E-mail em HTML com imagens e propriedades CSS. Caso não o consiga visualizar correctamente, clique aqui.
Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
Página PrincipalRSS Sindicação RSSRemover da lista

ASTROBOLETIM N.º 602
De 25/11 a 26/11/2009
 
 
 

Dia 25/11: 329.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1999, observações terrestres de um vulcão em erupção em Io, uma lua de Júpiter.

Observações: Aviste as Plêiades, brilhante a Este à hora de jantar. Para baixo deste enxame encontra-se a alaranjada Aldebarã, o olho de Touro. Ainda mais para baixo, Orionte está a nascer. Com o passar da noite, verá a estrela mais brilhante do céu nocturno, Sirius, ultrapassar o horizonte.

Dia 26/11: 330.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1965, lançamento do primeiro satélite francês, o Astérix 1.

Observações: A Lua brilha alta a Sul à hora de jantar. Por cima dela encontra-se o Grande Quadrado de Pégaso.

 
 
 
Rebecca Bresnik, a mulher do astronauta Randy Bresnik, actualmente a bordo da ISS na missão STS-129, deu à luz no sábado passado. Esta é a segunda vez que um astronauta é pai no espaço.
 
 
AIA 2009
 
 
  TELESCÓPIO SPITZER OBSERVA ANÃ CASTANHA BEBÉ  
 

O telescópio espacial Spitzer, da NASA, contribuíu para a descoberta da anã castanha mais jovem já observada -- um achado que, se confirmado, pode resolver o mistério astronómico de como estes objectos cósmicos são formados.

As anãs castanhas são um pouco proscritas porque caem algures entre os planetas e as estrelas, no que toca à sua temperatura e massa. São mais frias e leves que as estrelas e mais massivas (e normalmente mais quentes) que os planetas. Isto tem aquecido um debate entre os astrónomos: as anãs castanhas formam-se como os planetas ou como as estrelas?

As anãs castanhas nascem das mesmas nuvens densas que formam estrelas e planetas. Mas embora partilhem o mesmo berçário galáctico, as anãs castanhas são regularmente apelidadas de estrelas "falhadas" porque não têm a massa das suas irmãs estelares, mais quentes e brilhantes. Sem essa massa, o gás nos seus núcleos não fica quente o suficiente para despoletar a fusão nuclear que queima hidrogénio -- o componente principal destas nuvens moleculares -- em hélio. Incapazes de "acender" como estrelas, as anãs castanhas acabam como objectos mais frios e menos luminosos, mais difíceis de detectar -- um desafio ultrapassado, neste caso, pela visão infravermelha do Spitzer.

Impressão de artista de um berçário estelar, à medida que uma estrela nasce a partir do gás e poeira rodopiantes desta nuvem.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Para complicar ainda mais as coisas, as jovens anãs castanhas evoluem rapidamente, o que as torna difícil de detectar à nascença. A primeira anã castanha foi descoberta em 1995 e, embora desde aí já tenham sido descobertas centenas, os astrónomos não têm sido capazes, inequivocamente, de as descobrir num estágio de formação mais inicial. Até agora. Neste estudo, uma equipa internacional de astrónomos descobriu uma denominada "proto anã castanha" enquanto ainda abrigada pelo seu manto de nuvens moleculares. Guiados por dados recolhidos pelo Spitzer em 2005, focaram a sua pesquisa na nuvem escura Barnard 213, uma região do complexo de Touro-Cocheiro, bem conhecido pelos astrónomos como um "local de caça" de objectos jovens.

"Nós decidimos retroceder vários passos no processo, até quando [as anãs castanhas] estão realmente escondidas," disse David Barrado do Centro de Astrobiologia de Madrid, Espanha, autor principal do artigo, publicado na revista Astronomy & Astrophysics. "Durante esta etapa, teriam uma cobertura opaca, um casulo, e seriam mais fáceis de identificar devido aos seus fortes excessos no infravermelho. Usámos esta propriedade para as identificar. Aqui é que o Spitzer desempenha um importante papel, pois consegue observar o que se passa dentro destas nuvens. Sem ele o nosso estudo não teria sido possível."

A câmara infravermelha do Spitzer penetrou o berçário poeirento para observar uma anã castanha bebé, apelidada de SSTB213 J041757. Os dados, confirmados com observações no infravermelho pelo Observatório de Calar Alto na Espanha, revelaram não uma mas duas, que potencialmente poderão ser as anãs castanhas mais ténues e frias já observadas.

