Problemas ao ver este email? Consulte a versão web.

Edição n.º 990
30/08 a 02/09/2013
 
Siga-nos:      
 
 
EFEMÉRIDES

Dia 30/08: 242.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1984, o vaivém Discovery fazia a sua viagem inaugural, a missão STS-41-D.

Observações: Antes do amanhecer, Júpiter brilha para baixo e um pouco para a esquerda da Lua.

Dia 31/08: 243.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1998, a Coreia do Norte lança, alegadamente, o seu 1.º satélite, chamado Kwangmyŏngsŏng-1.

Observações: Antes do amanhecer, Júpiter brilha para a esquerda da Lua. Encontram-se em Gémeos a Este. Procure Orionte para a sua direita.

Dia 01/09: 244.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1804, Juno, um dos maiores asteróides da cintura principal, é descoberto pelo astrónomo alemão Karl Ludwig Harding.
Em 1859, o físico solar Richard Carrington observa a primeira proeminência solar.

Uma intensa aurora ocorreu no dia seguinte.
Em 1979, voo rasante da Pioneer 11 por Saturno (maior aproximação, 20.900 km). A Pioneer 11 mapeou a magnetosfera e o campo magnético de Saturno e descobriu que a sua maior lua, Titã, era fria demais para suportar vida.
Em 2000, um objecto com meio quilómetro, conhecido como 2000 QW7 - apenas descoberto a 26 de Agosto de 2000, com o sistema NEAT da NASA/JPL - passou pela Terra a uma distância ligeiramente maior que 12 vezes a distância à Lua. 
Observações: Antes do amanhecer, a Lua encontra-se para baixo de Júpiter. Ainda mais para baixo e um pouco para a esquerda, está também o planeta Marte.

Dia 02/09: 245.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1859, uma super tempestade solar afecta serviços telegráficos por toda a Europa, América, Japão e Austrália.
Em 1970, a NASA anuncia o cancelamento de duas missões Apollo à Lua, a Apollo 15 (a mesma designação é re-usada numa missão posterior) e a Apollo 19.

Observações: Antes do amanhecer, a Lua encontra-se para a direita de Marte. Encontram-se ambos na constelação de Caranguejo. Para cima temos Gémeos, com as brilhantes estrelas Pollux e Castor, bem como o planeta Júpiter para a sua direita.

 
CURIOSIDADES


Um ano-luz é equivalente a 9,46x10^12 km.

 
IDENTIFICADA GÉMEA DO SOL MAIS VELHA CONHECIDA ATÉ À DATA

Uma equipa internacional liderada por astrónomos no Brasil utilizou o VLT (Very Large Telescope) do ESO para identificar e estudar a estrela gémea do Sol mais velha conhecida até agora. Situada a 250 anos-luz de distância da Terra, a estrela HIP 102152 é mais parecida com o Sol do que qualquer outra do mesmo tipo - com a excepção de ser cerca de quatro mil milhões de anos mais velha. Esta, mais velha mas quase idêntica, gémea do Sol dá-nos a possibilidade de ver como será a nossa estrela quando envelhecer. As novas observações fornecem também uma primeira ligação clara entre a idade de uma estrela e o seu conteúdo em lítio, e adicionalmente sugerem que a HIP 102152 possui planetas rochosos do tipo terrestre na sua órbita.

Os astrónomos apenas observam o Sol com o auxílio de telescópios desde há 400 anos - uma pequeníssima fracção da idade do Sol, o qual tem mais de quatro mil milhões de anos. É muito difícil estudar a história e a evolução futura da nossa estrela, mas uma maneira de o conseguir consiste em procurar estrelas raras que sejam quase exactamente iguais à nossa, mas que estejam em diferentes fases da sua vida. Agora, os astrónomos conseguiram identificar uma estrela que é essencialmente uma gémea idêntica do nosso Sol, mas 4 mil milhões de anos mais velha - é quase como ver uma versão real do paradoxo dos gémeos em acção.

