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Edição n.º 795
18/10 a 20/10/2011
 
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EFEMÉRIDES

Dia 18/10: 291.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 320, Pappus de Alexandria, um filósofo grego, observa um eclipse do Sol e escreve um comentário sobre o Almagest.
Em 1959, a sonda soviética Luna 3 envia as primeiras fotos do outro lado da Lua.
Em 1967, a sonda soviética Venera 4 entra na atmosfera de Vénus e torna-se na primeira a medir a atmosfera de outro planeta.

Em 1989, a sonda Galileu era lançada a partir da missão STS-34
Observações: Júpiter brilha a Este à noite. Capella é um pouco menos brilhante a Nordeste, um pouco mais baixa. Estes são os dois objectos mais brilhantes do lado Este do céu. Agora encontre o ponto médio entre eles. Um pouco para baixo estão as Plêiades.

Dia 19/10: 292.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1900, Max Planckentrega uma nova teoria quântica a Berliner Physikalische Gesellschaft.

A sua teoria revoluciona a ciência. 
Em 1983, a Academia Real Sueca atribui o prémio Nobel da Física ao professor Subrahmanyan Chandrasekhar da Universidade de Chicago, EUA, pelos seus estudos teóricos dos processos físicos da estrutura e evolução das estrelas. O Professor William A. Fowler, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, por outro lado, recebe também o prémio pelos seus estudos teóricos e experimentais das reacções nucleares da importância da formação dos elementos químicos no Universo.
Observações: Alguma vez observou h e chi Persei? Com os nomes de catálogo de NGC 869 e NGC 884 respectivamente, são dois pequenos enxames abertos da constelação de Perseu, que se encontram perto um do outro e que podem ser observados através com binóculos num céu escuro. Este mapa da constelação de Perseu pode ajudar a descobrir a posição do enxame duplo.

Dia 20/10: 293.º dia do calendário gregoriano.
Observações: Lua em Quarto Minguante, pelas 04:32.

 
CURIOSIDADES


Um grupo de estrelas referido como as "Sete Irmãs" (M45 ou Plêiades), é na realidade um conjunto de mais de 1000 membros confirmados estatisticamente (excluíndo binários não visíveis). Até 14 conseguem ser avistadas a olho nu, dependendo das condições do local de observação.

 
ENIGMA DOS NEUTRINOS SUPERLUMINAIS RESOLVIDO PELA RELATIVIDADE ESPECIAL

Passou-se quase um mês desde a extraordinária notícia que neutrinos que viajavam entre a França e a Itália foram medidos com uma velocidade superior à da luz. A experiência, conhecida como OPERA, descobriu que partículas produzidas no CERN, perto de Genebra, chegavam ao Laboratório Gran Sasso em Itália cerca de 60 nanosegundos mais cedo do que a velocidade da luz permite.

O resultado espalhou-se como um tsunami, criando uma onda de agitação por toda a comunidade da Física. Desde aí, foram publicados mais de 80 artigos no site arXiv que tentavam desacreditar ou explicar o efeito. É justo dizer, no entanto, que o consenso geral é que a equipa da experiência OPERA deve ter negligenciado qualquer coisa.

A semana passada, Ronald van Elburg da Universidade de Groningen, nos Países Baixos, escreveu um argumento convincente onde explica o erro. Primeiro, um resumo da experiência, que tem um conceito simples: é uma medição de distância e tempo. A distância é elementar. A localização da produção de neutrinos no CERN é relativamente fácil de medir usando GPS. A posição do Laboratório Gran Sasso é mais difícil de determinar pois situa-se por baixo de uma montanha com um quilómetro de altura. No entanto, a equipa da OPERA diz que determinou a distância de 730 km com um erro de 20 cm.

O movimento relativista dos relógios a bordo dos satélites GPS explicam exactamente o efeito superluminal, afirma cientista.
Crédito: arXiv
 

A duração da viagem dos neutrinos é que é complicada de medir. A equipa diz que consegue medir com precisão o instante em que os neutrinos são criados e o instante em que são detectados usando relógios em ambos os locais.

