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Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
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ASTROBOLETIM N.º 530
De 29/04 a 30/04/2009
 
 
 

Dia 29/04: 119.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1715, John Flamsteed observa Urano pela sexta vez.

Em 1861, R. Luther descobre o asteroide Leto (68).
Em 1902, M. Wolf descobre o asteroide Pittsburghia (484)
Em 1921, B. Jekhovsky descobre o asteroide Painleva (953).
Em 1930, C. Jackson descobre o asteroide (1268).
Observações: A Lua brilha no meio de Gémeos esta noite: por baixo de Pollux e Castor, que estão alinhadas quase na horizontal.

Dia 30/04: 120.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1006, a mais brilhante supernova é observada pelos Chineses e Egípcios na constelação do Lobo ( Lupus).

Em 1913, Neujmin e Belyavskij descobrem os asteroides Sulamitis (752) e Tiflis (753).
Em 1935, C. Jackson descobre o asteroide Magoeba (1355) e Numidia (1368).
Observações: Perto da meia-noite, já a constelação de Hércules está alta o suficiente para permitir uma boa observação telescópica do seu famoso enxame globular, M13.

 
 
 
Um pulsar é uma estrela de neutrões que emite pulsos de sinal no rádio. Estas estrelas não são visíveis nas frequências que são observadas pelo olho humano embora possam estar associados a nuvens de gás resultantes da supernova que lhes deu origem, como é o caso da Nebulosa do Caranguejo (M1). Este pulsar foi o primeiro a ser descoberto por Jocelyn Bell, em 1967.
 
 
 
AIA 2009
 
 
  AVISTADO O OBJECTO MAIS LONGÍNQUO DO UNIVERSO CONHECIDO  
 

Astrónomos avistaram o objecto mais distante, já confirmado, do Universo - uma estrela que se auto-destruíu a 13,1 mil milhões de anos-luz da Terra. Detonou-se apenas 640 milhões de anos depois do Big Bang, por volta do fim da "Idade Negra" cósmica, quando as primeiras estrelas e galáxias começavam a iluminar o espaço.

O objecto é uma explosão de raios-gama (GRB, gamma-ray burst) - o tipo mais brilhante de explosão estelar. Os GRBs ocorrem quando estrelas massivas e de alta rotação colapsam para formar buracos negros e libertam jactos quase à velocidade da luz. Estes jactos enviam raios-gama na nossa direcção, bem como "resplendores crepusculares" em outros comprimentos de onda, que são produzidos quando o jacto aquece o gás dos arredores.

A explosão, denominada GRB 090423, pela data da sua descoberta na passada Quinta-feira, foi originalmente avistada pelo satélite Swift da NASA às 07:55 GMT.

Impressão de artista de um GRB.
Crédito: NASA
(clique na imagem para ver vídeo)
 

Em menos de uma hora, os astrónomos começaram a treinar os telescópios terrestres na mesma zona do céu para estudar o brilho infravermelho da explosão. Algumas das primeiras observações foram feitas em Mauna Kea, no Hawaii, com o Telescópio Infravermelho do Reino Unido e com o telescópio Gemini Norte.

Outros telescópios mediram mais tarde o espectro do brilho, revelando que tinha detonado a cerca de 13,1 mil milhões de anos-luz da Terra. "É a explosão de raios-gama mais longínqua, e é também o objecto mais distante do Universo conhecido," afirmou Edo Berger do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica, membro da equipa que observou o resplendor com o Gemini Norte.

Para determinar a distância do objecto, os astrónomos medem quanto é que a luz do objecto foi "esticada", ou avermelhada, pela expansão do espaço. Este GRB tem um desvio para o vermelho de 8,2, mais distante que o anterior GRB detentor do mesmo recorde, com um desvio para o vermelho de 6,7.

Outros astrónomos afirmaram ter descoberto galáxias a distâncias ainda maiores - a desvios para o vermelho de 9 e 10, mas esses achados são ainda ambíguos, diz Joshua Bloom da Universidade da Califórnia, em Berkeley, EUA, que observou o brilho usando o telescópio Gemini Sul no Chile. Até agora, a galáxia detentora do recorde de mais distante tinha um desvio para o vermelho espectroscopicamente confirmado de 6,96.

