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Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
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ASTROBOLETIM N.º 618
De 05/02 a 08/02/2010
 
 
 

Dia 05/02: 36.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1971, a Apollo 14 aterrava na Lua, na formação Fra Mauro.

Observações: Lua em Quarto Minguante, pelas 23:50.

Dia 06/02: 37.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1582, nascia Mario Bettinus, astrónomo, matemático e filósofo italiano. A cratera Bettinus, na Lua, tem o seu nome.
Em 1959, era lançado com sucesso de Cabo Canaveral o primeiro míssil balístico Titan.

Observações: Assim que Saturno nasça e suba para uma posição decente, tente observar telescopicamente o seu maior satélite, Titã, a cerca de 4 diâmetros anulares para Este do planeta.

Dia 07/02: 38.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1979, Plutão movia-se para dentro da órbita de Neptuno pela primeira vez desde a sua descoberta.
Em 1984, missão STS-41-B do programa do vaivém espacial, no qual os astronautas Bruce McCandless II e Robert L. Stewart fazem o pimeiro passeio espacial sem ligação ao vaivém usando a Unidade de Manobra Tripulada.
Em 1991, a nave Salyut 7 despenha-se pela atmosfera sobre a Argentina.
Em 2001, lançamento da missão STS-98, do vaivém Atlantis, com o módulo "Destiny" da Estação Espacial Internacional. O lançamento ao pôr-do-Sol é descrito por muitos observadores experientes como um dos lançamentos mais bonitos que alguma vez viram.

Observações: Aproveite a noite para observar o planeta Marte, com magnitude -1,14, situado agora na constelação de Caranguejo.

Dia 08/02: 39.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1974, após 84 dias no espaço, a tripulação da primeira estação espacial americana, a Skylab, regressa à Terra.
Em 1986 regressava o cometa Halley.

Observações: Fevereiro é quando a constelação de Cão Maior se situa mais alto no Sul após o jantar, mostrando a sua brilhante coleira, Sirius. Com um telescópio, pode procurar aqui mais galáxias e enxames do que pensava.

 
 
 
Nordlingen é uma cidade do sul da Alemanha que foi construída no interior de uma cratera, feita por um asteróide há 15 milhões de anos.
 
 
 
  NASA PROLONGA MISSÃO DA CASSINI ATÉ 2017  
 

A NASA vai prolongar a missão internacional Cassini-Huygens, a Saturno e às suas luas, até 2017. O orçamento de 2011 da agência espacial providencia uma extensão de 60 milhões de dólares por ano para o estudo continuado do "Senhor dos Anéis".

"Esta é uma missão que nunca pára de nos surpreender com resultados científicos e imagens de cortar a respiração," afirma Jim Green, director da divisão de ciência planetária na sede da NASA em Washington. "As descobertas e imagens espectaculares deste viajante histórico revolucionaram o nosso conhecimento de Saturno e das suas luas."

A Cassini foi lançada em Outubro de 1997, em conjunto com a sonda Huygens da ESA. Chegaram a Saturno em 2004. A Huygens estava equipada com seis instrumentos para estudar Titã, a maior lua de Saturno. Os 12 instrumentos da Cassini há já quase seis anos que enviam dados diários do sistema saturniano. O projecto tinha fim planeado para 2008, mas a missão recebeu um prolongamento de 27 meses, até Setembro de 2010.

A 20 graus por cima do plano dos anéis, a grande angular da Cassini capturou 75 exposições em sucessão para fazer este mosaico de Saturno, dos anéis, e algumas das suas luas, dia e meio depois do equinócio de Saturno, quando o disco solar estava exactamente por cima do equador do planeta.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"A extensão proporciona uma oportunidade única para seguir as mudanças sazonais de um planeta do sistema solar exterior, desde o Inverno até ao Verão," afirma Bob Pappalardo, cientista do projecto Cassini no JPL da NASA em Pasadena, Califórnia. "Algumas das descobertas mais excitantes da Cassini ainda estão para vir."

Este segundo alargamento, denominado Missão Solstício da Cassini, permite aos cientistas estudar as mudanças sazonais e a longo-prazo do planeta e das suas luas. A Cassini chegou a Saturno pouco depois do solstício de Inverno no hemisfério norte de Saturno, e esta extensão continua até poucos meses depois do solstício de Verão no mesmo hemisfério, em Maio de 2017. O solstício de Verão no hemisfério norte de Saturno marca o início dessa estação e o começo do Inverno no hemisfério sul.

Um período sazonal completo de Saturno nunca tinha sido estudado a este nível de detalhe. O calendário da missão requer 155 órbitas adicionais em torno do planeta, 54 voos rasantes por Titã e 11 pela lua gelada Encelado.

