E-mail em HTML com imagens e propriedades CSS. Caso não o consiga visualizar correctamente, clique aqui.
Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
Página PrincipalRSS Sindicação RSSRemover da lista

ASTROBOLETIM N.º 734
De 18/03 a 21/03/2011
 
 
 

Dia 18/03: 77.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1781, Charles Messier redescobre o enxame globular M92.
Em 1965, Aleksei Leonov torna-se o primeiro homem a passear no espaço após sair durante 12 minutos no exterior da Voskhod 2.

Em 1980, um foguetão Vostok preparado para uma missão de reabastecimento explode na rampa de lançamento matando 50 pessoas.
Observações: Pelas 22 horas, procure Saturno para baixo e para a esquerda da Lua, e para baixo do planeta, Espiga a nascer. Bem para a esquerda brilha Arcturo, a "estrela da Primavera".

Dia 19/03: 78.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1915 era fotografado pela primeira vez Plutão, que no entanto não foi identificado como planeta.

Em 2008, GRB 080319B, uma explosão cósmica que se torna no objecto mais distante visível [brevemente] a olho nu.
Observações: Lua Cheia, pelas 18:10. Esta é a maior Lua Cheia de 2011.

Dia 20/03: 79.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1916, era publicada a Teoria da Relatividade Geral na sequência das lectures apresentadas à Academia Prussiana de Ciências a 25 de Novembro de 1915.
Em 1964 era criada a ESRO (European Space Research Organization) percursora da ESA (Agência Espacial Europeia).

Observações: Equinócio da Primavera, pelas 23:21. Marca o início da Primavera no Hemisfério Norte (Outono no Sul). É quando o Sol atravessa o equador dirigindo-se para Norte durante o ano. O Sol nasce e põe-se quase a Este e a Oeste, e o dia e a noite têm praticamente a mesma duração.

Dia 21/03: 80.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1901 é observada a primeira brilhante nova do século XX.

É também a primeira a ser estudada espectralmente e fotometricamente, atingindo uma magnitude de 0,2 a 23 de Fevereiro. O astrónomo amador T. D. Anderson foi o seu primeiro observador. Durante o declínio do brilho, mais ou menos 100 dias, este flutuou com um período de 4 dias e uma amplitude de magnitude e meia.
Em 1905, Albert Einstein publica a sua teoria sobre a relatividade especial.
Em 1965, a NASA lança a Ranger 9, a última numa série de sondas lunares não tripuladas.
Observações: Se tiver um telescópio com pelo menos 10" de abertura e um céu realmente escuro, já alguma vez observou as ténues galáxias visíveis para a direita do Enxame do Presépio em Caranguejo?

 
 
 
O núcleo do planeta Terra tem uma temperatura da ordem de grandeza da que se observa à superfície do Sol (cerca de 6000 K).
 
 
  A ILUSÃO DA SUPERLUA  
 

De certeza que já todos nós a vimos antes - uma Lua Cheia perto do horizonte. A nossa tendência é pensar: porque é que parece maior nestas alturas? Na realidade, não é; é apenas uma ilusão.

Se já ouviu falar da grande aproximação da Lua, a chamada "Superlua" no próximo dia 19 de Março e está preocupado(a) com os desastres que pode causar, escusa de se preocupar. E, certamente, quando esta chamada "Superlua" ocorrer dia 19 - a sua maior aproximação da Terra em duas décadas - as pessoas vão de certeza observar que parece muito maior que o normal. Mas não será assim tão grande. É uma ilusão, um truque óptico.

Ilusão - a Lua parece maior no horizonte quando está perto de objectos terrestres pois poder com eles ser comparada.
Crédito: Stefan Seip
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A Lua tem um efeito gravitacional na Terra, afectando as marés e a massa terrestre até certo ponto, mas a Lua de dia 19 não vai interagir com o nosso planeta de outro modo diferente do que noutras aproximações (também conhecidas como periélio).

Poderá provocar marés ligeiramente mais fortes, mas nada fora do comum.

A Lua gira em torno da Terra numa órbita elíptica, o que significa que não está sempre à mesma distância do nosso planeta. A menor distância a que se aproxima da Terra (periélio) é 364.000 km, e a maior (afélio) é cerca de 406.000 km (este números variam, e de facto nesta Lua Cheia de dia 19, estará um pouco mais perto, a 357.000 km).

