipedia)
Cronologia do Universo (Wikipedia)
Modelo Lambda-CDM (Wikipedia)
Reionização (Wikipedia)

JWST (Telescópio Espacial James Webb):
NASA
STScI
STScI (website para o público)
ESA
ESA/Webb
Wikipedia
Facebook
X/Twitter
Instagram
Blog do JWST (NASA)
NIRISS (NASA)
NIRCam (NASA)
MIRI (NASA)
NIRSpec (NASA)

 
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Descoberta uma anã castanha em órbita de uma anã vermelha
 

Resultado pós-processado da imagem NIRC2 de agosto de 2023 da anã vermelha J1446 e uma fonte pontual é detetada perto da estrela central. A seta branca indica a localização da nova companheira, a anã castanha J1446B.
Crédito: Taichi Uyama (Centro de Astrobiologia/CSUN)/Observatório W. M. Keck)

 

Uma equipa internacional de astrónomos, utilizando os poderes combinados de observatórios espaciais e terrestres, incluindo o Observatório W. M. Keck e o Telescópio Subaru em Maunakea, no Hawaii, descobriram uma anã castanha companheira em órbita de uma estrela anã vermelha próxima, fornecendo uma visão fundamental sobre o modo como as estrelas e os planetas se formam.

Localizada a cerca de 55 anos-luz da Terra, a anã castanha companheira, chamada J1446B, foi descoberta em órbita da anã M J1446. Demasiado massiva para ser um planeta, mas também demasiado leve para ser uma estrela normal, J1446B tem uma massa cerca de 60 vezes superior à de Júpiter e orbita a sua estrela hospedeira a uma distância cerca de 4,3 vezes superior à separação Terra-Sol, completando uma órbita em cerca de 20 anos. Notavelmente, as observações no infravermelho próximo revelaram variações de brilho de cerca de 30%, sugerindo fenómenos atmosféricos dinâmicos, tais como nuvens ou tempestades semelhantes às dos gigantes gasosos como Júpiter, mas a uma escala muito maior.

"O estudo da meteorologia destes objetos distantes não só nos ajuda a compreender como as suas atmosferas se formam, mas também informa a nossa busca por planetas com vida para lá do Sistema Solar", disse Taichi Uyama, investigador do Centro de Astrobiologia do Japão e autor principal do estudo.

O estudo, liderado pelo Centro de Astrobiologia dos Institutos Nacionais de Ciências Naturais, pela Universidade do Estado da Califórnia em Northridge e pela Universidade Johns Hopkins, foi publicado na revista The Astronomical Journal.

Subestimação da ocorrência de companheiras estelares

As anãs M, ou anãs vermelhas, são o tipo de estrela mais comum na nossa Galáxia, representando mais de metade de todas as estrelas da Via Láctea. Estas estrelas, mais pequenas e mais frias que o Sol, são alvos fundamentais para compreender os processos de formação e evolução estelar e planetária.

No entanto, devido ao facto de as anãs M serem intrinsecamente ténues, as observações detalhadas têm sido historicamente limitadas e os primeiros estudos sugeriam que mais de 70% delas eram estrelas individuais. Avanços recentes nas técnicas de observação revelaram que esta observação é incompleta: a frequência de companheiras estelares e subestelares de baixa massa, como as anãs castanhas, pode ter sido significativamente subestimada. Compreender a frequência com que tais companheiras ocorrem - e a sua distribuição de massa - é essencial para distinguir as semelhanças e diferenças entre a formação de planetas e a formação de estrelas.

Abordagem em três vertentes

A chave para esta descoberta foi uma abordagem observacional em três vertentes, incluindo o Observatório Keck, o Telescópio Subaru e a missão Gaia: (1) medições de velocidade radial a partir da monitorização espetroscópica de longo prazo no infravermelho com o IRD (InfraRed Doppler) do Subaru, que detetou a subtil oscilação da estrela hospedeira causada pela atração gravitacional mútua; (2) imagens de alta resolução no infravermelho próximo obtidas com a ótica adaptativa de última geração do instrumento NIRC2 (Near-Infrared Camera) do Observatório Keck permitiram a deteção direta da companheira a uma separação muito pequena da estrela hospedeira; e (3) a missão Gaia seguiu pequenas mudanças na posição da estrela no céu para revelar ainda mais a sua atração gravitacional. Integrando estes conjuntos de dados e aplicando as leis de Kepler, a equipa foi capaz de determinar a massa dinâmica e os parâmetros orbitais de J1446B com uma precisão sem precedentes.

