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BOLETIM ASTRONÓMICO - EDIÇÃO N.º 461
De 25/10 a 28/10/2008
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  KAGUYA NÃO ENCONTRA ÁGUA GELADA EM LOCAL IDEAL PARA BASE LUNAR
   

 

As esperanças de grandes lagos de água gelada nos pólos da Lua sofreram um novo retrocesso, com novas imagens de uma cratera proeminente relevando apenas poeira lunar ao invés de brilhantes piscinas de gelo.

Há uma década atrás, a sonda Lunar Prospector da NASA sugeriu que os pólos da Lua continham grandes concentrações de hidrogénio perto da superfície, que poderiam estar sobre a forma de água congelada depositada por cometas. Isto seria vital para colónias futuras na Lua, providenciando água potável para os astronautas e hidrogénio em forma de combustível para os seus veículos.

A Cratera Shackleton no pólo sul tem sido uma candidata importante para uma futura base lunar, dado que contém uma saliência no seu rebordo que teria sido um local de aterragem ideal.

Se a cratera também contivesse água gelada, seria um lugar perfeito. Mas essa possibilidade pareceu evaporar-se quando os sinais de radar, anteriormente atribuidos a água gelada, também foram reflectidos de áreas iluminadas onde o gelo não podia existir.

Por isso os investigadores esperavam que a sonda japonesa Kaguya, que foi lançada em Setembro de 2007, pudesse responder a esta questão ao observar a região a partir de órbita lunar.

A sonda contém uma câmara altamente sensível que consegue capturar imagens da superfície da Lua mesmo na total escuridão do seu pólo sul.

O interior da cratera não recebe luz solar directamente. Mas durante um curto período de tempo durante o Verão no hemisfério sul da Lua (Novembro e Dezembro no calendário da Terra), uma pequena parte do seu rebordo recebe uns quantos raios solares. Estes são então espalhados sobre o chão da cratera.

Uma equipa liderada por Junichi Haruyama da JAXA (Agência de Exploração Aeroespacial do Japão) em Kanagawa analisou imagens da cratera obtidas durante estes dias mais brilhantes. As imagens foram capturadas pela Câmara de Terreno da sonda, que pode resolver objectos pequenos com até 10 metros de comprimento.

"Deu-nos um acesso aos pólos até agora nunca alcançado," disse Carle Pieters da Universidade Brown em Providence, Rhode Island, EUA, membro da equipa.

As imagens providenciaram um perfil completo da cratera - incluindo detalhes de crateras pequenas no seu chão e duas avalanches na parede interior.


Várias crateras são visíveis nas paredes interiores da cratera Shackleton (setas na imagem à esquerda). A Imagem à direita é uma ampliação do rectângulo.
Crédito: J. Haruyama et al./JAXA/Science
(clique na imagem para ver versão maior)

Mas de acordo com Pieters, a característica mais impressionante era a que faltava. "Se houvesse gelo limpo e bonito, teríamos visto uma maior reflexão da sua superfície - mas não vimos gelo," disse. Pelo contrário, as imagens revelaram apenas solo lunar.

Isto não exclui completamente a possibilidade de água gelada dentro da cratera, salienta a cientista - pode estar enterrado, ou os cristais de gelo podem estar sujos e misturados com as partículas de solo. Alternativamente, pode nem sequer existir água, e o hidrogénio pode estar capturado noutro composto como o metano.

As partículas de gelo capturadas no solo lunar podem ainda ser úteis para uma base lunar, mas isso dependeria do custo da exploração mineira do gelo e da extracção da água, diz Gerry Gilmore, astrónomo da Universidade de Cambridge.

"A chave é o custo relativo de toda esta exploração mineira em comparação com o envio de água líquida da Terra," disse. "Este resultado mostra que não vai ser fácil."

Mas Alan Smith, Director do Laboratório de Ciência Espacial Mullard da Universidade de Londres, discorda: "Se [a água gelada] está presente em níveis de apenas uma pequena percentagem, pode ser muito útil para as missões futuras. De facto, pequenos cristais dentro de uma mistura de poeira lunar pode ser ainda mais fácil de processar."

