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Edição n.º 814
23/12 a 26/12/2011
 
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O NÚCLEO DE ASTRONOMIA DO CCVALG DESEJA A TODOS UM FELIZ NATAL!
 
EFEMÉRIDES

Dia 23/12: 357.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1672, Giovanni Cassini descobre a lua de Saturno, Reia

Observações:Vega, a "estrela do Verão", ainda brilha a Noroeste ao início da noite. Para cima e para a esquerda de Vega, encontra-se a cruz da constelação de Cisne.
Maior elongação Oeste de Mercúrio, pelas 08:43.

Dia 24/12: 358.º dia do calendário gregoriano.
História: A tripulação da Apollo 8 entra em órbita da Lua e tornam-se os primeiros humanos a fazê-lo.

Orbitam o nosso satélite natural 10 vezes e enviam de volta imagens televisivas, programa este que se tornou num dos mais vistos na História.
Em 1979, lançamento do primeiro Ariane
Observações: Lua Nova, pelas 18:06.
A estrela de Natal, Sirius, a mais brilhante do céu nocturno, nasce por volta das 20 horas. A cintura de Orionte aponta quase na direcção de Sirius, mostrando para onde olhar. Quando Sirius está baixo regularmente pisca em cores vívidas, um efeito que um par de binóculos facilmente revela de modo especial.

Dia 25/12: 359.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1642, nascia Isaac Newton (de acordo com o calendário juliano).

Em 1968, a Apollo 8 faz primeira manobra TEI (Trans Earth Injection), enviando a tripulação e a nave de volta à Terra desde órbita lunar.
Em 2003, a infeliz Beagle 2, libertada da sonda Mars Express no dia 19 de Dezembro, desaparece pouco antes da sua prevista aterragem. 
Em 2004, a Cassini liberta a sonda Huygens, que aterra em Titã a 14 de Janeiro do ano seguinte. 
Observações: Na última parte do Império Romano, o dia 25 de Dezembro assinalava o nascimento do Sol inconquistável - celebrando a sobrevivência do Sol a seguir a um escuro solstício com a promessa de luz e calor na Primavera e Verão vindouros. Esta temporada festiva, com o seu simbolismo, foi eventualmente substituída pelo Natal cristão no século IV.

Dia 26/12: 360.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1972, a Apollo 17, a última missão lunar tripulada regressava à Terra.
Em 1973, o cometa Kohoutek atingia o periélio. 

No mesmo dia a Soyuz 13 voltava à Terra.
Em 1974 era lançada a Salyut 4.
Observações: Note cuidadosamente o ponto do pôr-do-Sol no seu horizonte, de dia para dia. Consegue discernir que já começou a sua viagem para Norte?

 
CURIOSIDADES


A Grande Nuvem de Magalhães e a Pequena Nuvem de Magalhães devem o seu nome ao facto de terem sido descobertas pelo português Fernão de Magalhães na sua viagem de circumnavegação.

 
KEPLER DESCOBRE PRIMEIROS PLANETAS DO TAMANHO DA TERRA PARA LÁ DO SISTEMA SOLAR

A missão Kepler da NASA descobriu os primeiros planetas do tamanho da Terra em órbita de uma estrela tipo-Sol. Os planetas, apelidados de Kepler-20e e Kepler-20f, estão demasiado perto da sua estrela para estarem na chamada zona habitável, onde a água líquida pode existir à superfície, mas são os planetas extrasolares mais pequenos já confirmados em torno de uma estrela como o nosso Sol.

Esta descoberta é um marco importante da pesquisa definitiva por planetas como a Terra. Pensa-se que os novos planetas sejam rochosos. Kepler-20e é um pouco mais pequeno que Vénus, medindo 0,87 vezes o raio da Terra. Kepler-20f é um pouco maior que a Terra, com 1,03 vezes o seu raio. Ambos os planetas residem num sistema estelar com cinco planetas denominado Kepler-20, a aproximadamente 1000 anos-luz de distância na direcção da constelação de Lira.

Kepler-20e orbita a sua estrela a cada 6,1 dias e Kepler-20f a cada 19,6 dias. Estes curtos períodos orbitais significam que são mundos muito quentes e inóspitos. Kepler-20f, com uma temperatura de mais de 400º C, é semelhante a um dia normal em Mercúrio. A temperatura à superfície de Kepler-20e, com mais de 760º C, é quente o suficiente para derreter vidro.

 
 

"O objectivo principal da missão Kepler é encontrar planetas do tamanho da Terra na zona habitável do sistema," afirma François Fressin do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica em Cambridge, no estado americano do Massachusetts, autor principal de um novo estudo publicado na revista Nature. "Esta descoberta demonstra pela primeira vez que planetas com o tamanho da Terra existem em torno de outras estrelas, e que conseguimos detectá-los."

