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Edição n.º 948
05/04 a 08/04/2013
 
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26/04/13 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
21:00 - 23:00
Preço: 1€ (crianças até 12 anos grátis)
Pré-inscrição: inscricoes@ccvalg.pt ou 289 890 920/22
Palestra sobre um tema de astronomia seguida de observação do céu nocturno com telescópio (dependente da meteorologia favorável)

27/04/13 - DESCOBRINDO O SOL
16:00 - 17:00 (actividade incluída na visita ao Centro; 1€ para participantes que não visitem o Centro - crianças até 12 anos grátis)
Nesta actividade os participantes poderão observar os fenómenos visíveis na "superfície" do Sol e participar em experiências que ajudam a conhecer melhor o astro-rei. As experiências incluem atividades com fornos e painéis solares.

 
EFEMÉRIDES

Dia 05/04: 95.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1804 é registada a primeira queda de um meteorito, em Possil, Escócia.
Em 1979 a sonda Pioneer 11 faz as primeiras observações directas de Saturno e estuda as partículas energéticas da helioesfera exterior. A missão Pioneer 11 termina a 30 de Setembro de 1995, quando a última transmissão da sonda foi recebida. Com a sua fonte de energia exausta, não pode operar mais nenhum dos seus instrumentos científicos, nem apontar a sua antena para a Terra. A Pioneer está viajando na direcção da constelação de Escudo.
Em 1991 era lançado o Observatório de Raios-Gama Compton.

O objectivo desta missão era obter medições de raios-gama de toda a esfera celeste, com uma resolução angular bem melhor e com um aumento de sensibilidade em relação às anteriores missões espaciais de raios-gama. O Compton foi retirado de órbita e re-entrou na atmosfera da Terra no dia 4 de Junho do ano 2000.
Observações: Assim que seja visível, aponte o seu telescópio para Júpiter e conseguirá ver a sombra de Io passar pela atmosfera do planeta. O satélite reaparece pelas 21:40 e a sua sombra desaparece cerca de uma hora depois.
O grande e brilhante Hexágono de Inverno é ainda visível após o anoitecer, preenchendo o céu de Sudoeste até Oeste. Comece pela brilhante estrela Sirius a Sudoeste. Marca o canto inferior esquerdo do Hexágono. Bem para cima de Sirius está Procyon. Daí, olhe para cima e para a direita até encontrar Pollux e Castor, para baixo e para a direita de Castor até Menkalinan e Capella, para baixo e para a esquerda até Aldebarã (com Júpiter muito perto!), para baixo e para a esquerda até Rigel na parte de baixo de Orionte, e de volta a Sirius.

Dia 06/04: 96.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1965, lançamento do Early Bird, o primeiro satélite de telecomunicações a ser colocado em órbita geosíncrona.
Em 1973, lançamento da Pioneer 11.
Em 1993, cientistas da NASA, usando o Explorador Ultravioleta Internacional (IUE), descobrem provas directas de que as estrelas supergigantes vermelhas terminam a sua existência em explosões massivas conhecidas como supernovas.

A 12 milhões de anos-luz de distância, na galáxia conhecida como M81, o Tipo II de supernova foi designado SN 1993J, a décima supernova do ano.
Observações: Assim que seja visível, aponte o seu telescópio para Júpiter e conseguirá ver a sombra de Europa passar pela atmosfera do planeta. Entretanto, o satélite Ganimedes reaparece da frente do gigante gasoso pelas 21:45, e a sombra de Europa desaparece cerca de 15 minutos depois.
Procure Arcturo, a "Estrela da Primavera", baixa a Este-Nordeste ao lusco-fusco e mais alta a Este após o anoitecer. A constelação de Boieiro prolonga-se para a sua esquerda. Bem para cima e para a esquerda de Arcturo está a Ursa Maior.

Dia 07/04: 97.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1983, durante a missão STS-6, os astronautas Story Musgrave e Don Peterson fazem primeio passeio espacial do vaivém espacial.
Em 1991, era activado o Observatório de Raios-Gama Compton.
Em 2001, primeiro voo com êxito do Proton M.
Em 2001 era lançada a sonda Mars Odyssey. A missão orbital tem como objectivo mapear os elementos marcianos e os minerais, procurar água e analisar o ambiente da radiação. 