Esta imagem mostra duas jovens anãs castanhas, objectos que se situam entre os planetas e as estrelas, em termos de temperatura e massa.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Observatório Calar Alto/Observatório Submilímetro do Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Barrado e a sua equipa embarcaram numa busca internacional por mais informação acerca dos dois objectos. O seu objectivo científico era observar e caracterizar a presença deste invólucro de poeira -- prova do "ventre celeste" que indicaria que estas anãs castanhas estariam, de facto, nos seus estágios evolucionários mais iniciais.

As gémeas foram observadas por todo o globo, e as suas propriedades foram medidas e analisadas usando um conjunto de poderosas ferramentas astronómicas. Uma das paragens dos astrónomos foi o Observatório Submilímetro do Caltech no Hawaii, EUA, que capturou a presença da cobertura em torno dos jovens objectos. Essa informação, em conjunto com o que tinham do Spitzer, permitiu aos astrónomos a construção de uma distribuição energética espectral -- um diagrama que mostra a quantidade de energia emitida pelos objectos em cada comprimento de onda.

A partir do Hawaii, os astrónomos fizeram outras paragens em observatórios espanhóis (Calar Alto), no Chile (VLT), e no Novo México (VLA). Também obtiveram dados com 10 anos, dos arquivos do Centro de Dados Astronómicos do Canadá, que permitiu medir comparativamente como os dois objectos se moviam no céu. Ao fim de mais de um ano de observações, retiraram as suas conclusões.

"Fomos capazes de estimar que estes dois obejctos são as anãs castanhas mais ténues e frias até agora descobertas," afirma Barrado. Barrado disse que estes achados potencialmente resolvem o mistério se as anãs castanhas se formam mais como estrelas ou planetas. A resposta? Formam-se como estrelas de baixa-massa. Esta ideia é a mais aceite porque a mudança no brilho dos objectos em diversos comprimentos de onda coincide com a de estrelas leves e muito jovens.

Embora estudos futuros venham confirmar se estes dois objectos celestes são de facto proto anãs castanhas, são até agora os melhores candidatos, acrescenta Barrado. Ele realça que a viagem da sua descoberta, por mais difícil que tenha sido, foi divertida. "É uma história que se tem desenrolado peça a peça. Por vezes a natureza leva tempo a ceder os seus segredos."

Estas observações foram feitas antes do Spitzer ficar sem líquido refrigerante em Maio de 2009, começando a sua missão "quente".

Links:

Notícias relacionadas:
JPL (comunicado de imprensa)
Universe Today
Science Daily
PHYSORG.com

Anãs castanhas:
Wikipedia
NASA
Andy Lloyd's Dark Star Theory

Telescópio Espacial Spitzer:
Página oficial
NASA
Centro Espacial Spitzer
Wikipedia

 
     
 
 
  NOVAS ESPERANÇAS PARA VALENTE MISSÃO JAPONESA  
 

Engenheiros japoneses inventaram um plano para combinar partes de dois motores parcialmente avariados para retomar a viagem da sonda Hayabusa de volta à Terra.

Numa conferência de imprensa na passada Quinta-feira, os investigadores comunicaram que irão usar o neutralizador do motor A e a fonte de iões do motor B para providenciar a energia suficiente para guiar a sonda de 430 kg de volta à Terra no próximo mês de Junho.

A nova configuração dos motores A e B da Hayabusa.
Crédito: JAXA
 

A Hayabusa foi lançada em 2003 com quatro motores iónicos. O motor A teve que ser desligado devido a uma avaria pouco tempo depois do lançamento, e o motor B foi desligado devido a alta tensão no seu sistema de neutralização.

O motor C foi desligado manualmente após indícios que poderia estar danificado devido a altas correntes eléctricas, e o motor D falhou há três semanas devido a um pico de tensão.

A avaria de 4 de Novembro deixou a Hayabusa sem sistema de propulsão e colocou o seu planeado regresso à Terra em sérias dúvidas. Mas o novo plano dá aos investigadores japoneses reforçado alento.

"Embora as operações precisem ainda de ser monitorizadas cuidadosamente, a equipa do projecto concluíu que a sonda pode continuar na sua viagem de regresso à Terra em Junho de 2010, se a nova configuração dos motores funcionar como previsto," anunciou a JAXA (a agência espacial japonesa).

Teste de um motor iónico.
Crédito: JAXA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Os quatros motores iónicos, de descarga de microondas, consomem gás xénon e libertam o combustível ionizado a grandes velocidades para produzir impulso. Os motores iónicos são mais eficientes que os motores químicos convencionais porque usam menos combustível e podem operar continuamente durante milhares de horas.

Os motores da sonda já acumularam quase 40.000 horas de funcionamento desde o seu lançamento.

O plano consiste na operação permanente do motor até Março, quando desligar o seu sistema iónico e navegar até à Terra para uma aterragem de pára-quedas na Austrália.