A parte complicada é manter ambos os relógios exactamente sincronizados. A equipa fá-lo usando satélites GPS, que emitem um sinal horário imensamente preciso a partir de órbita, a cerca de 20.000 km da Terra. Isto introduz um número de complicações extra que a equipa tem que ter em conta, tal como o tempo de viagem dos sinais GPS para o chão.

Mas van Elburg diz que existe um efeito que a equipa da OPERA parece ter-se esquecido: o movimento relativista dos relógios dos satélites GPS.

É fácil pensar que o movimento dos satélites é irrelevante. Afinal de contas, as ondas de rádio que transportam o sinal horário viajam à velocidade da luz, independentemente da velocidade dos satélites.

Mas existe uma subtileza adicional. Embora a velocidade da luz não dependa do quadro de referência, a duração da viagem sim. Neste caso, existem dois quadros de referência: a experiência na Terra e os relógios em órbita. Se estes se movem relativamente um ao outro, então este movimento tem que ser tido em conta.

Qual é então o movimento dos satélites em relação à experiência OPERA? Estes satélites orbitam de Oeste para Este num plano inclinado a 55º do equador. Significativamente, estão quase em linha com a direcção da viagem dos neutrinos. O seu movimento relativo é então fácil de calcular.

Então, do ponto de vista do relógio a bordo de um satélite GPS, as posições da fonte de neutrinos e do detector estão a mudar. "Da perspectiva do relógio, o detector move-se para a frente da fonte e consequentemente a distância viajada pelas partículas, a partir do ponto de vista do relógio, é mais pequena," afirma van Elburg. Com isto quer ele dizer que mais pequena é a distância medida no quadro de referência no chão. A equipa da OPERA não tem em conta este pormenor porque assume que os relógios estão no chão e não em órbita.

Quão grande é este efeito? Van Elburg calcula que deve fazer com que os neutrinos cheguem 32 nanosegundos mais cedo. Mas este valor tem que ser duplicado porque os mesmos erros ocorrem em cada ponta da experiência. Por isso a correcção total é 64 nanosegundos, quase o valor observado pela equipa da experiência OPERA.

Isto é impressionante mas não arrumemos imediatamente o problema. É essencial mais análise por outras equipas como parte do processo científico e este argumento tem que ter força perante o escrutínio da comunidade global e em particular pela equipa da OPERA.

Se se aguentar, este episódio estará carregado com ironia. Longe de quebrar a teoria da relatividade de Einstein, esta medição superluminal será ainda mais outra confirmação da mesma.

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
23/09/2011 - Experiência no CERN proporciona resultado desconcertante

Notícias relacionadas:
Artigo científico (formato PDF)
Universe Today
Technology Review
PHYSORG.com
Wired
Discover Magazine

OPERA:
Página oficial
Wikipedia

CERN:
Página oficial
Wikipedia

Velocidade da luz:
Wikipedia

Neutrinos:
Wikipedia

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - MACS 1206: Uma Lente Gravitacional
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: NASAESAM. Postman (STScI), e Equipa CLASH
 
É difícil esconder uma galáxia por trás de um enxame de galáxias. A gravidade do enxame mais próximo age como uma grande lente, puxando imagens da distante galáxia pelos lados, ao mesmo tempo que as distorce. Este é o caso observado na imagem acima, recentemente anunciada, do estudo CLASH com o Telescópio Espacial Hubble. O enxame MACS J1206.2-0847 é composto por muitas galáxias e age como lente para mostrar uma galáxia de fundo, amarelo-avermelhada, como o grande arco à direita. Uma inspecção mais detalhada da imagem revela pelo menos outras galáxias de fundo -- muitas aparecendo como feixes elongados. O enxame à frente só pode criar estes arcos se a maioria da sua massa for matéria escura distribuída uniformemente -- e por isso se não estiver concentrada nas galáxias visíveis do enxame. Ao analisar as posições destes arcos gravitacionais, os astrónomos conseguem estimar a distribuição da matéria escura nos enxames galácticos, e inferir daí a data da formação destes grandes aglomerados.
 

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