Links:

Notícias relacionadas:
Artigo científico da Science (requer subscrição)
New Scientist
Science News
SPACE.com
Universe Today
MSNBC

Lua:
Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
Wikipedia

Kaguya:
Site oficial (JAXA)
Wikipedia

 
  BUZZ ALDRIN DIZ QUE PIONEIROS MARCIANOS DEVERIAM LÁ FICAR PERMANENTEMENTE
   

 

De acordo com o astronauta Buzz Aldrin, os primeiros astronautas em Marte deveriam estar preparados para lá passar o resto das suas vidas, tal como os pioneiros europeus que viajaram para o continente americano.

O segundo homem a pisar a Lua disse que o Planeta Vermelho oferecia um potencial muito maior que o satélite da Terra como um local para habitação. Com o que parecem ser vastas reservas de água congelada, Marte "está mais próximo das condições terrestres, muito melhor que a Lua e que qualquer outro lugar," disse Aldrin, com 78 anos, numa visita a Paris na passada Terça-feira.

Buzz Aldrin, o segundo ser humano a pisar solo lunar.
Crédito: NSS

"É mais fácil subsistir e providenciar o suporte necessário para as pessoas lá do que na Lua." Buzz Aldrin, Neil Armstrong e Michael Collins demoraram 8 dias para alcançar a Lua -- a 380.000 quilómetros da Terra -- e regressar em Julho de 1969, a bordo da Apollo 11.

Ir a Marte, no entanto, é um projecto diferente. A distância entre o Planeta Vermelho e a Terra varia entre os 55 milhões de quilómetros e mais de 400 milhões de quilómetros. Mesmo na conjunção planetária mais favorável, isto significa que uma viagem de ida-e-volta a Marte demoraria cerca de ano e meio.

"É por isso que devíamos enviar pessoas para lá permanentemente," disse Aldrin. "Se não estamos disposto a fazê-lo, então acho que não o deveríamos fazer uma vez, ter enormes despesas e simplesmente parar." Perguntou: "Se nós vamos enviar para lá pessoas e assegurar a sua apropriada segurança, será que nos daríamos a todo esse trabalho só para os fazer regressar imediatamente, um ano, ou ano e meio depois?"

A NASA e a ESA estão a elaborar planos para uma missão tripulada a Marte que teria lugar por volta das décadas de 2030 ou 2040. Com base nas experiências adquiridas dos regressos planeados à Lua, a missão deveria contar com 6 a 12 pessoas, com sistemas de suporte à vida e outros instrumentos pré-posicionados para os astronautas na superfície marciana. Aldrin disse que à tripulação pioneira poderiam juntar-se outros, transformando-se numa colónia com cerca de 30 pessoas.


Os astronautas e as suas naves precisariam de melhores materiais de protecção se uma missão a Marte se tornasse prática.
Crédito: NASA

"Eles precisariam de viajar com a noção psicológica de que eram colonos pioneiros e que não poderiam regressar a casa durante um bom par de anos," afirmou. "Aos 30 anos, era-lhes dada essa oportunidade. Se aceitassem, então eram treinados, aos 35, eram enviados para Marte. Aos 65 anos, a tecnologia já podia ter avançado bastante. Podiam reformar-se lá, ou talvez pudessem regressar."

Muitos cientistas acreditam que enviar pessoas a Marte é um desperdício de dinheiro, em comparação com as missões não-tripuladas que fornecem mais dados científicos e salientam os riscos de stress psicológico e de danos no DNA devido às rápidas partículas sub-atómicas chamadas raios cósmicos.

Mesmo assim, Aldrin argumenta que dada a demora nas comunicações entre a Terra e Marte, faria sentido que os exploradores humanos pudessem fazer decisões rapidamente e no próprio local. E, acrescentou, uma ida a Marte providencia uma base racional dos voos tripulados, que foram desenhados para "fazer coisas inovadoras, novas, pioneiras."

