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Edição n.º 825
31/01 a 02/02/2012
 
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EFEMÉRIDES

Dia 31/01: 31.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1862, Alvan Graham Clark Jr. descobre a ténue companheira de Sirius, de nome Sirius B, durante testes de um refractor de 18 polegadas que estava a ser construído para o Observatório Dearborn pelo seu pai, irmão, e por ele próprio. Friedrich Bessel propôs a existência de uma companheira invisível em 1844.
Em 1958, era lançado o Explorer I, o primeiro satélite artificial americano.

Transmitiu dados sobre micrometeoritos e radiação cósmica durante 105 dias. A missão resultou na descoberta das cinturas de radiação Van Allen por James Van Allen.
Em 1961, era lançada a Mercury-Redstone 2 - com o chimpanzé Ham a bordo. Foi o primeiro hominídeo no espaço.
Em 1966, lançamento da soviética Luna 9. Realizou a primeira aterragem com sucesso noutro corpo planetário.
Em 1971, lançamento da Apollo 14, a terceira aterragem tripulada na Lua.
Em 1996, era descoberto o cometa Hyakutake pelo astrónomo amador japonês, Yuji Hiakutake.
Observações: Lua em Quarto Crescente, pelas 04:10.
Júpiter encontra-se para baixo e para a direita da Lua esta noite. Continue esta linha feita pelos dois astros, e muito para baixo encontrará Vénus.
O primeiro asteróide perto da Terra descoberto foi 433 Eros em 1898. Está actualmente a fazer a sua maior aproximação pela Terra desde 1975, brilhando a magnitude 8,6. Ficará com este brilho durante as próximas duas semanas. Encontre-o em Sextante, para Sul de Leão, usando este mapa celeste.

Dia 01/02: 32.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1999, voo rasante n.º 19 da sonda Galileu por Europa.
Em 2003, o vaivém espacial Columbia desintegra-se durante a sua reentrada na atmosfera terrestre, matando os sete astronautas a bordo: Rick D. Husband, William C. McCool, Michael P. Anderson, Ilan Ramon, Kalpana Chawla, David M. Brown e Laurel Clark. 

Observações: A Lua brilha entre as Plêiades de Aldebarã.
A partir das 22:15 e até que desapareça para trás do horizonte, é possível observar telescopicamente a sombra de Ganimedes passar pela atmosfera de Júpiter.

Dia 02/02: 33.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1964, a sonda norte-americana Ranger 4chegava à Lua. 
Montagem da Ranger 4 (Crédito: NASA)
Observações: Agora que é Fevereiro, Orionte situa-se bem alto ao início da noite. Esta noite encontra-se para baixo e para a esquerda da Lua. O canto superior esquerdo desta constelação é constituído pela fogosa estrela Betelgeuse. Bem para baixo de Betelgeuse encontra-se Sirius, ainda mais brilhante. Betelgeuse e Sirius formam o Triângulo Equilátero de Inverno, juntamente com Procyon para a sua esquerda.

 
CURIOSIDADES


Os amadores e estudantes podem usar as medições da posição do asteróide Eros para (re)calcular o comprimento da Unidade Astronómica. Veja aqui.

 
AS GALÁXIAS DE MAIOR MASSA QUE EXISTEM ACTUALMENTE TIVERAM VIDAS MUITO ACTIVAS NO PASSADO

Utilizando o telescópio APEX, uma equipa de astrónomos descobriu a melhor relação encontrada até hoje entre os mais intensos episódios de formação estelar no Universo primordial e as galáxias de maior massa que se observam actualmente. As galáxias, em pleno crescimento devido a fortes episódios de formação estelar no Universo primitivo, viram o nascimento de novas estrelas parar abruptamente, deixando-as como galáxias de elevada massa - mas passivas - com estrelas a envelhecer no Universo actual. Os astrónomos pensam ter encontrado o provável culpado desta súbita travagem na formação estelar: a emergência de buracos negros supermassivos.

Os astrónomos combinaram observações da câmara LABOCA, instalada no telescópio APEX (Atacama Pathfinder Experiment) de 12 metros, operado pelo ESO, com medições feitas com o VLT (Very Large Telescope) do ESO, o Telescópio Espacial Spitzer da NASA e outros, para observar como é que galáxias brilhantes e muito distantes se juntam para formar grupos e enxames.

Quanto mais compacto é o grupo ou enxame de galáxias, mais massa têm os seus halos de matéria escura - o material invisível que compõe a maior parte da massa da galáxia. Os novos resultados obtidos são as medições mais precisas que temos sobre o modo de formação de enxames para este tipo de galáxias.