A imensa distância da explosão torna a agora-morta estrela no objecto mais antigo (ou novo, dependendo do ponto de vista), que remonta a uma era chamada 'Reionização', que teve lugar nos primeiros mil milhões de anos após o Big Bang. Nessa altura, um nevoeiro obscurecente de átomos neutros de hidrogénio era queimado pela radiação das primeiras estrelas e galáxias, e possivelmente também pela aniquilação de partículas de matéria escura.

Esta imagem junta dados no visível e no ultravioleta do Swift (azul, verde), com dados em raios-X (laranja, vermelho). A explosão não foi registada no visível, o que é indicador da sua gigantesca distância. A imagem mede 6,3 arco-minutos de comprimento.
Crédito: NASA/Swift/Stefan Immler
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Para a Astronomia, este é um evento que separa águas," disse Bloom. "É o começo do estudo do Universo, como era antes da maioria das estruturas que conhecemos hoje em dia se terem formado."

O período da reionização é ainda incerto, afirma Bloom. Se os astrónomos conseguirem descobrir mais GRBs a distâncias ainda maiores, poderão usar o seu espectro para determinar quão depressa o Universo se tornou transparente e qual o responsável pelo processo.

"Em teoria, podemos ver épocas muito antigas do Universo [com os GRBs], quando tudo o mais era demasiado ténue," diz Nial Tanvir da Universidade de Leicester no Reino Unido, membro da equipa que usou o VLT no Chile para fazer uma das primeiras medições da distância da explosão.

As explosões longínquas podem também ajudar a localizar ténues galáxias com GRBs, que podem ser detectadas por telescópios espaciais como o prestes-a-ser-actualizado Telescópio Hubble, ou o Telescópio Infravermelho James Webb da NASA, com lançamento previsto para 2013.

Mas a construção de uma imagem do princípio do Universo necessitará de mais explosões deste género, e o progresso na descoberta de tais GRBs distantes tem sido lento. O Swift descobriu 120 explosões com distâncias já medidas, mas apenas três - incluíndo este - datam do primeiro milhar de milhão de anos da história do Universo.

Isto é em parte porque as estrelas não se formavam em grandes números no início do Universo, antes de um desvio para o vermelho de cerca de 5, por isso não explodiam tão amíude em GRBs.

Mas é também porque os detectores de infravermelho, que são sensíveis e rápidos o suficiente para medir GRBs a grandes distâncias, só começaram a operar recentemente. Como resultado, os astrónomos podem já ter perdido a oportunidade de identificar alguns dos mais distantes GRBs identificados pelo Swift.

Berger espera que a descoberta do objecto apresse o desenvolvimento de novos telescópios que possam descobrir tais brilhos com uma eficiência ainda maior.

"Como um único objecto, [a explosão] é uma grande prova de conceito," afirma Berger. "Penso que mostrámos que é um investimento válido porque [as explosões distantes] realmente existem."

A NASA está a considerar um telescópio para tal efeito, chamado JANUS (Joint Astrophysics Nascent Universe Satellite), para o qual se espera receber fundos este ano.

Links:

Notícias relacionadas:
Comunicado de imprensa (NASA)
SPACE.com
Sky & Telescope
New Scientist
PHYSORG.com
Universe Today

GRB 090423:
Swift (NASA)
TNG (INAF)
GCN (circular da NASA)
Wikipedia

GRBs:
NASA
Wikipedia
Caltech

Telescópio Swift:
NASA
Wikipedia

Observatório Gemini:
Página oficial
Wikipedia

Observatório Keck:
Página oficial
Wikipedia

VLT:
Página oficial
Wikipedia

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA
STScI
Wikipedia

Telescópio Espacial James Webb:
NASA
ESA
Wikipedia

 
     
 
 
  NASA PREPARA-SE PARA ÚLTIMA MISSÃO AO HUBBLE  
 

Após um adiamento de seis meses, fazem-se finalmente os últimos preparativos para a última missão de serviço ao Telescópio Espacial Hubble. Se tudo correr como planeado, o vaivém espacial Atlantis será lançado um dia antes do previsto, dia 11 de Maio.

