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Edição n.º 792
07/10 a 10/10/2011
 
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EFEMÉRIDES

Dia 07/10: 280.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1885, nascia Niels Bohr, físico que fez contribuições fundamentais na compreensão da estrutura atómica e da mecânica quântica, pela qual ganhou o prémio Nobel da Física.

Em 1959 o sistema televisivo a bordo da Luna 3 obtém uma série de 29 fotografias ao longo de 40 minutos, cobrindo 70% da superfície da Lua.
Observações: Olhe para Este esta noite, para a esquerda da Lua, em busca do Grande Quadrado de Pégaso.

Dia 08/10: 281.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1656 nascia Edmond Halley (no calendário juliano corresponde a 29 de Outubro).

Halley era um cientista inglês que usou a sua teoria das órbitas cometárias para calcular que o cometa de 1682 (Cometa Halley) era periódico e encorajou Isaac Newton a publicar a sua famosa obra de cálculo, gravidade, e das leis da gravidade. Também descobriu em 1718 que algumas das estrelas "fixas" (Sirius, AldebarãBetelgeuse e Arcturo) na realidade tinham o que se chama de "movimento próprio", o que significa que não estão estacionárias ("fixas"). Pensava-se que as estrelas estavam fixas no céu desde a compilação da obra "Almagest" de Ptolomeu.
Em 1984, lançamento da missão STS-51A, voo inaugural do Vaivém Discovery.

Observações: A chuva de meteoros Dracónidas poderão proporcionar um intenso espectáculo de actividade para os observadores europeus durante as primeiras horas da noite. O radiante da chuva encontra-se perto da cabeça de Dragão, mas os próprios meteoros podem aparecer em qualquer zona do céu. Infelizmente, a Lua pode ofuscar a maioria deles.

Dia 09/10: 282.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1604 ocorre a supernova 1604, a supernova mais recente observada na Via Láctea.

Em 2009, primeiro impacto lunar das naves Centauro e LCROSS, como parte do Programa Robótico Lunar da NASA.
Observações: Aviste Arcturo, a estrela mais brilhante da constelação do Boieiro, baixa a Oeste-Noroeste à medida que anoitece. Para a sua direita, a Norte-Noroeste, está a Ursa Maior.

Dia 10/10: 283.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1967 entra em acção o Tratado Espacial, assinado a 27 de Janeiro por mais de sessenta nações.

Observações: A Nebulosa do Anel (M57), é um dos objectos de Messier mais bonitos. Encontra-se na constelação de Lira, ainda bastante alta para boa observação.

 
CURIOSIDADES

Saul Perlmutter, Adam Riess e Brian Schmidt partilham o Prémio Nobel da Física 2011 pela descoberta que a expansão do Universo está em aceleração, através das observações de distantes supernovas.

 
OBSERVATÓRIO ESPACIAL PROVIDENCIA PISTAS ACERCA DA CRIAÇÃO DOS OCEANOS DA TERRA

Astrónomos descobriram uma nova fonte cósmica para o mesmo tipo de água que apareceu na Terra há milhares de milhões de anos atrás e criou os oceanos. Os achados podem ajudar a explicar como a superfície da Terra veio a ficar coberta de água.

Novas medições do Observatório Espacial Herschel mostram que o cometa Hartley 2, que originou da distante Cintura de Kuiper, contém água com a mesma assinatura química que os oceanos da Terra. Esta região remota do Sistema Solar, entre 30 a 50 vezes a distância entre a Terra e o Sol, é o lar de corpos gelados e rochosos como Plutão, outros planetas-anões e inúmeros cometas.

"Os nossos resultados com o Herschel sugerem que os cometas podem ter desempenhado um papel principal ao trazer vastas quantidades de água para a Terra primitiva," afirma Dariusz Lis, investigador do Instituto de Tecnologia da Califórnia em Pasadena, EUA, e co-autor de um novo artigo publicado na edição online de dia 5 de Outubro da revista Nature. "Esta descoberta aumenta substancialmente o reservatório de água tipo-oceano da Terra no Sistema Solar para incluir corpos gelados que originaram da Cintura de Kuiper."

Novas medições do Observatório Espacial Herschel descobriram água com a mesma assinatura química que os nossos oceanos num cometa chamado Hartley 2 (à direita).
Crédito: NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Os cientistas teorizam que a Terra começou quente e seca, por isso a água, tão crítica para a vida, deve ter sido transportada ao longo de milhões de anos por asteróides e impactos de cometas. Até agora, nenhum dos cometas anteriormente estudados continha água como a da Terra. No entanto, as observações do Hartley 2 pelo Herschel, o primeiro olhar detalhado sobre a água num cometa originário da Cintura de Kuiper, pinta uma imagem bem diferente.

