Problemas ao ver este e-mail?
Veja no browser

 
 
  Arquivo | CCVAlg - Astronomia
Com o apoio do Centro Ciência de Tavira
  transparent   feed rss
logotipos
 
  Astroboletim #2264  
  18/11 a 20/11/2025  
     
 
transparent
EFEMÉRIDES

DIA 18/11: 322.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1923, nascia Alan Shepard, o primeiro americano no espaço.
Em 1989 a NASA lança o COBE (Cosmic Background Explorer).
imagem
Os instrumentos a bordo estudaram toda a esfera celeste a cada seis meses. As operações terminaram a 23 de dezembro de 1993. A partir de janeiro de 1994, foi transferido para o Wallops e serviu como satélite de testes. 
Em 1999, usando câmaras de vídeo, David Palmer, Brian Cudnick e Pedro Sada registam um impacto de uma Leónida na Lua. O evento torna-se no primeiro impacto cósmico lunar confirmado.
Em 2013, é lançada a MAVEN (Mars Atmosphere and Volatile EvolutioN Mission) em direção a Marte.
HOJE, NO COSMOS:
Depois do cair da noite, o Grande Quadrado de Pégaso encontra-se nivelado a sul, para cima do brilhante planeta Saturno. Um "marco" do céu, a não esquecer: o lado oeste (direito) do Grande Quadrado aponta para baixo até perto da estrela Fomalhaut, de primeira magnitude. O lado este do Quadrado aponta para a estrela de segunda magnitude, Beta Ceti (Diphda) - não tão diretamente, não tão distante. Este ano, Saturno brilha entre estas linhas.
O que está para baixo destas duas estrelas? Se tiver acesso a um horizonte desimpedido a sul, imagine um triângulo equilátero com Fomalhaut e Beta Ceti como os seus cantos de topo. Perto de onde estaria o terceiro canto, está Alpha Phoenicis, ou Ankaa, na constelação da Fénix. A sua magnitude de 2,4 não é muito elevada mas é o ponto mais brilhante na área. Tem um tom amarelo-alaranjado (binóculos ajudam). Já alguma vez tinha visto a constelação da Fénix?

 

DIA 19/11: 323.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1711, nascia Mikhail Lomonosov, cientista russo, conhecido por ser a primeira pessoa a teorizar a existência de uma atmosfera em Vénus.
Em 1881, um meteorito aterra perto da vila de Grossliebenthal, no sudoeste de Odessa, Ucrânia.
Em 1969, a Apollo 12 faz a segunda aterragem humana na Lua. Os astronautas Pete Conrad e Alan Bean pisam solo lunar no Oceano das Tempestades.
Em 1999, a China lança a missão Shenzhou 1, não tripulada, para órbita.
imagem
Torna-se assim na terceira nação da História a lançar um veículo capaz de transportar uma pessoa até ao espaço, depois da antiga União Soviética e dos Estados Unidos.
HOJE, NO COSMOS:
Encontre Fomalhaut novamente bem para baixo do Grande Quadrado de Pégaso. Sempre que Fomalhaut atravessa o meridiano a sul, o que ocorre pelas 19:30 esta semana, as estrelas-guia da Ursa Maior (Dubhe e Merak) estão bem baixas, na vertical, a norte, diretamente para baixo da Estrela Polar.
E as primeiras estrelas de Oríon estão prestes a nascer a este (para observadores a latitudes médias norte). Começando com o nascer de Bellatrix, é preciso um pouco mais de uma hora para as sete estrelas para a figura do caçador subirem todas acima do horizonte.

 

DIA 20/11: 324.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1889 nascia Edwin Hubble, astrónomo americano.
imagem
Foi o primeiro a identificar cefeidas em M31, provando a natureza extragaláctica das nebulosas espirais (galáxias). Apoiando-se sobre o trabalho de Carl Wirtz, e com os desvios de SlipherHubble estabelece a relação distância-velocidade das galáxias (Lei de Hubble) que demonstra a expansão do Universo.
Em 1984, é fundado o Instituto SETI.
Em 1998, é lançado o primeiro módulo da Estação Espacial Internacional (ISS), o Zarya.
HOJE, NO COSMOS:
Lua Nova, pelas 06:47.
A constelação de Cisne, bem alta a oeste após o cair da noite, é uma das constelações mais ricas no plano da Via Láctea. No entanto não lhe escapa a reputação de ser pobre em objetos de céu profundo. Uma boa exceção é o enxame aberto M39, com uma magnitude de 4,6, localizado 9º para este-nordeste de Deneb.