Jorge Melendez (Universidade de São Paulo, Brasil), o líder da equipa e co-autor do novo artigo científico que descreve os resultados, explica: "Há décadas que os astrónomos procuram estrelas gémeas do Sol, de modo a conhecer melhor a nossa própria estrela, dadora de vida. No entanto, têm sido encontradas muito poucas, desde que a primeira foi descoberta em 1997. Mas agora obtivemos espectros de soberba qualidade com o VLT e pudemos assim examinar detalhadamente gémeas solares com extrema precisão, e saber se o Sol é especial."

O ciclo de vida de uma estrela parecida com o Sol.
Crédito: ESO/M. Kornmesser
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A equipa estudou duas gémeas solares - uma que se pensou ser mais jovem que o Sol (18 Scorpii) e outra que se esperava que fosse mais velha (HIP 102152). A equipa utilizou o espectrógrafo UVES, acoplado ao VLT que está instalado no Observatório do Paranal do ESO, para separar a radiação nas suas componentes de cor, de modo a poder estudar em detalhe a composição química e outras propriedades destas estrelas.

Descobriu-se que HIP 102152, situada na constelação do Capricórnio, é a gémea solar mais velha conhecida até à data. Estima-se que tenha 8,2 mil milhões de anos de idade, comparada com os 4,6 mil milhões de anos do nosso Sol. Por outro lado confirmou-se que 18 Scorpii é mais nova que o Sol - tem cerca de 2,9 mil milhões de anos de idade.

O estudo de HIP 102152, estrela velha gémea do Sol, permite aos cientistas prever o que pode acontecer ao nosso próprio Sol quando chegar a essa idade. A equipa fez já uma descoberta importante. "Uma das coisas que queríamos saber era se o Sol terá uma composição química típica," diz Melenez. "E, mais importante ainda, porque é que tem uma quantidade de lítio tão estranhamente baixa?"

O lítio, o terceiro elemento da tabela periódica, foi criado durante o Big Bang, ao mesmo tempo que o hidrogénio e o hélio. Os astrónomos ponderam há anos porque é que algumas estrelas têm menos lítio que outras. Com as novas observações de HIP 102152, deu-se um grande passo em direcção à resolução deste mistério ao descobrir-se uma forte correlação entre a idade de uma estrela como o Sol e o seu conteúdo em lítio.

O nosso Sol tem actualmente apenas 1% do conteúdo em lítio que estava presente na matéria a partir da qual se formou. A investigação de estrelas gémeas do Sol mais novas, apontava para o facto destas irmãs mais jovens terem uma quantidade significativamente maior de lítio, mas até agora os cientistas não tinham conseguido demonstrar a existência de uma correlação clara entre a idade e o conteúdo em lítio.

TalaWanda Monroe (Universidade de São Paulo), o autor principal do novo artigo conclui: "Descobrimos que HIP 102152 tem níveis muito baixos de lítio, o que demonstra claramente, e pela primeira vez, que as gémeas solares mais velhas têm efectivamente menos lítio do que o nosso Sol ou estrelas gémeas solares mais novas. Podemos agora ter a certeza que as estrelas à medida que envelhecem, destroem de algum modo o seu lítio." Ainda não é claro como é que o lítio é destruído no seio das estrelas, embora vários processos tenham sido propostos para transportar o lítio desde a superfície da estrela até às suas camadas mais profundas, onde será então destruído.

O último ponto desta história é que HIP 102152 tem um padrão de composição química subtilmente diferente da maioria das outras gémeas solares, mas semelhante ao Sol. Ambas mostram uma deficiência dos elementos que são abundantes em meteoritos e na Terra, o que é uma evidência forte no sentido de HIP 102152 poder albergar planetas rochosos do tipo terrestre.

