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Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
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ASTROBOLETIM N.º 713
De 04/01 a 06/01/2011
 
 
 

Dia 04/01: 4.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1610, estes foram possivelmente os dias mais importantes da história da Astronomia.

Galileu Galilei aponta o seu telescópio ao céu e observa crateras e montanhas na Lua, manchas em movimento no Sol, quatro luas à volta de Júpiter, as fases de Vénus e as estrelas da Via Láctea.
Em 1958, o Sputnik 1 cai para a Terra a partir de órbita.
Em 1959, a Luna 1 torna-se na primeira sonda a chegar à vizinhança da Lua.
Em 2004, o rover Spirit da NASA aterra com sucesso em Marte.
Observações: Durante as primeiras horas de dia 4 (noite de 3 para 4), tente observar a chuva de meteoros das Quadrântidas.
Um desafio algo complicado devido à sua altura no horizonte - observe o eclipse parcial do Sol desde o nascer-do-Sol, até por volta das dez para as 9 da manhã.
Lua Nova, por volta das 09:04.

Dia 05/01: 5.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1969, lançamento da sonda soviética Venera 5.

Chega a Vénus em 16 de Maio de 1969. Depois, antes de se fragmentar na atmosfera, a cápsula foi suspensa por um pára-quedas durante 53 minutos enquanto recolhia dados da atmosfera venusiana. A sonda também transportava um medalhão com os símbolos da antiga União Soviética.
Em 2005, Éris, o maior planeta anão conhecido do Sistema Solar, é descoberto pela equipa científica de Michael E. Brown, Chad Trujillo e David L. Rabinowitz, usando imagens obtidas originalmente a 21 de Outubro de 2003, no Observatório Palomar.
Observações: Por volta das 20 horas já o Triângulo de Inverno está alto a Este-Sudeste. Consiste de Betelgeuse no canto à esquerda de Orionte, a brilhante Sirius para baixo, e Procyon para a esquerda das duas. É provavelmente mais bonito que o de Verão - mais brilhante, mais colorido e equilátero!

Dia 06/01: 6.º dia do calendário gregoriano.
Observações: Os planetas mais interiores, Vénus e Mercúrio, continuam a brilhar a Sudeste ao amanhecer desde o início da semana. Repare também em Antares, quase entre os dois astros.

 
 
 
O próximo eclipse solar visível de Portugal (parcial) será no dia 3 de Novembro de 2013.
 
 
  ODISSEIA MARCIANA: ROVERS CELEBRAM SETE ANOS EM MARTE  
 

Tal como nós cá na Terra nos preparámos para marcar a passagem de outro ano, também dois robots da NASA a um mundo de distância se aproximam de um grande marco: sete anos na superfície de Marte.

O rover Spirit, com o tamanho de um carrinho de golfe, aterrou em Marte no dia 4 de Janeiro de 2004. O seu gémeo, Opportunity, chegou à superfície avermelhada e "ferrugenta" três semanas depois, no dia 25. Originalmente os rovers tinham 90 dias para percorrer a superfície marciana em busca de evidências de água passada, mas ambos ultrapassaram há já muito tempo as suas garantias.

No entanto, em 2009 o Spirit ficou preso em areia macia e em Março de 2010, deixou de comunicar com a Terra. Mesmo assim, os cientistas da missão pensam que o intrépido rover poderá acordar durante os próximos meses. Entretanto, o Opportunity continua saudável, percorrendo lentamente o seu caminho na direcção de uma gigantesca cratera chamada Endeavour.

Impressão de artista dos rovers marcianos.
Crédito: JPL/NASA-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Ao longo dos quase 2500 dias na superfície marciana, os dois rovers fundamentalmente mudaram o conhecimento dos cientistas acerca de Marte, descobrindo muitas evidências de que o Planeta Vermelha foi já um lugar muito mais molhado e ameno. O Spirit e Opportunity também pavimentaram o caminho para rovers futuros ao testar tecnologias e mostrar o que é possível atingir.

