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Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
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ASTROBOLETIM N.º 607
De 11/12 a 13/12/2009
 
 
 

Dia 11/12: 345.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1863, nascimento de Annie Jump Cannon, pioneira americana na classificação do espectro estelar.
Em 1901, Marconi envia o primeiro sinal transatlântico, percursor da telecomunicações que hoje se utilizam no espaço.
Em 1972, a Apollo 17 faz a sua alunagem.

Observações: Por esta altura em Dezembro, a brilhante estrela Sirius nasce por volta das 20:45. Já alguma vez a observou a nascer, baixa no horizonte? Procure-a a Sudeste, na direcção onde aponta a cintura de Orionte. Pode até ficar chocado(a) com tão lentamente e profundamente Sirius pisca - pulsa, na realidade - quando está a meros graus acima do horizonte.

Dia 12/12: 346.º dia do calendário gregoriano.
Observações: Esta noite poderá já tentar ver se observa alguns meteoros das Geminídeas. A chuva de meteoros das Geminídeas deverá atingir o seu pico na madrugada de Domingo. E este ano, não há Lua no céu!

Dia 13/12: 347.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1920, era medido o primeiro diâmetro estelar (Betelgeuse), por Francis Pease com um interferómetro no Mt. Wilson.

Em 1962, lançamento do Relay 1 da NASA, primeiro satélite de comunicações em órbita.
Em 1972, Eugene Cernan e Harrison Schmitt fazem o seu terceiro e último passeio lunar, da Apollo 17. Esta foi a última missão à Lua do século XX.
Observações: Ainda nem é Inverno, mas a Ursa Maior já está começando a sua longa ascensão anual no céu nocturno. Pelas 21:00 já consegue ver a frigideira a nascer por trás do horizonte a Norte-Nordeste. Estará na sua posição mais alta nas quentes noites de Maio e Junho.

 
 
 
Mizar foi o primeiro binário telescópio a ser descoberto - provavelmente por Benedetto Castelli que em 1617 pediu a Galileu para a observar.
 
 
AIA 2009
 
 
  TEORIA DE VIDA EM MARTE IMPULSIONADA POR NOVO ESTUDO DE METANO  
 

Num estudo publicado anteontem (9 de Dezembro), na revista Earth and Planetary Science Letters, cientistas excluem a possibilidade do metano ser entregue a Marte por meteoritos, levantando novas esperanças que o gás seja gerado por vida no Planeta Vermelho.

O metano tem um tempo de vida na ordem das poucas centenas de anos em Marte porque é constantemente empobrecido por uma reacção química na atmosfera do planeta, provocada pela luz solar. Os cientistas analisaram dados de observações telescópicas e missões espaciais não-tripuladas, descobrindo que o metano em Marte é constantemente reabastecido por uma fonte desconhecida. Estão ansiosos por descobrir como os níveis de metano são complementados.

Os investigadores pensavam que os meteoritos eram responsáveis pelos níveis de metano marciano porque quando as rochas entram na atmosfera do planeta são submetidas a calor intenso, devido a uma reacção química que liberta metano e outros gases para a atmosfera.

No entanto, o novo estudo, elaborado por investigadores do Imperial College em Londres, mostra que os volumes de metano potencialmente libertado por meteoritos que entrem na atmosfera de Marte são demasiado baixos para manter os actuais níveis de metano atmosférico. Os estudos anteriores também excluíram a possibilidade do metano ser distribuído por actividade vulcânica.

De acordo com os cientistas do estudo, isto deixa-nos apenas com duas teorias plausíveis para explicar a presença do gás. Ou existem microorganismos a viver no solo marciano, que produzem gás metano como um subproduto dos seus processos metabólicos, ou o metano está a ser produzido como um subproduto de reacções entre rochas vulcânicas e água.

Nesta ilustração, a água subsuperficial, o dióxido de carbono e o aquecimento interno do planeta combinam-se para libertar metano. Embora não tenhamos nenhuma prova de vulcões activos hoje em dia, o metano "velho" preso em "jaulas" de gelo pode agora ser libertado.
Crédito: NASA/Susan Twardy
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O co-autor do estudo, Dr. Richard Court, do Departamento de Ciências da Terra e de Engenharia no Imperial College London, afirma: "As nossas experiências ajudam a resolver o mistério do metano em Marte. Os meteoritos que se vaporizam na atmosfera são uma proposta fonte de metano, mas quando recreamos a sua escaldante entrada em laboratório, obtemos quantidades muito pequenas do gás. Em Marte, os meteoritos falham o teste do metano."

