EXOMARS PREPARADA PARA O PLANETA VERMELHO
18 de outubro de 2016
Impressão de artista que visualiza a separação do módulo de entrada, descida e aterragem do módulo demonstrador, Schiaparelli, da TGO (Trace Gas Orbiter).
Crédito: ESA/ATG medialab
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Esta semana, a sonda ExoMars da ESA tem apenas uma chance de ser capturada pela gravidade de Marte. A missão e os seus controladores estão preparados para a chegada.
A ExoMars TGO (Trace Gas Orbiter) está numa missão de vários anos para compreender o metano e outros gases a níveis baixos na atmosfera de Marte, gases estes que podem ser evidências de uma possível atividade biológica ou geológica.
A nave-mãe, com 3,7 toneladas, libertou o "lander" Shiaparelli de 577 kg às 15:42 (hora portuguesa) de domingo. Este irá testar tecnologias-chave em preparação para a missão de 2020 da ESA que consiste de um rover.
O par já quase completou a sua viagem de 496 milhões de quilómetros e estes estão agora numa fase crítica: a descida do veículo e consequente aterragem terá lugar na quarta-feira, à mesma hora que o orbitador começa a orbitar o planeta.
"Estão numa rota de colisão a alta velocidade com Marte, o que é bom para o 'lander' - vai continuar neste caminho a fim de fazer a sua aterragem controlada," afirma Michel Denis no controle da missão em Darmstadt, Alemanha.
No entanto, para colocar a nave-mãe em órbita, foi feito ontem um ajuste vital para evitar colidir com o planeta. E, no dia 19, tem que disparar o seu motor num momento preciso e durante 139 minutos para travar para órbita. "Só temos uma oportunidade."
Após meses de simulações intensivas, a equipa está agora em turnos de "tempo real/tempo completo" e a trabalhar na sala de controle principal.
A equipa supervisionou a separação, o ajuste 12 horas depois a fim de evitar colidir com Marte e, finalmente, irá supervisionar a queima do motor principal às 14:05 (hora portuguesa) de quarta-feira.
Os controladores da missão têm, diariamente, janelas de comunicações de várias horas com a ExoMars via estações de rastreamento da ESA e da NASA, que estão a fornecer ligações de dados principais e redundantes, especialmente durante os momentos mais críticos.
A preparação para a chegada a Marte envolveu anos de trabalho cuidadoso por parte de equipas da ESA e em cooperação com peritos da indústria europeia.
A equipa de controle da missão é na verdade uma 'equipa de equipas' constituída por especialistas em operações, dinâmica de voo, estações terrestres, software e sistemas. Trabalham em estreita coordenação para operar a atual frota de naves espaciais, enquanto desenvolvem sistemas e procedimentos que serão usados para as missões futuras da ESA, incluindo a BepiColombo, a Solar Orbiter e a JUICE.
O centro também controla a primeira missão marciana da ESA, a Mars Express, que alcançou o Planeta Vermelho em 2003. Está a desempenhar um papel crucial na chegada da ExoMars, registando os sinais do "lander" durante a descida.
"Depois de muitas simulações e dada a vasta experiência que as nossas equipas ganharam através de missões interplanetárias como a Mars Express, Rosetta e Venus Express, estou muito confiante da inserção orbital," afirma Rolf Densing, Diretor de Operações da ESA.
A sonda está em grande forma, as equipas estão preparadas para regressar a Marte e ansiosas por uma chegada sem problemas durante esta semana.
A ExoMars TGO e o seu módulo Schiaparelli em aproximação a Marte.
Crédito: ESA/ATG medialab
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A equipa de controle da missão em treino de simulação no Centro Europeu de Operações Espaciais da ESA em Darmstadt, Alemanha, no dia 15 de setembro de 2016. A equipa estava a treinar reações a situações de contingência que poderão ocorrer antes da entrada em órbita de Marte de dia 19 de outubro.
Crédito: ESA
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