Galáxias com intensa formação estelar no Universo jovem.
Crédito: ESO, APEX (MPIfR/ESO/OSO), A. Weiss et al., Centro Científico Spitzer da NASA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

As galáxias estão tão distantes que a sua luz demorou cerca de dez mil milhões de anos a chegar até nós, por isso estamos a observá-las tal como eram há cerca de dez mil milhões de anos atrás. Nestas fotografias do Universo primordial as galáxias estão sujeitas ao tipo de formação estelar mais intensa que se conhece, a chamada formação estelar explosiva.

Ao medir as massas dos halos de matéria escura em torno das galáxias e utilizando simulações de computador para estudar como é que estes halos crescem com o tempo, os astrónomos descobriram que estas galáxias distantes com formação explosiva de estrelas no cosmos primitivo transformam-se eventualmente em galáxias elípticas gigantes - as galáxias de maior massa existentes no Universo actual.

"Esta é a primeira vez que conseguimos mostrar de maneira clara a relação que existe entre as galáxias mais energéticas que apresentam formação estelar explosiva no Universo primordial e as galáxias de maior massa presentes no Universo actual," explica Ryan Hickox (Universidade de Darthmouth, nos EUA e Universidade Durham University, no Reino Unido), o cientista que lidera a equipa.

Adicionalmente, as novas observações indicam que a formação estelar explosiva nestas galáxias distantes durou uns meros 100 milhões de anos - um tempo muito curto em termos cosmológicos - no entanto, durante este breve período, a quantidade de estrelas nas galáxias duplicou. A paragem abrupta deste crescimento tão rápido corresponde a outro episódio na história das galáxias, o qual não se compreende ainda muito bem.

"Sabemos que as galáxias elípticas de elevada massa pararam de produzir estrelas de modo súbito há muito tempo atrás, encontrando-se agora bastante passivas. Os cientistas tentam imaginar o que poderia ser suficientemente poderoso para conseguir desligar a formação estelar explosiva duma galáxia inteira," diz Julie Wardlow (Universidade da Califórnia, em Irvine, nos EUA e da Universidade Durham, no Reino Unido), um membro da equipa.

Os resultados da equipa apontam para uma possível explicação: nessa fase da história do cosmos, as galáxias com formação estelar explosiva aglomeram-se de modo muito semelhante aos quasares, o que indica que estes últimos são encontrados nos mesmos halos de matéria escura. Os quasares estão entre os objectos mais energéticos do Universo - faróis galácticos que emitem intensa radiação, alimentados por um buraco negro supermassivo situado nos seus centros.

Existem cada vez mais evidências que sugerem que a formação estelar explosiva intensa alimenta também o quasar, com enormes quantidades de matéria a serem sugadas pelo buraco negro. O quasar, por sua vez, emite enormes quantidades de energia que se pensa que limparão o restante gás da galáxia - a matéria-prima necessária à formação de novas estrelas - travando assim de maneira eficaz a fase de formação estelar.

"Em poucas palavras, a intensa formação estelar dos dias de glória das galáxias acabou também por ser a sua perdição ao alimentar os buracos negros nos seus centros, os quais rapidamente limpam ou destroem as nuvens de formação estelar," explica David Alexander (Universidade Durham, no Reino Unido), membro da equipa.

Links:

Notícias relacionadas:
Artigo científico (formato PDF)
ESO (comunicado de imprensa)
Astronomy Now Online
Space Daily
PHYSORG.com

Matéria escura:
Wikipedia

Galáxias:
Wikipedia
CCVAlg - O que são as galáxias?
CCVAlg - A descoberta das galáxias
CCVAlg - Galáxias espirais
CCVAlg - Galáxias espiral-barradas

Universo:
Universo (Wikipedia)
Idade do Universo (Wikipedia)
Estrutura a grande-escala do Universo (Wikipedia)
Big Bang (Wikipedia)
Cronologia do Big Bang (Wikipedia)

ESO:
Página oficial
Wikipedia

VLT:
Página oficial
Wikipedia

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - O "Berlinde Azul" pela Suomi NPP
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: NASA/NOAA/GSFC/Suomi NPP/VIIRS/Norman Kuring
 
Contemple uma das mais detalhadas imagens já capturadas da Terra. Esta composição do "Berlinde Azul" vista acima -- criada a partir de fotografias obtidas pelo instrumento VIIRS (Visible/Infrared Imager Radiometer Suite) a bordo do novo satélite Suomi NPP -- mostra muitos espectaculares detalhes do nosso planeta. O satélite Suomi NPP foi lançado no passado mês de Outubro e mudou a semana passada de nome, para Verner Suomi, considerado por muitos como o pai da meteorologia por satélite. O mosaico foi criado a partir de dados recolhidos durante quatro órbitas levadas a cabo nesse mês pelo satélite robótico, e projectados digitalmente num globo. São particularmente visíveis muitas características da América do Norte e do Hemisfério Oeste, numa versão de alta resolução da imagem. Previamente, já tinham sido criados outros "Berlindes Azuis", alguns até numa resolução maior.
 

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