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Edição n.º 868
29/06 a 02/07/2012
 
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EFEMÉRIDES

Dia 29/06: 181.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1961 era lançado o primeiro satélite a energia nuclear, o satélite americano Transit 4A.
Em 1995, a missão STS-71 do vaivém Atlantis doca pela primeira vez com a estação espacial Mir

Observações: Plutão em oposição, pelas 15:36.
Urano na quadratura Oeste, pelas 20:56.
Agora que Junho está prestes a dar a vez a Julho, o Bule de Chá de Sagitário está visível baixo a Sudeste após o anoitecer.

Dia 30/06: 182.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1905, Albert Einstein publica o artigo "Sobre a Electrodinâmica dos Corpos em Movimento", no qual introduz a relatividade especial.
Em 1908, ocorria o grande impacto de Tunguska na Sibéria.

Em 1971, três cosmonautas são encontrados mortos no seu veículo de regresso, Soyuz 11, depois de uma missão com problemas da Salyut 1. A tripulação morreu devido a uma de fuga de ar através de uma válvula.
Em 1972, é adicionado o primeiro segundo ao sistema UTC.
Em 2001, era lançado o WMAP (Wilkinson Microwave Anisotropy Probe) a partir do Centro Espacial Kennedy.
Observações: A Lua brilha perto das estrelas da cabeça de Escorpião esta noite, com Antares um pouco para baixo e para a esquerda.
Aproveite o lusco-fusco para tentar observar o planeta Mercúrio, bem baixo a Oeste-Noroeste.

Dia 01/07: 183.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1770, o Cometa Lexell passa a uns meros 2,3 milhões de quilómetros da Terra, menos de 9 vezes a distância entre a Terra e a Lua.
Em 1917, o espelho de 2,5 m chega ao Monte Wilson.

O empresário John D. Hooker doou os fundos para o vidro, que foi o mesmo utilizado para as garrafas de vinho feito pela companhia de Saint Gobrain em França.
Em 2004, começa a inserção orbital da Cassini-Huygens em Saturno.
Observações: Maior elongação Este de Mercúrio, pelas 05:38, a cerca de 25,5º do Sol.

Dia 02/07: 184.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1967, os satélites de raios-gama Vela 3 e 4, lançados com a intenção de detectar explosões de bombas nucleares, tornaram-se famosos pela sua inesperada descoberta dos GRB's (explosões de raios-gama).
Em 1985, era lançada a missão Giotto. O seu objectivo era passar pelo cometa Halley e enviar de volta as primeiras imagens do núcleo de um cometa.

O primeiro encontro ocorreu a 13 de Março de 1986, a uma distância de 596 km. A Giotto também estudou o Cometa P/Grigg-Skjellerup durante a sua missão.
Observações: A estrela mais brilhante a Este nestas noites é Vega. Para a sua esquerda e para baixo, temos Deneb. Mais para a direita encontra-se Altair. Estas três estrelas formam o Triângulo de Verão.

 
CURIOSIDADES


A região Tyrrhena Terra do hemisfério Sul de Marte contém o grande vulcão Tyrrhena Patera, um dos mais antigos vulcões do planeta.

 
ROCHAS REVELAM QUE ÁGUA DE MARTE CORREU PROFUNDA

Ao estudar rochas expelidas por crateras de impacto, a sonda Mars Express da ESA descobriu evidências de que a água subterrânea persistiu durante períodos prolongados nos primeiros mil milhões de anos do Planeta Vermelho.

As crateras de impacto são janelas naturais para a história das superfícies naturais - quanto mais profunda é a cratera, mais longe no tempo conseguimos estudar. Em adição, as rochas expelidas durante o impacto fornecem uma hipótese de estudar material que esteve escondido por baixo da superfície.

Num novo estudo, a sonda Mars Express da ESA e a Mars Reconnaissance Orbiter da NASA estudaram crateras numa região com 1000 x 2000 km das antigas terras altas do hemisfério Sul, com o nome de Tyrrhena Terra, para aprender mais sobre a história da água nesta região.

A grande cratera com 25 km de diâmetro no pano da frente desta perspectiva tem rochas escavadas alteradas por água na crosta antes do impacto. Os cientistas identificaram minerais hidratados no monte central da cratera, nas paredes e nos detritos expelidos em torno da cratera. Os minerais hidratados foram descobertos em 175 locais associados com outras crateras vizinhas na região Tyrrhena Terra de Marte.
Crédito: Mars Express HRSC, ESA/DLR/FU Berlin (G. Neukum); NASA/Equipa Científica MOLA; D. Loizeau et al.
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Focando-se na química das rochas embebidas nas paredes, limites e elevações centrais das crateras, bem como o material em redor, os cientistas identificaram 175 locais com minerais formados na presença de água.

