No início deste ano, os astrónomos observaram a explosão superficial de uma anã branca no sistema RS Ophiuchi. Localizada a 5,000 anos-luz de nós, o sistema RS Ophiuchi é constituído por uma anã branca e por uma estrela gigante vermelha colocada em órbita com ela. A estrela anã branca eventualmente estará a orbitar dentro do envelope estelar da estrela gigante vermelha e a retirar massa de tal forma que eventualmente virá a explodir como uma supernova.
A 12 de Fevereiro de 2006, os amantes do céu detectaram uma nova que apareceu de forma drástica, tornando-se visível à vista desarmada. A causa deste aumento repentino do brilho foi a explosão termonuclear das camadas mais externas de uma anã branca.
No entanto, a erupção foi minúscula quando comparada com o que se pensa que estará para vir. Os astrónomos previram que esta estrela poderá vir a explodir violentamente na forma de uma supernova no futuro, lançando os seus restos gasosos pelo espaço, o que dará aos astrónomos uma oportunidade única para refinar o seu conhecimento físico sobre um tipo de estrelas raro que pode gerar esse tipo de explosões violentas.
Usando telescópios e imagens de satélite (observatórios espaciais), diversas equipas de observadores estudaram RS Ophiuchi a diversos comprimentos de onda. As suas observações demonstraram que a explosão foi muito mais complexa do que estavam à espera. Normalmente, o modelo explosivo computacional considera uma explosão concêntrica em todas as direcções mas as observações de RS Ophiuchi mostram a existência de dois jactos com sentidos opostos e uma possível estrutura de anel.
“As imagens de rádio representam a primeira vez desde sempre que se observam jactos num sistema de uma estrela anã branca.” disse Michael Rupen do National Radio Astronomy Observatory. “Vemos literalmente os jactos a ligar-se .’”
Sistemas como RS Ophiuchi podem gerar supernovas (chamadas supernovas do tipo 1a). Como este tipo de supernovas é despoletado quando a anã branca atinge a mesma massa (por acreção da sua companheira), têm mais ou menos o mesmo brilho intrínseco. Isto faz deste tipo de supernovas um objecto muito interessante em termos da medição de distâncias no Universo.
Com o observatório espacial Rossi X-ray Timing Explorer, os cientistas calcularam que a massa da anã branca está muito próximo do limite de Chandrasekhar de 1.4 massas solares a partir do qual a anã branca terá que colapsar para se tornar um objecto mais denso.
“Um dia RS Ophiuchi vai explodir. O que aconteceu em Fevereiro foi apenas um pequeno percursor de um evento maior que está para vir,” disse Koji Mukai (NASA Goddard Space Flight Center).
Um artigo relativo a este evento foi publicado na revista Nature desta semana. Os autores do artigo foram Jennifer Sokoloski e Gerardo Luna do Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics, com Koji Mukai e Scott Kenyon do NASA Goddard Space Flight Center.
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CfA (Fonte)
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