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"FURACÃO" SOLAR SEPARA CAUDA DE COMETA
3 de Outubro de 2007
 

O satélite STEREO da NASA capturou pela primeira vez imagens de uma colisão entre um "furacão" solar, chamado de ejecção de massa coronal (CME), e um cometa. A colisão provocou a completa separação da cauda de plasma do cometa.

Os cometas são restos gelados da formação do Sistema Solar, há milhares de milhões de anos atrás. Normalmente viajam nas distantes e frias regiões do Sistema Solar, mas ocasionalmente um puxo gravitacional de um planeta, outro cometa, ou até de uma estrela vizinha envia-os para o Sistema Solar interior. Uma vez aí, o calor e radiação do Sol vaporiza o gás e a poeira do cometa, formando a sua cauda. Os cometas têm geralmente duas caudas, uma feita de poeira e uma mais ténue feita de gás que transmite electricidade, chamado plasma.

As CMEs são grandes nuvens de gás magnetizado e libertado para o espaço pelo Sol. São violentas erupções com massas de uns milhares de milhões de toneladas que viajam a velocidades entre 100 e 3000 km/s. Foram já comparadas a furacões devido às suas perturbações alargadas que trazem quando viajam na direcção da Terra; sabe-se que as CMEs causam tempestades geomagnéticas que podem ser um perigo para satélites, comunicações de rádio, e sistemas de energia.

O cometa Encke estava viajando dentro da órbita de Mercúrio quando uma CME triturou a sua cauda e eventualmente a separou do cometa. Os cientistas do Laboratório de Pesquisa Naval (NRL) fizeram as observações usando a câmara heliosférica do telescópio SECCHI (Sun Earth Connection Coronal and Heliospheric Investigation) do NRL a bordo do satélite STEREO-A (Solar Terrestrial Relations Observatory) da NASA.

Os cientistas há muito que conhecem o fenómeno da separação completa da cauda de plasma de um cometa. No entanto, as condições que levavam a estes eventos permaneciam um mistério. Estes suspeitavam que as CMEs poderiam ser responsáveis por alguns eventos da separação, mas a interacção entre uma CME e um cometa nunca tinha sido até agora observada directamente.

As imagens obtidas foram combinadas num filme. Este, nunca antes visto, foi registado a 20 de Abril de 2007, quando uma CME encontrou o cometa Encke. As observações revelam o aumento de brilho da cauda cometária à medida que a CME passava e a sua separação subsequente e transporte pela frente da ejecção de massa coronal.

 
(se não conseguir ver o filme, clique aqui)

Uma análise preliminar sugere que a cauda foi rasgada quando os campos magnéticos colidiram numa processo explosivo de nome "nova ligação magnética". Os campos magnéticos em torno do cometa directamente opostos "colidiram uns com os outros" pelos campos magnéticos da CME. Subitamente, estes campos fundiram-se -- criaram uma "nova ligação" -- libertando uma grande quantidade de energia que separou a cauda cometária. Um processo semelhante tem lugar na magnetosfera da Terra durante as tempestades geomagnéticas despoletando, entre outras, as auroras boreais.

"O cometa teve o seu próprio evento meteorológico," disse Angelos Vourlidas, autor principal e cientistas do NRL em Washington, DC. "Pensamos que sofreu uma nova ligação magnética muito semelhante ao que a Terra sofre quando as CMEs colidem com a nossa própria magnetosfera protectora."

Os resultados foram publicados no website do Astrophysical Journal Letters Rapid Release e serão publicados na edição da revista de dia 10 de Outubro.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
SPACE.com
New Scientist
Science Daily
Slashdot

Cometa Encke:
Wikipedia
SEDS.org
Gary W. Kronk's Cometography

Sol:
Wikipedia
Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve

Ejecções de massa coronal:
Wikipedia

 


Estas quatro imagens foram tiradas pelo satélite STEREO durante uma passagem do cometa Encke pela tempestade solar. Note a cauda do Encke sendo separada pela ejecção de massa coronal na terceira imagem.
Crédito: NASA

(clique na imagem para ver versão maior)


Imagem tirada de uma animação que mostra o cometa Encke e a CME libertada pela superfície do Sol.
Crédito: NASA
(clique na imagem para ver o filme em formato MPG)

 
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