Os cientistas da Cassini usaram imagens como esta para ajudá-los a identificar os locais de libertação dos jactos individuais que libertam partículas de gelo, vapor de água e traços de compostos orgânicos a partir da superfície da lua de Saturno, Encelado.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O alargamento da missão também permitirá aos cientistas continuar as observações dos anéis de Saturno e da bolha magnética em torno do planeta conhecida como magnetosfera. A sonda fará mergulhos repetidos entre Saturno e os seus anéis para obter um conhecimento íntimo do gigante gasoso. Durante estes mergulhos, a Cassini irá estudar a estrutura interna de Saturno, as suas flutuações magnéticas e a massa anular.

A missão será avaliada periodicamente para garantir que a sonda tem a capacidade de alcançar os novos objectivos científicos delineados para a segunda extensão.

"A sonda encontra-se em muito bom estado, mesmo tolerando os efeitos esperados da idade e após ter ultrapassado os 4,1 mil milhões de quilómetros no seu odómetro," afirma Bob Mitchell, gestor do programa Cassini no JPL. "Esta extensão é importante porque há ainda muito a aprender acerca de Saturno. O planeta está recheado de segredos, e não os desvenda facilmente."

O álbum de viagem da Cassini inclui mais de 210.000 imagens; informações recolhidas durante mais de 125 revoluções em torno de Saturno; 67 "flybys" por Titã e oito por Encelado. A Cassini revelou detalhes inesperados na assinatura dos anéis do planeta, e observações de Titã forneceram aos cientistas um olhar do que a Terra poderá ter sido antes do desenvolvimento da vida.

Os cientistas esperam ver respondidas as suas imensas questões que nasceram ao longo da missão, entre elas o porquê de Saturno parecer ter uma rotação inconsistente e como é que um provável oceano subsuperficial alimenta os jactos de Encelado.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
SPACE.com
Universe Today
New Scientist
PHYSORG.com
Wired
BBC News

Saturno:
Solarviews
Wikipedia

Titã:
Solarviews
Wikipedia

Encelado:
Solarviews
Wikipedia

Huygens:
Página oficial (ESA)
Wikipedia

Cassini:
Página oficial (NASA)
Wikipedia

 
     
 
 
  NOVA TÉCNICA PARA DETECTAR PLANETAS EXTRASOLARES TIPO-TERRA  
 

Astrónomos descobriram uma nova técnica terrestre para estudar as atmosferas de planetas para lá do nosso Sistema Solar, acelerando a nossa busca por planetas tipo-Terra com moléculas relacionadas com a vida. O seu trabalho foi anunciado anteontem (3 de Fevereiro de 2010) na revista Nature.

Os cientistas desenvolveram a nova técnica ao usar um telescópio infravermelho da NASA, terrestre, para identificar uma molécula orgânica na atmosfera de um planeta com o tamanho de Júpiter a quase 63 anos-luz de distância. Usando um novo método de calibração para remover erros de observação sistemáticos, eles obtiveram uma medição que revela detalhes da composição atmosférica e das condições do exoplaneta, um feito sem precedentes a partir de um observatório terrestre.

A Dra. Giovanna Tinetti, da Universidade de Londres, cujo trabalho no projecto foi suportado pelo STFC (Science and Technology Facilities Council), afirma: "O objectivo final é observar a atmosfera de um planeta com a capacidade de suportar vida. Ainda não chegámos lá, mas a possibilidade de usar telescópios terrestres em combinação com observatórios espaciais, vai acelerar o estudo das atmosferas de planetas extrasolares."

Impressão de artista de HD 189733b e do telescópio.
Crédito: NASA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O autor principal, Mark Swain, astrónomo no JPL da NASA, acrescenta: "O facto de termos usado um telescópio terrestre relativamente pequeno, é excitante porque implica que os maiores telescópios no chão, usando esta técnica, poderão ser capazes de caracterizar os alvos terrestres exoplanetários."

Actualmente, conhecem-se mais de 400 planetas extrasolares. A maioria deles são gasosos como Júpiter, mas pensa-se que algumas "super-Terras" sejam grandes mundos terrestres ou rochosos. Um verdadeiro planeta tipo-Terra, do tamanho do nosso e à mesma distância da sua estrela-mãe, ainda não foi descoberto. A missão Kepler da NASA está agora no espaço à procura, e espera-se que encontre alguns destes mundos terrestres.

