De acordo com um novo estudo, o Sol pode ser mais pequeno do que se pensa.
A ser correcto, então outras propriedades do Sol, tal como a sua temperatura interna e densidade, poderão ser ligeiramente diferentes do que a calculadas previamente. Compreender o interior do Sol é importante pois pode ajudar os cientistas a fazer previsões sobre o tempo espacial e a responder questões sobre o Sistema Solar.
O Sol não tem uma superfície sólida. A sua atmosfera meramente torna-se mais fina e transparente quanto mais longe do centro estiver.
Assim, a "superfície" do Sol é definida como a profundidade na atmosfera do Sol onde se torna opaca à luz. Os cientistas medem-na ao observar o Sol com telescópios e ao medir a distância entre o centro do disco solar e o seu "limite" - o local onde o seu brilho desce subitamente. Isto dá um raio de 695.990 quilómetros, ou cerca de 109 vezes o raio da Terra.
Uma segunda, completamente diferente maneira de medir o tamanho do Sol é usando ondas gravíticas, chamadas "modos-f", que ondulam à superfície do Sol, tal como ondas de água num oceano. A teoria diz que estas ondas devem aparecer apenas na superfície opaca do Sol, e a sua observação pode ser usada para determinar o raio do Sol, dado que o seu comprimento de onda está ligado com a sua distância ao centro do Sol de um modo previsível.
Os cientistas há muito que estão um pouco confusos porque ambos os métodos dão duas respostas diferentes. O método ondulatório proporciona um raio de aproximadamente 695.700 quilómetros, cerca de 300 km menos que o resultado da medição da quebra de luz.
Embora a diferença corresponda apenas a 0,04%, é grande o suficiente para importar quando os cientistas tentam saber mais sobre o interior do Sol, interpretando observações de ondas sonoras - que ondulam pela superfície do Sol em adição ao modos-f - usando uma técnica chamada heliosismologia. Compreender o Sol através da heliosismologia é importante pois pode ajudar os cientistas a aprender mais sobre as origens dos campos magnéticos que produzem as manchas solares, que por seu lado podem ajudar a prever o tempo espacial.
A heliosismologia tem também ajudado os cientistas a compreender alguns dos mistérios do Sistema Solar - por exemplo, a técnica foi usada para resolver parte do problema do neutrino solar. A técnica pôs de parte mudanças no interior do Sol como causa deste desaparecimento misterioso dos neutrinos que viajam do Sol até à Terra.
Agora, novos cálculos de como a luz se propaga na atmosfera do Sol podem ter resolvido a discrepância no raio do Sol, a favor da medição mais pequena. Os novos cálculos foram feitos por uma equipa liderada por Margit Haberreiter do Centro de Radiação Mundial (CRM) em Davos, Suíça.
A equipa recalculou o ponto preciso onde o corte de luz deve ocorrer, usando software que simula a propagação da luz pela atmosfera do Sol, desenvolvido por Haberreiter e pela sua colega Werner Schmutz, também do CRM. Os seus resultados sugerem que na realidade deverá haver uma pequena diferença entre onde a atmosfera do Sol se torna opaca e o ponto onde os observadores vêm a quebra de luz. De acordo com os cálculos, a quebra de luz acontece 333 km mais alto na atmosfera do Sol do que o local da superfície opaca onde os modos-f ocorrem.
Os modelos teóricos do Sol, baseados no raio maior, têm que ser corrigidos, dizem as autoras. Um raio mais preciso pode levar a uma melhor compreensão do interior do Sol, diz o membro da equipa, Alexander Kosovichev, da Universidade de Stanford na Califórnia, EUA.
"Permite-nos calcular com mais precisão a estrutura do Sol e comparar com os resultados da heliosismologia, aprendendo mais sobre a constituição do Sol," disse. Ele aponta observações recentes que sugerem que o Sol contém apenas metade da quantidade de oxigénio que se pensava, o que parece entrar em conflito com os resultados dos estudos das ondas sonoras. "Há ainda qualquer coisa que nos falta para compreender o interior solar," afirma.
Sarbani Basu da Universidade de Yale em New Haven, Connecticut, EUA, que não esteve envolvido no estudo, diz que a questão do novo raio proposto pela equipa de Haberreiter ser o correcto ou não está ainda em aberto. Mas ela concorda [sobre o objectivo de ter o raio do Sol mais preciso possível] que ajudaria a fazer cálculos mais fidedignos das condições do interior do Sol. "Para o Sol, todas as nossas medições são tão precisas, que até mesmo umas poucas centenas de quilómetros são extremamente importantes," afirma.
Links:
Artigo Científico:
IOP (formato PDF)
Sol:
Wikipedia
Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve |