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MODELOS CLIMÁTICOS SUGEREM QUE VÉNUS PODERÁ TER SIDO HABITÁVEL
12 de agosto de 2016

 


Observações sugerem que Vénus poderá ter tido oceanos de água líquida no seu passado distante. Um padrão de terra-oceano como este aqui visto foi usado num modelo climático para mostrar como nuvens podem ter protegido Vénus da forte radiação solar e tornado o planeta habitável.
Crédito: NASA
(clique na imagem para ver versão maior)

 

De acordo com modelos de computador do clima antigo de Vénus, por cientistas do GISS (Goddard Institute for Space Studies) da NASA em Nova Iorque, o planeta pode ter tido um oceano pouco profundo de água líquida e temperaturas habitáveis à superfície durante até 2 mil milhões de anos da sua história.

Os resultados, publicados esta semana na revista Geophysical Research Letters, foram obtidos com um modelo semelhante ao do tipo usado para prever futuras mudanças climáticas na Terra.

"Muitas das mesmas ferramentas que usamos para modelar as mudanças climáticas na Terra podem ser adaptadas para estudar climas noutros planetas, tanto do passado como do presente," afirma Michael Way, investigador do GISS e autor principal do artigo científico. "Estes resultados mostram que, no passado, Vénus poderá ter sido um local muito diferente do que é hoje."

Atualmente, Vénus é um mundo infernal. Tem uma esmagadora atmosfera de dióxido de carbono 90 vezes mais espessa que a da Terra. Não há quase nenhum vapor de água. As temperaturas atingem os 462º C à superfície.

Os cientistas há muito que teorizam que Vénus foi formado a partir de ingredientes parecidos aos da Terra, mas seguiu um caminho evolutivo diferente. As medições da missão Pioneer da NASA em Vénus na década de 1980 sugeriram, pela primeira vez, que Vénus originalmente poderia ter tido um oceano. No entanto, Vénus está mais perto do Sol do que a Terra e recebe, portanto, muito mais luz solar. Como resultado, o oceano inicial do planeta evaporou-se, as moléculas de vapor de água foram quebradas pela radiação ultravioleta e o hidrogénio escapou-se para o espaço. Sem água à superfície, o dióxido de carbono acumulou-se na atmosfera, levando ao que se chama de efeito de estufa e que criou as condições presentes.

Os estudos anteriores demonstraram que a rapidez com que um planeta gira sob si próprio afeta a possibilidade de clima habitável. Um dia em Vénus corresponde a 117 dias terrestres. Até recentemente, pensava-se que era necessária uma atmosfera espessa como a de Vénus para o planeta ter a rotação lenta de hoje. No entanto, novas investigações mostraram que uma atmosfera fina como a da Terra poderia ter produzido o mesmo resultado. Isto significa que o antigo Vénus, com uma atmosfera parecida à da Terra, pode ter tido a mesma rotação que tem hoje.

Outro factor que afeta o clima do planeta é a topografia. A equipa do GISS postulou que, no passado, Vénus tinha mais terra seca do que a Terra, especialmente nos trópicos. Isto limita a quantidade de água evaporada a partir dos oceanos e, como resultado, o efeito de estufa por vapor de água. Este tipo de superfície parece ideal para produzir um planeta habitável; parece ter havido água suficiente para suportar vida abundante, com terra suficiente para reduzir a sensibilidade do planeta às mudanças da luz solar.

Way e colegas do GISS simularam condições de um hipotético Vénus jovem com uma atmosfera parecida à da Terra, um dia com a mesma duração do dia venusiano e um oceano pouco profundo consistente com dados da sonda Pioneer. Os investigadores acrescentaram informações sobre a topografia de Vénus obtidos com o radar da missão Magalhães da NASA na década de 1990, e preencheram as planícies com água, deixando as terras altas expostas como continentes venusianos. O estudo também teve em conta um Sol mais jovem e 30% mais ténue. Mesmo assim, Vénus ainda recebia cerca de 40% mais luz solar do que a Terra recebe hoje.

"Na simulação do modelo do GISS, a rotação lenta de Vénus expõe o seu lado diurno ao Sol durante quase dois meses," afirma Anthony Del Genio, coautor que também pertence ao GISS. "Isto aquece a superfície e produz precipitação que cria uma camada espessa de nuvens, que funciona como um guarda-chuva que protege a superfície da maior parte do aquecimento solar. O resultado são temperaturas climáticas médias, na verdade, até alguns graus inferiores às da Terra de hoje."

 


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Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
Geophysical Research Letters
New Scientist
Scientific American
Science alert
PHYSORG
engadget

Vénus:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg 
Wikipedia

Pioneer Venus Orbiter (ou Pioneer 12):
Wikipedia
NASA

Sonda Magalhães:
NASA
Wikipedia

 
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