De acordo com Tracy Young do Centro Espacial Kennedy da NASA, as tripulações terrestres instalaram os últimos equipamentos, além de 180 ferramentas necessárias para manipular partes do telescópio, a bordo do vaivém, há uma semana atrás.

Agora os gestores da missão tentam retirar o máximo de tempo possível dos preparativos finais e esperam lançar a missão um dia antes da data prevista, que era dia 12 de Maio.


O Telescópio Espacial Hubble encontra-se agarrado do braço robótico do Columbia em Março de 2002, no começo da STS-109, a terceira missão de reparação do Hubble.
Crédito: NASA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Querem dar o máximo de dias possíveis para o lançamento do vaivém antes de 14 de Maio, quando haverá uma quebra na janela de lançamento nos vaivéns até dia 22 de Maio. Durante esse tempo, uma estação da Força Aérea utilizada para seguir os lançamentos dos vaivéns será usada para operações militares.

Durante uma conferência de imprensa na passada Quinta-feira, os responsáveis da NASA discutiram algumas das preocupações que diz respeito à segurança da missão. Apesar de algumas preocupações iniciais, disseram que os detritos da colisão entre dois satélites que ocorreu em Fevereiro não deveriam ser um risco para o vaivém, embora voe a uma órbita maior - que se situa mais perto dos detritos - que as típicas missões dos vaivéns para a Estação Espacial Internacional.

As estimativas iniciais punham o risco de um impacto catastrófico com os detritos em 1 em 185. Mas análises seguintes põem agora o risco em 1 em 221, afirmou LeRoy Cain vice-gestor do programa do vaivém espacial. Esse nível de risco é menos que o limite de 1 em 200, abaixo do qual seriam necessárias aprovações especiais por parte de oficiais de topo.

O vaivém Atlantis seguirá para uma órbita mais baixa após os passeios espaciais, que reduzirá o risco de colisão com os detritos orbitais. O vaivém também passará o maior tempo possível voando com a sua cauda para a frente e a sua zona de carga apontada para a Terra, uma orientação que protege partes vulneráveis, como o nariz do vaivém.


O Telescópio Espacial Hubble, visto aqui em Março de 2002, com os seus novos painéis solares após o fim da missão STS-109, a sua terceira missão de reparação.
Crédito: NASA
(clique na imagem para ver versão maior)

 

A missão de 11 dias será a última a visitar o mais famoso telescópio de todos os tempos. Ao longo de cinco passeios espaciais consecutivos, os astronautas irão instalar seis novos giroscópios que ajudarão na estabilização do telescópio, seis novas baterias, dois novos instrumentos científicos e reparar dois outros.

Espera-se que a missão prolonge a vida do Hubble até 2014 e nos providencie com a sua melhor visão de sempre. Após a missão, o "Hubble estará no ponto máximo das suas capacidades," diz o cientista do projecto Hubble, David Leckrone do Centro Aeroespacial Goddard da NASA.

A missão de serviço estava originalmente planeada para Outubro de 2008, mas foi adiada semanas antes do lançamento após se ter descoberto um problema numa unidade que recebe comandos e envia imagens de e para os instrumentos do telescópio. O adiamento permitiu à equipa do Hubble preparar uma unidade sobresselente.

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
01/11/06 - Hubble acaba de ser salvo
09/01/08 - "Super"-Hubble será 90 vezes mais poderoso
09/08/08 - STS-125: a última visita ao Hubble
01/10/08 - Avaria no Hubble empurra missão de serviço para 2009

STS-125:
NASA
Documento PDF sobre a missão
Wikipedia
Filme IMAX (para 2010)

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA
ESA
STScI
Wikipedia

 
     
 
 
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