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"GOTAS" DE DESCOBERTAS PLANETÁRIAS TORNAM-SE UMA "INUNDAÇÃO"
13 de Junho de 2007
 

Os mundos para lá do Sistema Solar, outrora escondidos de todo o Conhecimento, estão agora sendo descobertos às "carradas", deslumbrando os astrónomos com as suas características únicas e impressionantes números. As descobertas são agora tão comuns que cada vez mais não são anunciadas fora dos círculos científicos.

Sigamos, por exemplo, o anúncio feito no fim de Maio de um planeta massivo, de nome TrES-3, que gira em torno da sua estrela em apenas 31 horas, dando a este planeta um ano com 1.3 dias terrestres. Os astrónomos comunicaram esta descoberta à imprensa, mas provavelmente nem sequer ouviu falar dele porque a descoberta foi eclipsada por outros anúncios de outros planetas e não recebeu quase nenhuma cobertura mediática.

"É praticamente rotina", disse Alan Boss, teórico de formação planetária no Instituto Carnegie em Washington. "A maioria dos planetas descobertos não são merecedores de um anúncio à imprensa porque simplesmente estão-se tornando 'apenas mais um planeta.'"

O total está agora em mais de 200 planetas extrasolares confirmados. E isto é só a ponta do iceberg no que respeita à caça de exoplanetas. Os astrónomos nunca tiveram tantas ferramentas ao seu dispor, e a tecnologia está tão avançada que a descoberta planetária tornou-se como que vulgar.

A regularidade de achados planetários, felizmente, é amortecida pela selvagem variedade das próprias descobertas, incluindo os seguintes contrastes: mundos jovens com apenas um milhão de anos vs. aqueles que têm milhares de milhões de anos; gasosos gigantes, quentes ou gelados; planetas que giram em torno da sua estrela com uma incrível velocidade cósmica e outros que parecem arrastar-se à velocidade de um caracol; e planetas que orbitam estrelas duplas, anãs vermelhas e outras estrelas falhadas.

Os astrónomos avistaram TrES-3 como parte do "Trans-atlantic Exoplanet Survey" enquanto procuravam planetas em trânsito, ou seja, aqueles que passam directamente em frente da sua estrela-mãe, em relação ao ponto de vista da Terra. Foi detectado com uma rede de telescópios no Arizona, Califórnia, e nas Ilhas Canárias. Quando TrES-3 passou em frente da sua estrela, os telescópios capturaram uma ténue diminuição no brilho da mesma, de mais ou menos 2.5%. Os cientistas usaram esta diminuição de brilho para estimar a massa do planeta, tamanho e outras propriedades.

Está localizado a 800 anos-luz de distância na constelação de Hércules, aproximadamente 10º Oeste de Vega, uma das estrelas mais brilhantes dos céus de Verão no Hemisfério Norte. "É também um planeta muito massivo - cerca de duas vezes a massa do maior planeta do Sistema Solar, Júpiter - e com um dos mais pequenos períodos conhecidos," disse o co-descobridor de TrES-3, Georgi Mandushev do Observatório Lowell no Arizona. O gigante orbita tão perto da sua estrela (cerca de 50 vezes mais perto que a Terra está do Sol) que os astrónomos estimam que a sua temperatura alcance os 1500 Kelvin.

Embora o "método de trânsito" providencie aos astrónomos a melhor informação indirecta sobre um planeta extrasolar, até agora foram apenas detectados 20 planetas com esta técnica. É por isso que as equipas com mais êxito (tendo como base o número de exoplanetas descobertos) apoiam-se no chamado método de oscilação, ou técnica de velocidade-radial.

"As equipas de velocidade-radial são as que têm mais sucesso," disse Boss. "São uma vítima do seu próprio êxito. São capazes de conseguir cada vez mais tempo de telescópio, porque conseguem provar aos seus comités de atribuição de tempo que 'se nos derem tantas mais noites provavelmente conseguimos encontrar tantos mais planetas,'" disse Boss. Acrescentou: "A chave de sucesso para encontrar mais planetas é simplesmente ter mais tempo num telescópio."

Em adição a encontrar novos mundos, este campo em franca expansão já alcançou muitos "primeiros". Em 2001, uma equipa liderada por David Charbonneau do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica usou o Telescópio Espacial Hubble para detectar pela primeira vez a atmosfera de um "Júpiter Quente" extrasolar chamado HD 209458b.

