Pela primeira vez, os astrónomos observaram opticamente as fases de um planeta extrasolar, à medida que o mundo girava em torno da sua estrela.
O planeta, CoRoT-1b, foi o primeiro planeta a ser descoberto pelo satélite francês CoRoT (Convection Rotation and Planetary Transit) há cerca de dois anos e meio. Está a aproximadamente 1600 anos-luz de distância na direcção da constelação de Unicórnio.
CoRoT-1b é um "Júpiter quente". Estes planetas têm o tamanho de Júpiter mas orbitam muito mais perto das suas estrelas (CoRoT-1b orbita a sua estrela em apenas 36 horas). Pensa-se que os Júpiteres quentes tenham efeitos de marés bloqueados, ou seja, um dos lados está sempre na direcção da estrela, e no outro é sempre de noite (a nossa Lua está assim também com a Terra, apenas mostrando uma das "faces").
Se estes planetas têm lados diurnos e nocturnos permanentes, os astrónomos esperam ver grandes diferenças de temperaturas entre os dois hemisférios, dependendo de qual estava a ser observado a partir da Terra.
Os astrónomos já fizeram medições infravermelhas destas fases claras e escuras, mas as medições do CoRoT-1b marcam a primeira vez que foram observadas em comprimentos de onda ópticos, e mostram que o lado nocturno do planeta está completamente escuro, enquanto que o diurno é altamente aquecido pela estrela até aos 2000 graus Celsius.
"Por isso vemos uma grande diferença entre o lado diurno e o lado nocturno," disse o autor do estudo, Igna Snellen da Universidade de Leiden nos Países Baixos.
O efeito medido é muito parecido às fases dos objectos no nosso próprio Sistema Solar, tal como na Lua, quando o Sol brilha na Lua a partir de diferentes direcções, enquanto a Lua gira em torno da Terra. Embora no caso da nossa Lua esta luz seja a reflectida do Sol, e para o CoRoT-1b seja provavelmente radiação de calor.
As observações, detalhadas na edição de 28 de Maio da revista Nature, também proporcionam mais informações sobre a atmosfera do planeta extrasolar e sugerem que não existem grandes transferências de calor do lado diurno para o nocturno. Outro exoplaneta observado tinha uma diferença térmica menor entre os seus dois lados, sugerindo que o vento estava transportando a energia solar, mas "para este planeta, aparentemente não é o caso," disse Snellen.
Ao invés, o CoRoT-1b pode ter certas moléculas na sua atmosfera que absorvem e re-irradiam a luz da estrela no lado diurno antes que essa energia seja transferida para o outro lado do planeta.
As observações ópticas também podem dizer aos astrónomos se alguma da luz que vêm é ou não luz estelar reflectida, o que poderia sugerir que o exoplaneta tinha nuvens. Infelizmente, os cientistas não conseguiram determinar se alguma da luz do CoRoT-1b era reflecida, afirmou Snellen.
Para determinar se a luz é ou não reflectida, os astrónomos precisarão de fazer mais observações do planeta em múltiplos comprimentos de onda, acrescenta Snellen.
Snellen e seus colegas já começaram a observar outros planetas extrasolares para recolher mais informações sobre as fases e atmosferas dos Júpiteres quentes.
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