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Edição n.º 803
15/11 a 17/11/2011
 
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EFEMÉRIDES

Dia 15/11: 319.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1738, nascia William Herschel.

Foi o primeiro astrónomo a fazer observações sistemáticas do espaço para além do nosso Sistema Solar. Descobriu Urano (1781), o movimento do Sol na Via Láctea (1785), a companheira do binário de Castor (1804, e de acordo com as leis de Kepler), e a radiação infravermelha. Herschel também descobriu muitos enxames, nebulosas e galáxias enquanto observava o céu nocturno e compilou catálogos cujos dados básicos são ainda hoje utilizados.
Em 1966, a Gemini 12 regressa à Terra caindo no Atlântico em segurança.
Em 1988, a União Soviética lança o seu primeiro e último vaivém espacial, o Buran.
Em 1990, o Space Shuttle Atlantis é lançado na missão STS-38
Observações: As duas estrelas mais brilhantes do céu de Novembro são Vega e Oeste-Noroeste e Capella a Nordeste. Entre as 20 e as 21 horas hoje, dependendo da sua localização, irão estar praticamente à mesma altura. Quão precisamente consegue observar este evento? Bem-vindo(a) à astronomia medieval.

Dia 16/11: 320.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1852, o astrónomo inglês John Russell Hind descobre o asteróide 22 Kalliope.
Em 1965, lançamento da sonda soviética Venera 3, cujo objectivo era estudar a atmosfera de Vénus. As comunicações falharam mesmo antes da entrada na atmosfera. Colidiu com Vénus.
Em 1973, a NASA lança o Skylab 4 com uma tripulação de 3 astronautas, numa missão com a duração de 84 dias.

Em 1974, a nova superfície do rádio-telescópio gigante de 1000 pés em Arecibo, Porto Rico, dedica-se ao envio de uma breve mensagem na direcção do enxame globular M13.
Observações: Todos os atlas celestes mostram o enxame aberto M39 em Cisne, que está alto a Oeste por estas noites. Mas e o "dedo da escuridão" vizinho, a longa nebulosa escura Barnard 168? Em céus pristinos, é possível observá-la com binóculos 10x30 sobre um tripé. Está a apenas 3º Este de M39, e corre de Este para Oeste.

Dia 17/11: 321.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1970, a Luna 17 torna-se no primeiro veículo com rodas a aterrar na Lua

Observações: A partir das 21:40 é possível observar telescopicamente a Grande Mancha Vermelha em Júpiter.

 
CURIOSIDADES


Última contagem de planetas extrasolares descobertos: 698.

 
LUTÉCIA: UM SOBREVIVENTE RARO DA ALTURA DO NASCIMENTO DA TERRA

Novas observações indicam que o asteróide Lutécia é um fragmento que restou da matéria original que formou a Terra, Vénus e Mercúrio. Os astrónomos combinaram dados da sonda espacial Rosetta da ESA, do New Technology Telescope do ESO e de telescópios da NASA e descobriram que as propriedades do asteróide são muito similares às de um tipo raro de meteoritos encontrados na Terra e que se pensa terem sido formados nas regiões interiores do Sistema Solar. Lutécia deslocou-se provavelmente no passado para a sua órbita actual, situada na principal cintura de asteróides entre Marte e Júpiter.

Uma equipa de astrónomos de universidades francesas e norte-americanas estudou o invulgar asteróide Lutécia detalhadamente num grande intervalo de comprimentos de onda, com o intuito de determinar a sua composição. Foram combinados dados oriundos da câmara OSIRIS situada a bordo da sonda espacial da ESA Rosetta, do New Technology Telescope (NTT) do ESO instalado no Observatório de La Silla no Chile e do Infrared Telescope Facility no Hawaii e Spitzer Space Telescope, ambos da NASA. Com todos estes dados foi possível obter o espectro mais completo alguma vez construído para um asteróide.

O espectro foi seguidamente comparado com o de meteoritos encontrados na Terra e que têm sido estudados extensivamente em laboratório. Apenas um tipo de meteorito - condritos enstatite, também conhecidos como condritos do tipo E - apresenta propriedades semelhantes a Lutécia em todos os comprimentos de onda estudados.

