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Edição n.º 840
23/03 a 26/03/2012
 
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EFEMÉRIDES

Dia 23/03: 83.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1840 era tirada a primeira fotografia (daguerreótipo) da Lua.
Em 1912 nascia Wernher Von Braun. Foi um importante pioneiro no desenvolvimento dos foguetões e da exploração espacial entre os anos 30 e 70.
Em 1965, os EUA lançavam a Gemini 3 até à órbita da Terra transportando os astronautas Virgil (Gus) Grissom e John W. Young. Grissom e Young orbitaram a Terra três vezes.

A nave Gemini era maior que as cápsulas Mercury, com um peso de 4,200 kg, e transportava dois astronautas em vez de um. A Gemini 3 era a primeira missão tripulada do programa Gemini, depois de dois testes de voo não-tripulados.
Em 2001, a estação Mir, com 15 anos, é removida de órbita e trazida até à Terra num espectáculo de fogo e fumo, para descansar nas profundezas do Oceano Pacífico.
Observações: Orionte já se inclina para Sudoeste e as Três Marias estão niveladas - um sinal da Primavera.

Dia 24/03: 84.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1893 nascia Walter Baade.

Foi o primeiro a resolver as companheiras da Galáxia de Andrómeda em estrelas individuais e a desenvolver o conceito de população estelar em galáxias.
Em 1965, a sonda Ranger 9, equipada com instrumentos para converter os seus sinais numa forma adequada para televisão, envia imagens da Lua até aos lares antes de colidir com a superfície.
Em 1993, descoberta do Cometa Shoemaker-Levy 9.
Observações: Olhe para Oeste cerca de meia-hora após o pôr-do-Sol, por baixo de Vénus e Júpiter, e um pouco para a direita, e encontrará a Lua, muito fina e Crescente.

Dia 25/03: 85.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1655 era descoberta a maior lua de SaturnoTitã, por Christian Huygens

Em 1979, o primeiro vaivém espacial completamente funcional, o Columbia, chega ao Centro Espacial John F. Kennedy, para ser preparado para lançamento.
Em 1992, o cosmonauta Sergei Krikalev regressa à Terra após 10 meses a bordo da estação espacial Mir.
Observações: Maior elongação Este de Vénus, pelas 14:36.
Esta noite, a Lua está para a direita de Júpiter.

Dia 26/03: 86.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1958, o exercito dos Estados Unidos lança o Explorer 3.

Observações: Esta noite, a Lua está para a esquerda de Vénus, a menos de 1,8º de separação.

 
CURIOSIDADES


O norte americano Robert A. Haag tornou-se a primeira pessoa no mundo presa por contrabando de meteoritos. Aconteceu na Argentina quando tentava transportar para fora do país um meteorito de 37 toneladas.

 
MAPA GEOLÓGICO DE IO REVELA SUPERFÍCIE VULCÂNICA DO OUTRO MUNDO

Mais de 400 anos após a descoberta de Io por Galileu, a mais interior das grandes luas de Júpiter, uma equipa de cientistas da Universidade Estatal do Arizona, EUA, produziu o primeiro mapa geológico global e completo do satélite joviano. O mapa, publicado pelo USGS (U.S. Geological Survey), revela as características e idades relativas de alguns dos mais geologicamente únicos e activos vulcões e fluxos de lava já registados no Sistema Solar.

Desde a sua descoberta por Galileu em Janeiro de 1610, Io tem sido o foco de repetidas observações científicas telescópicas e por satélite. Estes estudos mostraram que as relações orbitais e gravitacionais entre Io, as suas irmãs Europa e Ganimedes, e Júpiter provocam enormes e rápidas flexões na sua crosta rochosa. Esta "ginástica" de marés gera tremendo calor no interior de Io, que é libertado através de inúmeros vulcões à superfície.

"Uma das razões de se fazer este mapa era a criação de uma ferramenta para o estudo científico ininterrupto de Io, e uma ferramenta para planeamentos de alvos de observações de Io por missões futuras ao sistema de Júpiter," afirma David Williams, associado de pesquisa da Faculdade de Exploração Terrestre e Espacial da Universidade americana, que liderou o projecto científico de seis anos com o objectivo de produzir o mapa geológico.

Mapa geológico detalhado de Io.
Crédito: ASU, USGS
(clique na imagem para ver versão maior em PDF)
 

O mapa altamente detalhado e colorido revela um número de características vulcânicas, incluindo: paterae (depressões tipo-caldeira), campos de fluxo de lava, tholi (cúpulas vulcânicas), e depósitos de plumas, em várias formas, tamanhos e cores, bem como altas montanhas e grandes expansões de enxofre - e planícies ricas em dióxido de enxofre. O mapeamento identificou 425 paterae, ou centro vulcânicos individuais. Uma característica que não se encontra no mapa geológico são crateras de impacto.

"Io não tem crateras de impacto; é o único objecto do Sistema Solar onde não vemos crateras de impacto, prova da constante mudança à superfície de Io devido à sua intensa actividade vulcânica," afirma Williams.

