À medida que o Sol se põe na sonda Phoenix, literalmente e figurativamente, os engenheiros da missão começaram a desligar alguns dos instrumentos e aquecedores da sonda para conservar a pouca energia que lhe resta.
A sonda Phoenix, originalmente desenhada para durar 90 dias após a sua aterragem no dia 25 de Maio no Planeta Vermelho, completou o seu quinto mês de exploração no ártico marciano. Ao longo da sua missão, a sonda recolheu amostras de solo e de gelo por baixo das planícies árticas de Marte e analisou-as em busca de sinais de potencial habitabilidade passada.
Mas à medida que o hemisfério norte de Marte transita do Verão para o Outono, a sonda gera cada vez menos energia enquanto os dias se tornam mais curtos, reduzindo as horas de luz solar que alcançam os seus painéis solares.
Para a Phoenix aguentar o máximo de tempo possível, os controladores da missão irão gradualmente desligar quatro aquecedores durante as próximas semanas, um de cada vez, para conservar energia. Os aquecedores mantêm a sonda e os seus instrumentos dentro dos limites adequados para o seu bom funcionamento.
"Se não fizéssemos nada, não demoraria muito até que a energia necessária para operar a sonda ultrapassasse a quantidade de energia que gera diariamente," disse o gestor do projecto Phoenix, Barry Goldstein, do JPL da NASA em Pasadena, Califórnia. "Ao desligar alguns aquecedores e instrumentos, podemos prolongar a vida da sonda algumas semanas e ainda fazer alguma ciência."
Os engenheiros enviaram comandos para desligar o primeiro aquecedor na Terça-feira passada, que aquece o braço robótico da Phoenix, a câmara do braço robótico e o instrumento TEGA (Thermal and Evolved-Gas Analyzer), que coze amostras e "cheira" os vapores libertados para ajudar a determinar a sua composição. Ao desligar este aquecedor, os cientistas esperam conservar 250 W/h de energia por dia marciano.
A equipa da Phoenix estacionou o braço robótico no chão, com o instrumento TECP (Thermal and Electrical-Conductivity Probe) - localizado no pulso do braço - em cima do solo. O TECP irá continuar a medir a temperatura e a condutividade do solo (ou como o calor e a electricidade se movem pelo solo), bem como a humidade atmosférica perto da superfície (este instrumento não precisa de um aquecedor para funcionar e deverá continuar a enviar dados durante as próximas semanas).
No entanto, o braço robótico já não irá recolher mais amostras de solo.
"Desligámos este importante instrumento com a certeza de que excedeu claramente as nossas expectativas e de que fez tudo o que nós lhe pedimos," disse o co-investigador do braço robótico, Ray Arvidson, da Universidade de Washington em St. Louis.
A Phoenix recolheu todas as suas amostras a semana passada e os cientistas da missão continuarão a analisá-las até à morte esperada da Phoenix.
Também na Terça-feira, a sonda Phoenix entrou num "modo de segurança" inactivo, despoletado por um agravamento das condições meteorológicas. A sonda inesperadamente mudou para um segundo conjunto de componentes electrónicos redundantes e desligou uma das suas baterias. Pensa-se que o local da Phoenix tenha sido varrido por uma tempestade de areia, que reduziu a capacidade de recolha de energia.
Isto impossibilitou as comunicações entre os controladores da missão e a sonda, que na Quinta foram capazes de enviar um comando para ligar a bateria. No entanto, a sonda só respondeu às tentativas de comunicação graças à sonda Mars Odyssey na Sexta de manhã.
À medida que os níveis energéticos continuam a descer, os engenheiros da Phoenix irão gradualmente desligar os outros três aquecedores. O segundo aquecedor serve a unidade de início pirotécnico e espera-se que prolonge a missão por mais quatro ou cinco dias. O terceiro aquece a câmara principal da Phoenix e os seus instrumentos meteorológicos. Os componentes electrónicos que operam esses instrumentos deverão gerar calor suficiente para os manter, e à câmara, funcionando mais algum tempo.
O quarto aquecedor - um de dois aquecedores fulcrais que aquecem a sonda e as suas baterias - será desligado no passo final. Isto deixará apenas um aquecedor fulcral a funcionar até ao fim.
"Nesse ponto, a Phoenix estará à mercê de Marte," disse Chris Lewickie do JPL e o gestor principal do projecto.
Os engenheiros estão também a preparar-se para a conjunção solar, quando o Sol estiver directamente entre a Terra e Marte. Isto acontecerá entre 28 de Novembro e 13 de Dezembro e irá bloquear as transmissões de rádio entre a sonda e a Terra. Não irão ser enviados comandos directos à Phoenix durante esse tempo, mas as ligações entre a Phoenix irão continuar através das sondas Mars Odyssey e Mars Reconnaissance Orbiter, em órbita do planeta.
Por agora, os controladores da missão não têm a certeza se o quarto aquecedor será desligado antes ou depois da conjunção.
"É apenas uma questão de dias, ou semanas, antes que a energia diária gerada pela Phoenix seja menor que a necessária para a manter em funcionamento," afirmou Lewickie. "Temos apenas uma quantas opções para reduzir o consumo energético."
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New Scientist
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Science Daily
Discover Magazine
Reuters
UPI
The Associated
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Phoenix:
Página oficial (Universidade do Arizona)
Página oficial (NASA)
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Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
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