Outro "Júpiter Quente", Upsilon Andromeda b, revelou pela primeira vez um exoplaneta com uma variação de temperatura na sua superfície: num lado as temperaturas rivalizam aquelas encontradas dentro de um vulcão, enquanto a outra face desce abaixo do ponto de congelação.

Os superlativos também abundam, com descobertas ganhando fama como o mais ventoso, o mais pequeno, o mais massivo e o de órbita mais rápida.

  • Mais pequeno período orbital em catálogo: HD 41004 B b completa uma órbita completa em 1.328 dias.
  • Órbita mais longa: HD 154345 b demora 13,000 dias a orbitar a sua estrela-mãe.
  • Planeta mais leve: Gliese 581 C pesa apenas cinco massas terrestres.

Num esforço de acompanhar a cada vez mais rápida e maior lista de planetas extrasolares, um grupo de astrónomos publicou um catálogo de exoplanetas vizinhos numa área compreendida até 652 anos-luz da Terra numa edição de 2006 do "Astrophysical Journal", embora reconheçam que actualizações terão que ser feitas numa base rotineira." Sem dúvida, o catálogo aqui apresentado ficará desactualizado antes mesmo de ser publicado," já diziam os autores no artigo do trabalho.

Mas com tão grande amostra de relativamente próximos planetas extrasolares, os teóricos têm agora a chance de testar as suas teorias no "mundo real." "Todo este despoletar de descobertas exoplanetárias tem sido uma grande dádiva para os teóricos porque até agora tiveram apenas um sistema planetário para estudar - o nosso," disse Mandushev. Por exemplo, quando é que um objecto deixa de ser um planeta para se tornar numa estrela (um ponto limiar que a teoria coloca entre 10 a 15 massas de Júpiter ou mais, no qual um objecto consegue despoletar a fusão do hidrogénio e começa a emitir brilho estelar)?

O objectivo final, dizem muitos caçadores de planetas, é encontrar planetas tipo-Terra, ou pelo menos com massas, órbitas e composições rochosas semelhantes às da Terra. E mais: encontrar estes atributos tipo-Terra seria praticamente o mesmo que encontrar vida. Até agora não foram identificadas nenhumas outras "Terras", embora estejam a aparecer observatórios com a sensibilidade suficiente para detectar pequenos objectos que orbitam longe das suas estrelas, tal como o nosso planeta. "A procura ainda está no seu auge no que respeita a planetas rochosos tipo-Terra," disse Jason Wright, astrónomo na Universidade da Califórnia, Berkeley, que pertencia à equipa que compilou o catálogo exoplanetário. E os astrónomos identificaram o primeiro planeta tipo-Terra que poderia suportar água líquida e até vida. A "super Terra," Gliese 581 c, pesa aproximadamente cinco massas terrestres e ou é um planeta rochoso ou um coberto totalmente por oceanos, especulam os astrónomos.

Os sistemas multi-planetários são também um objectivo. Até agora foram identificados 25 sistemas multi-planetários, nos quais dois contêm quatro planetas.

"Ainda não descobrimos um clone do Sistema Solar," disse Bodd. "Mas isso é excluindo apenas provavelmente 10% das estrelas. Os outros 90% podem ter sistemas estelares análogos e não o saberíamos porque ainda não recolhemos dados durante tempo suficiente para aí encontrar sistemas planetários."

Links:

Notícias relacionadas:
Comunicado de imprensa da descoberta de TrES-3
Artigo científico sobre TrES-3 (PDF)
MSNBC
SPACE.com

Planetas extrasolares:
Wikipedia
Wikipedia (lista)
Wikipedia (lista de extremos)
Catálogo de planetas extrasolares vizinhos (PDF)
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares
Exosolar.net
Extrasolar Visions

 


Uma imagem computorizada mostra TrES-3 e a sua estrela companheira, que é um pouco mais pequena e fria que o Sol. O gigante gasoso tem duas vezes o tamanho de Júpiter.
Crédito: Jeffrey Hall/Observatório Lowell
(clique na imagem para ver versão maior)


Imagem computorizada que mostra o trânsito de TrES-3.
Crédito: Jeffrey Hall/Observatório Lowell
(clique na imagem para ver versão maior)


Impressão de artista de Upsilon Andromedae b.
Crédito: NASA
(clique na imagem para ver versão maior)


Comparação entre a Terra e o Gliese 581 c.
Crédito: NASA

 
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