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Edição n.º 764
01/07 a 04/07/2011
 
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EFEMÉRIDES

Dia 01/07: 182.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1770, o Cometa Lexell passa a uns meros 2,3 milhões de quilómetros da Terra, menos de 9 vezes a distância entre a Terra e a Lua.
Em 1917, o espelho de 2,5 m chega ao Monte Wilson.

O empresário John D. Hooker doou os fundos para o vidro, que foi o mesmo utilizado para as garrafas de vinho feito pela companhia de Saint Gobrain em França.
Em 2004, começa a inserção orbital da Cassini-Huygens em Saturno.
Observações: Um pequeno telescópio irá sempre mostrar a maior lua de Saturno, Titã, hoje e amanhã cerca quatro diâmetros anulares para Este do planeta. Estão a menos de 3 minutos de arco entre si. A brilhante estrela Porrima está cerca de 30 minutos de arco para Noroeste do planeta. E mais perto, mas para Nordeste de Saturno, está uma estrela amarelada de sexta magnitude.
Lua Nova, pelas 09:56.
Eclipse parcial do Sol, visível apenas da Antártica e partes oceânicas da região polar sul.

Dia 02/07: 183.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1967, o satélite de raios-gama Vela foi lançado com a intenção de detectar explosões de bombas nucleares, mas tornou-se famoso pela sua inesperada descoberta dos GRB's (explosões de raios-gama).
Em 1978, James Christy obtém uma fotografia de Plutão com uma forma distintamente alongada. Observações repetidas da forma e da sua variação foram provas suficientes para a descoberta do satélite de Plutão, Caronte.
Em 1985, era lançada a missão Giotto. O seu objectivo era passar pelo cometa Halley e enviar de volta as primeiras imagens do núcleo de um cometa.

O primeiro encontro ocorreu a 13 de Março de 1986, a uma distância de 596 km. A Giotto também estudou o Cometa P/Grigg-Skjellerup durante a sua missão.
Observações: A estrela mais brilhante a Este nestas noites é Vega. Para a sua esquerda e para baixo, temos Deneb. Mais para a direita encontra-se Altair. Estas três estrelas formam o Triângulo de Verão.

Dia 03/07: 184.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 2006, o asteróide denominado 2004 XP14 passa a 432.308 km da Terra.

Observações: Saturno encontra-se na quadratura Este, pelas 01:00.

Dia 04/07: 185.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1054 foi detectada pela primeira vez uma brilhante supernova registada pelos astrónomos chineses.

Deu origem ao resto de supernova que recebeu o nome de Nebulosa do Caranguejo e que é também conhecido por M1.
Em 1997, a sonda Pathfinder aterrava em Marte.
Em 2005, a Deep Impact colide com o cometa Tempel 1.
Em 2006, missão STS-121 do vaivém espacial Discovery.
Observações: Aproveite a noite para observar com um telescópio os enxames globulares de Hércules: M13 e M92.

 
CURIOSIDADES


Segundo o geofísico Benjamin Fong Chao, da NASA, as barragens construídas nas zonas temperadas do globo travam a velocidade de rotação da Terra em 0,2 milionésimos de segundo por dia.

 
ENCONTRADO O QUASAR MAIS DISTANTE
Impressão de artista do mais distante quasar.
Crédito: ESO/M. Kornmesser
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Uma equipa de astrónomos europeus utilizou o Very Large Telescope do ESO juntamente com outros telescópios para descobrir e estudar o quasar mais distante encontrado até à data. Este farol brilhante, cujo motor é um buraco negro com uma massa dois milhares de milhões de vezes maior que a do Sol, é sem dúvida o objecto mais brilhante descoberto no Universo primitivo. Os resultados deste estudo sairam ontem na revista Nature.

"Este quasar é uma importante sonda do Universo primitivo. É um objecto muito raro que nos ajudará a compreender como é que os buracos negros de massa extremamente elevada cresceram algumas centenas de milhões de anos depois do Big Bang," diz Stephen Warren, o líder da equipa.

Os quasars são galáxias muito distantes e brilhantes que se acredita serem alimentadas por buracos negros de grande massa situados no seu centro. O seu brilho torna-os poderosos faróis que nos podem ajudar a investigar a época do Universo em que se estavam a formar as primeiras estrelas e galáxias. O quasar recém descoberto encontra-se tão afastado que a sua radiação provém-nos da última fase da era da reonização.

Observamos o quasar, denominado ULAS J1120+0641, tal como era apenas 770 milhões de anos depois do Big Bang (desvio para o vermelho de 7,1). A sua radiação levou 12,9 mil milhões de anos a chegar até nós.

Embora objectos mais distantes tenham já sido observados, este quasar récem-descoberto é centenas de vezes mais brilhante. Entre os objectos suficientemente brilhantes para poderem ser estudados em detalhe, este é claramente o mais distante.

Esta imagem de ULAS J1120+0641, um quasar muito distante alimentado por um buraco negro com uma massa dois milhares de milhões de vezes a do Sol, foi criada a partir de imagens obtidas pelo SDSS e pelo UKIRT. O quasar é o ténue ponto vermelho perto do centro. Este é o quasar mais distante até agora descoberto, visto como era apenas 770 milhões de anos após o Big Bang.
Crédito: ESO/UKIDSS/SDSS
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O quasar mais distante depois deste observa-se tal como era 870 milhões de anos depois do Big Bang (desvio para o vermelho 6,4). Objectos similares mais longínquos não se conseguem observar em rastreios efectuados no visível, uma vez que a sua radiação, esticada devido à expansão do Universo, observa-se essencialmente na região infravermelha do espectro, na altura em que chega à Terra. O rastreio europeu profundo no infravermelho, UKIDSS (sigla do inglês European UKIRT Infrared Deep Sky Survey), que utiliza o telescópio infravermelho do Reino Unido, situado no Hawaii, foi concebido para resolver este problema. Uma equipa de astrónomos andaram à procura no seio da base de dados de milhões de objectos do UKIDSS no intuito de encontrarem aqueles que poderiam ser quasars distantes há muito procurados. Esta busca deu finalmente resultados.

"Demorámos cinco anos para encontrar este objecto," explica Bram Venemans, um dos autores deste trabalho. "Estávamos à procura de um quasar com um desvio para o vermelho maior que 6,5. Encontrar um que está tão longe, com um desvio para o vermelho maior que 7, foi uma surpresa fantástica. Este quasar possibilita-nos um olhar profundo à era da reionização, fornecendo-nos assim uma oportunidade para explorar uma janela de 100 milhões de anos na história do cosmos, janela essa que se encontrava anteriormente fora do nosso alcance."

A distância ao quasar foi determinada a partir de observações obtidas com o instrumento FORS2 montado no Very Large Telescope do ESO (VLT) e instrumentos montados no Telescópio Gemini Norte. Uma vez que este objecto é relativamente brilhante, é possível obter um espectro da radiação por ele emitida (o que corresponde a separar a radiação nas suas diversas componentes em função da cor). Esta técnica permitiu aos astrónomos obter muita informação sobre o quasar.

Estas observações mostraram que a massa do buraco negro no centro do ULAS J1120+0641 é cerca de dois mil milhões de vezes maior que a do Sol. Uma massa tão elevada é difícil de explicar numa época tão primitiva do Universo. As teorias correntes para o crescimento de buracos negros de massa extremamente elevada predizem um aumento lento da massa à medida que o objecto compacto atrai matéria do seu meio circundante.

"Pensamos que existem em todo o céu apenas cerca de 100 quasars brilhantes com desvio para o vermelho maior que 7," conclui Daniel Mortlock, o autor principal do artigo científico. "Para encontrar este objecto foi necessária uma busca muito minuciosa e demorada, no entanto valeu bem a pena o esforço, já que agora poderemos compreender melhor alguns dos mistérios do Universo primitivo."

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Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
Artigo científico (formato PDF)
Nature (requer subscrição)
Astronomy
PHYSORG.com
SPACE.com
Science 2.0
Scientific American
COSMOS
Science News
BBC News
UPI.com
Associated Press
Wired

Universo:
Universo (Wikipedia)
Idade do Universo (Wikipedia)
Estrutura a grande-escala do Universo (Wikipedia)
Big Bang (Wikipedia)
Cronologia do Big Bang (Wikipedia)

ESO:
Página oficial
Wikipedia

VLT:
Página oficial
Wikipedia

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  Um espectáculo de formação estelar em Orionte (via JPL/NASA)
Tal como um par de óculos que apenas uma estrela de rock usaria, esta nebulosa traz a lume uma região de formação estelar. O telescópio espacial Spitzer da NASA expõe as profundezas desta nebulosa poeirenta com a sua visão infravermelha, mostrando bebés estelares perdidos por trás de nuvens escuras quando observadas no visível. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Abell 2744: O Enxame Galáctico de Pandora
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: NASAESA, J. Merten (ITAAOB), e D. Coe (STScI)
 
Porque é que este enxame de galáxias é tão confuso? Longe de ser uma distribuição suave, Abell 2744 não só tem nós de galáxias, como emite gás quente em raios-X (os tons avermelhados) que parece estar distribuído de maneira diferente da matéria escura. A matéria escura, que constitui cerca de 75% da massa do enxame, e que está na imagem em tons azuis, foi inferida para criar a distorção das galáxias de fundo através de lentes gravitacionais. A confusão parece resultar das colisões lentas de pelo menos quatro enxames galácticos mais pequenos ao longo dos últimos milhares de milhões de anos. A fotografia combina imagens ópticas obtidas pelo Telescópio Espacial Hubble e pelo VLT, com imagens em raios-X obtidas pelo Observatório Chandra. Abell 2744, apelidado de enxame de Pandora, prolonga-se por mais de 2 milhões de anos-luz e pode ser observado com um grande telescópio na direcção da constelação de Escultor.
 

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