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DESCOBERTA DE SAIS PELA CASSINI APONTA PARA OCEANO POR BAIXO DE ENCELADO
26 de Junho de 2009

 

Pela primeira vez, cientistas da missão Cassini da NASA detectaram sais de sódio em grãos de gelo do anel mais exterior de Saturno. A detecção de gelo salgado indica que a lua de Saturno, Encelado, que recarrega principalmente o anel com material a partir de jactos, pode albergar um reservatório de água líquida -- talvez um oceano -- por baixo da sua superfície.

A Cassini descobriu os jactos de água gelada de Encelado em 2005. Estes jactos expelem pequenos grãos de gelo e vapor, alguns dos quais escapam à gravidade da lua e formam o anel mais exterior de Saturno. O instrumento da Cassini que analisa poeira cósmica, estudou a composição desses grãos e descobriu aí sais.

"Nós acreditamos que os minerais salgados do interior de Encelado foram libertados de rochas por baixo de uma camada líquida," disse Frank Postberg, cientista da Cassini que trabalha com o instrumento de análise de poeira cósmica, do Instituto Max Planck para Física Nuclear em Heidelberg, Alemanha. Postberg é o autor principal de um estudo que aparece na edição de 25 de Junho da revista Nature.

Os cientistas na equipa do detector de poeira cósmica da Cassini concluem que deverá existir água líquida porque é a única maneira de dissolver as grandes quantidades de minerais que explicam os níveis de sais detectados. O processo de sublimação, o mecanismo pelo qual o vapor é directamente libertado a partir de gelo sólido na crosta, não pode explicar a presença de sal.

"As potenciais fontes das plumas em Encelado são uma área activa de pesquisa com provas que continuam a convergir para a existência de um oceano de água salgada," disse Linda Spilker, cientista do projecto Cassini no JPL da NASA em Pasadena, Califórnia. "A nossa próxima oportunidade para recolher dados em Encelado terá lugar durante dois voos rasantes em Novembro."

A composição dos grãos do anel exterior, determinada através do estudo dos milhares de partículas a alta-velocidade pela Cassini, providencia informações indirectas acerca da composição do material da pluma e do que está dentro de Encelado. As partículas do anel exterior são quase de água gelada pura, mas de todas as vezes que o instrumento de análise de poeira estudou esta composição, detectou pelo menos uma pouca quantidade de sódio nas partículas.

"As nossas medições implicam que além deste sal, os grãos contenham carbonatos. Ambos os componentes estão em concentrações que coincidem com a composição prevista de um oceano em Encelado," disse Postberg. "Os carbonatos também providenciam um pH ligeiramente alcalino. Se a fonte líquida é um oceano, poderá fornecer um ambiente saudável em Encelado para a formação dos percursores da vida quando em conjunto com o calor medido perto do pólo sul da lua e com os compostos orgânicos descobertos nas plumas."

No entanto, noutro estudo publicado na Nature, investigadores fazendo observações terrestres não descobriram sódio, um importante componente do sal. A equipa nota que a quantidade de sódio expelido por Encelado é na realidade menos que o observado em torno de muitos outros corpos planetários. Estes cientistas procuravam sódio na pluma de vapor e não a conseguiram detectar nos grãos de gelo expelidos. Eles afirmam que se a pluma de vapor vem realmente de um oceano de água, a evaporação deverá acontecer lentamente e ainda em zonas subterrâneas, ao invés de um geyser violento que é libertado para o espaço.

"A descoberta de sais na pluma é a primeira evidência de água líquida por baixo da superfície," disse Sascha Kempf, também cientista da Cassini, que trabalha no instrumento de análise de poeira cósmica no Instituto Max Planck para Física Nuclear. "A falta de detecção de vapor de sódio na pluma dá pistas acerca de como poderá ser o reservatório de água."

A determinação da natureza e da origem do material da pluma é uma prioridade para a Cassini durante a sua missão prolongada, denominada Missão Equinócio.

"A imagem original das plumas, como violentos geysers que entram em erupção, está a mudar," disse Postber. "Parecem ser jactos mais estáveis, de vapor e de gelo, alimentados por um grande reservatório de água. No entanto, não conseguimos por enquanto determinar se a água está actualmente 'presa' dentro de grandes bolsas na espessa crosta gelada de Encelado, ou se está ligada a um grande oceano em contacto com o núcleo rochoso."

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Nature (requer subscrição)
Universidade do Colorado (comunicado de imprensa)
ESA (comunicado de imprensa)
EurekAlert!
Science
Sky & Telescope
SPACE.com
Universe Today
New Scientist
PHYSORG.com
COSMOS
Discover
Science Daily
Wired
MSNBC
National Geographic
AFP

Encelado:
Wikipedia

Saturno:
Solarviews
Wikipedia

Cassini:
Página oficial (NASA)
Wikipedia

 


Os cientistas da Cassini usaram imagens como esta para ajudá-los a identificar os locais de libertação dos jactos individuais que libertam partículas de gelo, vapor de água e traços de compostos orgânicos a partir da superfície da lua de Saturno, Encelado.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute
(clique na imagem para ver versão maior)


Estas ilustrações indicam várias maneiras possíveis nas quais o vapor de água e as partículas de gelo na pluma de Encelado de podem formar.
Crédito: NASA/JPL/SWRI/Universidade do Colorado
(clique na imagem para ver versão maior)

 
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