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Edição n.º 910
23/11 a 26/11/2012
 
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EFEMÉRIDES

Dia 23/11: 328.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1885, é tirada a primeira fotografia de uma chuva de meteoros
Em 1977, o Meteosat 1 torna-se no primeiro satélite a ser posto em órbita pela Agência Espacial Europeia (ESA).

Observações: Alguma astronomia pré-telescópica: algures entre as 19:30 e as 20:30 de hoje, dependendo da zona onde vive, a brilhante Vega descendo a Noroeste e Capella subindo a Nordeste (bem para a esquerda de Júpiter) estarão exactamente à mesma altura. Consegue cronometrar precisamente a hora a partir de onde se encontra? Um astrolábio ajuda.

Dia 24/11: 329.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1639, Jeremiah Horrocks observa um trânsito de Vénus, um evento que tinha previsto.

Em 1969, o módulo de comando da missão Apollo 12 cai no Oceano Pacífico, terminando assim a segunda viagem tripulada à Lua.
Observações: A partir das 01:25 (de 23 para 24) e até por volta das 03:40, é possível observar telescopicamente a sombra de Io passar pela atmosfera de Júpiter. O satélite desaparece em frente do planeta cerca das 01:40 e reaparece no lado oposto às 03:40.
Olhe para a esquerda da Lua esta noite, e à distância de um punho fechado com o braço esticado, encontrará as duas ou três estrelas mais brilhantes de Carneiro.
A partir das 22:45, Io desaparece na sombra de Júpiter. Torna a reaparecer no lado oposto do planeta às 01:10 (já de dia 25).

Dia 25/11: 330.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1999, observações terrestres de um vulcão em erupção em Io, uma lua de Júpiter

Observações: A partir das 19:55 e até por volta das 22:05, é possível observar telescopicamente a sombra de Io passar pela atmosfera de Júpiter. O satélite desaparece em frente do planeta cerca das 20:10 e reaparece no lado oposto às 22:20.
Aviste as Plêiades, brilhando a Este à hora de jantar. Para baixo deste enxame encontra-se a alaranjada Aldebarã, o olho de Touro. Ainda mais para baixo, Orionte está a nascer. Com o passar da noite, verá a estrela mais brilhante do céu nocturno, Sirius, ultrapassar o horizonte.

Dia 26/11: 331.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1965, a França lança o seu primeiro satélite, o Astérix 1. Torna-se na terceira nação a entrar no espaço.

Em 1990, o foguetão Delta II levanta voo pela primeira vez.
Observações: Io reaparece por trás de Júpiter a partir das 19:40.

 
CURIOSIDADES


O investigador principal da missão do rover Curiosity, John Grotzinger, disse numa entrevista que a equipa científica poderá ter feito uma descoberta histórica em Marte. O instrumento SAM (que analisa amostras do solo e da atmosfera de Marte) a bordo do veículo marciano obteve alguns resultados preliminares que deixaram os cientistas muito, muito excitados. Ainda não disseram do que se trata, pois estão actualmente a verificar a descoberta. Quem sabe, no início de Dezembro já teremos um anúncio oficial do que realmente foi descoberto.

 
PLANETA ANÃO MAKEMAKE NÃO TEM ATMOSFERA

Astrónomos utilizaram três telescópios nos observatórios do ESO, no Chile, para observar o planeta anão Makemake, no momento em que este passou em frente a uma estrela distante, bloqueando assim a radiação emitida pela estrela. As novas observações permitiram verificar pela primeira vez se o planeta se encontra rodeado por uma atmosfera. Este mundo frígido tem uma órbita que o leva ao Sistema Solar exterior e pensava-se que teria uma atmosfera como a de Plutão. No entanto, verificou-se agora que tal não é o caso. Os cientistas mediram também pela primeira vez a densidade de Makemake. Os novos resultados foram publicados na edição de 22 de novembro da revista Nature.

O planeta anão Makemake tem cerca de dois-terços do tamanho de Plutão e viaja à volta do Sol numa órbita distante, que se situa para lá de Plutão, mas mais próximo do Sol do que Éris, o planeta anão de maior massa conhecido no Sistema Solar. Observações anteriores do gélido Makemake mostraram que este corpo é similar aos outros planetas anões seus companheiros, o que levou os astrónomos a pensar que possuiria uma atmosfera semelhante à de Plutão. No entanto, este novo estudo mostra que, tal como Éris, Makemake não se encontra rodeado por uma atmosfera significativa.

