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Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
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ASTROBOLETIM N.º 578
De 02/09 a 03/09/2009
 
 
 
 

Dia 02/09: 245.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1970, a NASA anuncia o cancelamento de duas missões Apollo à Lua, a Apollo 15 (uma designação re-usada numa missão posterior), e a Apollo 19.

Observações: Júpiter é a "estrela" perto da Lua esta noite, a Sudeste.
Vinte minutos antes da meia-noite, observe, pelo seu telescópio, Calisto a esconder-se para trás de Júpiter.

Dia 03/09: 246.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1976, a sonda Viking 2, aterrava na Planície Utopia, em Marte.

Observações: Mesmo após o anoitecer, Arcturo brilha a Oeste. Para a sua direita, a noroeste, encontra-se a Ursa Maior à mesma altura.

 
 
 
Geralmente diz-se que a estrela mais brilhante e avermelhada da constelação de Escorpião, Antares, corresponde ao seu coração. Tecnicamente falando, isto é incorrecto, porque os escorpiões não têm coração.
 
 
 
AIA 2009
 
 
  ESTARÁ A VIA LÁCTEA CONDENADA AO BOMBARDEAMENTO GALÁCTICO?  
 

À medida que os cientistas tentam aprender mais sobre a evolução das galáxias, uma questão permanece ainda em aberto: se as colisões com galáxias anãs vizinhas irão um dia fragmentar o disco da Via Láctea.

Um novo estudo sugere que esse infeliz destino é improvável.

Embora os astrónomos saibam que tais colisões tenham provavelmente ocorrido no passado, novas simulações computacionais mostram que ao invés de destruir uma galáxia, estas colisões "incham" o disco galáctico, particularmente em torno dos limites, e produzem estruturas denominadas anéis estelares.

Esta descoberta resolve dois mistérios: o destino provável da Via Láctea às mãos das suas galáxias-satélite -- as mais massivas das quais são as Grandes Nuvens de Magalhães -- e a origem dos seus limites "tipo algodão-doce", que os astrónomos já observaram noutros locais do Universo e denominaram de "brilho fulgurante."

O estudo também conclui que a misteriosa matéria escura, que constitui a maioria do Universo, também desempenha aqui um papel importante.

Esta imagem de uma simulação mostra a densidade da matéria esucra na nossa Via Láctea, que se sabe conter um fino disco antigo de estrelas. O brilho (azul-até-violeta-até-vermelho-até-amarelo) corresponde à crescente concentração de matéria escura. A brilhante região central corresponde aproximadamente à matéria gasosa e estelar, luminosa, da Via Láctea, e os aglomerados brilhantes indicam satélites de matéria escura que orbitam a nossa Galáxia.
Crédito: Stelios Kazantzidis, Universidade Estatal do Ohio
 

Os astrónomos acreditam que todas as galáxias estão embebidas em enormes halos de matéria escura, e que a maioria das grandes galáxias situa-se em intersecções de filamentos de matéria escura, que formam um tipo de teia gigantesca no nosso Universo. As mais pequenas galáxias-satélite fluem ao longo de tranças na teia, e são puxadas para órbita das grandes galáxias como a nossa Via Láctea.

O astrónomo Stelios Kazantzidis da Universidade Estatal do Ohio, e seus colegas, levaram a cabo detalhadas simulações computacionais de formação de galáxias, para determinar o que aconteceria se uma galáxia-satélite -- tal como as Grandes Nuvens de Magalhães e a sua matéria escura associada -- colidisse com uma galáxia espiral como a nossa.

A sua conclusão: a galáxia-satélite desintegrar-se-ia gradualmente, enquanto a sua gravidade era influenciada pelo limite da galáxia maior, arrastando estrelas e outro material. O resultado seria um disco galáctico brilhante como o da Via Láctea, que começa estreito no centro e que se alarga mais para os limites.

Os resultados podem acalmar a mente de quem temia que os nossos vizinhos galácticos e sua matéria escura associada eventualmente destruísse o nosso disco galáctico -- daqui a milhares de milhões de anos.

Kazantzidis não pode, no entanto, oferecer uma garantia de 100%.