Imagem do estranho asteróide Lutécia obtida pela sonda Rosetta.
Crédito: Equipa OSIRIS da ESA/UPD/LAM/IAA/RSSD/INTA/UPM/DASP/IDA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Os condritos enstatite são conhecidos por conterem material que data dos primórdios do Sistema Solar. Pensa-se que se tenham formado perto do jovem Sol e que tenham constituído o principal material de construção dos planetas rochosos, em particular da Terra, Vénus, e Mercúrio. Lutécia parece ter tido origem, não na cintura de asteróides onde hoje se encontra, mas muito mais próximo do Sol.

"Como é que Lutécia terá escapado do Sistema Solar interior e chegado à cintura de asteróides?", pergunta Pierre Vernazza (ESO), o autor principal do artigo científico que descreve este resultado.

Os astrónomos estimaram que, dos corpos situados na região onde a Terra se formou, apenas menos de 2% chegaram à cintura de asteróides principal. A maioria dos corpos desapareceu depois de alguns milhões de anos, incorporados nos jovens planetas em formação. No entanto, alguns do maiores, com diâmetros de cerca de 100 quilómetros ou mais, foram lançados para órbitas mais seguras, mais longe do Sol.

Lutécia, que tem uma dimensão de cerca de 100 quilómetros, pode ter sido ejectado para fora das regiões interiores do Sistema Solar se passou próximo de um dos planetas rochosos, capazes de alterar drasticamente a sua órbita. Um encontro com o jovem Júpiter durante a sua migração para a actual órbita, pode justificar igualmente a grande variação de órbita de Lutécia.

"Pensamos que Lutécia sofreu uma tal ejecção. Acabou por se tornar num dos objectos da cintura de asteróides e aí se tem mantido preservado desde há quatro mil milhões de anos," continua Pierre Vernazza.

Estudos anteriores das propriedades da cor e superfície deste asteróide mostraram que Lutécia é um membro da cintura de asteróides bastante invulgar e misterioso. Rastreios anteriores mostraram que objectos deste tipo são muito raros, representando menos de 1% da população de asteróides da cintura principal. Os novos resultados explicam porque é que Lutécia é diferente - é um sobrevivente muito raro do material original que formou os planetas rochosos.

"Lutécia parece ser um dos maiores, e dos poucos, restos de tal material na cintura de asteróides. Por esta razão, asteróides como Lutécia são alvos ideais para missões futuras de recolha de amostras. Deste modo poderíamos estudar detalhadamente a origem dos planetas rochosos, incluindo a Terra," conclui Pierre Vernazza.

Links:

Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
Artigo científico (formato PDF)
Universe Today
Astronomy Now Online
SPACE.com
PHYSORG.com
AFP

Asteróide Lutécia:
Wikipedia

Sonda Rosetta:
ESA (comunicado de imprensa)
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - A Nebulosa da Borboleta vista pelo Hubble
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: NASAESA, e Equipa Hubble SM4
 
Poucas borboletas têm asas tão grandes. Os brilhantes enxames e nebulosas do céu nocturno do planeta Terra têm por vezes o nome de flores ou insectos, e NGC 6302 não é excepção. Com uma temperatura estimada de aproximadamente 250.000 graus centígrados, a estrela central desta nebulosa planetária em particular é excepcionalmente quente -- brilhando no ultravioleta mas escondida das observações ópticas por densas nuvens de poeira. Esta dramática ampliação da nebulosa da estrela moribunda foi registada pelo Telescópio Espacial Hubble após ter sido reparado e actualizado em 2009. Esculpindo uma brilhante cavidade de gás ionizado, o invólucro gasoso que rodeia a estrela central está perto do centro na imagem, quase de lado da perspectiva da Terra. Foi detectado hidrogénio molecular no manto cósmico e poeirento da estrela quente. NGC 6302 situa-se a cerca de 4000 anos-luz de distância na direcção da constelação de Escorpião.
 

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