transparent
 
 
  transparent  
ESA melhora a trajetória do Cometa 3I/ATLAS com dados a partir de Marte
 
imagem
O cometa 3I/ATLAS observado pela ExoMars TGO. É a mancha branca e ligeiramente difusa que se move para baixo, perto do centro da imagem. Nesta animação, os cientistas juntaram várias exposições de cinco segundos para revelar o objeto interestelar.
Crédito: ESA/TGO/CaSSIS
 

Desde que o cometa 3I/ATLAS, o terceiro objeto interestelar conhecido, foi descoberto a 1 de julho de 2025, os astrónomos de todo o mundo têm trabalhado para prever a sua trajetória. A ESA melhorou agora a localização prevista do cometa por um fator de 10, graças à utilização inovadora de dados de observação da nave espacial ExoMars TGO (Trace Gas Orbiter) em órbita de Marte.

Ao utilizar dados recolhidos a partir de Marte graças a uma observação invulgar, ficou-se a saber mais sobre o percurso do cometa interestelar através do nosso Sistema Solar, num valioso caso de teste para a defesa planetária, embora 3I/ATLAS não represente qualquer perigo.

Novo ângulo de Marte revela precisão

Até setembro, a localização e a trajetória de 3I/ATLAS dependiam dos telescópios terrestres. Depois, entre 1 e 7 de outubro, a ExoMars TGO da ESA virou os olhos para o cometa interestelar a partir da sua órbita em torno de Marte. O cometa passou relativamente perto de Marte, a cerca de 29 milhões de quilómetros durante a sua fase mais próxima, dia 3 de outubro.

A sonda marciana esteve cerca de dez vezes mais próxima de 3I/ATLAS do que os telescópios na Terra e observou o cometa a partir de um novo ângulo. A triangulação dos seus dados com os dados da Terra ajudou a tornar a trajetória prevista do cometa muito mais precisa.

Embora os cientistas tenham inicialmente previsto uma melhoria modesta, o resultado foi um impressionante salto de dez vezes na precisão, reduzindo a incerteza da localização do objeto.

Dado que 3I/ATLAS está a passar rapidamente pelo nosso Sistema Solar, viajando a velocidades até 250.000 km/h, em breve desaparecerá no espaço interestelar, para nunca mais voltar. A trajetória melhorada permite aos astrónomos apontar os seus instrumentos com confiança, possibilitando uma ciência mais detalhada do terceiro objeto interestelar alguma vez detetado.

Dos dados a partir de Marte às previsões exatas

Foi um desafio utilizar os dados da sonda marciana para aperfeiçoar a trajetória de um cometa interestelar no espaço. O instrumento CaSSIS (Colour and Stereo Surface Imaging System) foi concebido para apontar para a superfície marciana próxima e observá-la em alta resolução. Desta vez, a câmara foi apontada para os céus acima de Marte para assim captar o pequeno e distante 3I/ATLAS a passar num cenário estrelado.

Os astrónomos da equipa de defesa planetária do NEOCC (Near-Earth Object Coordination Centre) da ESA, habituados a determinar as trajetórias de asteroides e cometas, tiveram de ter em conta a localização especial da nave espacial.

Normalmente, as observações de trajetórias são feitas a partir de observatórios fixos na Terra e, ocasionalmente, a partir de uma nave espacial em órbita perto da Terra, como o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA ou o Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA. Os astrónomos estão habituados a considerar a sua localização quando determinam as futuras localizações dos objetos, as chamadas efemérides.

Desta vez, as efemérides de 3I/ATLAS, e em particular a precisão das previsões, dependiam da localização exata da ExoMars TGO: em Marte e numa órbita rápida à volta do planeta. Foi necessário trabalhar em conjunto, num esforço combinado de várias equipas e parceiros da ESA, desde a dinâmica de voo até às equipas científicas e de instrumentos. Desafios e particularidades que normalmente são negligenciáveis tiveram de ser enfrentadas para reduzir ao máximo as margens, de modo a alcançar a maior precisão possível.

Os dados resultantes do cometa 3I/ATLAS assinalam a primeira vez que as medições astrométricas de uma nave espacial em órbita de outro planeta foram oficialmente submetidas e aceites na base de dados do MPC (Minor Planet Center, em português "Centro de Planetas Menores"). A base de dados reúne observações de asteroides e cometas, organizando os dados recolhidos por diferentes telescópios, estações de radar e naves espaciais.