Alcançou a órbita do Planeta Vermelho a 24 de Outubro de 2001, mas os seus instrumentos só foram ligados a 14 de Fevereiro de 2002.
Observações: Aproveite a noite para observar Saturno com um telescópio, que está já suficientemente alto antes da meia-noite. Quantos satélites consegue observar?

Dia 08/04: 98.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1964, lançamento da nave não-tripulada Gemini 1.

A missão terminou depois de 3 órbitas. A nave desintegra-se 3,5 dias a seguir ao lançamento. Todos os objectivos primários e secundários foram atingidos.
Em 2008, Yi So-Yeon torna-se a primeira coreana e a segunda mulher asiática a ir ao espaço.
Observações: Aproveite a noite para observar a constelação de Orionte e a respectiva Grande Nebulosa de Orionte (M42), que dentro em breve se despede dos céus nocturnos e dá as boas-vindas às constelações de Verão, como Escorpião.

 
CURIOSIDADES


Pode parecer completamente absurdo, mas o módulo lunar das missões Apollo, que levou homens à Lua, precisava de menos poder de processamento e menos memória do que os telemóveis de hoje em dia!

 
DETECTOR DE RAIOS CÓSMICOS REVELA SINAIS DE MATÉRIA ESCURA

A equipa internacional que gere o AMS (Alpha Magnetic Spectrometer) na ISS (International Space Station, Estação Espacial Internacional em português) anunciou anteontem os primeiros resultados na sua busca pela matéria escura. Os resultados, apresentados pelo porta-voz da equipa, o Professor Samuel Ting num seminário do CERN, serão publicados na revista Physical Review Letters. Relatam a observação de um excesso de positrões no fluxo de raios cósmicos.

O AMS consiste de sete instrumentos que estudam os raios cósmicos no espaço. Desprotegidos da atmosfera da Terra, os instrumentos recebem um bombardeamento constante de partículas de alta-energia. À medida que estas partículas passam pelo AMS, os instrumentos registam a sua velocidade, energia e direcção. O projecto é uma das maiores colaborações científicas de todos os tempos, envolvendo 56 institutos em 16 países (incluindo Portugal). O instrumento foi testado nas instalações da ESA nos Países Baixos antes de ser enviado para os EUA para lançamento no vaivém espacial Endeavour da NASA. Desde a sua activação a 19 de Maio de 2011, que o AMS recolheu informações detalhadas sobre mais de 31 mil milhões de eventos de partículas e enviou estes dados para análise pelos cientistas que colaboram na experiência cá na Terra. Nos seus primeiros seis meses de operação, o AMS acumulou mais dados sobre raios cósmicos do que havia sido previamente recolhido na história da Física. E o AMS continua a recolher dados sobre cerca de 1,4 mil milhões de eventos de partículas cada mês.

Do seu ponto de vista, 400 km acima da Terra, o AMS (Alpha Magnetic Spectrometer) recolhe dados dos raios cósmicos primordiais que atravessa o detector.
Crédito: NASA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Os resultados anunciados têm por base cerca de 25 mil milhões de eventos registados, incluindo 400.000 positrões com energia entre 0,5 GeV e 350 GeV, registados ao longo de um ano e meio. Isto representa a maior colecção de partículas de antimatéria já registada no espaço. A fracção de positrões aumenta de 10 GeV até 250 GeV, com os dados mostrando a inclinação do aumento reduzindo por uma ordem de magnitude ao longo da gama 20-250 GeV. Os dados não mostram variação significativa ao longo do tempo, ou em qualquer direcção preferida de entrada. Os resultados são consistentes com os positrões provenientes da aniquilação de partículas de matéria escura no espaço, mas ainda não são suficientemente conclusivos para descartar outras explicações.

"Como a medida mais precisa do fluxo de raios cósmicos de positrões até à data, estes resultados mostram claramente o poder e as capacidades do detector AMS," afirma Samuel Ting. "Nos próximos meses, o AMS irá ser capaz de nos dizer de forma conclusiva se esses positrões são um sinal da matéria escura, ou se eles têm alguma outra origem."