A equipa afirma que o seu estudo vai ajudar os cientistas da NASA e da ESA a planear uma missão conjunta ao Planeta Vermelho em 2018, com o objectivo de descobrir a fonte do metano. Os investigadores dizem, agora que descobriram que os meteoritos não são a fonte do metano em Marte, que os cientistas da ESA e da NASA podem centrar a sua atenção nas últimas e restantes opções.

Mark Sephton, professor do Departamento de Ciências da Terra e de Engenharia no Imperial College London, também co-autor do estudo, acrescenta: "Este estudo é um grande passo em frente. Como Sherlock Holmes dizia, eliminem-se todos os outros factores e o que resta deve ser o correcto. A lista de possíveis fontes do metano está cada vez mais pequena e excitante, e a vida extraterrestre ainda é uma opção. Em última análise, o teste final tem que ser feito em Marte."

A equipa usou uma técnica chamada QPFTIS (Quantitive Pyrolysis-Fourier Transform Infrared Spectroscopy) para reproduzir as mesmas extremas condições da atmosfera marciana à medida que os meteoritos aí entram. A equipa aqueceu os fragmentos meteóricos até 1000 graus Celsius e mediu os gases libertados usando um feixe infravermelho.

Quando os gases libertados pelas experiências laboratoriais foram combinados com os cálculos publicados dos valores das quedas de meteoritos em Marte, os cientistas calcularam que são produzidos por ano apenas 10 kg de metano meteórico, bem abaixo das 100 a 300 toneladas necessárias para reabastecer os níveis de metano na atmosfera marciana.

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
2004/11/16 - Marte, metano e cientistas
2004/12/21 - Gigante rover irá procurar vida em Marte
2005/02/18 - Uma lufada de vida em Marte
2005/06/10 - Metano de Marte explicado sem biologia
2005/12/20 - Bactérias marcianas pode encontrar-se por baixo do gelo
2008/11/05 - Metano em Marte permanece ainda um mistério
2009/01/19 - Metano revela que Marte não é um planeta morto

Notícias relacionadas:
Imperial College London (comunicado de imprensa)
Universe Today
BBC News
Science Daily
World Science
Scientific American

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia
Google Mars

 
     
 
 
  NOVA ESTRELA DESCOBERTA NA URSA MAIOR  
 

A Ursa Maior tem uma nova estrela.

Novas observações revelaram que uma das estrelas da pega da frigideira do asterismo, Alcor, tem uma anã avermelhada mais pequena como companheira.

Alcor é uma estrela relativamente jovem com duas vezes a massa do Sol. Estrelas assim tão massivas são relativamente raras (poucos pontos percentuais relativamente ao universo de estrelas), têm uma curta vida, e são brilhantes.

Alcor e suas primas na Ursa Maior formaram-se da mesma nuvem de matéria há cerca de 500 milhões de anos atrás, o que é algo invulgar para uma constelação dado que a maioria destes padrões no céu são compostos por estrelas sem relação.

Alcor parece estar na mesma posição na Ursa Maior, que outra estrela, Mizar, vista da perspectiva da Terra. De facto, ambas as estrelas foram usadas como um simples teste de visão - ser capaz de distinguir duas estrelas e não apenas uma - em tempos remotos.

Um dos colegas de Galileu observou que a própria Mizar é na realidade uma estrela dupla, o primeiro sistema binário a ser resolvido por telescópio. Muitos anos mais tarde, as duas componentes Mizar A e B foram elas próprias descobertas como sendo binárias, formando num todo um sistema quádruplo.

Agora descobriu-se que Alcor, relativamente perto das quatro estrelas do sistema de Mizar, tem também uma companheira.

Alcor, uma estrela no meio da pega da frigideira de Ursa Maior, tem uma anã vermelha como companheira. Os astrónomos do Projecto 1640 descobriram a ténue estrela bloqueando quase toda a luz de Alcor com um coronógrafo. O halo de espículas em torno da máscara do coronógrafo é provocado pela propriedades tipo-onda da luz do brilho residual de Alcor. Os diâmetros reais de ambas as estrelas ocupam apenas uma pequena fracção de um pixel.
Crédito: Projecto 1640/AMNH e Digital Universe Atlas
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Em Março, um grupo de astrónomos acoplou um coronógrafo e ópticas adaptivas ao Telescópio Hale de 200 polegadas no Observatório Palomar na Califórnia, EUA, e apontaram-no a Alcor (as ópticas adaptivas neutralizam a inferferência da atmosfera da Terra ao fazer mudanças súbitas e em tempo-real na forma do espelho do telescópio durante as observações).