"A grande variedade no tamanho das crateras estudadas, entre menos de 1 km e até 84 km em diâmetro, indica que estes silicatos hidratados foram escavados entre profundidades de algumas dezenas de metros até quilómetros," afirma Damien Loizeau, autor principal do estudo.

"A composição das rochas indica que a água subterrânea deve ter estado presente durante um longo período de tempo em ordem a alterar a sua química." Embora o material escavado pelos impactos pareça ter estado em contacto íntimo com a água, há poucas evidências de rochas à superfície entre as crateras em Tyrrhena Terra que pareçam ter sido alteradas por água.

A área com 1000 x 2000 km da região Tyrrhena Terra (realçada com a linha branca na imagem mais pequena à direita) situa-se entre duas regiões de baixa altitude - Hellas Planitia e Isidis Planitia - no hemisfério Sul de Marte, vista aqui neste mapa da topografia global. Os minerais hidratados foram descobertos em 175 locais associados com outras crateras vizinhas na região Tyrrhena Terra de Marte. As análises sugerem que estes minerais formaram-se na presença de água que persistiu a profundidade durante um longo período de tempo.
Crédito: NASA/Equipa Científica MOLA/D. Loizeau et al.
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"A circulação de água ocorreu a vários quilómetros de profundidade na crosta há cerca de 3,7 mil milhões de anos, antes da maioria das crateras desta região se terem formado," afirma o co-autor Nicolas Mangold.

"A água gerou uma diversidade de mudanças químicas nas rochas, que reflectiram as baixas temperaturas perto da superfície até altas temperaturas nas profundezas, mas sem uma relação directa com as condições superfíciais dessa altura."

Por comparação, Mawrth Ballis, uma das maiores regiões identificada como rica em argila, de Marte, mostra uma mineralogia aquosa mais uniforme que indica uma ligação mais próxima com os processos superficiais.

"O papel da água líquida em Marte é muito importante para a sua habitabilidade e este estudo levado a cabo com a Mars Express descreve uma enorme zona onde a água subterrânea esteve presente durante muito tempo," afirma Olivier Witasse, cientista do projecto Mars Express da ESA.

Links:

Notícias relacionadas:
ESA (comunicado de imprensa)
Icarus (requer subscrição)
PHYSORG
Spaceref
UPI.com

Tyrrhena Terra:
Wikipedia
ESA

Mars Express:
Página oficial da ESA 
Wikipedia

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

 
NOVO MÉTODO DE ESTUDO DE ATMOSFERAS EXOPLANETÁRIAS
Impressão de artista do planeta extrasolar Tau Boötis b.
Crédito: ESO/L. Calçada
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Uma nova técnica permitiu com que os astrónomos estudassem pela primeira vez a atmosfera de um exoplaneta em detalhe - embora este não passe em frente da sua estrela-mãe. Uma equipa internacional utilizou o VLT (Very Large Telescope) do ESO para captar directamente o fraco brilho do planeta tau Boötis b. A equipa estudou a atmosfera do planeta e determinou pela primeira vez a sua órbita e massa de forma precisa - resolvendo assim um problema com já 15 anos. Surpreendentemente, a equipa também descobriu que a atmosfera do planeta parece ser, ao contrário do que se esperava, mais fria a maior altitude. Os resultados foram publicados na edição de 28 de Junho da revista Nature.

Tau Boötis b foi um dos primeiros exoplanetas a ser descoberto em 1996 e continua a ser um dos mais próximos conhecidos. Embora a sua estrela-mãe seja facilmente visível a olho nu, o planeta propriamente dito não o é, e até agora era apenas detectável graças ao efeito gravitacional que exerce sob a estrela. Tau Boötis b é um planeta grande e quente tipo-Júpiter que orbita muito próximo da estrela-mãe.

Tal como a maioria dos exoplanetas, este planeta não transita o disco da sua estrela (como o recente trânsito de Vénus). Até agora, estes trânsitos eram essenciais para o estudo das atmosferas de Júpiteres quentes: quando um planeta passa em frente da sua estrela deixa uma marca das características da atmosfera na radiação estelar. Como nenhuma radiação estelar atravessa a atmosfera de Tau Boötis b em relação à nossa perspectiva terrestre, isso implicava, até agora, que a atmosfera do planeta não podia ser estudada.

