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Edição n.º 775
09/08 a 11/08/2011
 
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EFEMÉRIDES

Dia 09/08: 221.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1973 era lançada a sonda soviética Mars 7. A 6 de Março de 1974 o orbiter/lander falha a entrada na órbita de Marte. A órbita torna-se assim solar. 

Observações: A Lua encontra-se entre Sagitário e Escorpião esta noite.

Dia 10/08: 222.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1945, morria Robert Goddard, um homem de visão que propôs que se enviasse foguetões à Lua já nos anos 20.

Em 1966 era lançado o Lunar Orbiter 1, missão de estudo para a série Apollo
Em 1990, a sonda Magalhães chega a Vénus
Em 1999 os Sistemas de Ciência Espacial Malin anunciam a confirmação que descreve o nosso vizinho Marte como um local de mudanças meteorológicas e geológicas ao longo do tempo. Um planeta activo é mais provável de conter vida.
Em 2000, uma equipa liderada por astrónomos da Universidade de Columbia descobrem o mais jovem pulsar, nascido de uma explosão há cerca de 700 anos atrás. Situado no lado oposto da Via Láctea, possui características invulgares que podem forçar os cientistas a reconsiderar como os pulsares são criados e evoluem. 
Observações: A brilhante Vega alcança o seu zénite por volta das 23 horas. Quando isso acontece, significa que o Bule de Chá de Sagitário está na sua posição mais alta a Sul.

Dia 11/08: 223.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1999 teve lugar o último eclipse solar total do século XX

Observações: Olhe para oeste após o anoitecer esta semana em busca do brilhante Arcturo, brilhando a cerca de metade da distância entre o horizonte o zénite. Vire para a direita e olhe para noroeste à mesma altura para encontrar a Ursa Maior. As duas estrelas da parte da frente da "frigideira" aponta para a Estrela Polar. E ainda mais para nordeste, encontra-se Cassiopeia à mesma altura que a Ursa.

 
CURIOSIDADES


Última contagem de planetas extrasolares: 573 planetas.

 
BLOCOS DE CONSTRUÇÃO DO ADN DESCOBERTOS EM METEORITOS

Investigadores anunciaram que a existência de componentes do ADN foi confirmada em meteoritos extraterrestres. Uma equipa diferente de cientistas também descobriu um número de moléculas ligadas com um antigo processo biológico e vital, o que dá peso à ideia de que as mais antigas formas de vida na Terra possam ter sido desenvolvidas a partir de materiais trazidos para a Terra a partir do espaço.

Pesquisa passada revelou um conjunto de blocos de construção da vida em meteoritos, tais como aminoácidos, que constituem as proteínas. As rochas espaciais deste género poderão ter sido uma fonte vital dos compostos orgânicos que deram origem à vida na Terra. Os investigadores também já descobriram nucleobases, ingredientes-chave do ADN, em meteoritos. No entanto, tem sido muito difícil provar que estas moléculas não são a contaminação de fontes terrestres.

"Ao longo últimos 50 anos, temos descoberto nucleobases em meteoritos, e tem-se tentado descobrir se têm origem biológica ou não," afirma Jim Cleaves, co-autor do estudo, químico do Instituto Carnegie em Washington. Para ajudar a confirmar se as nucleobases vistas em meteoritos são de origem extraterrestre, os cientistas usaram as mais recentes técnicas científicas de análise em amostras de uma dúzia de meteoritos - 11 meteoritos ricos em material orgânico chamados condritos carbonáceos, e um ureilite, um tipo muito raro de meteorito com uma composição química diferente. Esta foi a primeira vez que todos menos dois destes meteoritos foram analisados em busca de nucleobases.