E, num nível mais abstracto, os rovers aproximaram-nos de Marte, tornando este mundo mais acessível para os cientistas e para leigos. "Além de todas as descobertas científicas, estes rovers fizeram de Marte um local habitual e familiar", afirma John Callas, gestor do projecto MER (Mars Exploration Rover) no JPL da NASA em Pasadena, Califórnia, EUA. "Marte faz agora parte do nosso dia-a-dia."

Começando com a Mariner 9 da NASA nos anos 70, muitas outras sondas já detectaram evidências de água líquida no passado da superfície marciana. O Spirit e Opportunity foram enviados para investigar estas pistas, procurar mais e para colocar tudo num melhor contexto geológico.

Os rovers de seis-rodas fizeram isto e muito mais. Ambos descobriram minerais que se formam apenas na presença de água - provas sólidas de que os sítios onde aterraram já estiveram debaixo de água. "Enviámo-los sobre o paradigma 'Seguir a água,' em busca de evidências de condições molhadas," afirma Ray Arvidson, vice investigador principal do projecto MER, da Universidade de Washington. "E fizeram exactamente isso."

A maioria das evidências aponta para um passado molhado de Marte há milhares de milhões de anos. Mas algumas das descobertas recentes do Spirit - feitas após ter ficado preso em 2009 - sugerem que a água líquida possa ter percorrido a superfície marciana há menos tempo, talvez há apenas centenas de milhares de anos atrás.

A roda direita do Spirit deixou de funcionar em 2006, o que forçou os cientistas da missão a conduzir o rover em marcha atrás. Provavelmente o rover não estaria preso na areia - onde permanece actualmente - se todas as seis rodas estivessem a funcionar devidamente, afirma Callas. Mas a roda avariada tornou-se uma espécie de bênção. Escavou uma estreita trincheira no solo marciano à medida que o Spirit avançava. Em 2007, um dos sulcos lavrados pela roda expôs depósitos subsuperficiais de sílica pura, que se forma quando água quente reage com rochas.

Em Março de 2007, o rover Spirit da NASA descobriu um pedaço de terra claro, tão rico em sílica que os cientistas propuseram que a água deve ter estado envolvida na sua concentração.
Crédito: NASA/JPL/Cornell
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O Spirit desenterrou por isso evidências de sistemas hidrotermais em Marte, talvez similares aos geysers do Parque de Yellowstone nos EUA. A descoberta foi intrigante, sugerindo que grandes quantidades de energia - possivelmente energia de suporte à vida - percorreram alguns ambientes marcianos no passado. "Não só houve água líquida em Marte, como também fontes de energia coincidentes com essa água líquida," afirma Callas. "Ficamos então com um sistema que pode potencialmente suportar um ecossistema."

O Spirit e o Opportunity foram ambos desenhados para durar três meses em Marte e para viajar cerca de 1 quilómetro. O Spirit durou mais de seis anos e pode ainda acordar da sua hibernação. Até à data, percorreu cerca 7,7 quilómetros. O Opportunity viaja há já quase sete anos, cobrindo 26,5 km no final de Dezembro. Arvidson acrescenta que parte do legado dos rovers será a sua tremenda longevidade e a sua construção sólida que serve de exemplo para as missões futuras.

Os rovers estão também a testar e trabalhar para avançar as tecnologias para missões de rovers futuros, incluindo o Mars Science Laboratory (MSL) da NASA - também conhecido como Curiosity - com chegada prevista a Marte em Agosto de 2012.

Por exemplo, o software de condução básica do Curiosity foi testado no Spirit e no Opportunity. Os cientistas da missão também recentemente carregaram o Opportunity com um programa informático chamado Aegis, que permite ao rover estudar as suas próprias imagens, descobrir alvos interessantes e tirar fotografias adicionais, autonomamente da equipa do rover cá na Terra. "Este software vai também a bordo do MSL", realça Callas.

