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Edição n.º 849
24/04 a 26/04/2012
 
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EFEMÉRIDES

Dia 24/04: 115.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1066, foi observado o cometa Halley
Em 1967, o cosmonauta Vladimir Komarov morre a bordo da Soyuz 1, quando o pára-quedas se recusa a abrir. É o primeiro humano a morrer numa missão espacial.
Em 1970, é lançado o primeiro satélite chinês, o Dong Fang Hong I.
Em 1971, a Soyuz 10 acopla com a Salyut 1.
Em 1990, STS-31: o telescópio espacial Hubble é lançado a bordo do vaivém Discovery.

Em 2007, Gliese 581 d é descoberto por um observatório chileano, que se acredita ser um planeta extrasolar habitável.
Observações: Vénus está esta noite para cima e para a direita da fina Lua Crescente.

Dia 25/04: 116.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1983 a sonda Pioneer 10 passava para além da órbita de Plutão.
Em 1990, astronautas a bordo do Space Shuttle Discovery (STS-31) colocam o Telescópio Espacial Hubble em órbita. 

Observações: A partir das 21:30, a Lua (começando pela sua face escura) oculta a estrela Zeta Tauri da constelação de Touro. O evento dura cerca de uma hora. Ao mesmo tempo, a Lua bilha perto de Pollux e Castor (para cima), Capella para a direita, Vénus para baixo e para a direita, Aldebarã para baixo, Orionte para baixo e para a esquerda, e Procyon mais longe para cima e para a esquerda.

Dia 26/04: 117.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1803, milhares de fragmentos de meteoros caem sobre os c éus de L'Aigle, França; o evento convence a ciência europeia da existência dos meteoros.
Em 1920 decorria o debate Shapley-Curtis sobre a natureza e distância das "nebulosas" espirais, na Academia Nacional de Ciências em Washington, D.C.. Shapley acreditava que a Via Láctea era todo o Universo, enquanto Curtis apoiava a teoria de um "universo ilha".
Em 1933 nascia Arno Penzias, que ganhou o prémio Nobel pelo seu contributo na descoberta da radiação cósmica de fundo.
Em 1962, a sonda Ranger 4 da NASA colide com a Lua.

Em 1994, físicos anunciam a primeira evidência da partícula subatómica T-quark.
Observações: Procure Pollux e Castor para cima e para a direita da Lua, com Procyon para baixo e para a esquerda das primeiras.

 
CURIOSIDADES


As evidências científicas apontam para que a vida tenha surgido na Terra há aproximadamente 3,7 mil milhões de anos atrás.

 
IRMÃ DA TERRA NA MIRA

A irmã da Terra está por descobrir, algures, e os cientistas que procuram planetas habitáveis acreditam que estão cada vez mais perto deste alvo.

"Talvez este ano, talvez no próximo - antes de 2014," previu o astrónomo da Universidade de Harvard, Dimitar Sasselov, líder da Iniciativa Origens da Vida de Harvard e co-investigador do projecto do Telescópio Espacial Kepler. A previsão de Sasselov pode parecer arrojada para aqueles que não têm seguido a avalanche de novas descobertas no que toca a planetas em torno de outras estrelas. Desde a simples gota em meados da década de 90, a descoberta de planetas extra-solares, ou exoplanetas, tem rapidamente crescido à medida que os astrónomos desenvolvem novas técnicas e usam novos instrumentos, incluindo o lançamento do Kepler em 2009, especificamente desenhado para descobrir planetas em torno de outras estrelas.

Impressão de artista do Telescópio Espacial Kepler.
Crédito: NASA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O telescópio já localizou mais de 2300 candidatos a planeta, 61 dos quais foram confirmados como planetas. Os investigadores que usam outros telescópios confirmaram centenas mais. A imagem que daqui emerge é a de um Universo não só rico em planetas, mas um com milhões de planetas localizados na zona habitável da sua estrela, uma órbita não demasiado quente nem demasiado fria onde a água líquida pode suportar condições para a vida. Os planetas mais interessantes dos descobertos nas zonas habitáveis das estrelas são as chamadas "super-Terras", corpos rochosos ou cobertos por água com uma massa até dez vezes a da Terra.

