A última actualização do Hubble já terminou e os astronautas já disseram os seus adeus; agora é altura do Hubble testar os seus novos equipamentos e determinar o que conseguem fazer.
"Hoje começa a segunda revolução do Hubble," disse Dave Leckron, cientista sénior do projecto Hubble, do Centro Aeroespacial Goddard da NASA em Greenbelt, Maryland, EUA, que lidera o telescópio espacial.
O vaivém Atlantis libertou na passada Terça-feira o Hubble do seu compartimento de carga, devolvendo o telescópio com 19 anos à sua órbita de 563 km acima da Terra.
Ao longo de cinco passeios espaciais no mesmo número de dias, os astronautas instalaram uma câmara de campo-largo completamente nova para observações de céu profundo, um espectógrafo super-sensível para detectar a ténue luz de distantes galáxias em desenvolvimento, novos giroscópios e baterias, insolação, e um sensor de orientação precisa para aumentar a pontaria do Hubble.
A tripulação do vaivém também ressuscitou uma câmara avançada do Hubble e um versátil espectógrafo que pode servir também para captar imagens.
"Aumentámos a capacidade do Hubble literalmente por várias ordens de magnitude," disse Leckrone. Até agora, todos os instrumentos do Hubble parecem estar de boa saúde. "Tudo passou os diagnósticos e os testes funcionais," afirma.
Os cientistas estão já a fazer fila de espera para usar o telescópio "novo" e melhor que nunca, embora os engenheiros da NASA ainda tenham que fazer mais testes e calibrar cada instrumento antes que o Hubble esteja pronto para continuar com a sua missão científica. Espera-se que os testes e as calibrações durem até ao final do Verão.
Os controladores da missão planeiam apontar o olho do Hubble para longe da Terra com o objectivo de evitar danos à CCD derivados de luz ultravioleta durante mais ou menos a primeira semana, e começarão a calibração com alvos conhecidos pouco tempo depois.
Estes alvos vão fazer com que a câmara esteja correctamente focada e a operar normalmente. A NASA dentro em breve anunciará a lista dos alvos de calibração, que inclui um grupo de "estrelas muito prosaicas," afirma Leckrone. "É extremamente chato," acrescentou.
Mas a parte "chata" não vai demorar muito tempo. Grupos já submeteram propostas de pesquisa para os vários instrumentos do Hubble e poderão começar as suas observações assim que o telescópio tenha o avale da equipa que conduz os testes.
Um dos próximos grandes projectos será uma nova imagem de céu-profundo que se espera capturar galáxias ainda mais para o início da história do Universo do que os estudos de céu-profundo anteriores. O Hubble vai conseguir observar objectos uns 500 milhões de anos depois do nascimento do Universo.
Antes da missão, Leckrone disse que esperava anunciar as primeiras imagens do novo Hubble por volta de Setembro, embora a NASA não diga qual será o primeiro alvo, dado que pode mudar.
A última fase da missão do Hubble terá a duração de pelo menos cinco anos, e os cientistas estão optimistas de que os seus novos achados serão tanto ou mais importantes do que os que o telescópio fez durante quase duas décadas.
"Agora é altura do espectáculo," disse Eric Smith, cientista do programa Hubble da NASA. "Temos tudo o que pedimos, vamos ter uma magnífica missão durante anos e anos."
Links:
STS-125:
NASA
Documento PDF sobre a missão
Wikipedia
Filme IMAX (para 2010)
Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA
ESA
STScI
Wikipedia |