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NOVA RECEITA PARA GALÁXIAS ANÃS:COMECE COM RESTOS GASOSOS
20 de Fevereiro de 2009

 

Existe mais do que uma maneira de fazer uma galáxia anã, e o GALEX (Galaxy Evolution Explorer) da NASA descobriu uma nova receita. O satélite identificou, pela primeira vez, galáxias anãs formando-se a partir de pouco mais do que gás pristino provavelmente deixado para trás no princípio do Universo. As galáxias anãs são aglomerados relativamente pequenos de estrelas que geralmente orbitam em torno de galáxias maiores como a nossa Via Láctea.

As descobertas surpreenderam os astrónomos porque a maioria das galáxias formam-se em associação com uma substância misteriosa apelidada de matéria escura ou a partir de gás contendo metais. Estas galáxias bebés, avistadas pelo GALEX, estão a nascer de gás que nem contém matéria escura nem metais. Embora nunca antes observado, este novo tipo de galáxia anã pode ser comum pelo mais distante e jovem Universo, onde o antigo gás era mais difuso.

Os astrónomos avistaram as inesperadas e novas galáxias em formação dentro do Anel de Leão, uma grande nuvem de hidrogénio e hélio que traça um percurso irregular em torno de duas galáxias massivas na constelação de Leão. Pensa-se que a nuvem seja um objecto primordial, um resto de material antigo que permaneceu relativamente inalterado desde os primeiros dias do Universo. Identificado há cerca de 25 anos no rádio, o anel não pode ser observado no visível.

"Este objecto intrigante é já estudado há décadas com telescópios de calibre mundial, operando em comprimentos de onda no visível e no rádio," disse David Thilker da Universidade Johns Hopkins em Baltimore, Maryland, EUA. "Apesar destes esforços, nada além do gás foi detectado. Nenhumas estrelas, novas ou velhas, foram descobertas. Mas quando observámos o anel com o GALEX, que é particularmente sensível à radiação ultravioleta, vimos evidências tantalizantes de recente formação estelar massiva. Foi realmente uma surpresa. Estamos a observar a formação de galáxias a partir de uma nuvem de gás primordial."

Num estudo recente, Thilker e seus colegas descobriram a assinatura ultravioleta de estrelas jovens, emanando de várias zonas gasosas dentro do Anel de Leão. "Especulamos que estes complexos estelares jovens são galáxias anãs, embora, como previamente mencionado pelos rádio-astrónomos, os aglomerados de gás que formam estas galáxias não contêm matéria escura," acrescentou. "Quase todas as outras galáxias que conhecemos são dominadas pela matéria escura, que actuam como uma semente para a recolha dos seus componentes luminosos - estrelas, gás e poeira. O que vemos acontecer no Anel de Leão é um novo modo para a formação de galáxias anãs em material deixado para trás da muito mais antiga aglomeração deste grupo galáctico."

O nosso Universo local contém duas grandes galáxias, a Via Láctea e a Galáxia de Andrómeda, cada com centenas de milhares de milhões de estrelas, e a galáxia do Triângulo, com algumas dezenas de milhares de milhões de estrelas. Também conta com mais de 40 galáxias anãs muito mais pequenas, cada com apenas alguns milhares de milhões de estrelas. A invisível matéria escura, detectada pela sua influência gravitacional, é um importante factor, tanto das galáxias gigantes como das anãs, com uma excepção - as galáxias anãs com efeitos de marés.

Estas galáxias anãs com efeitos de marés condensam-se a partir do gás reciclado de outras galáxias e foram separadas da maioria da matéria escura, à qual estavam originalmente associadas. São produzidas quando as galáxias colidem e as suas massas gravíticas interagem. Na violência do encontro, correntes de material galáctico são retiradas das suas galáxias-mãe e dos halos de matéria escura que as rodeiam.

Porque não contêm matéria escura, as novas galáxias observadas no Anel de Leão assemelham-se a galáxias anãs com efeitos de marés, mas com uma diferença fundamental. O material gasoso que perfaz estas anãs de marés já foi filtrado por uma galáxia. Já foi enriquecido com metais - elementos mais pesados que o hélio - produzidos enquanto as estrelas evoluem. "As anãs do Anel de Leão são compostas por material muito mais pristino e sem metais," afirma Thilker. "Esta descoberta permite-nos estudar os processos de formação estelar no gás que não foi ainda enriquecido."

Grandes nuvens primitivas, parecidas às do Anel de Leão, já poderão ter sido mais comuns pelo Universo jovem, de acordo com Thilker, e consequentemente poderão ter produzido muitas outras galáxias anãs sem matéria escura, ainda por descobrir.

Os resultados do novo estudo acerca da formação estelar no Anel de Leão aparecem na edição de 19 de Fevereiro da revista Nature.

O Caltech lidera a missão GALEX e é responsável pelas operações científicas e análises de dados. O JPL da NASA em Pasadena, Califórnia, gere a missão e construiu o instrumento científico. A missão foi desenvolvida de acordo com o Programa de Exploradores da NASA, gerido pelo Centro Aeroespacial Goddard, em Greenbelt, Maryland, EUA. A Coreia do Sul e a França são parceiros internacionais da missão.

Links:

Notícias relacionadas:
GALEX (comunicado de imprensa)
Nature (requer subcrição)
New Scientist
PHYSORG.com
Universe Today

GALEX:
Página principal
Wikipedia

 


A visão ultravioleta sem paralelos do GALEX da NASA revela, pela primeira vez, a formação de galáxias anãs a partide pouco mais que gás antigo, deixado para trás pelo Universo jovem. As galáxias anãs são aglomerados relativamente pequenos de estrelas que geralmente orbitam em torno de galáxias muito maiores, como por exemplo a Via Láctea.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/DSS
(clique na imagem para ver versão maior)


Imagem da área do Anel de Leão no visível, junto com a sua sobreposição a azul (não visível).
Crédito: NASA/JPL-Caltech/DSS
(clique na imagem para ver versão maior)

 
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