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Edição n.º 808
02/12 a 05/12/2011
 
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EFEMÉRIDES

Dia 02/12: 336.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1993, lançamento da missão STS-61 do vaivém Endeavour, a primeira missão de manutenção do Hubble.

Observações: Lua em Quarto Crescente, pelas 09:52.
Marte em Quadratura Oeste, pelas 12:37. Isto significa que está a 90º do Sol no céu ao amanhecer.

Dia 03/12: 337.º dia do calendário gregoriano.
História:  Em 1904, Charles Dillon Perrine descobre a lua joviana Himalia.
Em 1958, o JPL era transferido do controlo do exército americano para o controlo da NASA.
Em 1971, a sonda soviética Mars 3 torna-se na primeira a aterrar com sucesso em Marte
Em 1973, a Pioneer 10 enviava para a Terra as primeiras imagens de Júpiter.

Em 1974, voo rasante da sonda Pioneer 11 por Júpiter
Em 1999, a NASA perdia o contacto com a Mars Polar Lander, minutos antes da entrada na atmosfera de Marte.
Observações: Com o aproximar do Inverno, Orionte sobe para boa observação a Este-Sudeste por volta das 20-21 horas. No seu meio, as três estrelas da Cintura de Orionte estão quase na vertical - como é sempre o caso quando Orionte se situa nesta parte do céu (visto de latitudes médias norte).

Dia 04/12: 338.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1965, lançamento da missão Gemini 7.

Frank Borman e James A. Lovell Jr.completam um voo de 14 dias, ao todo 220 órbitas. A missão tinha dois objectivos: estudar os efeitos a longo-prazo do voo espacial e fazer o "rendezvous" com a Gemini 6
Em 1978, a sonda americana Pioneer/Venus torna-se na primeira a orbitar Vénus.
Em 1996, é lançada a Mars Pathfinder.
Em 1998, é lançado o módulo Unity, o segundo módulo da Estação Espacial Internacional.
Observações: Mercúrio em conjunção inferior, pelas 08:49.

Dia 05/12: 339.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1990, a primeira fotografia (galáxia NGC 1232 em Erídano) tirada com o telescópio Keck é publicada no Los Angeles Times.

Em 2001, é lançada a missão Expedition 4, rumo à ISS
Observações: A partir das 01:55 da noite de 5 para 6 de Dezembro, é possível observar telescopicamente a sombra de Io passar pela atmosfera de Júpiter.

 
CURIOSIDADES


No passado mês de Junho, a distância das sondas Voyager até ao meio interestelar foi recalculada, e agora acredita-se que seja muito menor. A NASA espera que a Voyager 1 entre no espaço interestelar no próximo ano. A Voyager 2 ainda terá que esperar mais algum tempo.

 
SONDAS VOYAGER DETECTAM RADIAÇÃO LYMAN-ALPHA DA VIA LÁCTEA

As sondas gémeas Voyager estão tão longe do Sol que conseguem observar um tipo de radiação oriunda da Via Láctea que nós cá na Terra não conseguimos. As observações podem agir como uma espécie de Pedra de Rosetta para compreender a formação estelar em galáxias mais distantes e antigas.

As sondas veteranas, que foram lançadas em 1977 e que lentamente se aproximam do limite exterior do Sistema Solar, detectaram pela primeira vez um comprimento de onda particular apelidada de linha Lyman-Alpha oriunda da nossa Galáxia.

Ilustração de artista da sonda Voyager 1.
Crédito: NASA/JPL
 

Esta radiação é útil porque é um traço de formação estelar noutras galáxias. As estrelas jovens e quentes expelem os seus arredores com fotões altamente energéticos, quebrando os electrões dos átomos de hidrogénio. Esses átomos eventualmente encontram outro electrão e absorvem-nos para se tornarem completos novamente. Quando o fazem, emitem dois géneros de fotões: H-alpha e Lyman-alpha.

Os fotões H-alpha, que se encontram na parte visível do espectro electromagnético, tendem a viajar desimpedidos pelo gás interestelar. Mas os fotões Lyman-alpha, que se encontram na radiação mais curta do ultravioleta, tendem a ser absorvidos pelo gás e reemitidos mais tarde.

As complicadas histórias e trajectórias dos fotões Lyman-alpha tornam os fotões H-alpha sinais mais simples e tantalizantes de formação estelar - para as estrelas que estão a distâncias menores que aproximadamente 8 mil milhões de anos-luz. Se os fotões H-alpha têm que percorrer uma distância maior, a expansão do Universo estica-os demasiado para os nossos telescópios serem capazes de os detectar. Isto significa que não conseguimos aprender mais sobre a formação estelar no início do Universo ao estudar os fotões H-alpha que chegam até nós.