Links:

Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
Artigo científico (formato PDF)
Universe Today
Astronomy
SPACE.com
redOrbit
PHYSORG
ScienceDaily
UPI.com

Sol:
Wikipedia
Núcleo de Astronomia do CCVAlg

VLT:
Página oficial
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

Paradoxo dos gémeos:
Wikipedia

 
CIENTISTAS DETECTAM ÁGUA MAGMÁTICA NA SUPERFÍCIE DA LUA

Cientistas detectaram água magmática - água originária do interior da Lua - na superfície da Lua. Estes achados, publicados na edição de 25 de Agosto da revista Nature Geoscience, representam a primeira detecção remota deste género de água lunar, a partir de dados do instrumento M3 (Moon Mineralogy Mapper) a bordo da sonda indiana Chandrayaan-1.

A descoberta representa uma contribuição empolgante para a compreensão em rápida mudança da água lunar, afirma Rachel Klima, geóloga planetária do Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins em Laurel, no estado americano do Maryland, autora principal do artigo.

"Durante muitos anos, os cientistas pensaram que as rochas eram 'secas' e que a água detectada nas amostras das Apollo tinham que ser contaminação da Terra," afirma Klima, que também faz parte do NLSI (NASA Lunar Science Institute). "Há cerca de cinco anos atrás, novas técnicas laboratoriais utilizadas para investigar amostras lunares revelaram que o interior da Lua não é tão seco como se pensava anteriormente. Ao mesmo tempo, sondas em órbita detectaram água na superfície lunar, que se pensa ser uma fina camada formada quando o vento solar a atinge."

A sonda Chandrayaan-1, a primeira missão lunar da Índia, entrou em órbita do nosso satélite a 8 de Novembro de 2008.
Crédito: ISRO
 

"Esta água superficial infelizmente não nos deu qualquer informação acerca da água magmática que existe na crosta e manto lunares, mas fomos capazes de identificar os tipos de rocha em torno e dentro da cratera Bullialdus," afirma o co-autor Justin Hagerty, do USGS (U.S. Geological Survey). "Estes estudos podem ajudar-nos a melhor compreender como a água superficial surgiu e onde pode existir no manto lunar."

Em 2009, o M3, a bordo da sonda indiana Chandrayaan-1, mapeou totalmente a cratera de impacto Bullialdus. "Está a 25º do equador e por isso não se encontra num local favorável para o vento solar produzir água superficial em quantidades significativas," explicou Klima. "As rochas no pico central da cratera são de um tipo chamado norite que normalmente cristaliza quando o magma sobe mas fica preso no subsolo, em vez de entrar em erupção para a superfície como lava. A cratera Bullialdus não é o único local onde este tipo de rocha foi já encontrado, mas a exposição destas rochas, combinadas com uma abundância geralmente baixa de água regional, permitiu-nos quantificar a água interna nestas rochas."

Após examinar os dados M3, Klima e colegas descobriram que a cratera tem significativamente mais hidroxilo - uma molécula composta de um átomo de oxigénio e um átomo de hidrogénio - em comparação com os seus arredores. "As características de absorção de hidroxilo são consistentes com hidroxilo ligado a minerais magmáticos que foram escavados pelo impacto que formou a cratera Bullialdus," escreve Klima.

Imagem obtida pela sonda LRO (Lunar Reconnaissance Orbiter) da cratera Bullialdus com 60 km de diâmetro.
Crédito: NASA/GSFC/Universidade Estatal do Arizona
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A água magmática fornece informações sobre os processos vulcânicos da Lua e sua composição interna," acrescenta Klima. "A compreensão desta composição interna ajuda-nos a responder questões sobre a formação da Lua, e como os processos magmáticos mudaram quando arrefeceu. Já foram feitas algumas medições de água interna em amostras lunares, mas até agora esta forma de água lunar nativa não tinha sido detectada a partir de órbita."