Os meteoritos contêm uma grande variedade de nucleobases, um dos blocos de construção do DNA.
Crédito: Centro Aeroespacial Goddard da NASA/Chris Smith
(clique na imagem para ver versão maior)
 

As técnicas analíticas estudaram a massa e outras características das moléculas para identificar a presença de nucleobases extraterrestres e para discernir se aparentemente não tinham uma fonte terrestre. Dois dos condritos carbonáceos continham adenina e guanina, uma rede diversa de nucleobases e compostos estruturalmente similares conhecidos como análogos de nucleobases. Curiosamente, três destes análogos de nucleobases, purina, 6,8-diaminopurina e 2,6-diaminopurina, são muito raros na biologia da terra, e não foram encontrados em amostras de solo e gelo obtidas das áreas onde os meteoritos foram recolhidos nos limites de partes-por-milhar-de-milhão das suas técnicas de detecção.

"A descoberta de compostos de nucleobases atípicos à bioquímica da Terra suporta fortemente uma origem extraterrestre," afirma Cleaves. "No início deste projecto, parecia que as nucleobases nestes meteoritos eram o resultado de contaminação terrestre - estes resultados foram uma grande surpresa para mim," afirma Michael Callahan, autor principal do estudo, químico analítico e astrobiólogo do Centro Aeroespacial Goddard da NASA.

As experiências laboratoriais mostraram que as reacções químicas da amónia e do cianeto, compostos comuns no espaço, podiam gerar nucleobases e análogos de nucleobases muito semelhantes às encontradas nos condritos carbonáceos. No entanto, as abundâncias relativas destas moléculas entre as experiências e os meteoritos eram diferentes, o que poderá ser devido às influências químicas e termais do espaço.Estes achados revelam que os meteoritos poderão ter sido ferramentas moleculares, providenciando os blocos de construção para a vida na Terra, afirma Cleaves.

"Tudo isto tem implicações na origem da vida na Terra e potencialmente em todo o Universo," afirma Callahan. "Será que estes blocos de construção da vida foram transferidos para outros locais onde poderiam ser úteis? Será que outros tipos de blocos de construção podem ser usados para construir outras coisas?"

Num diferente estudo, os investigadores descobriram moléculas que constituem partes fundamentais de um percurso biológico vital, o ciclo do ácido cítrico ou Ciclo de Krebs, num número de condritos carbonáceos. Pensa-se que o Ciclo de Krebs "esteja entre os processos biológicos mais antigos," afirma o co-autor do estudo George Cooper, químico do Centro de Pesquisa Ames da NASA. "Uma função deste ciclo é a respiração, quando os organismos libertam dióxido de carbono."

"É sempre excitante descobrir compostos orgânicos extraterrestres e com 4,6 mil milhões de anos, que possam ter desempenhado um papel fulcral na origem da vida," afirma Cooper. Cleaves, Cooper e seus colegas publicaram os seus estudos na edição online de 8 de Agosto da revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Instituto Carnegie (comunicado de imprensa)
SPACE.com
ScienceDaily
PHYSORG.com
AFP
UPI

Panspermia:
Wikipedia

 
SUPER-TERRAS: A NOVA CLASSE DE CORPOS PLANETÁRIOS

É do nosso conhecimento geral do Sistema Solar que os planetas encontram-se em duas categorias: gigantes gasosos como Júpiter, Saturno, Neptuno e Úrano... e corpos rochosos que suportam algum tipo de atmosfera como a Terra, Marte e Vénus. No entanto, à medida que nos afastamos no espaço começamos a perceber que o Sistema Solar é único porque não tem uma estrutura planetária que assenta no meio. Mas lá por não termos uma, não quer dizer que não exista. De facto, os astrónomos já descobriram mais de 30 e chamam a esta nova de classe planetas "super-Terras".

"As super-Terras, uma classe de corpos planetários com massas que variam entre as várias massas terrestres até ligeiramente mais pequenos que Úrano, recentemente obtiveram um lugar especial na ciência exoplanetária," afirma Nader Haghighipour do Instituto de Astronomia e do Instituto de Astrobiologia da NASA, na Universidade do Hawaii. "Sendo maiores que um típico planeta terrestre, as super-Terras podem ter características físicas e dinâmicas similares às da Terra, e ao contrário dos planetas terrestres, são relativamente fáceis de detectar.

A existência de uma super-Terra na vizinhança abre a avenida para a habitabilidade. Planetas deste género têm um núcleo dinâmico e são capazes de manter uma atmosfera. Quando combinados com a sua localização dentro da zona habitável de uma estrela, levantam a probabilidade de vida noutros planetas.

