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BOLETIM ASTRONÓMICO - EDIÇÃO N.º 254
11 de Agosto de 2006
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CHANDRA CONFIRMA CONSTANTE DE HUBBLE

Praticamente todas as medidas cosmológicas dependem da constante de Hubble, um número que serve para calcular a expansão do Universo. O Observatório de raios-X Chandra da NASA adquiriu imagens que permitiram uma nova determinação deste valor e que confirmou os valores obtidos anteriormente. O valor obtido foi de 77 km por segundo por megaparsec com um erro de 15 km por segundo por megaparsec. Isto confirma novamente que a idade do Universo estará entre os 12 e os 14 mil milhões de anos.

Exemplo de fotografia e respectiva legenda
Algumas imagens obtidas pelo Chandra.
Crédito: NASA-Chandra
(clique na imagem para ver versão maior)

A constante de Hubble é calculada medindo a velocidade de afastamento das galáxias e (por efeito de Doppler) e dividindo pela distância a que se encontram de nós.

A aproximação mais comum para a determinação da idade do Universo é utilizando um tipo particular de estrelas variáveis de pulsação chamadas Cefeidas, para as galáxias mais próximas, em conjunção com a utilização de supernovas em galáxias mais longínquas para determinação da distância. Usando este método, a constante de Hubble tinha um erro estimado de 10%. No entanto, é importante a existência de confirmações por processos independentes de modo a ter certeza sobre a validade da determinação, pois de outro modo poderiam eventualmente ocorrer fenómenos inesperados que estivessem a deturpar os resultados e que não seriam detectados se fosse apenas utilizado um método.

Combinando os resultados de raios-X do Chandra com observações no rádio, a equipa de astrofísicos determinou as distâncias a 38 enxames de galáxias que vão dos 1,4 mil milhões de anos-luz a 9,3 mil milhões de anos luz da Terra, tendo obtido, como já se disse, o valor de de 77 km por segundo por megaparsec com um erro de 15 km por segundo por megaparsec para a constante de Hubble.

O valor da constante de Hubble deteminado pela técnica mista cefeidas-supernovas era de 72 km por segundo por megaparsec com um erro de 8 km por segundo por megaparsec, pelo que o Chandra confirma de forma independente este resultado e fixa a idade do Universo entre os 12 e os 14 mil milhões de anos.

Os astrofísicos usaram um fenómeno chamado efeito de Sunyaev-Zeldovich, no qual os fotões da radiação cósmica de fundo interagem com os electrões do gás quente que permeia os enormes enxames de galáxias. Os fotões tornam-se mais energéticos com esta interacção, o que distorce a radiação cósmica de fundo na direcção dos enxames, sendo a dimensão da distorção dependente da dimensão do enxame e da temperatura do gás. Usando observações no rádio para medir a distorção na radiação cósmica de fundo e usando o Chandra para medir as propriedades do gás quente, pôde ser determinada a dimensão do enxame. Com esta dimensão e usando uma simples medida de diâmetro angular foi possível, usando geometria simples, determinar a distância a que o enxame se encontra de nós. A constante de Hubble é então determinada usando a velocidade de afastamento conhecida para estes enxames pela distância agora determinada.

Estes resultados foram publicados num artigo científico editado na edição de 10 de Agosto do Astrophysical Journal.

Links:

Notícias relacionadas:
Comunicado de imprensa
Universe Today
Spaceflight Now

Chandra:
Site oficial
Wikipedia

 
  ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS
       
 

Foto

 

NGC 6164 - Crédito: Gemini Obs., AURA, NSF
Como é que uma estrela formou esta linda nebulosa? No centro da nebulosa de emissão NGC 6164-5 encontra-se uma estrela invulgarmente massiva próxima do final da sua vida. A estrela, visível no centro da imagem e catalogada como HD 148937, é tão quente que a luz ultravioleta que emite aquece o gás que a rodeia, o que leva a emissão de radiação pela nebulosa. O gás foi provavelmente expelido da estrela e expande-se orientado pelo campo magnético da mesma. NGC 6164-5 tem cerca de 4 anos-luz de diâmetro e encontra-se a cerca de 4,000 anos-luz de nós na direcção da constelação de Norma.
Ver imagem em alta-resolução

 
 
  ASTRONOMIA NO VERÃO  
 

De 1 de Julho a 15 de Setembro, todas as noites excepto às Segundas, entre as 21:30 e as 23:30, na açoteia do Centro Ciência Viva do Algarve.
Observações dependentes das condições atmosféricas.

 
 
  EFEMÉRIDES:  
 

Dia 11/08: 223º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1877 era feita a primeira observação do satélite de Marte, Deimos, por Asaph Hall do Observatório Naval dos EUA. Descobriu Phobos, a maior das duas luas, seis noites depois.
Em 1999 teve lugar o último eclipse solar total do século XX.
Observações: Neptuno em oposição às 6h (hora local). Urano a 0,3ºN da Lua às 7h (hora local).
Antes do nascer da Lua poderá observar esta noite as Perseidas. Devido à Lua será muito difícil a observação da chuva de estrelas pela noite dentro.

Dia 12/08: 224º dia do  calendário gregoriano.
História: Em 1960 era lançado o Echo 1. O primeiro satélite experimental de comunicações é usado para redireccionar chamadas telefónicas transcontinentais e intercontinentais, rádio e sinais de televisão.
Em 1999, a porta do Observatório de Raios-X Chandra, que protege os seus espelhos, abre-se e o Chandra começa a sua exploração do Universo de alta energia.
Observações: Ceres em oposição às 16h (hora local).

Dia 13/08: 225º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1596 era descoberta a primeira estrela variável, Mira, por David Fabricius.
Em 1998 tinha lugar a Convenção de Fundação da Sociedade de Marte, entre 13 e 16 de Agosto, na Universidade do Colorado em Boulder, Colorado, EUA.
Observações: Venha observar connosco na açoteia do Centro Ciência Viva do Algarve.

Dia 14/08: 226º dia do  calendário gregoriano.
Observações: Venha observar connosco em Portimão junto à Fortaleza a partir das 22h00.

 
 
  CURIOSIDADES:  
 
O elemento hélio com número atómico Z=2 recebeu o seu nome por ter sido descoberto por espectroscopia no espectro da coroa solar durante um eclipse de Sol em 1868. Hélio deriva de Helios a palavra grega para Sol.
 
 
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