"Nós não podemos ter a certeza do que irá acontecer à Via Láctea, mas podemos dizer que os nossos achados se aplicam a uma grande classe de galáxias parecidas à nossa," disse Kazantzidis. "As nossas simulações mostraram que o impacto da galáxia-satélite não destrói a galáxia espiral -- na realidade conduzem a sua evolução, ao produzir esta brilhante forma e criando anéis estelares -- espectaculares anéis de estrelas que temos visto em muitas galáxias espirais no Universo."

Ele e seus colegas não fizeram este estudo só para determinar o destino da nossa Galáxia. Em dois artigos científicos publicados no Astrophysical Journal, anunciam que as suas simulações oferecem uma nova maneira de testar -- e validar -- o actual modelo cosmológico do Universo.

De acordo com o modelo, o Universo contém, desde o Big Bang, uma certa quantidade de matéria normal e uma quantidade muito maior de matéria escura. A natureza exacta da matéria escura é desconhecida, e os cientistas continuam em busca de pistas ao estudar a acção recíproca entre a matéria escura e a matéria normal.

Esta é a primeira vez que as colisões entre galáxias espirais e galáxias-satélite foram simuladas com este nível de detalhe, disse Kazantzidis, e o estudo revelou que os limites brilhantes de galáxias e os anéis estelares são sinais visíveis dessas interacções.

Mapas de densidade de discos estelares ilustrando a transformação morfológica de um disco galáctico submetido ao bombardeamento por estruturas de matéria escura. As brilhantes cores indicam regiões de mais densidade de discos estelares. O painel esquerdo mostra o disco inicial, enquanto o painel direito ilustra o disco final após violentos encontros gravitacionais com as estruturas em órbita.
Crédito: Stelios Kazantzidis, Universidade Estatal do Ohio
 

A nossa Galáxia mede 100.000 anos-luz de diâmetro. E no entanto estamos rodeados por uma nuvem ou "halo" de matéria escura que é 10 vezes maior -- 1 milhão de anos-luz, explicou.

Embora os astrónomos visionem o halo de matéria escura como algo parcialmente difuso, contém regiões densas que orbitam a nossa Galáxia em associação com as galáxias-satélite, como as Grande Nuvens de Magalhães.

"Nós sabemos, graças a simulações cosmológicas de formação galáctica, que estas galáxias mais pequenas provavelmente interagem muito frequentemente com os discos galácticos ao longo da história cósmica. Dado que vivemos num disco galáctico, é importante saber se estas interacções podem destruír o disco," disse Kazantzidis. "Nós vimos que as galáxias não são destruídas, mas que os encontros deixam para trás um tesouro de assinaturas consistentes com o modelo cosmológico actual, e consistentes com as nossas observações de galáxias no Universo."

Uma assinatura é o aumentar de brilho dos limites da galáxia, tal como os limites da Via Láctea e de outras galáxias.

Nós consideramos que este aumento de brilho é uma das consequências observáveis mais importantes das interacções entre galáxias-satélite e o disco galáctico."

Em ambos os artigos, os cientistas tiveram em conta os impactos de muitas e diferentes galáxias mais pequenas num disco galáctico maior e primário. Calcularam o número provável de satélites e os seus percursos orbitais, e simularam o que aconteceria durante a colisão, incluindo quando a matéria escura interagia gravitacionalmente com o disco da galáxia espiral.

Nenhum dos discos galácticos foi destruído; pelo contrário, as galáxias primárias gradualmente desintegraram as galáxias-satélite, cujo material por fim se tornou parte da galáxia maior.

Os satélites passaram vezes sem conta pelo disco galáctico, e em cada passagem, perdiam alguma da sua massa, um processo que eventualmente as destruíria completamente.

Embora a galáxia primária tenha sobrevivido, formou limites brilhantes muito parecidos com os da nossa Galáxia de hoje em dia.

"Cada galáxia espiral tem uma formação complexa e uma história evolucionária," disse Kazantzidis. "Nós esperaríamos compreender exactamente como a Via Láctea se formou e como irá evoluir. "Podemos nunca ter sucesso em compreender a sua história exacta, mas podemos tentar aprender o máximo que pudermos sobre ela, e sobre outras galáxias."

