Sabemos menos do que pensávamos acerca do nosso vizinho galáctico mais próximo. Um mapa dos subúrbios da galáxia de Andrómeda mostra que o seu disco de estrelas é três vezes maior do que o medido anteriormente.
A galáxia de Andrómeda é uma galáxia espiral em tudo semelhante à nossa própria Via Láctea. Embora existam galáxias anãs mais próximas de M31, esta é a maior galáxia vizinha - a cerca de 2 milhões de anos-luz da Terra. Um ano-luz é a distância que a esta percorre num ano, cerca de 10 biliões de quilómetros.
Com um céu moderadamente escuro, Andrómeda pode ser vista a olho nu como uma grande mancha enevoada.
Scott Chapman, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, apresentou os seus resultados duma pesquisa sobre os movimentos estelares de Andrómeda no 206.º Encontro da Sociedade Astronómica Americana.
"O que fizémos foi medir a velocidade radial das estrelas nas regiões exteriores - basicamente, quão depressa se aproximavam ou se afastavam de nós," disse Chapman durante uma conferência de imprensa ontem.
Chapman foi um dos astrónomos na equipa, que usou o telescópio Keck para medir as velocidades de 5,000 estrelas nos arredores de Andrómeda. Ficaram surpresos quando descobriram que estas estrelas estavam na realidade a rodar como se fossem parte do disco da galáxia. Esperava-se que as suas trajectórias fossem aleatórias.
"Encontrar todas estas estrelas numa rotação ordenada era provavelmente a última hipótese que alguém se lembraria," disse Chapman.
A implicação deste novo facto, é que o disco situa-se agora nos 220,000 anos-luz de diâmetro, em vez das anteriores estimativas de 70,000 ou 80,000 anos-luz. No nosso céu, isto significa que Andrómeda estica-se a um comprimento aparente de 12 Luas Cheias.
A periferia de Andrómeda é ténue - representa cerca de 10% da luz da galáxia. No entanto, existem milhões de estrelas presumivelmente orbitando esta região exterior.
Ao observar componentes separados da galáxia, podemos tentar perceber como M31 cresceu com o passar do tempo. Pensa-se que a região central da espiral tenha sido formada primeiro, com o disco de rotação vindo depois. O tipo e órbita das estrelas em certas regiões, indica uma espécie de registo fóssil da sua história evolucionária.
Andrómeda é um "laboratório ideal" devido a estar tão perto, mesmo estando fora da nossa galáxia.
"É muito difícil estudar esta evolução na nossa Via Láctea porque nos encontramos mesmo no meio dela," disse Chapman.
E este laboratório está cheio de puzzles. Além do novo tamanho de M31, os cientistas arduamente se questionam sobre o facto das estrelas exteriores estarem agrupadas em 20 amontoados identificáveis. Isto poderá implicar que se formaram a partir de fusões de galáxias mais pequenas com a principal.
Mas os discos de rotação e grupos não são compatíveis nos modelos de formação galáctica.
"A descoberta deste disco gigante será difícil de conciliar com as simulações computacionais de galáxias em formação," disse Rodrigo Ibata do Observatório Astronómico de Estrasburgo. "Simplesmente não se formam discos rotacionais gigantes a partir da acreção de fragmentos de pequenas galáxias."
Chapman disse que se uma junção for a explicação correcta, terá de ter ocorrido relativamente há pouco tempo - dentro dos últimos 200 milhões de anos. De outra maneira, os grupos deveriam ter simplesmente se desfragmentado. Podemos, por isso, estar a observar o nosso grande vizinho galáctico num momento raro da sua história - após ter consumido uma das suas pequenas galáxias companheiras.
Links:
Press release:
http://pr.caltech.edu/media/Press_Releases/PR12703.html
Notícias relacionadas:
http://www.universetoday.com/am/publish/andromeda_3_times_larger.html?3052005
http://www.reuters.com/newsArticle.jhtml?type=scienceNews&storyID=8643726
http://abcnews.go.com/Technology/wireStory?id=803978
http://www.physorg.com/news4310.html
Scott C. Chapman:
http://www.astro.caltech.edu/~schapman/m31.html
http://www.astro.caltech.edu/%7Eschapman/halo.html