A detecção de água interna a partir de órbita significa que os cientistas podem começar a testar algumas das conclusões de estudos de amostras num contexto mais amplo, incluindo em regiões que estão muito longe dos locais de aterragem das missões Apollo. "Agora precisamos de procurar noutros lugares na Lua e tentar testar as nossas conclusões acerca da relação entre os elementos-traço incompatíveis (por exemplo, tório e urânio) e a assinatura de hidroxilo," realça Klima. "Em alguns casos, isto implicará a quantificação de água superficial provavelmente produzida por interacções com o vento solar, por isso vai exigir a integração de dados de várias missões orbitais."

"Esta pesquisa impressionante confirma análises laboratoriais de amostras de rochas recolhidas pelas missões Apollo, e vai ajudar a ampliar a nossa compreensão de como surgiu esta água e onde pode existir no manto lunar," conclui Yvonne Pendleton, directora do NLSI.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins (comunicado de imprensa)
USGS (comunicado de imprensa)
Nature Geoscience (requer subscrição)
Apresentação sobre hidroxilo (formato PDF)
Universe Today
Astronomy
SPACE.com
redOrbit
PHYSORG
euronews
UPI.com
AstroPT
Jornal Digital
Diário de Notícias

Lua:
Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
Wikipedia

Chandrayaan-1:
Página oficial
ISRO
Wikipedia

M3 (Moon Mineralogy Mapper):
NASA
Wikipedia

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  Rover Curiosity estreia navegação autónoma (via NASA)
O rover Curiosity da NASA usou a navegação autónoma pela primeira vez, uma capacidade que permite ao veículo decidir por si próprio como conduzir em segurança pela superfície de Marte. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - As Galáxias Espirais em Colisão de Arp 271
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Observatório GeminiGMOS-SouthNSF
 
O que irá acontecer a estas galáxias? As galáxias espirais NGC 5426 e 5427 estão a passar perigosamente próximo uma da outra, mas é provável que sobrevivam à colisão. Frequentemente, quando as galáxias colidem, uma grande galáxia "come" uma galáxia muito mais pequena. No entanto, neste caso as duas galáxias são muito semelhantes, cada uma esplêndida espiral com grandes braços e um núcleo compacto. À medida que as galáxias se aproximam durante as próximas dezenas de milhões de anos, as suas estrelas muito provavelmente não irão colidir, embora novas possam nascer na revolução gasosa provocada pelas forças de maré. Uma inspecção mais detalhada da imagem, tirada pelo telescópio de 8 metros Gemini-Sul no Chile, mostra uma ponte de material ligando momentaneamente as duas gigantes. Conhecidas colectivamente como Arp 271, o par em interacção cobre uma área de aproximadamente 130.000 anos-luz e situa-se a 90 milhões de anos-luz de distância na direcção da constelação de Virgem. As recentes previsões afirmam que a Via Láctea irá também colidir com a nossa vizinha Galáxia de Andrómeda, daqui a alguns milhares de milhões de anos.
 

Arquivo | Feed RSS | CCVAlg.pt | CCVAlg - Facebook | CCVAlg - Twitter | Remover da lista

Os conteúdos das hiperligações encontram-se na sua esmagadora maioria em Inglês. Para o boletim chegar sempre à sua caixa de correio, adicione listmaster@ccvalg.pt à sua lista de contactos. Este boletim tem apenas um carácter informativo. Por favor, não responda a este email. Contém propriedades HTML - para vê-lo na sua devida forma, certifique-se que o seu cliente suporta este tipo de mensagem, ou utilize software próprio, como o Outlook, o Windows Mail ou o Thunderbird.

Recebeu esta mensagem por estar inscrito na newsletter do Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve. Se não a deseja receber ou se a recebe em duplicado, faça a devida alteração clicando aqui ou contactando-nos.

Esta mensagem do Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve destina-se unicamente a informar e não pode ser considerada SPAM, porque tem incluído contacto e instruções para a remoção da nossa lista de email (art. 22.º do Decreto-lei n.º 7/2004, de 7 de Janeiro).

2013 - Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve.