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Edição n.º 912
30/11 a 03/12/2012
 
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EFEMÉRIDES

Dia 30/11: 335.º dia do calendário gregoriano.
História:  Em 1954, Ann Elizabeth Hodges é atingida por um meteorito de 5 kg no estado americano do Alabama.

Observações: A Lua nasce menos de uma hora após o caír da noite. Assim que seja visível, encontre a estrela laranja-avermelhada Betelgeuse, brilhando no ombro de Orionte, cerca de 13º para a direita da Lua.

Dia 01/12: 336.º dia do calendário gregoriano.
História:  Em 1960, os cães espaciais Pchyolka (Pequena Abelha) e Mushka (Pequena Mosca) foram lançados a bordo do Korabl-Sputnik-3, também conhecido como Sputnik 6.

A nave passou um dia em órbita mas a re-entrada foi mal configurada e a nave, ao descer num ângulo muito acentuado, foi destruída.
Observações: A partir das 03:20 e até cerca das 05:35 (de dia 30 para dia 1), é possível observar telescopicamente a sombra de Io passar pela atmosfera de Júpiter.
Júpiter está praticamente em oposição, e com ele também os asteróides Ceres e Vesta, e ainda para mais na mesma vizinhança! Vesta tem magnitude 6,26 e Ceres 6,68. Aviste-os com binóculos usando um mapa celeste. Encontram-se perto dos chifres de Touro. A melhor altura para os observar será antes do nascer da Lua.

Dia 02/12: 337.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1993, lançamento da missão STS-61 do vaivém Endeavour, a primeira missão de manutenção do Hubble.

Observações: A partir das 00:40 (de dia 1 para 2) Io desaparece por trás de Júpiter. Reaparece no lado oposto do planeta a partir das 02:55
.
A partir das 21:50 e até cerca das 24:00, Io passa em frente de Júpiter. Devido a oposição do planeta, a sombra do satélite é quase imperceptível.

Dia 03/12: 338.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1904, Charles Dillon Perrine descobre a lua joviana Himalia.
Em 1958, o JPL era transferido do controlo do exército americano para o controlo da NASA.
Em 1971, a sonda soviética Mars 3 torna-se na primeira a aterrar com sucesso em Marte
Em 1973, a Pioneer 10 enviava para a Terra as primeiras imagens de Júpiter.

Em 1974, voo rasante da sonda Pioneer 11 por Júpiter
Em 1999, a NASA perdia o contacto com a Mars Polar Lander, minutos antes da entrada na atmosfera de Marte.
Observações: A partir das 19:10, Io desaparece por trás do planeta Júpiter. Reaparece no lado oposto cerca das 21:20.
Com o aproximar do Inverno, Orionte sobe para boa observação a Este-Sudeste por volta das 20-21 horas. No seu meio, as três estrelas da Cintura de Orionte estão quase na vertical - como é sempre o caso quando Orionte se situa nesta parte do céu (visto de latitudes médias norte).

 
CURIOSIDADES


Todos os planetas principais até Saturno são conhecidos desde a Antiguidade por serem visíveis à vista desarmada.

 
BURACO NEGRO GIGANTE PODE PERTURBAR MODELOS DE EVOLUÇÃO GALÁCTICA

Um grupo de astrónomos liderados por Remco van den Bosch do Instituto Max Planck para Astronomia descobriu um buraco negro que poderá abalar as fundações dos modelos actuais da evolução galáctica. Com 17 mil milhões de vezes a massa do Sol, a sua massa é muito maior do que os modelos actuais preveem - particularmente em relação à massa da sua galáxia hospedeira. Este poderá ser o maior buraco negro já encontrado até agora.

Para o melhor do nosso conhecimento astronómico, quase todas as galáxias devem conter na sua região central o que é chamado de um buraco negro supermassivo: um buraco negro com uma massa entre centenas de milhares a milhares de milhões de vezes a massa do Sol. O buraco negro supermassivo mais bem estudado está situado no centro da nossa Via Láctea, com uma massa de aproximadamente 4 milhões de vezes a massa do Sol.

O diâmetro do buraco negro com 17 mil milhões de massas solares no coração da galáxia NGC 1277 é 11 vezes maior do que a órbita de Neptuno em torno do Sol.
Crédito: D. Benningfield/K. Gebhardt/StarDate
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Para as massas de galáxias e seus buracos negros centrais, uma tendência intrigante surgiu: uma relação directa entre a massa de um buraco negro de uma galáxia e as estrelas dessa mesma galáxia.