Io é extremamente activo, com literalmente centenas de fontes vulcânicas à sua superfície. Curiosamente, embora Io seja tão activo, mais de 25 vezes vulcanicamente activo que a Terra, a maioria das mudanças superficiais a longo-termo que resultam de vulcanismo estão restringidas a menos de 15% da superfície, na maioria sob a forma de mudanças nos campos de fluxos de lava ou dentro das paterae.

"O nosso mapeamento determinou que a maioria dos locais mais quentes está nos paterae, que cobrem menos de 3% da superfície de Io. Os campos de lava cobrem aproximadamente 28% da superfície, mas contêm apenas 31% dos locais quentes," afirma Williams. "Compreender a distribuição geológica destas características, como são identificadas no mapa, permite-nos construir melhores modelos dos processos interiores de Io."

O mapa geológico de Io é diferente de outros mapas geológicos planetários porque as características à superfície foram mapeadas e caracterizadas usando quatro mosaicos globais distintos. Estes mosaicos, produzidos pelo USGS, combinam as melhores imagens obtidas pelas missões Voyager 1 e 2 da NASA (obtidas em 1979) bem como pela missão Galileu (1995-2003).

Io, o corpo mais activo do Sistema Solar.
Crédito: Projecto Galileu, JPL, NASA, A. Tayfun Oner
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Usando os mosaicos do USGS, Williams mapeou toda a superfície de Io em 19 diferentes tipos de materiais superficiais, e determinou as suas localizações e tamanhos (áreas). Depois, correlacionou a informação com as posições de todas fontes quentes conhecidas (locais de vulcanismo activo) de modo a fornecer uma imagem global dos estilos de vulcanismo em Io.

"Devido à cobertura não-uniforme de Io por múltiplas passagens rasantes pelas Voyager e pela Galileu, incluindo uma variedade de condições de iluminação, foi absolutamente necessário usar os diferentes mosaicos para identificar características geológicas específicas, tais como a separação de montanhas e paterae das planícies, e a separação de depósitos de plumas coloridas das unidades geológicas subjacentes," afirma Williams.

Embora a história geológica de Io esteja a ser estudada em detalhe há já várias décadas, o acabamento deste mapa geológico estabelece um quadro crítico para a integração e comparação de diversos estudos.

"O mapeamento geológico planetário conduz inevitavelmente o progresso científico," afirma Ken Herkenhoff, director do Centro Científico Astrogeológico do USGS. "O mapeamento da geologia de uma superfície planetária [tal como a de Io] força os cientistas a considerar cuidadosamente as hipóteses que dizem respeito à evolução geológica de um planeta inteiro e a testar estas hipóteses contra todas as observações disponíveis."

"Dado que Io é tão activo, e continua a ser estudado por telescópios terrestres, estamos a fazer algo mais do que apenas a produzir o mapa geológico," acrescenta Williams. "Estamos também a construir uma base de dados online de Io, para incluir o mapa geológico, os mosaicos do USGS, e todas as observações úteis de Io pela Galileu. Esta base de dados, a ser terminada ainda este ano, permitirá aos seus utilizadores seguir a história das mudanças superficiais devido à actividade vulcânica. Também temos propostas submetidas à NASA para incluir na nossa base de dados de Io observações telescópicas terrestres e imagens da passagem rasante da sonda New Horizons em Fevereiro de 2007, de modo a criar uma única fonte online para estudar a história do vulcanismo de Io."

Links:

Notícias relacionadas:
Universidade do Arizona (comunicado de imprensa)
USGS
SPACE.com
Universe Today
POPSCI
Discover
New Scientist

Io:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

Júpiter:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

Sonda Galileu:
Página oficial (NASA)
Wikipedia

Sondas Voyager:
Página oficial (NASA)
Heavens Above
Wikipedia

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - M95 com Supernova
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Adam Block, Mt. Lemmon SkyCenter, Universidade do Arizona
 
A galáxia espiral barrada M95 mede aproximadamente 75.000 anos-luz em diâmetro, comparável em tamanho com a nossa própria Via Láctea e é uma das maiores galáxias do grupo galáctico de Leo I. De facto, faz parte de um trio não muito famoso de galáxias da constelação de Leão em conjunto com as vizinhas M96 e M105, a cerca de 38 milhões de anos-luz de distância. Neste detalhado e colorido retrato cósmico, um anel brilhante e compacto de formação estelar rodeia o núcleo da galáxia. Em redor da proeminente barra amarelada estão os apertados braços espirais traçados por correntes de poeira, jovens enxames estelares azuis, e regiões cor-de-rosa de formação estelar tantalizante. Como bónus, siga ao longo do braço espiral que se desloca para baixo e para a direita e depressa encontra a mais recente supernova de M95, SN 2012aw, descoberta a 16 de Março e agora identificada como a explosão de uma estrela massiva. Um bom alvo para pequenos telescópios, a supernova salta à vista neste vídeo que compara a imagem recente com uma imagem de céu profundo de M95, sem a supernova, capturada em 2009.
 

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