Links:

Notícias relacionadas:
Universidade Estatal do Ohio (comunicado de imprensa)
Astrophysical Journal (requer subscrição)
Science Daily
Diário de Notícias

Via Láctea:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia
Absolute Astronomy
SEDS

Matéria Escura:
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Chris Miller: Cosmic Hide and Seek: the Search for the Missing Mass
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  ASTRÓNOMOS DESCOBREM O MELHOR LOCAL PARA OBSERVAÇÃO DO MUNDO  
 

A busca do melhor local de observação do mundo levou à descoberta do que se pensa ser o sítio mais frio, seco e calmo da Terra. Pensa-se que nenhum humano ainda lá esteve, mas espera-se que produza imagens dos céus três vezes melhores do que aquelas tiradas noutro local da Terra.

A equipa de pesquisa, americana e australiana, combinou dados de satélite, estações terrestres e modelos climatéricos para avaliar os muitos factores que afectam a qualidade de um local de observação - cobertura de nuvens, temperatura, brilho do céu, vapor de água, velocidades de vento e turbulência atmosférica.

Os cientistas descobriram um local num planalto antárctico com o nome prosaico de "Cume A". Com uma elevação de 4053 metros, o cume não é apenas remoto mas também extremamente frio e seco. O estudo revelou que Cume A tem uma temperatura média de Inverno que ronda os -70º C, e que o conteúdo de água de toda a amosfera numa coluna vertical por cima do cume é equivalente a uma camada de água líquida mais fina que um cabelo humano.

O cume é também extremamente calmo, o que significa que existe muito pouca da turbulência atmosférica que noutro local faria com que as estrelas piscassem. "É tão calmo que não há quase vento nenhum," diz o Dr. Will Saunders, do Observatório Anglo-Australiano e professor convidado da Universidade de Nova Gales do Sul, que liderou o estudo.

"As imagens astronómicas obtidas em Cume A devem ser pelo menos três vezes mais detalhadas que as dos melhores locais actualmente usados pelos astrónomos," disse. "Dado que aí o céu é muito mais escuro e seco, significa que um telescópio médio aí colocado seria tão poderoso quanto os maiores telescópios noutros locais na Terra."

Descobriram que o melhor local, em quase todos os aspectos, não era o local mais alto do Planalto - denominado Dome A - mas a 150 km de distância, num cume liso.

"Cume A parece ser significativamente melhor do que outros locais no planalto Antártico e muito superior aos melhores observatórios em existência, em montanhas no Hawaii e no Chile," disse Dr. Saunders.

Cume A está localizado dentro do Território Antártico Australiano (81.5 °S 73.5 ºE), a 144 km de um observatório robótico internacional e de uma nova base chinesa proposta em Dome A ((80.37 °S 77.53 °E).

O interesse na Antárctica como um local para observatórios astronómicos e espaciais tem acelerado desde 2004 quando os astrónomos publicaram um artigo na revista Nature confirmando que um telescópio terrestre em Dome C, outro planalto antártico, poderia tirar imagens quase tão boas como as do telescópio espacial Hubble.

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Astroboletim n.º 58
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  O Enxame Aberto M25 - Crédito: Jean-Charles Cuillandre (CFHT) e Giovanni Anselmi (Coelum Astronomia), Hawaiian Starlight  
  Foto  
  (clique na imagem para ver versão maior)  
     
 

Muitas estrelas como o nosso Sol formaram-se em enxames abertos. Na imagem de cima, o enxame aberto M25 contém milhares de estrelas e encontra-se a cerca de 2000 anos-luz de distância. As estrelas deste enxame formaram-se todas há aproximadamente 90 milhões de anos. As jovens estrelas de M25 parecem azuis. Os enxames abertos contêm menos estrelas que os enxames globulares, embora sejam mais jovens. Ao contrário dos enxames globulares, os enxames abertos estão geralmente confinados ao plano da Galáxia. M25 é visível com binóculos na direcção da constelação de Sagitário.

 


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