Um caso de teste para a defesa planetária

Embora 3I/ATLAS não constitua uma ameaça, foi um exercício valioso para a defesa planetária. A ESA monitoriza regularmente asteroides e cometas próximos da Terra, calculando as suas órbitas para emitir avisos, se necessário. Como este "ensaio" com o 3I/ATLAS demonstra, pode ser útil triangular dados da Terra com observações de um segundo local no espaço. Uma nave espacial pode também estar mais próxima de um objeto, acrescentando ainda mais valor.

Praticar com dados de naves espaciais para além da órbita da Terra aperfeiçoa competências importantes e demonstra o valor da utilização de recursos não concebidos para a deteção de asteroides, aumentando a prontidão em caso de ameaça.

 
imagem
Datas de relevo para a história observacional do cometa 3I/ATLAS.
Crédito: ESA
 

O que é que se segue?

O cometa está atualmente a ser observado com a JUICE (Jupiter Icy Moons Explorer). Embora a JUICE esteja mais longe de 3I/ATLAS do que os orbitadores de Marte estavam no mês passado, está a ver o cometa logo após a sua maior aproximação ao Sol, quando está num estado mais ativo. A ESA só espera receber os dados das observações da JUICE em fevereiro de 2026 pois, da perspetiva da Terra, a sonda está no outro lado do Sol, o que dificulta a transmissão de dados.

Não devemos contar apenas com a esperança de que as naves espaciais se encontrem nas proximidades de objetos difíceis de observar e que possam constituir uma ameaça. Por isso, a ESA está a preparar a missão NEOMIR (Near-Earth Object Mission in the InfraRed), para cobrir o conhecido ponto cego que o Sol provoca na observação de asteroides, uma vez que o seu grande brilho ofusca o brilho ténue de um asteroide ou cometa. O telescópio espacial NEOMIR estará localizado entre o Sol e a Terra para detetar objetos próximos da Terra vindos da direção da nossa estrela, pelo menos três semanas antes de um potencial impacto na Terra.

Os viajantes gelados como 3I/ATLAS oferecem uma ligação rara e tangível com a Galáxia mais abrangente. Efetivamente visitar um deles ligaria a humanidade ao Universo a uma escala muito maior. A ESA está a preparar a missão Comet Interceptor que irá aprender mais sobre um cometa - com sorte, poderá ser um cometa interestelar.

// ESA (comunicado de imprensa)
// Dados submetidos ao MPC (nota: a lista de submissões é grande e engloba mais astros - procure na página o termo "3I"; "3I/ATLAS" para encontrar os seus elementos orbitais)

 


Quer saber mais?

Cobertura do Cometa 3I/ATLAS pelo CCVAlg - Astronomia:
10/07/2025 - ExoMars e Mars Express observam o cometa 3I/ATLAS
12/08/2025 - Hubble faz estimativa do tamanho do cometa interestelar 3I/ATLAS
15/07/2025 - Objeto interestelar recentemente descoberto "pode ser o cometa mais antigo alguma vez visto"
08/07/2025 - Descoberto o terceiro cometa interestelar

Cometa interestelar 3I/ATLAS:
NASA
ESA
TheSkyLive
Wikipedia

Objeto interestelar:
Wikipedia

Cometas:
Wikipedia

ExoMars TGO (Trace Gas Orbiter):
ESA
Wikipedia

CaSSIS (Colour and Stereo Surface Imaging System)

JUICE (Jupiter Icy Moons Explorer):
ESA
Wikipedia

NEOMIR (Near-Earth Object Mission in the InfraRed):
ESA
Wikipedia

Comet Interceptor:
ESA
Wikipedia

 
  transparent  
As Plêiades têm milhares de "irmãs" há muito perdidas
 
imagem
Representação artística das outras "irmãs" das Plêiades vistas do "Old Well", um marco histórico no campus da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill, com base na figura 15 do artigo científico de Boyle et al.
Crédito: Ana Isabel Lopez Murillo
 

Astrónomos da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill, EUA, descobriram que o famoso enxame estelar das Plêiades, as "Sete Irmãs" ou M45, frequentemente avistado nas noites de inverno, é apenas a ponta brilhante de uma família estelar muito maior. Combinando dados do satélite TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA e do telescópio espacial Gaia da ESA, a equipa descobriu milhares de irmãs escondidas espalhadas pelo céu, uma estrutura em expansão a que chamaram Grande Complexo das Plêiades. A descoberta mostra que as Plêiades são 20 vezes maiores do que se pensava anteriormente.

