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Edição n.º 799
01/11 a 03/11/2011
 
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EFEMÉRIDES

Dia 01/11: 305.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1962, as comunicações com a sonda soviética Mars 1 falham.
Em 1963, é inaugurado oficialmente o Observatório de Arecibo em Porto Rico, o maior radiotelescópio já construído.

Em 1977, Charles Kowal descobre Chiron, o primeiro de uma população de pequenos objectos gelados, conhecida como a Nuvem de Oort e a Cintura de Kuiper, que reside no Sistema Solar exterior. 
Observações: Olhe para Oeste depois do anoitecer e bem alto para Vega, a estrela mais brilhante aí. Ainda mais para cima, perto do zénite, está Deneb. Para a esquerda de Vega e um pouco mais baixo está Altair. Estas três estrelas formam o famoso Triângulo de Verão.

Dia 02/11: 306.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1885, nascimento de Harlow Shapley, pioneiro americano na determinação da distância das estrelasenxames e do centro da Via Láctea

Corajosamente e correctamente afirmava que os enxames globulares se encontravam à volta da Galáxia, e que esta era muito maior do que inicialmente se pensava, centrada a milhares de anos-luz na direcção de Sagitário. Foi director do Observatório de Harvard durante muitos anos.
Em 1917, inauguração do telescópio de 100 polegadas do Monte Wilson.
Em 2000, chegava à ISS a primeira tripulação residente, a bordo da Soyuz TM-31.
Observações: Lua em Quarto Crescente, pelas 16:38. A lua semi-iluminada encontra-se alta a Sul ao pôr-do-Sol. À medida que as estrelas aparecem, a Lua revela-se por cima da ténue constelação de Capricórnio.

Dia 03/11: 307.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1679 ocorre o pânico generalizado na Europa com a aproximação de um grande cometa.
Em 1957, primeira forma de vida e morte terrestre no espaço: a cadela Laika é lançada a bordo do soviético Sputnik 2 e morre depois de uma semana em órbita.

Em 1973 era lançada a Mariner 10. Chegou a Vénus a 5 de Fevereiro de 1974, maior aproximação a 5700 km. Devolveu imagens do topo das nuvens venusianas. 
Observações: Olhe para baixo e um pouco para a esquerda da Lua esta noite, a cerca de dois ou três punhos cerrados à distância de um braço esticado, e encontrará Fomalhaut, a Estrela de Outono.

 
CURIOSIDADES


Em 1994 S. Van Dyk descobriu uma supernova em NGC 3370, designada SN 1994ae. É do tipo Ia, uma das mais próximas e melhor observadas desde o advento dos detectores digitais.

 
TRÊS NOVOS PLANETAS E UM OBJECTO MISTERIOSO DESCOBERTOS PARA LÁ DO NOSSO SISTEMA SOLAR

Três planetas -- cada orbitando a sua própria estrela gigante moribunda -- foram descobertos por uma equipa internacional de cientistas. Usando o Telescópio Hobby-Eberly, astrónomos observaram as estrelas dos planetas -- HD 240237, BD +48 738, e HD 96127 -- a dezenas de anos-luz do nosso próprio Sistema Solar. De acordo com o líder da equipa, Alex Wolszczan, da Universidade Estatal da Pennsylvania, EUA, uma das estrelas tem um outro objecto misterioso em órbita. A nova pesquisa fornece mais dados sobre a evolução de sistemas planetários em torno de estrelas à porta da morte. Também ajuda os astrónomos a melhor compreender como o conteúdo metálico influencia o comportamento das mesmas. A pesquisa será publicada na edição de Dezembro da revista Astrophysical Journal.

Os três recém-descobertos sistemas planetários são mais evoluídos que o nosso próprio Sistema Solar. "Cada das três estrelas está a inchar e já se tornaram em gigantes vermelhas -- uma estrela moribunda que em breve irá engolir qualquer planeta que orbite demasiado perto," afirma Wolszczan. "Embora possamos esperar um destino similar em relação ao nosso Sol, que eventualmente se tornará numa gigante vermelha e possivelmente irá consumir a Terra, não temos de nos preocupar durante mais cinco mil milhões de anos." Wolszczan também afirma que uma das estrelas -- BD +48 738 -- está acompanhada não só por um planeta do tamanho de Júpiter, mas também por um segundo objecto misterioso. De acordo com a equipa, este objecto pode ser outro planeta, uma estrela de baixa-massa, ou -- mais interessante -- uma anã castanha, que é um corpo estelar intermédio em massa entre as estrelas mais frias e os planetas gigantes. "Vamos continuar a observar este objecto estranho e, daqui a alguns anos, esperamos ser capazes de revelar a sua identidade," acrescenta Wolszczan.

