Os nossos maiores vizinhos galácticos, a Galáxia de Andrómeda (M31) e a Galáxia do Triângulo (M33), parecem ter passado uma pela outra há cerca de 2,5 mil milhões de anos - e uma colisão ainda mais perigosa está para vir. As descobertas suportam a teoria que as grandes galáxias crescem pela assimilação de galáxias mais pequenas.
Já foram descobertos restos de canibalismo galáctico em volta da nossa própria Galáxia, sob a forma de correntes estelares, tranças estelares tipo-esparguete despedaçadas de galáxias anãs em órbita da nossa, quando se aproximaram demasiado perto.
Estas observações suportam o modelo "hierárquico" de formação galáctica, na qual as grandes galáxias se formam quando galáxias mais pequenas se fundem.
Mas como experiência desta teoria, a Via Láctea tem sido uma espécie de parede: não a podemos ver toda de uma só vez. "O problema com a Via Láctea é que estamos dentro da Via Láctea," diz Alan McConnachie do Instituto para Astrofísica NRC Herzberg em Victória, Canadá, autor principal do novo estudo.
Por isso os astrónomos apontam os seus instrumentos para fora, para a nossa quase-gémea, a Galáxia de Andrómeda. Fizeram o maior mapa das estrelas da galáxia usando o Telescópio do Canadá-França-Hawaii no Hawaii. O mapa cobre uma área de 500.000 anos-luz, desde o centro de Andrómeda, mais de 10 vezes a distância do nosso Sol ao centro da Via Láctea.
Mesmo nas partes mais remotas da galáxia, existem muitas estrelas brilhantes. Dado que a maioria do gás que forma estrelas está concentrado no centro da galáxia, estas estrelas provavelmente não nasceram aí - são provavelmente imigrantes de galáxias anãs, capturadas por Andrómeda.
O mapa também mostrou estrelas em correntes e aglomerados brilhantes que foram provavelmente capturados a partir de galáxias anãs, que orbitaram Andrómeda. Já se conheciam algumas destas, mas descobriram-se novas. Estas observações suportam o modelo hierárquico. "Dá novo alento a muitas das ideias da formação das galáxias," afirma McConnachie.
"Este é um estudo importante. Será muito valioso para os modelos de formação galáctica," diz Andrey Kravtsov da Universidade de Chicago. "Pode ser, por muito tempo, a melhor imagem que temos que prova a construção hierárquica das galáxias."
O estudo também mostra que o alcance de Andrómeda se prolonga mais do que o esperado. A galáxia do Triângulo é a 2.ª grande galáxia mais próxima da Via Láctea, e situa-se a cerca de 1 milhão de anos de Andrómeda. É grande e está longe o suficiente para não ser considerada com um mero satélite de Andrómeda - mas isso não a salva do voraz apetite da galáxia maior.
"A galáxia do Triângulo parece ter sido comida por Andrómeda," afirma McConnachie. "Esta descoberta era completamente inesperada."
O mapa mostra um longo tentáculo com um bilião de quilómetros, que se estende de Triângulo na direcção de Andrómeda - "exactamente o tipo de característica que esperávamos observar para uma galáxia sendo atraída por uma galáxia maior," disse McConnachie.
Também revelou que ambos os discos estelares das galáxias foram distorcidos pelo seu encontro. As observações anteriores tinham descoberto que Triângulo se assemelhava a uma perfeita espiral se se observasse apenas as suas estrelas, mas o seu disco de hidrogénio gasoso estava extremamente distorcido. A discrepância entre o gás e as estrelas é um dos maiores mistérios da galáxia do Triângulo.
As novas observações mostram que o disco estelar está distorcido se observarmos estrelas muito mais ténues.
"Só quando observamos níveis muito, muito ténues de luz, é que realmente vemos a bagunça que também aconteceu às estrelas," diz McConnachie. "O que quer que causou a distorção do gás, também provocou a distorção das estrelas, e nós pensamos que poderá ter sido esta interacção com a Galáxia de Andrómeda."
Para descobrir quando e como se desenrolou este encontro galáctico, McConnachie e seus colegas correram simulações computacionais das suas possíveis trajectórias. A que encaixa melhor nas suas posições actuais indica que passaram uma pela outra, a uma distância de 130.000 anos-luz, há cerca de 2,5 mil milhões de anos.
Foi uma passagem bastante próxima, mas a galáxia do Triângulo emergiu quase sem feridas. "Não é gentil, mas de momento não é um processo violento," diz McConnachie.
Mas os modelos prevêm que se encontrem novamente daqui a 2 mil milhões de anos, e desta vez a galáxia do Triângulo não terá tanta sorte. "A próxima passagem sera bastante mais violenta. Passará muito mais perto de Andrómeda, e por isso sentirá um puxo gravitacional muito maior. O que sofreu até agora foi só uma espécie de aviso," conclui McConnachie.
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Pan-Andromeda Archaeological Survey
Nature (requer subscrição)
Universe Today
Cosmos
Science Centric
Discover
Scientific American
BBC News
Associated Press
Galáxia de Andrómeda:
Observe a Galáxia de Andrómeda (CCVAlg)
SEDS.org
Wikipedia
Galáxia do Triângulo:
SEDS.org
Wikipedia |