"Rapidamente avistei um ténue ponto próximo da estrela," disse Neil Zimmerman, estudante a trabalhar no seu doutoramento com o Museu Americano de História Natural em Nova Iorque. "Ninguém tinha antes registado este objecto, e estava muito perto de Alcor, por isso apercebemo-nos que era provavelmente uma companheira desconhecida."

Poucos meses depois, a equipa observou a estrela novamente, à espera de provar que as duas eram realmente companheiras, através do estudo do seu pequeno movimento em relação à distantes estrelas de fundo, à medida que a Terra se move em torno do Sol, o denominado movimento paraláctico. Se a companheira proposta fosse apenas uma estrela de fundo, não se movia com Alcor.

"Voltámos a observá-la 103 dias depois e descobrimos que tinha o mesmo movimento que Alcor," disse Ben R. Oppenheimer, Curador e Professor no Departamento de Astrofísica do Museu Americano de História Natural.

Alcor e a sua recém-descoberta companheira mais pequena, Alcor B, estão a cerca de 80 anos-luz da Terra e orbitam-se uma à outra a cada 90 anos ou mais.

A equipa foi também capaz de determinar a cor, o brilho e até a composição básica de Alcor B porque o método singular de observação que usam regista imagens em muitas cores simultaneamente. A equipa determinou que Alcor B é uma estrela anã do tipo-M, com cerca de 250 vezes a massa de Júpiter, ou aproximadamente um quarto da massa do nosso Sol. A companheira é muito mais pequena e fria que Alcor A.

"As anãs vermelhas não são muito usuais perto de estrelas mais brilhantes e massivas como Alcor, mas temos um pressentimento que são na realidade muito comuns," disse Oppenheimer. "Esta descoberta mostra que mesmo até as estrelas mais brilhantes e famosas no céu escondem segredos por descobrir."

As novas observações são detalhadas no Astrophysical Journal.

Oppenheimer e a sua equipa esperam usar a mesma técnica de movimento paraláctico na busca por planetas extrasolares.

"Esperamos usar a mesma técnica para verificar que outros objectos, como planetas extrasolares, estão realmente ligados à sua estrela-mãe," afirma Zimmerman. "De facto, antecipamos que outros grupos de busca por planetas extrasolares usem também esta técnica para acelerar o processo de descoberta."

Links:

Notícias relacionadas:
Universe Today
SPACE.com
Science Daily
EurekAlert!
PHYSORG.com

Sistemas estelares:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg

 
     
 
 
TAMBÉM EM DESTAQUE
 

Primeira imagem de uma estrela muito quente (via Universidade de Manchester)
Astrónomos descobriram uma das quentes estrelas na Galáxia - com uma temperatura à superfície de aproximadamente 200.000 graus, é 35 vezes mais quente que o Sol. [Ler fonte]

 
     
 
     
  HUDF no Infravermelho: O Alvorecer das Galáxias - Crédito: NASA, ESA, G. Illingworth (UCO/Lick & UCSC), R. Bouwens (UCO/Lick & Leiden U.), e Equipa HUDF09  
  Foto  
  (clique na imagem para ver versão maior)  
     
 

Quando é que se formaram as galáxias? Para ajudar a responder a esta questão, foi obtida a imagem, perto do infravermelho, mais profunda do céu, do mesmo campo que a obtida opticamente em 2004. A nova imagem foi registada este Verão pela recém-instalada WFC3 (Wide Field Camera 3) do Hubble. As ténues manchas avermelhadas, identificadas na imagem acima, provavelmente ultrapassam o nível 8 do desvio para o vermelho em termos de distância. Estas galáxias, sendo assim, exitiram provavelmente quando o Universo tinha apenas uma fracção da sua idade actual, e podem muito bem fazer parte da primeira classe de galáxias. Algumas galáxias modernas e gigantes compõem o colorido pano da frente. As análises pela equipa HUDF09 indicam que pelo menos algumas destas jovens galáxias tinham muito pouco pó interestelar. Esta antiga classe de galáxias pouco luminosas provavelmente continha estrelas energéticas emitindo luz, luz esta que transformou grande parte da restante matéria normal no Universo, desde um gás frio até um quente plasma ionizado.

 


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