A linha Lyman-alpha tem já por si só um menor comprimento de onda, e o ser esticada durante vastas distâncias faz com que se desloque para a região visível e facilmente detectável do espectro. "O único modo de observar as galáxias primordiais e de estudar as primeiras estrelas que se formaram no Universo é observar a radiação Lyman-alpha," afirma Rosine Lallement do Observatório de Paris, França.

Mas mesmo embora consigamos ver esta linha Lyman-alpha no visível, oriunda de galáxias no Universo distante, não conseguimos ver a versão "não esticada" na nossa. Isto é porque o Sol liberta vastas quantidades de radiação Lyman-alpha no ultravioleta, por sua vez espalhadas pelo gás no Sistema Solar. A luz de outras fontes Lyman-alpha na Via Láctea encontra-se ainda no ultravioleta quando chega até nós, e perde-se no brilho da libertação energética do Sol, tal como a chama de uma vela ao pé de um holofote.

Agora, Lallement e seus colegas confirmaram que as sondas Voyager conseguiram ver para lá desta neblina, ou seja, regiões de formação estelar na Galáxia. "Ainda vemos a radiação [do Sol], e é a radiação dominante que medimos," afirma. "Mas começámos a ver, sobrepostas, as pequenas fontes galácticas que estão muito mais distantes, as fontes dos braços espirais e das regiões de formação estelar no disco da Via Láctea."

A emissão apareceu quando os astrónomos começaram a pesquisar o céu usando os espectrógrafos ultravioleta nas sondas em 1993, quando a Voyager 1 estava a cerca de 40 UA do Sol (1 UA, ou Unidade Astronómica, é a distância da Terra ao Sol).

Lallement e colegas analisaram 10 anos de dados obtidos pela Voyager 1 e cinco anos de dados obtidos pela Voyager 2. Descobriram que os picos nas emissões Lyman-alpha coincidiam com emissões H-alpha previamente observadas oriundas de regiões de formação estelar na Via Láctea.

Dado que a emissão Lyman-alpha é apenas visível em galáxias muito distantes, e apenas a emissão H-alpha tinha sido detectada na Via Láctea, a detecção das duas na nossa Galáxia permitirá aos astrónomos melhor interpretar a formação estelar noutras galáxias, afirma Lallement.

"Na Via Láctea, sabemos exactamente onde estão as novas estrelas, o seu movimento, sabemos tudo o que precisamos de saber para testar com exactidão os modelos de propagação," acrescenta. "Como sabemos tudo em detalhe, é agora possível testar estes modelos."

Jeffrey Linsky da Universidade do Colorado em Boulder, EUA, diz que o achado é um bónus. "A missão principal das Voyager era estudar os planetas exteriores e os seus ambientes," escreve num comentário acerca do estudo. "Quem teria imaginado estes novos feitos das sondas mais de 20 anos depois?"

Para conservar energia, os sistemas das Voyager que pesquisavam os céus por sinais Lyman-alpha foram desligados há alguns anos. "É irónico que a energia nas Voyager continua a diminuir com o tempo, ao mesmo tempo que a radiação Lyman-alpha oriunda da Via Láctea continua a crescer," afirma Linsky.

Mas Lallement diz que não se importa. A 119 e 97 UA do Sol, a Voyager 1 e 2 estão no limite da região do espaço dominada pelo Sol e pelo seu campo magnético. O desligar dos espectrógrafos ultravioletas permite com que as sondas continuem a enviar dados para a Terra até pelo menos 2020.

"Pela primeira vez, vamos realmente conseguir informação tal como se estivéssemos a viajar no espaço interestelar," conclui Lallement. "Não me posso queixar disso."

Links:

Notícias relacionadas:
Artigo científico - Science (requer subscrição)
SPACE.com
New Scientist
Nature
Discovery News
POPSCI
National Geographic

Sondas Voyager:
Página oficial (NASA)
Heavens Above
Wikipedia

Linha Lyman-alpha:
Wikipedia

Emissão H-alpha:
Wikipedia

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Lua Jovem Junta-se a Estrela da Tarde
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Benjamim Ribeiro
 
Aparecendo agora como a estrela da tarde do planeta Terra, o brilhante planeta Vénus brilha nos céus a Oeste ao lusco-fusco. Por cima de um horizonte montanhoso e com um pôr-do-Sol pintado cores quentes, o marco celeste teve a companhia de uma jovem Lua de apenas 35 horas de idade no Sábado passado. Um íntimo par, como este de Vénus e Lua, é conhecido como conjunção. Não visível na imagem, o fugaz planeta Mercúrio saíu dos céus nocturnos, caíndo cada vez mais para o brilho do pôr-do-Sol, para baixo da jovem Lua Crescente. Esta cena foi capturada num passeio pedestre no Parque Nacional da Peneda-Gerês.
 

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