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OS ENXAMES GLOBULARES PODEM SER 4 MIL MILHÕES DE ANOS MAIS JOVENS DO QUE SE PENSAVA
8 de junho de 2018

 


Evolução de um sistema binário no interior de um enxame globular.
Crédito: Mark A. Garlick/Universidade de Warwick
(clique na imagem para ver versão maior)

 

Segundo uma nova pesquisa liderada pela Universidade de Warwick, os enxames globulares podem ser até 4 mil milhões de anos mais jovens do que se pensava.

Compostos por centenas de milhares de estrelas densamente agrupadas numa esfera compacta, os aglomerados globulares eram considerados quase tão antigos quanto o próprio Universo - mas, graças a modelos de investigação recentemente desenvolvidos, foi demonstrado que podem ter 9 mil milhões de anos em vez de 13 mil milhões.

A descoberta põe em questão as teorias atuais sobre como as galáxias, incluindo a Via Láctea, foram formadas, pois os enxames globulares eram considerados quase tão antigos quanto o próprio Universo. Pensa-se que existam, só na nossa Galáxia, entre 150 e 180 enxames globulares.

Projetados para reconsiderar a evolução das estelas, os novos modelos BPASS (Binary Population and Spectral Synthesis) levam em conta os detalhes da evolução de estrelas binárias dentro do enxame globular e são usados para explorar as cores da luz das antigas populações de estrelas duplas - bem como os traços de elementos químicos vistos nos seus espectros.

O processo evolucionário vê duas estrelas a interagir num sistema binário, onde uma se expande para gigante enquanto a força gravitacional da estrela mais pequena remove a sua atmosfera, composta por hidrogénio e hélio, entre outros elementos. Pensa-se que estas estrelas se formaram ao mesmo tempo que o próprio enxame.

Usando os modelos BPASS e calculando a idade dos sistemas estelares binários, os cientistas foram capazes de demonstrar que o enxame globular do qual fazem parte não era tão antigo quanto outros modelos sugeriram.

Os modelos BPASS, desenvolvidos em colaboração com o Dr. JJ Eldridge da Universidade de Auckland, já se haviam mostrado eficazes na exploração das propriedades de populações estelares jovens em ambientes que vão desde a nossa Via Láctea até ao limite do Universo.

Discutindo os modelos BPASS e as suas descobertas, a Dra. Elizabeth Stanway, do Grupo de Astronomia e Astrofísica da Universidade de Warwick, investigadora principal destes achados, comenta:

"A determinação das idades das estrelas esteve sempre dependente da comparação das observações com os modelos que encapsulam a nossa compreensão de como as estrelas se formam e evoluem. Essa compreensão tem mudado ao longo do tempo e estamos cada vez mais conscientes dos efeitos da multiplicidade estelar - as interações entre as estrelas e as suas companheiras binárias e terciárias."

A Dra. Stanway sugere que as descobertas deste estudo apontam para novas avenidas de investigação sobre como as galáxias massivas e as estrelas aí contidas se formam:

"É importante notar que ainda há muito trabalho a fazer - em particular, olhar para os sistemas muito próximos, onde podemos resolver estrelas individuais em vez de apenas considerar a luz integrada de um enxame - mas este é um resultado interessante e intrigante.

"A ser verdade, muda a nossa imagem dos estágios iniciais da evolução das galáxias e o local onde as estrelas que acabaram nas galáxias massivas de hoje, como a Via Láctea, podem ter-se formado. O nosso objetivo é continuar esta investigação, explorando tanto as melhorias na modelagem como as previsões observáveis que delas podem surgir."

O artigo científico foi aceite para publicação pela revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society e está disponível online.

 


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Links:

Notícias relacionadas:
Universidade de Warwick (comunicado de imprensa)
Artigo científico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)
Artigo científico (arXiv.org)
Universe Today
EarthSky
PHYSORG

Modelos BPASS:
Universidade de Warwick
Universidade de Auckland

Formação estelar:
Wikipedia

Sistemas binários:
Wikipedia

Enxames globulares:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
SEDS
Wikipedia

 
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