A 11 de Agosto de 2007, Swain e a sua equipa usaram o telescópio infravermelho para observar o planeta HD 189733b, com o tamanho de Júpiter, na constelação de Raposa. A cada 2,2 dias, o planeta orbita uma estrela do tipo-K, ligeiramente mais fria e pequena que o nosso Sol. HD 189733b já proporcinou importantes descobertas na ciência exoplanetária, incluíndo detecções de vapor de água, metano e dióxido de carbono através de telescópios espaciais. Usando a nova técnica, os astrónomos conseguiram detectar dióxido de carbono e metano na atmosfera de HD 189733b com um espectógrafo, que quebra a luz nos seus componentes para revelar as assinaturas espectrais dos diferentes químicos. O seu trabalho principal foi o desenvolvimento de um novo método de calibração para remover os erros sistemáticos de observação provocados pela variabilidade da atmosfera da Terra e pela instabilidade devida ao movimento do sistema telescópico à medida que segue o alvo.

"Como consequência deste trabalho, temos agora a possibilidade excitante que outros telescópios terrestres relativamente pequenos, mas também razoavelmente equipados, sejam capazes de caracterizar exoplanetas," afirma John Rayner, o cientista do ITF (Infrared Telescope Facility) da NASA que construíu o espectógrafo SpeX usado nestas medições. "Nalguns dias não conseguimos sequer observar o Sol com o telescópio, e o facto de noutros conseguirmos obter o espectro de um exoplaneta a 63 anos-luz de distância, é impressionante."

Ao longo das suas observações, a equipa descobriu brilhantes e inesperadas emissões, no infravermelho, de metano, que sobressai no lado diurno de HD 198733b. Isto poderá indicar algum tpo de actividade na atmosfera do planeta, que poderá estar relacionada com o efeito da radiação ultravioleta da estrela-mãe ao atingir a atmosfera superior do planeta. No entanto, serão precisos estudos mais detalhados.

"Um objectivo imediato do uso desta técnica é caracterizar com mais precisão a atmosfera deste e de outros planetas extrasolares, incluíndo a detecção de moléculas orgânicas e até possivelmente prebióticas - como aquelas que precederam a evolução da vida na Terra, afirma Swain". Estamos prontos para levar a cabo esta tarefa. "Alguns dos primeiros alvos serão super-Terras. Usada em conjunto com observações do Hubble, do Spitzer e do futuro Telescópio Espacial James Webb, a nova técnica "dar-nos-á um modo absolutamente brilhante de caracterizar super-Terras," conclui Swain.

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
14/07/2007 - Descoberta água em planeta extrasolar
13/02/2008 - Detectadas moléculas orgânicas pela primeira vez num planeta extrasolar
22/03/2008 - Detectada a primeira molécula orgânica num planeta extrasolar
13/12/2008 - Hubble descobre dióxido de carbono num planeta extrasolar
23/10/2009 - Astrónomos fazem-no outra vez: descobrem moléculas orgânicas em "Júpiter-quente" extrasolar

Notícias relacionadas:
Science & Techonology Facilities Council (comunicado de imprensa)
Nature (requer subscrição)
Science Daily
SPACE.com
Universe Today
Scientific American
BBC News
UPI
AFP

HD 189733b:
Wikipedia

Planetas extrasolares:
Wikipedia
Wikipedia (lista)
Wikipedia (lista de extremos)
Catálogo de planetas extrasolares vizinhos (PDF)
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares
Exosolar.net
Extrasolar Visions

 
     
 
 
     
  P/2010 A2: Cauda Invulgar de Asteróide Implica Poderosa Colisão - Crédito: NASA, ESA, D. Jewitt (UCLA)  
  Foto  
  (clique na imagem para ver versão maior)  
     
 

O que é este estranho objecto? Descoberto em imagens terrestres do LINEAR a 6 de Janeiro, o objecto parecia invulgar o suficiente para ser investigado com o Telescópio Espacial Hubble a semana passada. Na imagem, o que o Hubble viu indica que P/2010 A2 é diferente de qualquer outro objecto já observado. À primeira vista, o objecto parece ter a cauda de um cometa. Mas numa inspecção mais detalhada, mostra uma deslocação de 140 metros no núcleo, uma estrutura rara perto do núcleo, e sem gás discernível na cauda. Sabendo que este objecto orbita na cintura de asteróides entre Marte e Júpiter, uma hipótese preliminar que parece explicar todas as pistas conhecidas aponta para que P/2010 A2 seja o detrito que resta de uma colisão recente entre dois pequenos asteróides. A ser confirmada, a colisão provavelmente ocorreu a mais de 15.000 km/h -- cinco vezes a velocidade de uma bala -- e libertou uma energia maior que uma bomba nuclear. A pressão da luz solar libertaria então os detritos numa cauda. Os estudos futuros de P/2010 A2 podem melhor indicar a natureza da colisão progenitora e ajudar-nos a melhor compreender os primeiros momentos do nosso Sistema Solar, quando muitas destas colisões tiveram lugar.

 


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