Os raios cósmicos são partículas carregadas de alta-energia que permeiam o espaço. A experiência AMS, instalada na ISS, está desenhada para estudá-los antes que tenham a oportunidade de interagir com a atmosfera da Terra. O excesso de antimatéria dentro do fluxo de raios cósmicos foi pela primeira vez observado há duas décadas atrás. A origem do excesso, no entanto, permanece sem explicação. Uma possibilidade, prevista por uma teoria conhecida como supersimetria, é que os positrões podem ser produzidos quando duas partículas de matéria escura colidem e aniquilam-se. Assumindo uma distribuição isotrópica de partículas de matéria escura, estas teorias preveem as observações feitas pelo AMS. No entanto, as medições do AMS não podem ainda excluir a explicação alternativa de que os positrões são originários de pulsares distribuídos em torno do plano galáctico. As teorias de supersimetria também preveem um ponto de corte de energia mais elevado, acima do intervalo de massa das partículas de matéria escura, e tal ainda não foi observado. Nos próximos anos, o AMS irá refinar ainda mais a precisão das medições, e esclarecer o comportamento da fracção de positrões com energias superiores a 250 GeV.

"Quando colocamos um novo instrumento de precisão num novo regime, tendemos a ver muitos resultados novos, e esperamos que este seja o primeiro de muitos," afirma Ting. "A AMS é a primeira experiência a atingir uma precisão de 1% no espaço. Este é o nível de precisão que nos permitirá dizer se a nossa observação de positrões tem origem na matéria escura ou em pulsares."

A matéria escura é actualmente um dos mistérios mais importantes da Física. Representando mais de um quarto do equilíbrio massa-energia do Universo, pode ser observada indirectamente através da sua interacção com a matéria visível, mas ainda tem que ser detectada directamente. As pesquisas por matéria escura são realizadas no espaço em experiências com o AMS, bem como na Terra no LHC (Large Hadron Collider) e noutras experiências instaladas em laboratórios subterrâneos.

"O resultado do AMS é um grande exemplo da complementaridade das experiências na Terra e no espaço," afirma Rolf Heuer, director-geral do CERN. "Trabalhando em conjunto, acho que podemos estar confiantes na solução deste enigma da matéria escura nos próximos anos."

Links:

Notícias relacionadas:
CERN (comunicado de imprensa)
ESA (comunicado de imprensa)
NASA (comunicado de imprensa)
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Physical Review Letters (requer subscrição)
New Scientist
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AMS-02:
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CERN
NASA
Construção e envio do AMS (YouTube)
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Raios cósmicos:
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Matéria escura:
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Antimatéria:
Wikipedia
Positrão (Wikipedia)

ISS:
ESA
NASA
Wikipedia

 
BURACO NEGRO ACORDA PARA UM PEQUENO LANCHE

Astrónomos observaram um buraco negro a acordar de um sono de décadas para alimentar-se de um objecto de baixa massa - ou uma anã castanha ou um planeta gigante - que passou muito perto. Um evento de alimentação semelhante, embora com uma nuvem de gás, irá acontecer dentro de algum tempo no centro da nossa Galáxia, a Via Láctea.

A descoberta na galáxia NGC 4845, a 47 milhões de anos-luz de distância, foi feita com o observatório espacial INTEGRAL (INTErnational Gamma-Ray Astrophysics Laboratory) da ESA, com acompanhamento de observações a partir do XMM-Newton, também da ESA, do Swift da NASA e do instrumento japonês MAXI a bordo da Estação Espacial Internacional.

Os astrónomos estavam usando o INTEGRAL para estudar uma galáxia diferente quando notaram um brilhante clarão em raios-X proveniente de outro local no mesmo campo de visão. Usando o XMM-Newton, a origem foi confirmada como NGC 4845, uma galáxia nunca antes detectada em altas energias.

Buraco negro consome um objecto de baixa massa - ou uma anã castanha ou um planeta gigante.
Crédito: ESA
(clique na imagem para ver vídeo)
 

Juntamente com o Swift e o MAXI, a emissão foi traçada a partir do seu máximo em Janeiro de 2011, quando a galáxia subiu de brilho por um factor de mil e, em seguida, diminuiu ao longo do ano.