No entanto, depois de 15 anos a tentar estudar o fraco brilho emitido por exoplanetas quentes tipo-Júpiter, os astrónomos conseguiram finalmente e pela primeira vez, determinar a estrutura da atmosfera de Tau Boötis b, deduzindo também a sua massa de forma precisa. A equipa utilizou o instrumento CRICES (CRyogenic InfraRed Echelle Spectrometer) montado no VLT, instalado no Observatório do Paranal do ESO, no Chile. Os astrónomos combinaram observações infravermelhas de alta qualidade (com comprimentos de onda da ordem dos 2,3 micrómetros) com uma técnica nova que consegue extrair o fraco sinal emitido pelo planeta, da radiação muito mais forte emitida pela estrela hospedeira. Este método utiliza a velocidade do planeta em órbita da sua estrela hospedeira para separar a emissão planetária da emissão estelar e também da emissão vinda da própria atmosfera terrestre. A mesma equipa de astrónomos testou esta técnica anteriormente num planeta que transita, medindo a velocidade orbital durante a sua passagem em frente ao disco estelar.

O autor principal do estudo, Matteo Brogi (Observatório de Leiden, Holanda), explica: "Graças à elevada qualidade das observações fornecidas pelo VLT e pelo CRICES, conseguimos estudar o espectro do sistema com muito mais detalhe do que era possível até agora. Apenas 0,01% da radiação observada é emitida pelo planeta, enquanto o resto vem da estrela, por isso não foi nada fácil separar esta contribuição".

Imagem de campo-largo da estrela-mãe de Tau Boötis b.
Crédito: ESO/Digitized Sky Survey 2
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A maioria dos planetas que orbitam outras estrelas foram descobertos pelo efeito gravitacional que exercem sobre as suas estrelas, o que limita a informação que podemos retirar sobre a sua massa: apenas podemos calcular um limite inferior para a massa do planeta (isto deve-se ao facto da inclinação da órbita ser geralmente desconhecida. Se a órbita do planeta está inclinada relativamente à linha de visão entre a Terra e a estrela, então um planeta com maior massa causa o mesmo efeito de movimento para trás e para a frente da estrela que um planeta mais leve numa órbita menos inclinada, não sendo possível separar os dois efeitos). Esta nova técnica é muito mais poderosa. A observação da radiação que vem directamente do planeta permitiu com que os astrónomos medissem o ângulo da órbita do planeta e consequentemente determinassem a sua massa de forma precisa. Ao traçar as variações do movimento do planeta à medida que este orbita a estrela, a equipa pôde determinar, pela primeira vez, que Tau Boötis b orbita a sua estrela-mãe com um ângulo de 44 graus e tem seis vezes a massa do planeta Júpiter.

"As novas observações do VLT solucionam o problema, já com 15 anos, da massa de Tau Boötis b. E a nova técnica significa também que agora podemos estudar as atmosferas de exoplanetas que não transitam as suas estrelas, e podemos igualmente medir as suas massas de forma precisa, o que era antes impossível," afirma Ignas Snellen (Observatório de Leiden, Holanda), co-autor do artigo científico que descreve os resultados. "Este é um grande passo em frente."

Para além de detectar o brilho da atmosfera e medir a massa de Tau Boötis b, a equipa estudou a atmosfera e mediu a quantidade de monóxido de carbono aí presente, assim como a temperatura a diferentes altitudes por meio da comparação entre as observações e os modelos teóricos. Um resultado surpreendente deste trabalho prende-se com o facto das novas observações indicarem uma atmosfera com uma temperatura que decresce com a altitude. Este resultado é o oposto do esperado da inversão de temperatura - um aumento da temperatura com a altitude - encontrada em outros exoplanetas quentes tipo-Júpiter.

As observações do VLT mostram que a espectroscopia de alta-resolução obtida por telescópios terrestres é uma ferramenta valiosa na análise detalhada das atmosferas de planetas extrasolares que não transitam. A detecção de diferentes moléculas permitirá aos astrónomos futuramente aprender mais sobre as condições atmosféricas do planeta. Ao medir estas condições atmosféricas ao longo da órbita do planeta, os astrónomos poderão mesmo ser capazes de encontrar variações atmosféricas entre as manhãs e as tardes do planeta.

"Este estudo mostra o enorme potencial dos actuais e dos futuros telescópios terrestres, tais como o E-ELT. Talvez um dia possamos desde modo encontrar evidências de actividade biológica em planetas tipo-Terra", conclui Ignas Snellen.

Links:

Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
Artigo científico (formato PDF)
SPACE.com
Sky & Telescope
Universe Today
PHYSORG
Discovery News
Wired
Ars Technica

Tau Boötis b:
Wikipedia
Extrasolar Visions

Planetas extrasolares:
Wikipedia
Wikipedia (lista)
Wikipedia (lista de extremos)
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares
Exosolar.net

VLT:
Página oficial
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

 
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ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Simeis 188
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Crédito: Dieter Willasch (Astro-Cabinet)
 
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