Não é todos os dias que se observa algo totalmente novo no céu. Mas foi isso que investigadores australianos e americanos anunciaram esta semana. Descobriram uma gigantesca emanação de energia que veio do exterior da nossa Galáxia e que durou apenas 5 milissegundos. Mais rápido que qualquer piscar de olho.
Os astrónomos da Universidade de Swinburne e da Universidade de West Virginia anunciaram a sua inesperada descoberta num artigo da revista Science.
A descoberta foi feita por acaso. Os astrónomos estavam a analisar no rádio as observações de pulsares (estrelas de neutrões rotativas resultantes da "morte" de estrelas muito massivas sob a forma de supernovas) quando verificaram um sinal extremamente brilhante nas suas imagens.
Estavam a observar a Pequena Nuvem de Magalhães (uma galáxia irregular próxima, visível à vista desarmada no Hemisfério Sul e que foi descoberta no século XVI pelo português Fernão de Magalhães na primeira viagem de circumnavegação) e tiveram a felicidade de obter a emissão no seu campo, um pouco ao lado do local da galáxia.
Baseados nas suas análises posteriores, o que quer que tenha gerado a erupção de ondas rádio encontra-se a milhões de anos-luz de nós e é muito pequeno, pois não surge noutras imagens do mesmo campo a diversos comprimentos de onda.
O que terá sido afinal a causa da emanação?
Existem duas teorias. Uma é a de que se terá tratado de uma colisão entre um par de estrelas de neutrões. Estes objectos exóticos, que como já se disse, são os restos de supernovas de estrelas massivas, terão espiralando um para o outro e eventualmente poderão ter-se fundido. Os astrónomos pensavam que este tipo de evento poderia causar uma erupção de raios gama (GRB-gama ray burst) mas um flash de ondas rádio nunca tinha sido observado.
Outra explicação, ainda mais exótica, é a de que possa tratar-se da morte de um buraco negro. Stephen Hawking, um dos mais famoso astrofísicos teóricos vivos propôs que os buracos negros poderiam eventualmente evaporar-se perdendo massa ao longo de grandes períodos de tempo. À medida que o buraco negro perde massa a evaporação acelera e poderia dar-se de forma muito rápida, talvez com um flash na região do rádio como o agora observado.
Baseados no facto da descoberta ser uma coincidência, os astrónomos acreditam que este fenómeno poderá ocorrer com frequência, um pouco por todo o céu. Até agora os astrónomos nunca os tinham procurado, mas isto poderá abrir um novo campo de observação na astronomia, tal como quando há 30 anos os satélites militares desenhados para detectar explosões nucleares na Terra descobriram os GRB.
Veremos nos próximos meses.
Links:
Universidade de Swinburne (Nota de Imprensa)
Universe Today
SPACE.com |