A maioria das estrelas, incluindo o nosso Sol, nascem em grupos. Com o passar do tempo, estas irmãs estelares afastam-se, o que dificulta a identificação das suas origens. Usando as taxas de rotação estelar como um "relógio cósmico", as estrelas jovens giram rapidamente, enquanto as estrelas mais velhas giram mais lentamente. A equipa da UNC-Chapel Hill identificou membros das Plêiades há muito perdidas, espalhadas pelo céu. Ao combinar medições de rotação pelo TESS da NASA com dados precisos de posição e movimento do Gaia da ESA, os investigadores redefiniram as Plêiades não como um pequeno enxame de estrelas, mas como o coração denso de uma vasta associação estelar em dissolução.

"Este estudo muda a forma como vemos as Plêiades - não apenas sete estrelas brilhantes, mas milhares de irmãs há muito perdidas espalhadas por todo o céu", disse Andrew Boyle, autor principal e estudante em física e astronomia na UNC-Chapel Hill.

As descobertas têm implicações vastas. As Plêiades não são apenas uma referência astrofísica para estrelas jovens e exoplanetas, mas também uma referência cultural e mundial, mencionada no Antigo Testamento e no Talmude, celebrada como Matariki na Nova Zelândia e até representada pelo logótipo da Subaru no Japão.

"Estamos a aperceber-nos de que muitas estrelas próximas do Sol fazem parte de famílias estelares alargadas e massivas com estruturas complexas", disse Andrew Mann, coautor e professor de física e astronomia na UNC-Chapel Hill. "O nosso trabalho fornece uma nova maneira de descobrir estas relações ocultas".

Ao rastrear a rotação estelar, a abordagem da equipa oferece uma nova estrutura para mapear a nossa vizinhança cósmica. Os investigadores preveem que muitos enxames estelares aparentemente independentes são, de facto, partes de famílias estelares em grande expansão. Estudos futuros que utilizem este método poderão até ajudar os astrónomos a descobrir as origens do próprio Sol, revelando se também ele nasceu numa família estelar muito maior.

"Ao medir a rotação das estrelas, podemos identificar grupos estelares demasiado dispersos para serem detetados com os métodos tradicionais - abrindo uma nova janela para a arquitetura oculta da nossa Galáxia", disse Boyle.

Esta investigação ajuda a reconstruir os ambientes de nascimento de estrelas e planetas, um passo essencial para compreender como os sistemas solares, incluindo o nosso, se formam e evoluem.

// Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal)

 


Quer saber mais?

Plêiades ("Sete Irmãs" ou M45):
NASA
SEDS
Wikipedia

Enxames abertos:
CCVAlg - Astronomia
Wikipedia

TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite):
NASA
NASA/Goddard
Programa de Investigadores do TESS (HEASARC da NASA)
MAST (Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais)
Exoplanetas descobertos pelo TESS (NASA Exoplanet Archive)
Wikipedia

Gaia:
ESA
Página da ESA para a comunidade científica
Arquivo de dados do Gaia (ESA)
Wikipedia

 
  transparent  
Uma nova missão para estudar Marte e o vento solar
 
imagem
Lançamento da missão ESCAPADE (Escape and Plasma Acceleration and Dynamics Explorers) da NASA a bordo de um foguetão New Glenn.
Crédito: Blue Origin
 

Um par de naves espaciais da NASA, com destino final Marte, vai estudar a forma como o seu ambiente magnético é afetado pelo Sol. A missão também ajudará a agência espacial a preparar-se para a futura exploração humana do Planeta Vermelho.

As naves espaciais ESCAPADE (Escape and Plasma Acceleration and Dynamics Explorers) da NASA foram lançadas às 20:55 (hora portuguesa) da passada quinta-feira, a bordo de um foguetão New Glenn da Blue Origin a partir do Complexo de Lançamento 36 na Estação da Força Espacial de Cabo Canaveral, na Flórida, EUA.