Numa entrevista acerca do lançamento do seu novo livro, Sasselov disse que a ideia veio do seu trabalho na Iniciativa Origens da Vida e da cadeira que lecciona em conjunto com Andrew Knoll, professor de História Natural e professor de Ciências. A disciplina, "Vida como um Fenómeno Planetário," conta com mais alunos a cada ano que passa, chegando aos 400 este ano. A Iniciativa, a cadeira e o livro examinam a vida e o seu papel no Universo a partir de uma perspectiva de duas temáticas que não são normalmente consideradas complementares: astronomia e biologia.

O livro está dirigido para o público em geral e para estudantes sem bases científicas, proporciona uma breve história das investigações que levaram à pesquisa por exoplanetas e pelas origens da vida, até aos nossos dias de hoje, e fornece uma linha geral da ideia que a vida faz parte da evolução natural dos planetas sob certas condições.

"Dessa perspectiva cósmica, podemos olhar para a vida como um processo que pode ocorrer sob condições específicas no Universo, e sob uma química específica," afirma Sasselov. A sua equipa tem desempenhado um papel importante na busca por planetas em torno de outras estrelas e contribuído para o trabalho acerca das moléculas da vida e à formação das primeiras células. Em conjunto, investigadores dos dois campos tentam compreender os processos geoquímicos e as condições ambientais a partir das quais a vida surge no Universo.

Sasselov acrescenta que pela primeira vez, os investigadores reconhecem que a vida, ao invés de ser um raro acidente cómico, surgindo num planeta mas separada dos seus processos físicos, pode na realidade ser parte de um contínuo processo de formação e evolução planetária. Sob esta nova perspectiva, a vida é uma consequência natural - e quem sabe, comum - da geologia, química, e de outros processos, ligados em vez de separados.

"Sempre olhámos para a vida como este fenómeno estranho que está na Terra e não como sendo do planeta," afirma Sasselov.

Um exemplo dramático da vida como fenómeno planetário ocorreu aqui na Terra há milhares de milhões de anos trás, quando organismos unicelulares desenvolveram a fotossíntese, consumindo dióxido de carbono na atmosfera e libertando oxigénio para criar a atmosfera que conhecemos hoje em dia.

Os astrónomos podem ajudar os biólogos ao partilhar as suas descobertas espaciais, realça Sasselov. Através da utilização de técnicas avançadas, podem determinar a composição das atmosferas dos exoplanetas. Assim que se descubra a primeira irmã-gémea da Terra, podemos examinar a sua atmosfera e dar os resultados aos biólogos para melhor compreenderem as condições do começo da vida.

Ao incluir a pesquisa por vida na pesquisa por novos planetas, Sasselov disse ter actualizado o seu próprio trabalho. O novo foco obrigou-o a aprender mais sobre biologia e química e deu-lhe novas perspectivas sobre velhos problemas.

"A astronomia não se importava muito com a biologia. Para mim, tem sido uma lufada de ar fresco na minha carreira", conclui Sasselov. "Podemos questionar muitas coisas diferentes quando olhamos para algo a partir de uma nova perspectiva."

Links:

Notícias relacionadas:
Harvard Gazette
PHYSORG
Palestra de Dimitar Sasselov (TED Talk)

Telescópio Espacial Kepler:
NASA (página oficial)
Arquivo de dados do Kepler
Wikipedia

Planetas extrasolares:
Wikipedia
Wikipedia (lista)
Wikipedia (lista de extremos)
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares
Exosolar.net

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Três Telescópios Auxiliares
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Yuri Beletsky (ESO)
 
Apesar da sua semelhança com o robot R2-D2, estes três "não são os droids que procura". Pelo contrário, estes invólucros contêm os ATs (Telescópios Auxiliares) de 1,8 metros do Observatório Paranal na região do Deserto do Atacama no Chile. Os ATs foram desenhados para interferometria, uma técnica usada em observações que atingem resoluções extremamente altas, em conjunto com as unidades de 8 metros do VLT. Estão operacionais um total de quatro ATs, cada com um transportador que move o telescópio ao longo de uma via ferroviária permitindo diferentes configurações com os grandes telescópios. Para agirem como um interferómetro, a luz de cada telescópio é trazida para um único ponto focal graças a um sistema de espelhos em túneis subterrâneos. Por cima destes ATs estão as Nuvens de Magalhães, galáxias satélite da nossa própria Via Láctea. Sob os céus escuros e claros do Deserto do Atacama, o brilho esverdeado do ar atmosférico da Terra prolonga-se ao longo do horizonte.
 

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