"A observação foi completamente inesperada, de uma galáxia que tem estado calma pelo menos durante os últimos 20-30 anos," afirma Marek Nikolajuk da Universidade de Bialyostok, Polónia, autor principal do artigo que aparece na revista Astronomy & Astrophysics.

Ao analisar as características do aumento de brilho, os astrónomos puderam determinar que a emissão veio de um halo de material em torno do buraco negro central da galáxia, pois rasgou e alimentou-se de um objecto com 14-30 vezes a massa de Júpiter. Esta gama de tamanho corresponde às anãs castanhas, objectos subestelares que não têm massa suficiente para fundir o hidrogénio no seu núcleo e tornar-se estrelas.

No entanto, os autores realçam que pode ter tido uma massa ainda menor, apenas algumas vezes a de Júpiter, colocando-o na categoria de planetas gigantes gasosos.

Estudos recentes têm sugerido que objectos de massa planetária, que flutuam livremente, podem ocorrer em grandes números em galáxias, expelidos dos seus sistemas-mãe por interacções gravitacionais.

O buraco negro no centro de NGC 4845 tem uma massa estimada que ronda as 300.000 vezes a massa do nosso Sol. Também gosta de "brincar com a comida": a forma como a emissão subiu de brilho e decaiu, mostra que houve um atraso de 2-3 meses entre o objecto ser interrompido e o aquecimento dos escombros na vizinhança do buraco negro.

"Esta é a primeira vez que vimos a perturbação de um objecto subestelar por um buraco negro," afirma Roland Walter, co-autor do estudo do Observatório de Genebra, na Suíça.

"Nós estimamos que somente as suas camadas externas foram comidas pelo buraco negro, correspondente a cerca de 10% da massa total do objecto, e que um núcleo denso foi deixado em órbita do buraco negro."

O evento de aumento de brilho em NGC 4845 pode ser visto como um "aperitivo" de um evento semelhante no buraco negro supermassivo no centro da nossa própria Via Láctea, talvez ainda este ano.

Embora desta vez não existam anãs castanhas ou planetas na ementa, uma nuvem compacta de gás, correspondente a apenas algumas vezes a massa da Terra, tem sido vista a espiralar na direcção do buraco negro e prevê-se que alcance o seu destino em breve.

Juntamente com o objecto visto a ser comido pelo buraco negro em NGC 4845, estes eventos irão dizer aos astrónomos mais sobre o que acontece com o desaparecimento de diferentes tipos de objectos à medida que encontram buracos negros de vários tamanhos.

"Estima-se que eventos como estes podem ser detectados a cada poucos anos em galáxias à nossa volta, e se os identificamos, o INTEGRAL, juntamente com outros observatórios espaciais de alta energia, serão capazes de os ver da mesma maneira como em NGC 4845," afirma Christoph Winkler, cientista do projecto Integral da ESA.

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Notícias relacionadas:
ESA (comunicado de imprensa)
Artigo científico (formato PDF)
PHYSORG
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SPACE.com
POPSCI
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Nature World News
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SIC Notícias

INTEGRAL:
ESA
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Observatório XMM-Newton:
ESA
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Telescópio Swift:
NASA
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MAXI:
JAXA
NASA
Wikipedia

Anãs castanhas:
Wikipedia
NASA
Andy Lloyd's Dark Star Theory

Buracos negros:
Wikipedia

Buracos negros supermassivos:
Wikipedia

Via Láctea:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia
SEDS

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Cometa PanSTARRS e Galáxia de Andrómeda
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Pavel Smilyk
 
Actualmente, o Cometa PanSTARRS está a passar perto da Galáxia de Andrómeda. Por coincidência, tanto o cometa como a galáxia parecem ter quase o mesmo tamanho angular. Em termos físicos, embora o Cometa PanSTARRS seja actualmente o maior objecto do Sistema Solar, com uma cauda que mede cerca de 15 vezes o diâmetro do Sol, ainda é cerca de 70 mil milhões de vezes mais pequeno que a Galáxia de Andrómeda (M31). A imagem acima foi capturada a 30 de Março, perto de Syktyvkar, Rússia. À medida que C/2011 L4 (PanSTARRS) em baixo e à esquerda afasta-se do Sol e escurece, retoma o percurso Norte de onde é originário. Não se sabe quando o cometa regressa.
 

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