Sobre esse tema, Aldrin disse que o vaivém espacial e que a Estação Espacial Internacional (ISS) foram uma decepção. O vaivém "não correspondeu ao que se esperava, nem a estação espacial," disse Aldrin.

Os Estados Unidos ficarão sem capacidade de voos tripulados durante aproximadamente cinco anos após a reforma do problemático vaivém espacial em 2010, enquanto a ISS, ainda em construção, pode custar até 100 mil milhões de dólares, de acordo com algumas estimativas.

Links:

Notícias relacionadas:
Universe Today
PHYSORG.com
Mars Daily
EETimes
AFP

Buzz Aldrin:
Página oficial
Wikipedia

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

 
 
 
EFEMÉRIDES:

Dia 25/10: 299.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1999, observações terrestres de um vulcão em erupção em Io, uma lua de Júpiter.

Observações: Vénus passa a menos de 3.5" da estrela Antares.
Não se esqueça que esta madrugada de sábado para domingo muda a hora legal para a hora de Inverno. Às 2h (hora local) deverá atrasar o seu relógio 60 minutos. A hora local passa agora a estar certa com o Tempo Universal.

Dia 26/10: 300.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1965, lançamento do primeiro satélite francês, o Astérix 1.
Observações: A estrela brilhante e alaranjada para baixo das Plêiades é Aldebarã, o olho de raiva do Touro. Com um céu relativamente escuro, conseguirá observar várias estrelas perto de Aldebarã. Com o nome de Híades, é o enxame aberto mais próximo da Terra, a uma distância de 151 anos-luz.

Dia 27/10: 301.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1964, primeiro lançamento com sucesso do foguetão Saturno I.

Em 1999, passagem pela Terra do Asteróide 3838 (0.374 UA).
Obser
vações: Aproveite a noite para observar a Galáxia de Andrómeda, que agora se encontra muito próximo do zénite.

Dia 28/10: 302.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1971 a Grã-Bretanha lança o seu primeiro satélite.
Em 1974, lançamento da sonda Luna 23
.
Observações: Deve reconhecer a constelação de Cassiopeia facilmente. Mas será que é capaz de encontrar o enxame NGC 7789 que se encontra no lado Oeste da constelação?

 
 
CURIOSIDADES:

Cinco crateras da Lua têm nomes de portugueses. São elas:
Cristovão Acosta, lat. 5.6º S long. 60.1º E, médico e historiador natural (1515-1580);
Luís de Camões, lat. 0.8º N long. 84.9º E, poeta (1524-1580);
Fernão de Magalhães,  lat.. 11.9º S, long. 44.1º E, navegador (1480-1521);
Pedro Nunes, lat. 38.4º S, long. 3.8º E, matemático (1492-1572);
Vasco da Gama, lat. 13.6º N long. 83.9º W, navegador (1469-1524).
 
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS:

Foto

Bonita Espiral NGC 7331
Crédito:
Vicent Peris (OAUV / PTeam), Gilles Bergond, Observatório Calar Alto

A grande e bonita galáxia NGC 7331, um alvo favorito para os astrónomos, é uma das galáxias mais brilhantes não presentes no famoso catálogo do astrónomo do século XVIII, Charles Messier. A uns 50 milhões de anos-luz de distância, na direcção da constelação de Pégaso, e semelhante em tamanho à nossa Via Láctea, NGC 7331 é normalmente observada no plano da frente de um agrupamento visual que inclui uma selecção intrigante de galáxias de fundo talvez dez vezes mais distantes. Esta bonita imagem do bem estudado universo-ilha e dos seus arredores foi produzida utilizando dados do Observatório de Calar Alto no sul da Espanha. Talvez a visão mais profunda da região já obtida, os dados da imagem foram processados para revelar detalhes de todos os tamanhos, tanto nas regiões mais brilhantes como nas mais ténues. Foi escolhido um balanço nas cores para que o branco fosse o resultado da média das cores ao longo da galáxia. O resultado mostra um tesouro de características impressionantes em NGC 7331 e à sua volta.
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