"A contribuição crítica do Keck foi a obtenção de imagens diretas desta anã castanha companheira, o que levou à caracterização da órbita do objeto e das suas propriedades físicas, como a massa e a temperatura", disse Charles Beichman, Diretor Executivo do NExSCI (NASA Exoplanet Science Institute) no Caltech e coautor do estudo.

Uma referência para estudos futuros

A descoberta de J1446B constitui um ponto de referência fundamental para testar cenários de formação de anãs castanhas e modelos atmosféricos. A combinação de futuros lançamentos de dados do Gaia e de dados espetroscópicos avançados obtidos a partir de observações de seguimento com novos instrumentos - como o HISPEC (High-resolution Infrared Spectrograph for Exoplanet Characterization) do Observatório Keck - pode permitir aos investigadores mapear padrões atmosféricos, dando um passo em frente na compreensão da formação e evolução dos planetas. Talvez, até, nos guie para um planeta como o nosso.

Beichman acrescentou: "Notavelmente, duas imagens do Keck mostraram variabilidade no brilho da anã castanha, sugerindo a existência de nuvens e padrões meteorológicos! Esta abordagem combinada tornar-se-á cada vez mais poderosa, chegando até ao reino dos planetas gigantes gasosos como o nosso Júpiter, à medida que os novos instrumentos do Keck entrarem em funcionamento".

// Observatório W. M. Keck (comunicado de imprensa)
// Telescópio Subaru (comunicado de imprensa)
// Centro de Astrobiologia do Japão (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astronomical Journal)

 


Quer saber mais?

Anãs castanhas:
Wikipedia
Andy Lloyd's Dark Star Theory

Anãs vermelhas:
Wikipedia

Observatório W. M. Keck:
Página principal
Wikipedia
NIRC2 (Near-Infrared Camera)

Telescópio Subaru:
NAOJ
Wikipedia
IRD (InfraRed Doppler)

Gaia:
ESA
Página da ESA para a comunidade científica
Arquivo de dados do Gaia (ESA)
Wikipedia

 
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Cientistas planetários ligam o nascimento de Júpiter à zona de formação da Terra
 
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Imagem melhorada de Júpiter, com base em três exposições obtidas pela sonda Juno em 2019.
Crédito: Kevin M. Gill; NASA/JPL-Caltech/MSSS
 

Uma nova investigação sugere que o planeta gigante Júpiter remodelou o Sistema Solar primitivo de forma dramática, criando anéis e divisões que, em última análise, explicam um dos enigmas mais antigos da ciência planetária: porque é que muitos meteoritos primitivos se formaram milhões de anos depois dos primeiros corpos sólidos. O estudo, que combinou modelos hidrodinâmicos do crescimento de Júpiter com simulações da evolução da poeira e de formação planetária, foi recentemente publicado na revista Science Advances.

Através de simulações computorizadas de última geração, os cientistas planetários André Izidoro e Baibhav Srivastava, da Universidade Rice, descobriram que o rápido crescimento inicial de Júpiter desestabilizou o disco de gás e poeira que rodeava o Sol. A imensa gravidade do planeta enviou ondulações através do disco do recém-nascido Sistema Solar, criando "engarrafamentos cósmicos" que impediram pequenas partículas de espiralarem para o Sol. Ao invés, estas partículas juntaram-se em bandas densas, onde se podiam aglomerar em planetesimais - as sementes rochosas dos planetas.

A reviravolta surpreendente é que os planetesimais formados nestas zonas não eram os blocos de construção originais do Sistema Solar. Representam, sim, uma segunda geração, nascida mais tarde na história do sistema. O seu nascimento coincide com o de muitos condritos - uma família de meteoritos rochosos que preservam pistas químicas e cronológicas da infância do Sistema Solar.

"Os condritos são como cápsulas do tempo dos primórdios do Sistema Solar", disse Izidoro, professor assistente de Ciências da Terra, do Ambiente e Planetárias na Universidade Rice. "Têm caído para a Terra ao longo de milhares de milhões de anos, onde os cientistas os recolhem e estudam para desvendar pistas sobre as nossas origens cósmicas. O mistério sempre foi: Porque é que alguns destes meteoritos se formaram tão tarde, 2 a 3 milhões de anos após os primeiros sólidos? Os nossos resultados mostram que o próprio Júpiter criou as condições para o seu nascimento tardio".

