Investigadores anunciaram que a existência de componentes do ADN foi confirmada em meteoritos extraterrestres. Uma equipa diferente de cientistas também descobriu um número de moléculas ligadas com um antigo processo biológico e vital, o que dá peso à ideia de que as mais antigas formas de vida na Terra possam ter sido desenvolvidas a partir de materiais trazidos para a Terra a partir do espaço.
Pesquisa passada revelou um conjunto de blocos de construção da vida em meteoritos, tais como aminoácidos, que constituem as proteínas. As rochas espaciais deste género poderão ter sido uma fonte vital dos compostos orgânicos que deram origem à vida na Terra. Os investigadores também já descobriram nucleobases, ingredientes-chave do ADN, em meteoritos. No entanto, tem sido muito difícil provar que estas moléculas não são a contaminação de fontes terrestres.
"Ao longo últimos 50 anos, temos descoberto nucleobases em meteoritos, e tem-se tentado descobrir se têm origem biológica ou não," afirma Jim Cleaves, co-autor do estudo, químico do Instituto Carnegie em Washington. Para ajudar a confirmar se as nucleobases vistas em meteoritos são de origem extraterrestre, os cientistas usaram as mais recentes técnicas científicas de análise em amostras de uma dúzia de meteoritos - 11 meteoritos ricos em material orgânico chamados condritos carbonáceos, e um ureilite, um tipo muito raro de meteorito com uma composição química diferente. Esta foi a primeira vez que todos menos dois destes meteoritos foram analisados em busca de nucleobases.
As técnicas analíticas estudaram a massa e outras características das moléculas para identificar a presença de nucleobases extraterrestres e para discernir se aparentemente não tinham uma fonte terrestre. Dois dos condritos carbonáceos continham adenina e guanina, uma rede diversa de nucleobases e compostos estruturalmente similares conhecidos como análogos de nucleobases. Curiosamente, três destes análogos de nucleobases, purina, 6,8-diaminopurina e 2,6-diaminopurina, são muito raros na biologia da terra, e não foram encontrados em amostras de solo e gelo obtidas das áreas onde os meteoritos foram recolhidos nos limites de partes-por-milhar-de-milhão das suas técnicas de detecção.
"A descoberta de compostos de nucleobases atípicos à bioquímica da Terra suporta fortemente uma origem extraterrestre," afirma Cleaves. "No início deste projecto, parecia que as nucleobases nestes meteoritos eram o resultado de contaminação terrestre - estes resultados foram uma grande surpresa para mim," afirma Michael Callahan, autor principal do estudo, químico analítico e astrobiólogo do Centro Aeroespacial Goddard da NASA.
As experiências laboratoriais mostraram que as reacções químicas da amónia e do cianeto, compostos comuns no espaço, podiam gerar nucleobases e análogos de nucleobases muito semelhantes às encontradas nos condritos carbonáceos. No entanto, as abundâncias relativas destas moléculas entre as experiências e os meteoritos eram diferentes, o que poderá ser devido às influências químicas e termais do espaço.Estes achados revelam que os meteoritos poderão ter sido ferramentas moleculares, providenciando os blocos de construção para a vida na Terra, afirma Cleaves.
"Tudo isto tem implicações na origem da vida na Terra e potencialmente em todo o Universo," afirma Callahan. "Será que estes blocos de construção da vida foram transferidos para outros locais onde poderiam ser úteis? Será que outros tipos de blocos de construção podem ser usados para construir outras coisas?"
Num diferente estudo, os investigadores descobriram moléculas que constituem partes fundamentais de um percurso biológico vital, o ciclo do ácido cítrico ou Ciclo de Krebs, num número de condritos carbonáceos. Pensa-se que o Ciclo de Krebs "esteja entre os processos biológicos mais antigos," afirma o co-autor do estudo George Cooper, químico do Centro de Pesquisa Ames da NASA. "Uma função deste ciclo é a respiração, quando os organismos libertam dióxido de carbono."
"É sempre excitante descobrir compostos orgânicos extraterrestres e com 4,6 mil milhões de anos, que possam ter desempenhado um papel fulcral na origem da vida," afirma Cooper. Cleaves, Cooper e seus colegas publicaram os seus estudos na edição online de 8 de Agosto da revista Proceedings of the National Academy of Sciences.
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Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Instituto Carnegie (comunicado de imprensa)
SPACE.com
ScienceDaily
PHYSORG.com
AFP
UPI
Panspermia:
Wikipedia |
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Os meteoritos contêm uma grande variedade de nucleobases, um dos blocos de construção do DNA.
Crédito: Centro Aeroespacial Goddard da NASA/Chris Smith
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