"Parabéns à Blue Origin, ao Rocket Lab, à UC Berkeley e a todos os nossos parceiros pelo lançamento bem-sucedido da ESCAPADE. Esta missão heliofísica ajudará a revelar como Marte se tornou um planeta desértico e como as erupções solares afetam a superfície marciana", disse o administrador interino da NASA, Sean Duffy. "Cada descolagem do New Glenn fornece dados que serão essenciais quando lançarmos o [módulo lunar Blue Moon] MK-1 da [missão] Artemis. Todas essas informações serão críticas para proteger os futuros exploradores da NASA e inestimáveis enquanto avaliamos como cumprir a visão do presidente Trump de colocar [a bandeira dos EUA] em Marte".

As duas naves gémeas, construídas pelo Rocket Lab, irão investigar a forma como um fluxo interminável de partículas do Sol, que viaja milhões de quilómetros por hora e conhecido como vento solar, tem gradualmente despojado grande parte da atmosfera marciana, provocando o arrefecimento do planeta e a evaporação da água à superfície. A missão é liderada pela Universidade da Califórnia, em Berkeley.

Os controladores terrestres da missão ESCAPADE estabeleceram comunicações com ambas as naves espaciais às 03:35 de sexta-feira passada (hora portuguesa).

"A missão ESCAPADE faz parte da nossa estratégia para compreender o passado e o presente de Marte, de modo a podermos enviar os primeiros astronautas em segurança", disse Nicky Fox, administradora associada do Diretorado de Missões Científicas na sede da NASA em Washington. "Compreender o clima espacial marciano é uma prioridade máxima para futuras missões porque ajuda-nos a proteger sistemas, robôs e, mais importante, os humanos, em ambientes extremos".

 
imagem
A missão ESCAPADE vai estudar a forma como a magnetosfera de Marte - a área magnetizada do espaço à volta do planeta - interage com o vento solar e os processos que conduzem à sua fuga atmosférica.
Crédito: Rocket Lab
 

Desbravando novos caminhos

A recente atividade solar, que desencadeou auroras generalizadas na Terra, provocou um ligeiro atraso no lançamento para evitar que as tempestades solares tivessem um impacto negativo na entrada em funcionamento das naves espaciais. Quando a missão ESCAPADE chegar a Marte, estudará em tempo real os efeitos atuais do vento solar e das tempestades solares no Planeta Vermelho. Isto permitirá obter informações sobre o clima espacial marciano e ajudará a NASA a compreender melhor as condições que os astronautas terão de enfrentar quando chegarem a Marte.

"As naves espaciais ESCAPADE estão agora prestes a embarcar numa viagem única até Marte, nunca percorrida por nenhuma outra missão", disse Alan Zide, executivo do programa ESCAPADE na sede da NASA.

Em vez de se dirigirem diretamente para Marte, as naves gémeas seguem primeiro para um local no espaço a cerca de 1,5 milhões de quilómetros da Terra chamado ponto de Lagrange 2. Atualmente, a Terra e Marte estão em lados opostos do Sol, o que torna mais difícil viajar de um planeta para o outro. Em novembro de 2026, quando a Terra e Marte estiverem estreitamente alinhados nas suas órbitas, as naves ESCAPADE darão a volta à Terra e utilizarão a gravidade terrestre para se lançarem em direção a Marte.

No passado, as missões a Marte esperavam para serem lançadas durante uma breve janela de tempo em que a Terra e Marte estão alinhados, o que acontece aproximadamente de dois em dois anos. No entanto, com o tipo de trajetória que as naves ESCAPADE estão a utilizar, as futuras missões poderão ser lançadas praticamente em qualquer altura e aguardar no espaço, em "fila de espera" para a sua partida interplanetária, até que os dois planetas estejam em posição.

Esta órbita original de "proximidade da Terra" também fará da ESCAPADE a primeira missão a passar por uma região distante da magnetocauda da Terra, parte do campo magnético do nosso planeta que é esticado para longe do Sol pelo vento solar.

Estudando Marte em estéreo

Após uma viagem de 10 meses, espera-se que as ESCAPADE cheguem a Marte em setembro de 2027, tornando-se a primeira missão coordenada de duas naves espaciais a entrar em órbita de outro planeta.

Ao longo de vários meses, as duas naves espaciais organizar-se-ão na sua formação científica inicial, na qual se seguirão uma à outra na mesma órbita "colar de pérolas", passando pelas mesmas áreas em rápida sucessão para investigar pela primeira vez como as condições do clima espacial variam em escalas de tempo curtas. Esta campanha científica terá início em junho de 2028.