Normalmente, a massa do buraco negro é uma pequena fracção do total da massa da galáxia. Mas agora uma pesquisa liderada pelo astrónomo holandês Remco van den Bosch descobriu um buraco negro que poderia perturbar a relação aceite entre a massa do buraco negro e a massa da galáxia, que desempenha um papel fundamental em todas as teorias actuais da evolução galáctica. As observações foram feitas com o Telescópio Hobby-Eberly e imagens existentes do Telescópio Espacial Hubble.

Imagem do disco galáctico (galáxia lenticular) de NGC 1277, obtida pelo Telescópio Espacial Hubble. Esta pequena galáxia achatada contém um dos maiores buracos negros centrais supermassivos já descobertos. Com uma massa de 17 mil milhões de sóis, a massa do buraco negro corresponde a uns extraordinários 14% da massa total da galáxia.
Crédito: NASA/ESA/Andrew C. Fabian/Remco C. E. van den Bosch (MPIA)
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Com uma massa 17 mil milhões de vezes a do Sol, o buraco negro recém-descoberto no centro do disco da galáxia NGC 1277 pode até ser o maior buraco negro conhecido: a massa do detentor do recorde actual está estimada entre as 6 e 37 mil milhões de massas solares; se o verdadeiro valor estiver mais próximo da extremidade inferior desse intervalo, NGC 1277 bate o recorde. Pelo menos, NGC 1277 contém o segundo maior buraco negro conhecido.

A grande surpresa é que a massa do buraco negro de NGC 1277 corresponde a 14% da massa total da galáxia, em vez de valores habituais que rondam os 0,1%. Isto bate o recorde anterior por um factor de mais de 10. Os astrónomos teriam esperado um buraco negro deste tamanho dentro de galáxias elípticas dez vezes maiores. Ao invés, este buraco negro está situado dentro de uma galáxia em disco relativamente pequena.

A galáxia NGC 1277 (no centro) está embebida no vizinho enxame galáctico de Perseu, a uma distância de 250 milhões de anos-luz da Terra. Todas as galáxias elípticas e redondas amareladas na imagem são galáxias localizadas neste enxame. Comparada com todas as outras galáxias à sua volta, NGC 1277 é relativamente compacta.
Crédito: D. W. Hogg/M. Blanton, Colaboração SDSS
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Será este buraco negro surpreendentemente massivo um acidente da Natureza? A análise preliminar de dados adicionais sugere o contrário - até agora, a pesquisa descobriu cinco galáxias adicionais que são comparativamente pequenas, mas mesmo assim, tendo em conta as primeiras estimativas, parecem abrigar também buracos negros invulgarmente grandes. Serão precisas imagens mais detalhadas destas galáxias para retirar conclusões mais definitivas.

Se os candidatos adicionais forem confirmados, e existirem de facto mais buracos negros como este, os astrónomos terão que repensar fundamentalmente os seus modelos da evolução galáctica. Em particular, precisarão de olhar para o Universo primordial: a galáxia que contém o novo buraco negro parece ter sido formada há mais de 8 mil milhões de anos atrás, e não parece ter mudado muito desde então. O que quer que criou este buraco negro gigante deverá ter acontecido há muito tempo.

Links:

Notícias relacionadas:
Instituto Max Planck para Astronomia (comunicado de imprensa)
Universidade do Texas (comunicado de imprensa)
Nature
Science
SPACE.com
New Scientist
Universe Today
redOrbit
PHYSORG
Discovery News
BBC News
Ars Technica

Buracos negros supermassivos:
Wikipedia

Buracos negros:
Wikipedia

Instituto Max Planck para Astronomia:
Página oficial
Wikipedia

Observatório McDonald:
Página oficial
Wikipedia

 
DESCOBERTA MAIOR EXPULSÃO DE MATERIAL DE UM BURACO NEGRO

Os astrónomos utilizaram o VLT do ESO (Very Large Telescope) para descobrir um quasar com o jacto mais energético alguma vez observado, com pelo menos cinco vezes mais energia do que qualquer outro observado até à data. Os quasares são núcleos galácticos extremamente brilhantes, alimentados por um buraco negro de elevada massa. Muitos deles libertam enormes quantidades de material para as galáxias hospedeiras, sendo que esta expulsão de matéria desempenha um papel fundamental na evolução das galáxias. No entanto e até agora, os jactos dos quasares observados não eram tão potentes como o previsto pela teoria.