Impressão de artista do planeta anão Makemake. Tem aproximadamente dois-terços do tamanho de Plutão, está mais longínquo do que este mas mais próximo do Sol do que Éris, o maior planeta anão conhecido no Sistema Solar.
Crédito: ESO/L. Calçacada/Nick Risinger
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A equipa liderada por José Luis Ortiz (Instituto de Astrofísica da Andaluzia, Espanha), combinou várias observações obtidas por três telescópios situados nos observatórios de La Silla e Paranal do ESO, no Chile - o VLT (Very Large Telescope), o NTT (New Technology Telescope) e o TRAPPIST (TRAnsiting Planets and PlanetesImals Small Telescope) - com dados de outros telescópios mais pequenos situados na América do Sul, para observar Makemake à medida que este passava em frente a uma estrela distante.

"Quando Makemake passou em frente da estrela, a radiação emitida por esta foi bloqueada, a estrela desapareceu e apareceu muito abruptamente, em vez de ir desaparecendo lentamente e depois indo-se tornando gradualmente mais brilhante. Isto significa que o pequeno planeta anão não tem uma atmosfera significativa," afirma José Luis Ortiz. "Pensava-se que Makemake tivesse desenvolvido uma atmosfera - o facto de não haver sinais de uma, mostra apenas o quanto temos ainda a aprender sobre estes corpos misteriosos. Descobrir as propriedades de Makemake pela primeira vez é um grande passo em frente no estudo deste grupo selecto de planetas anões gélidos."

A falta de luas em torno de Makemake e a grande distância a que se encontra de nós, tornam-no difícil de estudar, por isso o pouco que sabemos dele é apenas aproximado. As novas observações da equipa acrescentam muitos mais detalhes ao nosso conhecimento deste objecto - determinando o seu tamanho de forma mais precisa, impondo limites a uma possível atmosfera e estimando a densidade do planeta anão pela primeira vez. Os dados permitiram igualmente medir qual a quantidade de luz solar que é refletida pela superfície do planeta - o seu albedo. O albedo de Makemake é cerca de 0,77, comparável ao de neve suja, maior que o de Plutão, mas menor que o do Éris.

Este mapa mostra o caminho da sombra de Makemake durante a ocultação da ténue estrela.
Crédito: ESO/L. Calçada
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Conseguiu-se observar Makemake com tanto pormenor, apenas porque este passou em frente de uma estrela - um fenómeno conhecido como uma ocultação estelar. Estas oportunidades raras permitem aos astrónomos descobrir imenso sobre as atmosferas, muitas vezes ténues e delicadas, que se encontram em torno destes distantes mas importantes membros do Sistema Solar e fornecem informações precisas sobre as suas outras propriedades.

As ocultações são particularmente invulgares no caso de Makemake, já que este é um objecto que se move numa região do céu com relativamente poucas estrelas. Prever de forma precisa e detectar estes eventos raros é extremamente difícil, e a observação bem sucedida levada a cabo por uma equipa de observação bem coordenada, espalhada por diversos locais em toda a América do Sul, é um feito extraordinária.

"Plutão, Éris e Makemake estão entre os maiores exemplos dos inúmeros corpos gélidos que orbitam muito longe do Sol," acrescenta José Luis Ortiz. "As nossas novas observações fizeram avançar muito o conhecimento sobre um dos maiores, Makemake. Poderemos agora usar esta informação para explorar mais a fundo os intrigantes objectos que se situam nesta região do espaço."

Links:

Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
Artigo científico (formato PDF)
Nature (requer subscrição)
SPACE.com
PHYSORG
NewScientist
Universe Today
Scientific American
National Geographic
redOrbit
BBC News
The Verge
EurekAlert!

Makemake:
Wikipedia

VLT:
ESO
Wikipedia

NTT:
ESO
Wikipedia

TRAPPIST:
Página oficial
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Longa Leónida
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Stéphane Vetter (Nuits sacrees)
 
Um grão de areia cósmica deixou esta trilha longa e colorida nesta imagem de todo o céu. O seu impacto com a atmosfera do planeta Terra começou à velocidade de 71 km/s. Com a Via Láctea a prolongar-se de horizonte a horizonte, a cena foi capturada na noite de 17 de Novembro a partir do planalto astronomicamente popular de Champ du Feu na Alsácia, França. Claro, o meteoro rasante pertence à famosa chuva das Leónidas, produzida quando o nosso planeta passa anualmente através de poeira da cauda do cometa períodico Tempel-Tuttle. O ponto radiante da chuva na constelação de Leão está muito perto do horizonte a Este, perto do começo da cauda em baixo e à esquerda. O brilhante planeta Júpiter é também fácil de avistar, embebido numa ténue banda da Luz Zodiacal mesmo para baixo e para a direito do centro. A imagem faz parte de um vídeo que começou apenas 7 minutos antes da grande leónida cruzar o céu.
 

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