Seis meses depois, ambas as naves espaciais passarão para órbitas diferentes, com uma a viajar para mais longe de Marte e a outra a ficar mais perto do planeta. Planeada para durar cinco meses, esta segunda formação tem como objetivo estudar o vento solar e a atmosfera superior de Marte em simultâneo, permitindo aos cientistas investigar a forma como o planeta responde ao vento solar em tempo real.

Para além disso, a ESCAPADE fornecerá mais informações sobre a ionosfera de Marte - uma parte da atmosfera superior de que os futuros astronautas dependerão para enviar sinais de rádio e de navegação à volta do planeta.

// NASA (comunicado de imprensa)
// Preparação para a exploração humana de Marte: ESCAPADE investiga o clima espacial marciano (NASA Goddard via YouTube)
// Vídeo do lançamento do foguetão NG-2 (Blue Origin via YouTube)

 


Quer saber mais?

ESCAPADE (Escape and Plasma Acceleration and Dynamics Explorers):
NASA
UC Berkeley
Wikipedia

Marte:
NASA
CCVAlg - Astronomia
Wikipedia
The Nine Planets
Atmosfera de Marte (Wikipedia)

Clima espacial:
SWPC/NOAA
Wikipedia

Vento solar:
NASA
Wikipedia

Pontos de Lagrange:
Wikipedia

 
  transparent  

Álbum de fotografias
M42 e NGC 1977

exemplo
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: R. Jay Gabany
 
Poucas paisagens cósmicas conseguem excitar a imaginação como a Grande Nebulosa de Oríon. Visível a olho nu como uma mancha celeste ténue e insípida, a grande região de formação estelar mais próxima estende-se por esta imagem telescópica nítida e colorida. Designada M42 no Catálogo Messier, a Nebulosa de Oríon é constituída por gás e poeira incandescente que rodeiam estrelas jovens e quentes. Com cerca de 40 anos-luz de diâmetro, M42 está no limite de uma imensa nuvem molecular interestelar situada a apenas 1500 anos-luz de distância, no mesmo braço espiral da Via Láctea que o Sol. Incluindo a azulada e poeirenta nebulosa de reflexão NGC 1977, à esquerda na imagem, as nebulosas natais representam apenas uma pequena fração da riqueza da nossa vizinhança galáctica no que toca ao material de formação de estrelas. Dentro do bem estudado berçário estelar, os astrónomos também identificaram o que parecem ser muitos sistemas solares infantis.
transparent
 
  transparent  
Arquivo | CCVAlg - Astronomia | Feed RSS | Contacte o Webmaster | Remover da lista
transparent
 
  logotipo ccvalg  
  logotipo ccvtavira  
  facebook   twitter   instagram   trip advisor  
  facebook   twitter   instagram   trip advisor  
   
Centro Ciência Viva do Algarve
Rua Comandante Francisco Manuel
8000-250, Faro
Portugal
Telefone: 289 890 922
Telemóvel: 962 422 093
E-mail: info@ccvalg.pt
Centro Ciência Viva de Tavira
Convento do Carmo
8800-311, Tavira
Portugal
Telefone: 281 326 231
Telemóvel: 924 452 528
E-mail: geral@cvtavira.pt
   

Os conteúdos das hiperligações encontram-se na sua esmagadora maioria em Inglês. Para o boletim chegar sempre à sua caixa de correio, adicione noreply@ccvalg.pt à sua lista de contactos. Este boletim tem apenas um caráter informativo. Por favor, não responda a este email. Contém propriedades HTML e classes CSS - para vê-lo na sua devida forma, certifique-se que o seu cliente de webmail suporta este tipo de mensagem, ou utilize software próprio, como o Outlook ou outras apps para leitura de mensagens eletrónicas.

Recebeu esta mensagem por estar inscrito na newsletter de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve e do Centro Ciência Viva de Tavira. Se não a deseja receber ou se a recebe em duplicado, faça a devida alteração clicando aqui ou contactando o webmaster.

Esta mensagem destina-se unicamente a informar e está de acordo com as normas europeias de proteção de dados (ver RGDP), conforme Declaração de Privacidade e Tratamento de dados pessoais.

2025 - Centro Ciência Viva do Algarve | Centro Ciência Viva de Tavira

ccvalg.pt cvtavira.pt