Os astrónomos irão dentro em breve observar um espectáculo celeste de perto, quando um cometa que se está fragmentando em mais de 30 bocados passar pela Terra. O cometa 73P/Schwassmann-Wachmann 3 tem vindo a fragmentar-se desde 1995, mas entre os dias 12 e 14 de Maio estará mais perto da Terra do que qualquer outro cometa desde 1983.
Felizmente não ameaça o nosso planeta dado que, mesma na sua maior aproximação, o mais próximo dos bocados estará vinte vezes mais distante que a Lua.
Mas os astrónomos de todo o mundo irão aproveitar a relativa próxima passagem. Os telescópios espaciais Hubble e Spitzer irão juntar-se a dúzias de observatórios terrestres para a campanha de observação. E os cientistas esperam que o mais brilhante dos fragmentos cometários seja visível de binóculos e possivelmente, embora tenuamente, a olho nu.
Ao estudar os materiais expostos pela fragmentação, os astrónomos esperam aprender mais sobre o interior dos cometas, onde os ingredientes originais dos primeiros tempos de vida do Sistema Solar pensa-se que estejam preservados. Por essa razão, alguns astrónomos vêm o evento como uma versão grátis da explosiva missão Deep Impact da NASA.
Também esperam compreender melhor o como e porquê de tais cometas se fragmentarem. Por razões ainda largamente desconhecidas, o cometa 73P partiu-se em cinco bocados em 1995. Sabe-se que forças gravitacionais partem alguns cometas, tal como o famoso cometa Shoemaker-Levy 9 que acabou a sua existência com uma espectacular colisão em Júpiter. Mas o cometa 73P segue uma órbita solar de 5.4 anos que não o leva nem perto de Júpiter ou do Sol o suficiente para os seus puxos gravitacionais serem os culpados.
O gatilho inicial que começou o processo de fragmentação do cometa 73P em 1995 é ainda uma matéria especulativa. "Suspeitamos que a rotação possa contribuir, mas pode não ser só a rotação. Pode até haver uma espécie de stress termal," diz Zdenek Sekanina, físico cometário no JPL da NASA na Califórnia.
Uma pista acerca deste mistério poderá vir da cronologia de observações em 1995. Os astrónomos observaram dois súbitos aumentos de brilho do cometa em Setembro e em Novembro. Seguidamente, em Dezembro, os observadores capturaram o primeiro olhar do cometa 73P na sua forma fragmentária.
Tais "flares" pensam-se que sejam causados pela sublimação de gelo exposto a partir do interior do cometa. Os cometas fragmentários são regularmente detectados devidos a estes aumentos no seu brilho. Mas permanece incerto se causam de facto a sua fragmentação ou se são simplesmente um efeito posterior da quebra que ocorreu através de outros processos.
Em qualquer caso, o cometa 73P está ainda em fragmentação. O resto do cometa-mãe é conhecido como componente C e aos outros pedaços foram atribuídos letras seguintes do alfabeto. Até esta semana, os astrónomos já tinham contado e nomeado 37 fragmentos.
Alguns dos pedaços sobreviveram duas órbitas em torno do Sol desde a divisão original em 1995. Mas outros perderam-se. Por exemplo, os componentes A, D, E e F não foram avistados este ano. Podem ter-se fragmentado em bocados demasiado pequenos para serem observados ou podem simplesmente não estar activos, e por isso invisíveis. Mas pelo menos 33 mini-cometas poderão proporcionar um espectáculo de luz quando passarem pela Terra.
Alguns cometas fragmentários, tal como o Cometa Biela no século XIX, produziram chuvas de meteoros quando passavam pelo nosso planeta. Mas Paul Wiegert, da Universidade de Western Ontario, não espera que tal aconteça em Maio, com base na natureza da fragmentação de 1995.
Ele diz que a nuvem de detritos do cometa provavelmente só alcançará a Terra em 2022. "Mas as coisas mudaram um bocado porque o cometa continua a fragmentar-se," acrescenta. "Por isso é um bocado difícil dizer se veremos ou não chuvas de meteoros [do cometa 73P] este ano."
Links:
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Xinhua
Yahoo! News
Universe Today
NASA
Cometa 73P/Schwassmann-Wachmann 3:
Gary W. Kronk's Cometography
Seiichi Yoshida
Wikipedia
Efemérides (NEO)
Efemérides (Harvard)