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Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
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ASTROBOLETIM N.º 663
De 13/07 a 15/07/2010
 
 
 
 

Dia 13/07: 194.º dia do calendário gregoriano.
Observações: Pouco depois do pôr-do-Sol, use binóculos para observar Mercúrio e o ténue Crescente da Lua, bem para baixo e um pouco para a direita da Lua. Mercúrio e a Lua estão 12º entre si.

Dia 14/07: 195.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1965 era realizado o primeiro voo rasante de Marte, pela sonda Mariner 4.
Em 2000, o Observatório Chandra observa raios-X dos milhões de oxigénio e azoto do Cometa C/1999 S4.

Isto mostra que os raios-X emitidos de cometas são produzidos por colisões de iões que se movimentam na direcção oposta à do Sol (vento solar), em conjunto com o gás do cometa.
Observações: Aproveite o início da noite para procurar Vénus, a cerca de 6º da Lua (para cima).

Dia 15/07: 196.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1943 nascia Jocelyn Bell, astrofísica britânica que descobriu os primeiros pulsares de rádio.
Em 1975 eram lançadas as missões Apollo 18 e Soyuz 19 que viriam a efectuar o primeiro acoplamento internacional (Apollo/Soyuz) no Espaço.

Observações: A Lua passou perto de Mercúrio, depois de Vénus, e hoje encontra-se perto de Marte (6,5º).

 
 
 
Neste Verão, leve a Ciência na bagagem. Visite o interior de uma barragem, siga os trilhos do lobo ibérico, desça a uma mina e fique a ver estrelas com os amigos e a família. São milhares de acções gratuitas em todo o país, sempre na companhia de especialistas. Uma iniciativa da Ciência Viva, em colaboração com instituições científicas, museus, Centros Ciência Viva, associações, autarquias e empresas. De 15 de Julho a 15 de Setembro.
 
 
 
  ROSETTA TRIUNFA NO ASTERÓIDE LUTETIA  
 

O asteróide Lutetia revelou-se um mundo golpeado com muitas crateras. A missão Rosetta da ESA enviou as primeiras imagens do asteróide que mostram que é provavelmente um sobrevivente primitivo do nascimento violento do Sistema Solar.

O voo rasante foi um sucesso espectacular que a sonda desempenhou sem quaisquer problemas. A maior aproximação teve lugar às 17:10 (hora de Portugal) de 10 de Julho, a uma distância de 3162 km. As imagens mostram que o Lutetia é altamente craterado, tendo sofrido muitos impactos durante os 4,5 mil milhões de anos da sua existência. À medida que a Rosetta se aproximava, uma gigante depressão que se estica por grande parte da sua superfície, rodava à vista. As imagens confirmam que o Lutetia é um corpo elongado, tendo o seu lado maior aproximadamente 130 km.

O Lutetia à maior aproximação da Rosetta.
Crédito: ESA 2010 MPS para a Equipa OSIRIS
UPD/LAM/IAA/RSSD/INTA/UPM/DASP/IDA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

As imagens vêm do instrumento OSIRIS da Rosetta, que combina uma câmara de ângulo largo e ângulo estreito. À maior aproximação, detalhes até uma escala de 60 m podem ser vistos na superfície do Lutetia.

"Penso que este objecto é muito velho. Esta noite vimos uma relíquia da criação do Sistema Solar," afirma Holger Sierks, investigador principal do OSIRIS, do Instituto Max Planck para a Pesquisa no Sistema Solar, em Lindau, Alemanha.

A Rosetta passou pelo asteróide a 15 km/s, completando o "flyby" em apenas um minuto. Mas as câmaras e outros instrumentos já trabalhavam há horas e nalguns casos, dias, e assim irão continuar depois. Poucos depois da maior aproximação, a Rosetta começou a transmitir os dados para a Terra.

Ampliação num possível desmoronamento e pedregulhos.
Crédito: ESA 2010 MPS para a Equipa OSIRIS
UPD/LAM/IAA/RSSD/INTA/UPM/DASP/IDA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O Lutetia há anos que é um mistério. Os telescópios terrestres mostram que tem características confusas. Nalguns aspectos assemelha-se um asteróide do tipo-C, um corpo primitivo deixado para trás da formação do Sistema Solar. Noutros, parece-se com um do tipo-M. Estes têm sido associados com os meteoritos ferrosos, normalmente avermelhados e que se pensa serem fragmentos dos núcleos de objectos muito maiores.

As novas imagens e os dados dos outros instrumentos da Rosetta irão ajudar a esclarecer esta confusão, mas até lá são necessárias mais informações.

A Rosetta operou o seu conjunto global de sensores durante o encontro, incluíndo um sensor remoto e medições "in situ". Partes da carga do seu "lander" Philae foram também ligados. Juntos, observaram em busca de evidências de uma atmosfera altamente ténue, efeitos magnéticos, e estudaram a composição da superfície bem com a densidade do asteróide.

À distância de 36.000 km, a câmara do instrumento OSIRIS capturou esta imagem, que tem o planeta Saturno no plano de fundo.
Crédito: ESA 2010 MPS para a Equipa OSIRIS
UPD/LAM/IAA/RSSD/INTA/UPM/DASP/IDA
(clique na imagem para ver versão maior)

 

Também tentaram capturar grãos de poeira que poderiam estar a flutuar no espaço perto do asteróide para análise a bordo. Os resultados destes instrumentos serão anunciados daqui a algum tempo.

A passagem rasante marca a consecução de um dos objectivos científicos principais da missão Rosetta. A sonda continuará a viajar até ao seu alvo primário em 2014, o cometa Churyumov-Gerasimenko. Acompanhá-lo-á durante meses, desde perto da órbita de Júpiter até à sua maior aproximação ao Sol. Em Novembro de 2014, a Rosetta libertará o Philae para aterrar no núcleo do cometa.

Mas por enquanto, a análise dos dados do Lutetia é o foco principal das equipas da Rosetta. Há poucos dias atrás, o Lutetia era um distante estranho. Agora, graças à Rosetta, tornou-se um amigo próximo.

Links:

Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve:
Sonda Rosetta finalmente lançada (09/03/2004)
Escolhidos os dois asteróides para aproximação da Rosetta (12/03/2004)
Primeira observação científica da Rosetta (01/06/2004)
A semana dos "flybys" (28/02/2007)
Contagem decrescente para "fly-by" por asteróide (03/09/2008)
Rosetta passa por Steins: um diamante no céu (06/09/2008)
Rosetta faz último "flyby" pela Terra a 13 de Novembro (06/11/2009)
Será que o "flyby" da Rosetta indica uma nova física exótica? (13/11/09)

Notícias relacionadas:
ESA (comunicado de imprensa)
NASA
SPACE.com
PHYSORG.com
Sky & Telescope
Spaceflight Now
Wired
Euronews
BBC News
Associated Press
CNN
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Notícias SAPO
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Sonda Rosetta:
ESA
Blog da Rosetta (ESA)
Wikipedia

 
     
 
 
     
  Luas Para Lá dos Anéis de Saturno - Equipa de Imagem da CassiniISSJPLESANASA  
  Foto  
  (clique na imagem para ver versão maior)  
     
 

O que aconteceu àquela lua de Saturno? Nada -- Reia está apenas parcialmente escondida por trás dos anéis de Saturno. Em Abril, a sonda Cassini capturou esta imagem de ângulo estreito dos famosos anéis do planeta. Os anéis aqui visíveis incluem o anel F no exterior e o muito mais largos anéis A e B logo interiores a ele. Embora pareça pairar por cima dos anéis, Jano está na realidade para trás. Jano é uma das luas mais pequenas de Saturno e mede apenas 180 km de diâmetro. Ainda mais para trás na imagem está a altamente craterada Reia, uma lua muito maior que mede 1500 km de diâmetro. O topo de Reia é visível apenas nos intervalos entre os anéis. A missão Cassini em torno de saturno foi prolongada até 2017 para melhor estudar o complexo sistema planetário à medida que a sua estação muda do equinócio até ao solstício.

 


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