O Herschel observou a cabeleira do cometa, a sua fina atmosfera gasosa. A cabeleira desenvolve-se à medida que os materiais gelados dentro do cometa começam a vaporizar-se enquanto este se aproxima do Sol. Este invólucro brilhante rodeia o núcleo "bola de neve suja" do cometa e prolonga-se para trás do objecto formando a característica cauda.

O Herschel detectou a assinatura de vapor de água nesta cabeleira e, para grande surpresa dos cientistas, o Hartley 2 possuía mais 50% de "água pesada" do que os outros cometas analisados até à data. Na água pesada, um dos dois átomos de hidrogénio é substituído pelo isótopo de hidrogénio conhecido como deutério. O rácio entre a água pesada e a leve, ou normal, no Hartley 2, é o mesmo que a água cá na Terra. A quantidade de água pesada num cometa está relacionada com o ambiente onde este se formou.

Ao seguir o percurso do Hartley 2 à medida que passa pela vizinhança da Terra no Sistema Solar interior a cada seis anos e meio, os astrónomos sabem que veio da Cintura de Kuiper. Os cinco cometas, além do Hartley 2, cujos rácios água pesada para água normal foram obtidos, vêm todos de uma região ainda mais distante do Sistema Solar denominada Nuvem de Oort. Este enxame de corpos, 10.000 vezes mais longínquo que a Cintura de Kuiper, é a fonte da maioria dos cometas conhecidos.

Usando o Observatório Espacial Herschel, os astrónomos descobriram que o cometa Hartley 2 possui um rácio de "água pesada" para leve, ou normal, que coincide com dos oceanos da Terra.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
(clique na iamgem para ver versão maior)
 

Dado o maior rácio de água pesada observado nos cometas da Nuvem de Oort em comparação com os oceanos da Terra, os astrónomos concluíram que a contribuição pelos cometas para o volume total de água na Terra situa-se aproximadamente nos 10%. Os asteróides, que encontram-se na sua maioria numa banda entre Marte e Júpiter mas que ocasionalmente passam perto da Terra, parecem ser os maiores depositantes. Os novos resultados, no entanto, salientam que os cometas da Cintura de Kuiper desempenharam um serviço até agora subapreciado no que toca ao transporte de água para a Terra.

Como estes objectos vieram a possuir esta tantalizante água oceânica é ainda um mistério. Os astrónomos esperavam que os cometas da Cintura de Kuiper tivessem ainda mais água pesada que os cometas da Nuvem de Oort porque pensa-se que estes últimos se tenham formado mais perto do Sol do que aqueles na Nuvem de Oort. Por isso, os corpos da Nuvem de Oort deveriam ter menos água pesada gelada no seu interior antes da sua expulsão para os recantos do Sistema Solar durante a sua evolução.

"O nosso estudo indica que o nosso conhecimento da distribuição de elementos mais leves e dos seus isótopos, bem como a dinâmica do Sistema Solar primitivo, está incompleto," afirma o co-autor Geoffrey Blake, professor de ciências planetárias e de química em Caltech. "No início do Sistema Solar, os cometas e asteróides deverão ter estado por todo o lado, e parece que alguns deles colidiram com o nosso planeta e fizeram os oceanos."

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Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
ESA (comunicado de imprensa)
Nature (requer subscrição)
Nature
BBC News
Universe Today
Space Daily
COSMOS
Discovery News
Spaceref
io9
UPI.com
Scientific American
National Geographic

Cometa Hartley 2:
Wikipedia

Observatório Espacial Herschel:
ESA (ciência e tecnologia)
ESA (centro científico)
ESA (página de operações)
NASA
Caltech
Wikipedia

 
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ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - M82: Galáxia com Supervento
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Dietmar HagerTorsten Grossmann
 
Também conhecida como Galáxia do Charuto devido à sua aparência visual, M82 é uma galáxia com um supervento. De facto, graças a explosões de supernovas e aos poderosos ventos oriundos de estrelas massivas, a formação estelar em M82 alimenta o fluxo avassalador de material. As evidências para o supervento das regiões centrais da galáxia são claras nesta composição, com base em dados de pequenos telescópios terrestres. A composição salienta emissão dos filamentos de hidrogénio atómico gasoso em tons avermelhados. Os filamentos prolongam-se por mais de 10.000 anos-luz. Algum deste gás no supervento, enriquecido por elementos pesados criados em estrelas massivas, irá eventualmente escapar para o espaço intergaláctico. Despoletado por encontros próximos com a vizinha e gigante galáxia M81, a intensa formação estelar em M82 deverá durar aproximadamente mais 100 milhões de anos. M82 está a 12 milhões de anos-luz de distância, perto da fronteira norte da constelação da Ursa Maior.
 

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