Um planeta prestes a ser consumido pela sua estrela gigante moribunda.
Crédito: Mark Garlik/HELAS
 

As três estrelas e os seus planetas têm sido particularmente úteis para a equipa de pesquisa porque ajudaram a iluminar mistérios actuais de como as estrelas moribundas se comportam dependendo do seu conteúdo metálico. "Primeiro, sabemos que estrelas gigantes como HD 240237, BD +48 738 e HD 96127 são especialmente barulhentas. Isto é, parecem nervosas, porque oscilam muito mais do que o nosso bem mais jovem Sol. Esta oscilação perturba o processo de observação, o que torna muito complicada a descoberta de planetas em órbita," afirma Wolszczan. "No entanto, com perseverança eventualmente fomos capazes de avistar os planetas em órbita de cada estrela."

Assim que Wolszczan e sua equipa confirmaram que HD 240237, BD +48 738 e HD 96127 tinham realmente planetas, mediram o conteúdo metálico das estrelas e descobriram algumas correlações interessantes. "Descobrimos uma correlação negativa entre a metalicidade da estrela e a sua oscilação. Ao que parece, quanto menor conteúdo metálico, mais nervosa e oscilante é," explica Wolszczan. "O nosso próprio Sol também vibra ligeiramente, mas dado que é muito mais jovem, a sua atmosfera é muito menos turbulenta."

Wolszczan também realça que, à medida que as estrelas começam a inchar devido à fase de gigante vermelha, as órbitas planetárias alteram-se e até podem intersectar-se, e os planetas e luas mais próximos são eventualmente engolidos pela estrela. Por esta razão, é possível que HD 240237, BD +48 738 e HD 96127 tenham tido mais planetas em órbita, que entretanto tenham sido consumidos. "É interessante notar que, destas três estrelas, nenhuma tem um planeta a uma distância menor que 0,6 UA -- isto é, 0,6 vezes a distância entre a Terra e o Sol," afirma Wolszczan.

As observações de estrelas moribundas, do seu conteúdo metálico, e de como afectam os planetas em órbita, podem fornecer pistas acerca do destino do nosso próprio Sistema Solar. "Claro, daqui a cerca de 5 mil milhões de anos, o nosso Sol torna-se numa gigante vermelha e provavelmente engole os planetas e luas mais interiores. No entanto, se cá ainda estivermos, digamos, daqui a mil ou três mil milhões de anos, podemos viver na lua de Júpiter, Europa, durante os milhares de milhões de anos que restam," salienta Wolszczan. "Europa é um deserto gelado e não é nada habitável hoje em dia, mas à medida que o Sol continua a aquecer e a crescer, a Terra ficará demasiado quente, enquanto à mesma altura, Europa começa a derreter e poderá passar um bom par de milhar de milhões de anos na zona habitável -- não muito quente, não muito frio, coberta por vastos e lindos oceanos."

Links:

Notícias relacionadas:
Universidade Estatal da Pennsylvania (comunicado de imprensa)
Universe Today
PHYSORG.com
UPI.com

Planetas extrasolares:
Wikipedia
Wikipedia (lista)
Wikipedia (lista de extremos)
Catálogo de planetas extrasolares vizinhos (PDF)
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares
Exosolar.net

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Galáxia Espiral NGC 3370
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: NASAESAHubble Heritage (STScI/AURA); A. Reiss et al. (JHU)
 
Semelhante em tamanho e aparência à nossa própria Via Láctea (embora sem a barra central), a galáxia espiral NGC 3370 situa-se a cerca de 100 milhões de anos-luz de distância na direcção da constelação de Leão. Registada aqui em espectacular detalhe pela câmara ACS do Telescópio Espacial Hubble, esta enorme e esplêndida espiral não é só fotogénica, como também detalhada o suficiente para estudar estrelas individuais conhecidas como Cefeidas. Estas estrelas pulsantes têm sido usadas para determinar a distância de NGC 3370. NGC 3370 foi escolhida para este estudo em 1994 porque a galáxia espiral é também o lar de uma explosão estelar bem conhecida -- uma supernova do Tipo Ia. A combinação da distância conhecida a esta supernova, com base nas medições das cefeidas e em observações de supernovas a distâncias aindas maiores, tem ajudado a revelar o tamanho e velocidade de expansão do próprio Universo.
 

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