"É importante notar que a noção de habitabilidade é definida com base na vida como a conhecemos. Dado que a Terra é o único planeta habitado conhecido, as características orbitais e físicas da Terra são usadas para definir um planeta habitável," afirma Haghighipour. "Por outras palavras, a habitabilidade é característica de um ambiente com propriedades semelhantes àquelas da Terra, e a capacidade de desenvolver e suster vida tipo-Terra."

Mas ser uma super-Terra significa muito mais. Para um planeta ser qualificado como tal, precisa preencher três requisitos: a sua composição, a manifestação de placas tectónicas e a presença de um campo magnético. Para o primeiro, a presença de água líquida tem alta prioridade. Em ordem a determinar esta possibilidade, os valores da sua massa e raio têm que ser conhecidos. Até à data, duas super-Terras para os quais estes valores foram determinados - CoRoT-7b e GJ 1214b - deram-nos modelos numéricos fascinantes para melhor ajudar a compreender a sua composição. As placas tectónicas também desempenham um papel através da evolução geofísica - tal como a presença de um campo magnético é considerado essencial para a habitabilidade.

Ilustração do tamanho inferido da super-Terra CoRoT-7b (centro), em comparação com a Terra e com Neptuno.
Crédito: Aldaron
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Se e como os campos magnéticos são desenvolvidos em torno das super-Terras é um tópico de pesquisa activa," nota Haghighipour. "No geral, para um campo magnético existir em torno de um planeta tipo-Terra, é preciso existir um dínamo no núcleo do planeta."

Por último, mas não menos importante, vem a atmosfera - a "presença de uma atmosfera tem efeitos profundos na sua capacidade de desenvolver e manter vida." A partir das suas propriedades químicas podemos derivar as "possíveis bioassinaturas do planeta", bem como os químicos que a formaram. Uma atmosfera significa ambiente e tudo isto leva à zona habitável e a gravidade suficiente para impedir com que as moléculas atmosféricas escapem. De acordo com Haghighipour, "não seria irrealista assumir que as super-Terras contêm invólucros gasosos. Em torno de estrelas de baixa-massa, algumas destas super-Terras atmosféricas podem até ter órbitas estáveis nas zonas habitáveis."

Já detectámos alguma super-Terra? Sim... e já estudámos até a sua assinatura espectral. "A recém-descoberta super-Terra GL 581g, com a sua possível circulação atmosférica na zona habitável da estrela, pode de facto ser um destes planetas," afirma Haghighipour. "Mas são precisos telescópios mais avançados para identificar as bioassinaturas destes corpos e as características físicas e composicionais das suas atmosferas."

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Mais leitura:
Artigo científico (formato PDF)

Super-Terra:
Wikipedia

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Faixas escuras e sazonais em Marte
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: HiRISEMROLPL (U. Arizona)NASA
 
O que provoca estas faixas escuras em Marte? A hipótese principal é água líquida -- mas que rapidamente se evapora. As faixas, visíveis em castanho escuro perto do centro da imagem, aparecem na Primavera e no Verão em Marte, mas desaparecem nos meses de Inverno, apenas para reaparecer no próximo Verão. Estas não são as primeiras marcas em Marte interpretadas como sinais dos efeitos de água líquida, mas são as primeiras a acrescentar a pista de dependência sazonal. A foto acima, obtida em Maio, combina digitalmente várias imagens obtidas pela câmara HiRISE a bordo da MRO (Mars Reconnaissance Orbiter). A imagem realça as cores e mostra uma encosta dentro da cratera Newton na região média sul de Marte. As faixas salientam evidências da existência da água mesmo por baixo da superfície marciana em vários locais, e por isso alimenta a especulação de que Marte possa conter algum tipo de vida dependente da água. As sondas robóticas em órbita de Marte, tais como a MRO, Mars Express e a Mars Odyssey, vão continuar a estudar a situação e possivelmente confirmar -- ou refutar -- a excitante hipótese de água líquida em Marte.
 

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