 
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Ilustração esquemática do cenário evolutivo proposto para o início do Sistema Solar interior durante aproximadamente os seus primeiros 3 milhões de anos.
Crédito: Srivastava e Izidoro, Science Advances (2025)
 

Os condritos são especialmente significativos porque são alguns dos materiais mais primitivos disponíveis para a ciência. Ao contrário dos meteoritos da primeira geração de blocos de construção - que derreteram, se diferenciaram e perderam o seu carácter original - os condritos preservam a poeira pura do Sistema Solar e minúsculas gotículas fundidas chamadas côndrulos. A sua formação tardia intriga os cientistas há décadas.

"O nosso modelo junta duas coisas que não pareciam encaixar antes - as impressões digitais isotópicas nos meteoritos, que vêm em dois sabores, e a dinâmica da formação planetária", disse Srivastava, estudante que trabalha no laboratório de Izidoro. "Júpiter cresceu cedo, abriu uma lacuna no disco de gás, e esse processo protegeu a separação entre o material do Sistema Solar interior e exterior, preservando as suas assinaturas isotópicas distintas. Também criou regiões onde os planetesimais se poderiam formar muito mais tarde".

O estudo também ajuda a explicar outro mistério do Sistema Solar: porque é que a Terra, Vénus e Marte estão agrupados a cerca de uma unidade astronómica do Sol, em vez de entrarem em espiral para o interior, como acontece em muitos outros sistemas planetários. Júpiter cortou o fluxo de material gasoso em direção ao Sistema Solar interior, suprimindo a migração para o interior dos planetas jovens. Em vez de mergulharem em direção ao Sol, estes mundos em crescimento ficaram presos na região terrestre, onde a Terra e os seus vizinhos acabaram por se formar.

"Júpiter não se tornou apenas no maior planeta - definiu a arquitetura de todo o Sistema Solar interior", disse Izidoro. "Sem ele, talvez não tivéssemos a Terra como a conhecemos".

As descobertas são consistentes com as impressionantes estruturas em anel e lacuna que os astrónomos observam atualmente em sistemas estelares jovens com o telescópio ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), o observatório astronómico mais complexo alguma vez construído na Terra e localizado no norte do Chile.

"Olhando para estes discos jovens, vemos o início da formação de planetas gigantes e a reconfiguração do seu ambiente natal", disse Izidoro. "O nosso próprio Sistema Solar não foi diferente. O crescimento inicial de Júpiter deixou uma assinatura que ainda hoje podemos ler, presa nos meteoritos que caem na Terra."

// Universidade Rice (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Science Advances)

 


Quer saber mais?

Formação e evolução do Sistema Solar:
Wikipedia

Sistema Solar:
CCVAlg - Astronomia
Wikipedia

Júpiter:
NASA
CCVAlg - Astronomia
Nine Planets
Wikipedia

Meteoritos condritos:
Wikipedia

 
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Álbum de fotografias
Os Jovens Sóis de NGC 7129

exemplo
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Timothy Martin
 
Ainda existem sóis jovens na poeirenta NGC 7129, a cerca de 3000 anos-luz de distância na direção da real constelação de Cefeu. Embora estas estrelas tenham uma idade relativamente tenra, com apenas alguns milhões de anos, é provável que o nosso Sol se tenha formado num berçário estelar semelhante há cerca de cinco mil milhões de anos. Na imagem nítida são visíveis as belas nuvens azuladas de poeira que refletem a luz das estrelas jovens. Mas as formas compactas e profundamente vermelhas dos crescentes são também indicadoras de objetos estelares jovens e energéticos. Conhecidos como objetos Herbig-Haro, a sua forma e cor são características do gás hidrogénio incandescente chocado por jatos que se afastam de estrelas recém-nascidas. Os filamentos mais pálidos e extensos de emissão avermelhada que se misturam com as nuvens azuladas são causados por grãos de poeira que efetivamente convertem a luz estelar ultravioleta e invisível em luz vermelha visível através da fotoluminescência. Em última instância, o gás e a poeira natais da região dispersar-se-ão, as estrelas afastando-se à medida que o enxame solto orbita o centro da Galáxia. À distância estimada de NGC 7129, este campo telescópico estende-se por cerca de 40 anos-luz.
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