Imagine o ano 2065. Dois terços do ozono da atmosfera da Terra desapareceram. O famoso buraco de ozono sobre a Antártida existe agora durante todo o ano, com um sósia sobre o Pólo Norte. Pessoas que vivem em cidades de latitudes moderadas como Faro, Lisboa ou Porto apanham queimaduras solares graves após cinco minutos de exposição ao Sol. A radiação UV responsável por mutações subiu 650 porcento nos últimos 60 anos, com prováveis efeitos nocivos sobre as plantas, os animais e um aumento brutal das taxas de cancro da pele humana.
Esse era o Mundo que seria herdado pelos nossos descendentes se 193 nações, não tivessem concordado com proibição de substâncias que contribuem para a destruição do ozono atmosférico, de acordo com investigadores da química atmosfera da NASA, da Universidade Johns Hopkins e da Agência de Avaliação Ambiental dos Países Baixos. Os investigadores revelaram esta semana uma nova simulação computorizada, que revela claramente os contornos de uma catástrofe mundial que os seres humanos conseguiram evitar.
Em retrospectiva, os investigadores dizem que o Protocolo de Montreal foi um "notável acordo internacional que deve ser estudado por todos aqueles que agora estão envolvidos na problemática do aquecimento global e nas tentativas para chegar a um acordo internacional sobre o assunto."
Liderada pelo cientista da NASA Paul Newman, uma equipa de químicos atmosféricos simulou "o que poderia ter sido" se os clorofluorocarbonetos (CFC's) e compostos químicos de efeitos similares na destruição do ozono atmosférico não tivessem sido proibidos pelo Protocolo de Montreal. O modelo completo - incluindo efeitos de química atmosférica, considerando o vento e as alterações de radiação solar - simulou o que aconteceria às concentrações globais de ozono estratosférico se os CFC's fossem continuamente emitidos para atmosfera ao ritmo a que eram na altura do acordo.
As animações agora disponibilizadas pela NASA apresentam a evolução dos dois casos distintos: o "mundo evitado" em que a taxa de emissão de CFC na atmosfera é considerada como sendo a do período que antecedeu o regulamento, e o "Caso Projectado", que assume a actual taxa de emissão, após a regulamentação e aplicação do Tratado de Montreal. Ambos os casos foram simulados até ao ano 2065.
Links:
Fonte das Imagens:
NASA SVS Animation
Notícias relacionadas :
Universe Today |
|


A camada de ozono em 2037. As zonas vermelhas representam zonas com uma concentração de ozono normal a elevada, enquanto as regiões a azul representam zonas onde houve depleção.
Crédito: Animação: Trent L. Schindler (SVS) (chefe de equipa); Produção: Jefferson Beck (UMBC); Cientista coordenador: Paul Newman (NASA/GSFC).
(clique na imagem para ver versão maior) |