Os quasares são centros de galáxias distantes muito luminosos, alimentados por enormes buracos negros. Este novo estudo observou um destes objectos energéticos - conhecido por SDSS J1106+1939 - com todo o pormenor, utilizando o instrumento X-shooter, montado no VLT do ESO, no Observatório do Paranal, no Chile. Embora os buracos negros sejam conhecidos por atraírem material, a maioria dos quasares também acelera alguma desta matéria em torno de si mesmo, expelindo-a depois a altas velocidades.

Impressão de artista do enorme jacto de material expelido pelo quasar SDSS J1106+1939.
Crédito: ESO/L. Calçada
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Descobrimos o jacto de quasar mais energético conhecido até à data. A taxa à qual a energia é dissipada por esta enorme massa de material ejectado a altas velocidades pelo SDSS J1106+1939 é, pelo menos, equivalente a dois biliões de vezes a energia libertada pelo Sol, o que é, por sua vez, cerca de 100 vezes mais do que a energia total libertada pela nossa Galáxia, a Via Láctea - é, de facto, um jacto monstruoso," diz o chefe da equipa Nahum Arav (Virginia Tech, EUA). "Esta é a primeira vez que um jacto de quasar mostra ter as altas energias previstas pela teoria."

Muitas simulações teóricas sugerem que o impacto destes jactos nas galáxias que os rodeiam pode resolver vários enigmas da cosmologia moderna, incluindo como é que a massa de uma galáxia se encontra ligada ao seu buraco negro central, e porque é que existem tão poucas galáxias muito grandes no Universo. No entanto, até agora permanecia incerto se os quasares conseguiam ou não produzir jatos de matéria suficientemente poderosos para dar origem a estes fenómenos.

O novo jacto recentemente descoberto situa-se a cerca de mil anos-luz de distância do buraco negro de elevada massa, no coração do quasar SDSS J1106+1939. Este jacto é, pelo menos, cinco vezes mais energético do que o último detentor do recorde. A análise efectuada pela equipa mostra que uma massa de aproximadamente 400 vezes a do Sol, liberta-se deste quasar, por ano, deslocando-se a uma velocidade de 8000 quilómetros por segundo.

"Não teríamos podido obter os dados de alta qualidade necessários a esta descoberta sem o espectrógrafo X-shooter," diz Benoit Borguet (Virgina Tech, EUA), autor principal do novo artigo científico que descreve os resultados. "Pela primeira vez conseguimos explorar a região em torno do quasar com grande detalhe."

Para além do SDSS J1106+1939, a equipa observou também um outro quasar e descobriu que ambos os objectos possuem jactos poderosos. Uma vez que estes são exemplos típicos de um tipo de quasares, comum mas pouco estudado até agora, estes resultados devem poder aplicar-se, de modo geral, aos quasares luminosos em todo o Universo. Borguet e colegas estão actualmente a estudar uma dúzia de objectos similares para ver se este é efectivamente o caso.

"Há mais de uma década que procuro algo deste género," diz Nahum Arav, "por isso é muito excitante encontrar finalmente um destes jactos monstruosos, previstos pela teoria!"

Links:

Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
Artigo científico (formato PDF)
PHYSORG
science 2.0
redOrbit
COSMOS
Popular Science
UPI.com
National Geographic

Quasar:
Wikipedia

VLT:
ESO
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Júpiter e Io
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Alessandro Bianconi
 
No dia 3 de Dezembro, Júpiter, o maior planeta do Sistema Solar, estará em oposição, ou seja, encontra-se exactamente na direcção oposta ao Sol no céu do planeta Terra, muito brilhante e nascendo ao pôr-do-Sol. Esta configuração resulta na maior aproximação, quase anual, de Júpiter ao planeta Terra. Por isso, perto da oposição o gigante gasoso proporciona aos telescópios terrestres incríveis vistas da sua atmosfera tempestuosa e em bandas, bem como das suas grandes luas galileanas. Por exemplo, esta nítida série de imagens foi capturada na noite de 16 para 17 de Novembro a partir da ilha de Sardenha perto de Dolianova, Itália. O Norte é para cima nas imagens que mostram a famosa Grande Mancha Vermelha de Júpiter, e cinturas escuras e claras. Também é visível em trânsito a lua vulcânica Io, e a sua sombra redonda, percorrendo o topo das nuvens jovianas à medida que a sequência progride da esquerda para a direita.
 

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