Por isso a diferença percentual na distância entre o periélio médio e o afélio médio é cerca de 10%. Isto é, se a Lua Cheia ocorrer no periélio pode estar até 10% mais perto (e sendo assim maior) do que se ocorresse no afélio.

Esta diferença ainda é significativa, e por isso importa salientar que a Lua realmente aparenta ser de diferentes tamanhos em diferentes alturas do ano.

A Lua no periélio e no afélio.
Crédito: NASA, Projecto Galileu
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Mas não é isto que faz com que a Lua pareça gigante no horizonte. Uma diferença de 10% em tamanho não explica o facto de as pessoas descreverem a Lua como "gigante" quando a vêm baixa no horizonte.

O que realmente faz com que a Lua pareça gigante nestas ocasiões são os circuitos no nosso cérebro. É uma ilusão óptica, tão bem conhecida que até tem o seu próprio nome: a Ilusão da Lua.

Se medirmos o tamanho angular da Lua Cheia no céu, varia entre 36 minutos de arco (0,6 graus) no periélio, e 30 minutos de arco (0,5 graus) no afélio, mas esta diferença ocorre ao longo de um número de órbitas lunares (meses), não durante uma única noite. De facto, se medirmos o tamanho angular da Lua Cheia após nascer, quando está perto do horizonte, e novamente algumas horas depois quando estiver alta no céu, estes dois números são idênticos: não muda de tamanho.

Então porque é que o nosso cérebro pensa que sim? Não há nenhum consenso acerca deste tema, mas aqui ficam as duas explicações mais sensatas:

1. Quando a Lua está baixa no horizonte existem muitos objectos (montes, casas, árvores, etc.) com os quais pode comparar o seu tamanho. Quando está alta no céu, está isolada. Isto pode criar algo parecido à Ilusão de Ebbinghaus, onde objectos de tamanho idêntico parecem de tamanhos diferentes quando colocados em arredores diferentes.

Os dois círculos redondos são exactamente do mesmo tamanho; no entanto, o da esquerda parece mais pequeno.
Crédito: Wikipedia
(clique na imagem para ver versão maior)
 

2. Quando observada perto de objectos do pano da frente que sabemos estar longe de nós, o nosso cérebro pensa algo do género: "uau, a Lua está ainda mais longe do que aquelas árvores, e elas estão muito longe. E embora esteja muito distante, ainda parece muito grande. Isto só pode significar que a Lua é gigantesca!".

Estes dois factores combinam-se para enganar o nosso cérebro e "ver" uma Lua maior quando está próximo do horizonte em comparação quando está alta no céu, mesmo quando os nossos olhos - e os nossos instrumentos - a observam exactamente do mesmo tamanho.

Links:

Lua:
Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
Wikipedia

 
     
 
     
  AE Aurigae e a Nebulosa da Estrela Flamejante - Crédito: Rolf Geissinger  
  Foto  
  (clique na imagem para ver versão maior)  
     
 

AE Aurigae é a estrela brilhante para baixo e para a esquerda do centro neste retrato de IC 405, também conhecida como a Nebulosa da Estrela Flamejante. Embebida na nuvem cósmica, a quente estrela variável do tipo-O dá energia ao brilho do hidrogénio ao longo dos filamentos de gás atómico, a luz estelar azul espalhada pela poeira interestelar. Mas AE Aurigae não foi formada na nebulosa que ilumina. Ao estudar o movimento da estrela pelo espaço, os astrónomos concluíram que AE Aurigae nasceu provavelmente na Nebulosa de Orionte. Os encontros gravitacionais com outras estrelas expeliram-na da região, bem como outra estrela O, Mu Columbae, há mais de 2 milhões de anos. As estrelas desertoras afastaram-se em direcções opostas desde aí, separando-se a cerca de 200 km/s. Esta bonita e detalhada imagem de IC 405 cobre cerca de 5 anos-luz à distância estimada da nebulosa, 1500 anos-luz, na direcção da constelação de Cocheiro.

 


Centro Ciência Viva do Algarve
Arquivo de Astroboletins Observações Astronómicas Fórum de discussão CCVAlg.pt