O rover Spirit, aleijado e preso, ficou silencioso a 22 de Março de 2010, após não ter conseguido mover-se para uma posição favorável à sua sobrevivência durante o frio inverno marciano. Mas agora que a Primavera chegou a Marte, a equipa do rover tem esperança que o Spirit aqueça o suficiente para acordar e comunicar com a Terra. "Estamos a ouvir," afirma Callas. "Temos estado a ouvir todos os dias." Se o Spirit realmente acordar, pode continuar a fazer observações valiosas mesmo estando preso em areia.

Esta animação com duas imagens ajuda à avaliação do rover Spirit pela NASA durante um teste no 2147.º "sol" (16 de Janeiro de 2010). 
Crédito: NASA/JPL-Caltech
 

Por exemplo, os investigadores esperam seguir o sinal de rádio do Spirit, usando o seu movimento estacionário como um representante da rotação de Marte. Os cientistas podem assim obter medições muito precisas da rotação do planeta, o que poderá ajudá-los a descobrir quão grande é o núcleo de Marte - e talvez até revelar outros detalhes importantes: uma grande descoberta será o estado do núcleo, se é sólido ou líquido.

Claro, não existem garantias do Spirit acordar da sua hibernação. O sol marciano estará o mais forte em Março, por isso se o rover não acordar até lá, o optimismo da equipa provavelmente desaparece. "Isto seria um mau sinal," salienta Arvidson.

Apesar de continuar corajosamente a percorrer a superfície de Marte, o Opportunity mostra sinais de idade avançada. O seu braço robótico tem uma articulação artrítica, embora as outras quatro ainda funcionem bem. E no Verão de 2008, a caixa de velocidades na roda dianteira direita sofreu um pico de corrente eléctrica, parecido àquele que antecedeu a avaria da roda do Spirit.

Embora o Opportunity não tenha ficado aleijado, os cientistas há mais de dois anos que conduzem o rover em marcha atrás, com o objectivo de melhor distribuir o desgaste dos mecanismos do rover. Mesmo assim, pese embora estes soluços, o rover continua a viajar, e a maioria dos seus instrumentos estão notavelmente em boas condições, tal como os do Spirit. "As nossas câmaras estão em excelente forma," afirma Callas. "Os rovers ainda têm visão perfeita."

Por isso, será que o Opportunity consegue chegar à Endeavour, neste ponto a 6 km de distância? Durante quanto tempo mais aguenta o rover a viagem pela superfície fria de Marte?

Ninguém sabe, concluem Callas e Arvidson. Mas o rover transformou uma missão de 90 dias numa maratona de sete anos, por isso é melhor não apostar contra ele - ou ignorar o Spirit. "Estes rovers ainda têm muito para dar", termina Callas.

Links:

Rovers marcianos da NASA:
NASA
Wikipedia

Rover Curiosity (MSL):
NASA
Wikipedia

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg 
Wikipedia
Google Mars

 
     
 
     
  Observando uma Terra eclipsada - Crédito: CNES  
  Foto  
  (clique na imagem para ver versão maior)  
     
 

Ora aqui está a Terra durante um eclipse solar. A sombra da Lua pode aqui ser vista a obscurecer parte do nosso planeta. Esta sombra moveu-se a quase 2000 km/h. Apenas os observadores perto do centro do círculo escuro conseguem ver um eclipse solar total - outros vêm um eclipse parcial em que apenas parte do Sol é bloqueado pela Lua. Esta espectacular fotografia do eclipse solar de 11 de Agosto de 1999 mostra um dos últimos observados a partir da estação espacial Mir. Pensa-se que os pontos brilhantes no céu perto do canto superior esquerdo sejam Júpiter e Saturno. A Mir saíu de órbita numa re-entrada controlada em 2001.

 


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