O sistema Kepler-20 inclui outros três planetas que são maiores que a Terra mas mais pequenos que Neptuno. Kepler-20b, o planeta mais interior, Kepler-20c, o terceiro planeta, e Kepler-20d, o quinto, orbitam a estrela a cada 3,7, 10,9 e 77,6 dias, respectivamente. Todos os cinco planetas têm órbitas que se situam aproximadamente dentro da órbita de Mercúrio no nosso Sistema Solar. A estrela-mãe pertence à mesma classe tipo-G que o nosso Sol, embora seja ligeiramente mais pequena e fria.

O sistema tem um arranjo inesperado. No nosso Sistema Solar, os pequenos mundos rochosos orbitam perto do Sol e os gigantes gasosos orbitam mais para longe. Em comparação, os planetas de Kepler-20 estão organizados em tamanhos alternantes: grande, pequeno, grande, pequeno e grande.

"Os dados do Kepler mostram-nos que alguns sistemas planetários têm arranjos planetários muito diferentes do que vemos no nosso Sistema Solar," afirma Jack Lissauer, cientista planetário e membro da equipa científica do Kepler, no Centro de Pesquisa Ames da NASA em Moffett Field, Califórnia. "A análise dos dados do Kepler continua a revelar novos dados acerca da diversidade de planetas e sistemas planetários dentro da nossa Galáxia."

Os cientistas não sabem com certeza como é que o sistema evoluiu mas não pensam que se tenham formado nas suas posições actuais. Teorizam que os planetas se formaram mais longe da sua estrela e depois migraram para o interior, provavelmente devido a interacções com o disco de material a partir do qual originaram. Isto fez com que os planetas mantivessem a sua distância entre si apesar dos seus tamanhos alternantes.

O telescópio espacial Kepler detecta planetas e candidatos a planeta ao medir diminuições no brilho de mais de 150.000 estrelas quando estes passam em frente, ou transitam, as suas estrelas-mãe. A equipa científica do Kepler necessita de pelo menos três trânsitos para verificar um sinal como um planeta.

A equipa científica do Kepler usa telescópios terrestres e o Telescópio Espacial Spitzer para analisar observações de candidatos a planetas que descobre. O campo estelar que o Kepler observa, nas constelações de Cisne e Lira, pode apenas ser observado com telescópios terrestres entre a Primavera e o início do Outono. Os dados destas observações ajudam a determinar quais os candidatos que podem ser validados como planetas.

Para validar Kepler-20e e Kepler-20f, os astrónomos usaram um programa informático chamado Blender, que corre simulações para ajudar a excluir outros fenómenos astrofísicos que podem mascarar-se como planetas.

No passado dia 5 de Dezembro a equipa anunciou a descoberta de Kepler-22b na zona habitável da sua estrela-mãe. É provavelmente demasiado grande para ter uma superfície rochosa. Embora Kepler-20e e Kepler-20f tenham o tamanho da Terra, estão demasiado perto da estrela para terem água líquida à superfície.

"No jogo cósmico do esconde-esconde, descobrir planetas com o tamanho ideal e a temperatura ideal, é apenas uma questão de tempo," afirma Natalie Batalha, vice-líder científica da equipa do Kepler e professora de astronomia e física da Universidade Estatal de San Jose, Califórnia. "Estamos ansiosos pelas próximas descobertas do Kepler."

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
SPACE.com
Sky & Telescope
COSMOS
Nature
PHYSORG.com
New Scientist
Universe Today
Discover
Discovery News
The Planetary Society
National GeographicD
Scientific American
Wired
Público
Jornal Digital
SIC Notícias
RTP
Rádio Renascença
Diário de Notícias

Kepler-20:
Wikipedia

Planetas extrasolares:
Wikipedia
Wikipedia (lista)
Wikipedia (lista de extremos)
Catálogo de planetas extrasolares vizinhos (PDF)
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares
Exosolar.net

Telescópio Espacial Kepler:
NASA (página oficial)
Arquivo de dados do Kepler
Wikipedia

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Um Anel de Einstein "Ferradura-de-cavalo" do Hubble
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: ESA/Hubble e NASA
 
Qual é a coisa, qual é ela, que consegue rodear uma galáxia inteira? Uma miragem de uma lente gravitacional. Na imagem, a gravidade de uma luminosa galáxia vermelha (LRG) distorce gravitacionalmente a luz de uma galáxia azul muito mais distante. Tipicamente, tais resultados de distorção resultam em duas imagens discerníveis da galáxia distante, mas aqui o alinhamento da lente é tão preciso que a galáxia de fundo é distorcida para uma forma de ferradura de cavalo -- um anel quase completo. Desde que tal efeito foi previsto com algum detalhe por Albert Einsteinmais de 70 anos, anéis como este são agora conhecidos como Anéis de Einstein. Embora LRG 3-757 tenha sido descoberto em 2007 em dados do SDSS (Sloan Digital Sky Survey), a imagem é uma observação posterior efectuada com a câmara WFC3 do Telescópio Espacial Hubble. As fortes lentes gravitacionais como LRG 3-757 são bem mais do que algo estranho e impercetível -- as suas propriedades múltiplas permitem aos astrónomos determinar a massa e a quantidade de matéria escura da galáxia que age como lente no pano da frente.
 

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