A Hayabusa passou três meses a explorar o asteróide Itokawa no final de 2005. A sonda capturou 1.600 imagens, recolheu cerca de 120.000 peças de dados espectrais no infravermelho, e 15.000 peças de dados com o seu espectómetro de raios-X, com o objectivo de investigar a composição superficial do pequeno asteróide com forma de batata.

A sonda aproximou-se do Itokawa várias vezes, tentando disparar uma esfera de chumbo na direcção da superfície do asteróide, com o intuito de recolher amostras de rochas através de um funil que liga a uma câmara de recolha.

Concepção de artista da sonda japonesa Hayabusa, aterrando no asteróide e começando as operações de recolha de amostras.
Crédito: JAXA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Durante uma tentativa falhada de recolha de amostras em Novembro de 2005, a Hayabusa fez uma aterragem não planeada e passou meia hora no Itokawa, tornando-se na primeira sonda a levantar voo de um asteróide.

Embora a telemetria indicasse que a Hayabusa provavelmente não disparou o seu projéctil enquanto se encontrava na superfície, os cientistas permaneceram esperançosos que bocados de poeira ou pequenos calhaus tivessem sido recolhidos pelo funil e se encontrem no sistema de recolha de amostras.

A Hayabusa mais tarde perdeu combustível e os controladores perderam temporariamente comunicações com a sonda, que tem o tamanho de um frigorífico normal.

Os cientistas tentaram ultrapassar todos estes problemas, agravados pela perda de duas rodas de reacção e de células de potência numa bateria eléctrica.

A partida da sonda foi atrasada um ano devido a estes problemas, adiando o seu regresso à Terra, de 2007 para 2010.

Links:

Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve:
04/11/05 - Apesar das imagens Hayabusa sofre retrocesso
22/11/05 - Hayabusa falha aterragem
29/11/05 - Missão Hayabusa com sucesso
13/12/05 - Missão Hayabusa provavelmente falhou
29/08/07 - Sonda Hayabusa recupera terceiro motor iónico
16/04/08 - Hayabusa pode nunca regressar à Terra

Notícias relacionadas:
JAXA (comunicado de imprensa)
Universe Today
Nature
SPACE.com
New Scientist
Spaceflight Now
The Planetary Society

Sonda Hayabusa:
JAXA
NASA
Universidade de Tohoku
Wikipedia

 
     
 
 
TAMBÉM EM DESTAQUE
 

Mistério de anomalia em "flyby" permanece (via Rosetta Blog)
O esquisito mistério da anomalia do "flyby" acaba de ficar mais esquisito. Desde o princípio dos anos 90 que os cientistas e os controladores das missões têm notado que algumas sondas sofrem mudanças inesperadas na sua velocidade durante voos rasantes pela Terra. A variação inexplicada é extremamente pequena e tem ocorrido tanto quando a sonda ganha ou perde velocidade, mas esta variação não está prevista pela física fundamental. A anomalia não acontece com todas as sondas mas os cientistas esperavam ganhar mais informação acerca desta anomalia aquando da passagem da sonda Rosetta pela Terra no dia 13 de Novembro, durante a sua viagem até um cometa em 2014. No entanto, sofreram um grande dissabor - que só aprofundou o mistério - a sonda Rosetta não sofreu a anomalia durante este voo rasante pela Terra. Embora a sonda tivesse sofrido em 2005, o mesmo já não aconteceu também durante 2007. [Ler fonte]

 
     
 
     
  Flyby da Cassini Mostra Plumas em Encelado - Crédito: NASA/JPL/SSI; Mosaico: Emily Lakdawalla  
  Foto  
  (clique na imagem para ver versão maior)  
     
 

O que é que está a acontecer na superfície da Lua de Saturno, Encelado? Enormes jactos de gelo estão em erupção. Plumas gigantescas de gelo foram fotografadas pela sonda Cassini durante o voo rasante do fim-de-semana passado por Encelado. Na imagem podem ser observadas inúmeras plumas, nascendo dos enormes desfiladeiros "listas de tigre" na íngreme superfície da lua. Vários jactos são até visíveis na região à sombra do crescente Encelado, à medida que sobem o suficiente para apanhar luz solar. Outras plumas, perto do topo da imagem, são visíveis mesmo por cima do limite diurno da lua. Descobriu-se que Encelado tinha fontes de gelo em 2005, através de imagens da Cassini, e desde aí que é bastante estudada. O estudo continuado das plumas geladas pode proporcionar pistas acerca da existência de oceanos subterrâneos, candidatos a conter vida.

 


Centro Ciência Viva do Algarve
Arquivo de Astroboletins Observações Astronómicas Fórum de discussão CCVAlg.pt