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LUA DE SATURNO MOSTRA EVIDÊNCIAS DE AMÓNIA
24 de Julho de 2009

 

Dados recolhidos durante dois voos rasantes da sonda Cassini da NASA pela lua de Saturno, Encelado, fornecem mais evidências acerca da presença de água líquida subsuperficial no mundo gelado. Os dados recolhidos pelo Espectómetro de Massa Iónica e Neutra da Cassini durante os flybys por Encelado, em Julho e Outubro de 2008, foram anunciados na edição de 23 de Julho da revista Nature.

"Quando a Cassini viajou através da pluma libertada por Encelado no dia 8 de Outubro do ano passado, o nosso espectómetro foi capaz de detectar muitos elementos químicos complexos, incluíndo alguns orgânicos, no vapor e nas partículas de gelo," disse Hunter Waite, cientista principal do espectómetro que trabalha no Instituto de Pesquisa do Sudoeste, em San Antonio, Texas, EUA. "Um dos elementos químicos definitivamente identificado foi a amónia."

Na Terra, a presença de amónia assinala o potencial de um chão ou de uma bancada limpa. No espaço, a presença de amónia providencia fortes argumentos para a existência de pelo menos alguma água líquida.

Como é que a amónia equivale a água líquida dentro de uma lua coberta por gelo, numa das mais frias vizinhanças do nosso Sistema Solar? Tal como qualquer dona-de-casa interessada em manter a sua casa bem limpa sabe, a amónia dissolve-se rapidamente em água. Mas o que muitas pessoas não sabem, é que a amónia age como um anticongelante, mantendo a água líquida a temperaturas mais baixas do que, caso contrário, seria possível. Com a presença da amónia, a água pode existir em estado líquido a temperaturas de quase -100 graus Celsius.

"Dado que foram medidas temperaturas superiores a -93º C perto das fracturas em Encelado, de onde os jactos são emanados, nós pensamos ter um excelente argumento para um interior de água líquida," disse White.

A Cassini descobriu vapor de água e partículas expelidas de Encelado em 2005. Desde aí, os cientistas têm tentado determinar se a pluma é originária de uma fonte líquida dentro da lua ou se é devida a outras causas.

"A amónia é uma espécie de santo graal para o vulcanismo gelado," disse William McKinnon, cientista da Universidade de Washington em Saint Louis, Missouri. "Esta é a primeira vez que a descobrimos, de certeza, numa satélite gelado de um planeta gigante. Provavelmente está espalhada pelo sistema saturniano."

Quanta água realmente existe no interior gelado de Encelado, permanece um tema ainda em debate. Até agora, a Cassini fez cinco voos rasantes por Encelado, um dos alvos principais da missão prolongada da Cassini. Estão planeados mais dois voos para Novembro deste ano, e outros dois ainda mais próximos [do satélite] para Abril e Maio de 2010. Os dados recolhidos durante esses flybys futuros poderão ajudar a terminar o debate.

"Onde a água líquida e a química orgânica existem, será que existe vida?" perguntou Jonathan Lunine, cientista da Cassini da Universidade do Arizona, em Tucson. "Tal é o caso da Terra; o que se descobriu em Encelado aumenta as probabilidades da lua ter ambientes potencialmente habitáveis."

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Universidade do Arizona (comunicado de imprensa)
Nature (requer subscrição)
Discover
Universe Today

Encelado:
Wikipedia

Saturno:
Solarviews
Wikipedia

Cassini:
Página oficial (NASA)
Wikipedia

 


A Cassini descobriu vapor de água e partículas expelidas de Encelado em 2005. Desde aí, os cientistas têm tentado determinar se a pluma é originária de uma fonte líquida no interior da lua ou se é devida a outras causas.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute
(clique na imagem para ver versão maior)


Composição química da pluma libertada por Encelado.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute
(clique na imagem para ver versão maior)

 
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